Daniel Nascimento evolui com treinos no Quênia e vira esperança de medalha para a maratona do Brasil


A ousadia é de um jovem garoto, mas a maturidade, adquirida com anos dedicados ao atletismo, é de gente grande. Essa combinação é a tônica do perfil de Daniel Nascimento, de apenas 23 anos. Ele é considerado a grande revelação da corrida de rua no Brasil e foi colocado num patamar de potencial para uma possível medalha olímpica neste ciclo de Paris 2024. Atual recordista sul-americano na maratona, Danielzinho, como é conhecido, se prepara para entrar em cena e destilar sua ousadia e maturidade no Mundial de Atletismo, em Eugene, no estado americano do Oregon, no domingo (17), para entrar de vez no rol seleto da elite mundial dos fundistas.

A ascensão meteórica de Danielzinho veio pouco antes dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, quando ele participou de sua segunda maratona da carreira (lá, acabou não completando a prova). De lá para cá, o jovem de Paraguaçu Paulista, em São Paulo, vem empilhando excelentes resultados e baixa nos tempos dos 42 km: nas últimas provas ele passou de 2h09 para 2h04m51s, marca obtida na Maratona de Seul, na Coreia do Sul, em abril deste ano, melhor tempo da história de um corredor não africano na tradicional prova. Tudo isso, claro, fruto de um trabalho que começou nas categorias de base do atletismo brasileiro.

“A gente tem que entender que ele (Daniel) já veio de um processo sistemático desde a formação. Ele não é um atleta que surgiu simplesmente do nada. Ele já veio de outros treinadores, de outros clubes aqui do Brasil, então ele já vem nessa maturidade dentro do atletismo, dentro da parte atlética. E a prova da maratona na verdade o escolheu. Ele se encontrou com a prova”, reforçou Jorge Luiz da Silva, atual técnico de Daniel.

Esse crescimento também foi reflexo de uma decisão de Danielzinho no começo deste ano. Ele se mudou para o Quênia e, desde então, vem morando na cidade de Kaptagat, onde treina com maratonistas da elite mundial. O foco principal é a preparação para as Olimpíadas de Paris 2024.

“Lá no Quênia você acorda seis da manhã e vê todo mundo correndo. Quando eu cheguei lá eu falei ‘aquilo ali é uma loucura, cara’. Eu estava mais motivado, é isso que inspira, milhares de pessoas no mesmo lugar iguais ou até dez mil vezes melhor que você, então isso me levou a me esforçar mais. E eu me vejo competindo com aqueles caras futuramente, porque, no contexto mundial da maratona, eu sou o único jovem que está no meio ali, de 23 anos. Para mim é um orgulho estar lá com eles. E quando você sabe que você está no lugar certo é quando as coisas começam a acontecer”, pontuou Danielzinho.

Ainda com um currículo de apenas quatro maratonas disputadas, Danielzinho vem projetando uma estratégia para chegar no ápice da forma física e técnica em Paris. Uma dessas fases é o Mundial de Oregon, em que ele vai novamente encontrar a elite da maratona mundial. Como bom observador, o fundista brasileiro crava que está consciente do processo que vive. Ele visualiza o crescimento pessoal sem deixar a ousadia e alegria de lado, suas marcas registradas.

“Por mais que eu já esteja entrando na fase adulta, eu gosto de me motivar bastante com brincadeiras, sabe. Sempre com o sorriso no rosto. Vou continuar mantendo a minha performance, que é o mais difícil de fazer, para brigar por medalha lá no Mundial. Esse é o meu objetivo. E até as Olimpíadas eu estou planejando...iria ser segredo, né?! (risos) mas eu estou pegando os atletas que vão estar lá, competindo um pouco com eles e observando os estilos de corrida para me preparar”, completou.

Foto: Wagner Carmo/CBAt

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