Atletas e treinadoras da Ginástica Rítmica falam sobre o bronze em Pesaro


O quinteto brasileiro formado por Bárbara Galvão, Deborah Medrado, Giovanna Oliveira Silva, Maria Eduarda Arakaki e Nicole Pircio, conquistou o bronze para o país na Copa do Mundo de Pesaro, na Itália. O pódio histórico e inédito foi conquistado no último domingo (5) e colocou o Brasil num lugar de maior destaque no cenário mundial. Em entrevista coletiva realizada no Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica, em Aracaju, na última quarta (8), a equipe contou mais detalhes sobre o percurso até o pódio.


A conquista histórica foi embalada por Charles Chaplin. Camila Ferezin, treinadora da Seleção Brasileira de Conjunto, buscou inspiração no maior artista do cinema mudo para criar o conjunto. A medalha de Pesaro foi a primeira da história da GR brasileira numa etapa de Copa do Mundo de nível 1 – a outra conquista, a de Minsk, em Belarus, em 2013, foi na série Desafio (FIG World Challenge Cup), que não tem um nível tão elevado.


“A coreografia da série mista foi fruto de um start que eu tive. Quando estávamos indo para Tóquio, para disputar o Mundial (de Kitakyushu), eu sonhei com o meu pai (Lourival), que faleceu no ano passado. Escolhi a música Smile, do Charles Chaplin, e montamos a coreografia em cima dos movimentos dele. E isso fez toda a diferença. Desde a primeira apresentação, em Portimão, a gente foi vista, notada e elogiada pelo público e pelos árbitros. Lá em Portugal ainda cometemos alguns erros. E quando elas conseguiram executar essa coreografia sem grandes falhas em Pesaro, a gente conseguiu esse excelente resultado”, explicou a treinadora da Seleção Brasileira de Conjunto, Camila Ferezin.


Para a capitã da Seleção, Duda Arakaki, a conquista foi reflexo de esforços conjuntos e dedicação de anos da equipe técnica. “Ainda não caiu a ficha para nós. Sempre foi um sonho. A gente sempre acreditou muito. Mas quando pisamos no pódio, vendo que realmente aconteceu, sabendo que representamos cada ginastinha do Brasil, para nós teve um significado muito especial. Desde crianças, sempre quisemos levar o nome do Brasil ao mais alto grau de potência mundial, assim como é a nossa Ginástica Artística, com a Rebeca, com o Zanetti, com o Caio. A gente trabalha muito. Pra Camila e pra Bruna (Martins, assistente técnica), deve ter sido ainda mais especial, porque elas fazem um trabalho de muitos anos. E era disso que a gente precisava. A gente continuou neste ciclo, querendo ser ainda melhores. A gente vem aqui, treina muito. Poder ver essa evolução, ver que estamos sendo respeitadas lá fora, foi muito emocionante. Por isso que a gente não acreditava. A gente olhava pra medalha e chorava. Vimos que é possível e queremos mais", disse a ginasta.


Deborah Medrado, uma das remanescentes do ciclo anterior, ressalta a percepção de que o Brasil passará a ser visto com outros olhos pela arbitragem graças à conquista de Pesaro. “Quando a gente consegue um resultado inédito, todo mundo fica ‘ah, meu Deus, o Brasil conseguiu chegar lá’. A gente olhava para os outros países que conseguiam e a gente sonhava que um dia iria conseguir também. Como a Camila falou, o artístico é o nosso forte, e esse é um ponto muito importante no novo código de pontuação. Na vigência dos outros códigos a gente já se destacava pelo artístico, mas agora recebemos uma nota específica para isso. Esse foi um reconhecimento dos árbitros, de que nossas coreografias estavam belíssimas, que era uma poesia e que a gente conseguia representar isso. Com certeza, capricharemos cada vez mais para sermos bem vistas e conseguirmos outros resultados inéditos para o nosso País”, ressalta a atleta.


A assistente técnica Bruna Martins falou mais sobre a importância do trabalho artístico para o Brasil. “Há muitos anos a gente trabalha embasada no artístico. Por muitas vezes o artístico nas nossas séries foi referência na FIG e utilizado como exemplo. Quando soubemos que isso seria mais valorizado pelo código, focamos ainda mais nesse trabalho e fomos muito pontuais e assertivas no momento de montar essa coreografia, trazendo para a nossa linguagem brasileira aquilo que a música estava transcendendo e querendo passar. As meninas souberam incorporar isso muito bem. Elas se dedicaram muito aos treinamentos e à montagem, facilitando o nosso trabalho”.


A catarinense Beatriz Linhares vai mais além e vê o Brasil com chances também de ser finalista em mais um Mundial. O deste ano será em Sófia, na Bulgária, em setembro. “Nossa meta mais imediata é o Pan, mas também queremos pegar finais no Mundial. Já vão começar as classificatórias para os Jogos Olímpicos de 2024. Este ano se garantem os três primeiros no Mundial. E depois haverá mais vagas. Queremos tentar a vaga no Mundial para não passarmos o sufoco de depender do Pan pra garantir a vaga olímpica”.


Climatização do ginásio. Em suas considerações finais na coletiva, Camila Ferezin pediu ajuda para que se concretize o sonho da climatização do Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica. “A gente está no ginásio no dia a dia e não é fácil o calor que passamos numa cidade quente como Aracaju. Há 11 anos nós lutamos pela instalação do ar-condicionado. Pedimos muito por isso porque o rendimento da nossa seleção vai melhorar muito com a climatização do nosso ginásio”.


Segundo a presidente da CBG, Luciene Resende, a verba para a realização da benfeitoria já foi transferida da Secretaria Especial do Esporte para o Governo de Sergipe. “O mais difícil já foi conseguido que foram os recursos transferidos pelo Governo Federal através da Secretaria Especial do Esporte. Sabemos que é necessário fazer a licitação, das dificuldades do percurso. Mas a gente pede ao governo do Estado para que se empenhe, porque essa climatização vai contribuir para a performance das nossas ginastas”.


Por fim, Luciene agradeceu o empenho de todos que tornaram possível a conquista em Pesaro. “Quero agradecer pelo trabalho e dedicação de todos os membros da comissão transdisciplinar, às treinadores e às ginastas por esse grande resultado, que significa tanto para o nosso esporte”.


Com informações da Confederação Brasileira de Ginástica

Foto: Reprodução CBG

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