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Rede Globo completa 40 anos de transmissão da Corrida de São Silvestre


Por Edu Cesar

Neste sábado, dia 31 de dezembro, a Rede Globo transmitirá a Corrida de São Silvestre direto das ruas de São Paulo. Duas marcas importantes serão observadas na edição deste 2022 que está chegando ao fim: 10 anos de realização na faixa da manhã (atualmente a prova acontece às 07h30) e, sobretudo e especialmente, 40 anos de transmissão do evento por parte da emissora.

Surgida em 1925, a São Silvestre ganhou a televisão em 1970, ano de inauguração da Gazeta, emissora pertencente à Fundação Cásper Líbero, organizadora da corrida - que era realizada às 23h30. Porém, não era tudo que ia ao ar e sim apenas a largada e a chegada. Além disso, por ser um canal local, apenas a própria cidade de São Paulo e a região metropolitana acompanhavam a disputa. Em outras partes do país, dava para segui-la pelas coberturas de emissoras de rádio.

Isto mudou a partir de 1982, quando pela primeira vez a Globo entrou na Internacional de São Silvestre ao adquirir os direitos de transmissão por 500 mil dólares. Com a prefeitura paulistana e a secretaria municipal de esportes na parceria - além, claro, da Cásper Líbero e da Gazeta -, a líder de audiência mobilizou uma grande cobertura em três dias, sob comando do diretor esportivo Leonardo Gryner. Outro ganho substancial: o estratosférico aumento na audiência alcançada, já que agora não seria apenas a Grande São Paulo a assisti-la, mas sim todo o Brasil. O horário também foi alterado, passando para as 23h.

Para a transmissão da 58ª edição da corrida, os globais tiveram 150 profissionais envolvidos na operação - aos quais se somaram 130 da Gazeta. 300 spots de luz foram instalados para deixar melhor a visualização para os telespectadores do percurso de 13,5 quilômetros. 20 câmeras mostraram tudo, quase todas em sete pontos fixos. A exceção era uma extremamente importante, colocada em uma Unidade Móvel, na qual oito pessoas trabalharam e que possuía uma antena guia de ondas, que era direcionada para outras quatro antenas fixas - e tudo isso em movimento.

À tecnologia empregada pela Globo e aos funcionários atuantes atrás das câmeras se somaram os cronistas em ação no microfone. Oito repórteres cobriram pontos estratégicos do percurso: Antônio Carlos (Tonico) Ferreira, Carlos Nascimento, Gilson Ribeiro, Luiz Ceará, Luiz Andreoli, Raul Quadros, Reginaldo Leme e Ricardo Menezes, este último de olho em tudo a partir da Unidade Móvel. O primeiro narrador da Corrida de São Silvestre na emissora foi Osmar de Oliveira - em sua primeira e única edição do evento, pois em dezembro de 1983 já estreava na equipe do recém-chegado Luciano do Valle na Bandeirantes.

De todas as edições da São Silvestre nestes 40 anos, somente duas não possuem qualquer registro na internet das transmissões globais: as de 1983 e de 1984. Após Osmar Santos comandar a cobertura de 1985, Galvão Bueno fez a corrida pela primeira vez em 1986. Ele esteve em cinco edições do evento, consecutivamente até 1989 (primeiro ano de realização no fim de tarde, às 17h) e depois em 1991. Neste ínterim, esteve ausente em 1990, quando a narração foi de Luiz Alfredo (retornado à Globo após fazer a Copa do Mundo na Itália pelo SBT). Ele já havia estado na Unidade Móvel em 1988 e lideraria as transmissões também em 1992 e 1993.

O locutor global mais atuante da Corrida Internacional nestas quatro décadas é Cléber Machado, curiosamente revelado para a televisão pela Gazeta. Presente na Unidade Móvel em 1989 e 1990, passou para a posição central na 70ª realização do evento, em 1994, ano justamente de uma nova saída de Luiz Alfredo para outra vez relatar a Copa do Mundo no SBT, desta vez com o tetra nos Estados Unidos. De lá para cá, Cléber bateu ponto em todos os dias 31 de dezembro ano após ano, com a exceção de 2020, quando a prova não foi realizada como consequência da pandemia de Covid-19.

O primeiro corredor a vencer a São Silvestre com a Globo transmitindo foi o português Carlos Lopes, que repetiria a façanha em 1984. Seis brasileiros ganharam o evento neste período: João da Mata de Ataíde em 1983, José João da Silva em 1985, Ronaldo da Costa em 1994, Émerson Iser Bem em 1997, Franck Caldeira em 2006 e especialmente Marílson Gomes dos Santos em três ocasiões (2003, 2005 e 2010). Outros grandes destaques: o equatoriano Rolando Vera, tetracampeão de 1986 até 1989; o mexicano Arturo Barrios, bicampeão em 1990 e 1991; e o domínio avassalador do continente africano a partir de 1992, destacando-se os cinco títulos do queniano Paul Tergat entre 1995 e 2000 - sequência quebrada apenas por Iser Bem.

A primeira corredora campeã da Internacional de SS mostrada pelos globais foi a portuguesa Rosa Mota, que chegaria ao hexacampeonato entre 1981 e 1986. Cinco brasileiras conquistaram o topo neste recorte de quatro décadas: Carmem Oliveira em 1995, Roseli Machado em 1996, Maria Zeferina Baldaia em 2001, Marizete de Paula Rezende em 2002 e Lucélia Peres em 2006. Assim como nos homens, também nas mulheres a África passou a ganhar a maioria das edições a partir da década de 90, embora não haja entre elas uma campeoníssima suprema igual a Paul Tergat e sim uma maior rotatividade de vencedoras - porém, sempre com o Quênia papando quase todos os primeiros lugares

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