Guia - Jogos Paralímpicos de Inverno Pequim 2022



Na próxima sexta-feira (4), terá início a 13ª edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno Pequim 2022. Com seis atletas, o Brasil vai à China na busca de sua primeira medalha na competição. Neste Especial, o Surto Olímpico explica tudo sobre a Paralimpíada de Inverno: sua história, suas modalidades e quem são os brasileiros que vão competir nas montanhas ao redor da capital chinesa.

O austríaco Sepp Zwicknagl é considerado o pioneiro dos esportes de inverno adaptado para pessoas com deficiências. Ele tinha amputações nas duas pernas e experimentou esquiar usando próteses. Seu trabalho ajudou a desenvolver tecnologias para que pessoas com deficiência pudessem praticar esportes na neve.

Em 1974, aconteceu o primeiro Mundial de Esqui Paralímpico, na França. A competição foi o estopim para a realização dos primeiros Jogos Paralímpicos de Inverno, em Örnsköldsvik, na Suécia em 1976, com provas de esqui alpino e esqui cross-country.

O evento foi aos poucos crescendo, com a adição de novas provas e novos esportes. Desde 1992, a Paralimpíada acontece na mesma sede dos Jogos Olímpicos de Inverno do mesmo ano. 

A Alemanha e a Noruega são as maiores potências da Paralimpíada de Inverno, com 364 medalhas (137 de ouro) para os alemães e 327 medalhas (136 de ouro) para os noruegueses. Também se destacam a Áustria, com 334 medalhas (104 de ouro) e os Estados Unidos, com 313 medalhas (110 de ouro). Os norte-americanos lideraram o quadro de Pyeongchang-2018, com 36 medalhas, sendo 15 de ouro.

A maior medalhista de todos os tempos é Ragnhild Myklebust da Nouega. Ela conquistou 22 ouros, 3 pratas e 2 bronzes (27 no total) no esqui cross-country, biatlo e sledge racing (uma espécie de corrida de trenó, similar à patinação de velocidade. Saiu do programa paralímpico após Nagano-1998).

Myklebust anda em um trenó sobre o gelo em uma pista plana de patinação. Ela veste uma blusa azul com detalhes em preto e vermelho, uma faixa na cabeça com a bandeira da Noruega e usa bastões para auxiliar na locomoção
Myklebust competindo no sledg racing em Lillehammer-1994 - Foto: Anno Domkirkeodden/digitalmuseum.no

ESPORTES

Atualmente seis esportes são disputados nos Jogos Paralímpicos de Inverno. Abaixo, explicamos um pouco de cada um deles.

Esqui alpino

Canadense contorna bandeira azul de circuito de esqui alpino. Ele veste uma malha vermelha com detalhes em branco e amarelo e um capacete azul
Esquiador canadense em prova de downhill no Mundial de 2022 - Foto: Luc Percival/World Para Snow Sports
As provas são as mesmas dos Jogos Olímpicos: slalom, slalom gigante, slalom super-gigante (super-G), downhill e o combinado que neste caso une as provas do slalom e do super-G. Cada evento é disputado em três categorias diferentes, que agrupam os tipos de deficiência dos atletas: deficientes visuais (que competem com atletas-guia), atletas que competem em pé e atletas que competem sentados.

Em cada uma das provas, os tempos são fatorados para compensar a diferença entre os graus de funcionalidade dos esquiadores.

Esqui cross-country

Atleta francês esquia usando uma malha azul escura e um colete com o número 49. Na sua frente está seu atleta guia que usa uma malha igual e um colete amarelo com a letra G. No fundo, uma floresta de pinheiros
Atleta francês esqui com seu guia - Foto: Gisle Johnsen/World Para Snow Sports
A divisão dos atletas é a mesma do esqui alpino. Para cada uma das três categorias são disputadas provas de sprint, média distância (5 a 10km) e distância (12 a 20km). O comprimento das provas de média e longa distância variam de acordo com o gênero e a classe funcional. Também são disputadas duas provas de revezamento. Os tempos também são fatorados de acordo com o grau de funcionalidade do atleta.

Biatlo

Atleta deficiente visual ucraniano atira deitado usando um rifle. Ele usa um gorro azul e amarelo escrito Ucrânia em inglês e um par de fones de ouvido vermelho, que ele utiliza para guiar a sua mira
    Biatleta ucraniano usa fones de ouvidos para acertar a sua mira através do som - Foto: Luc Percival/World Para Snow Sports
O biatlo também tem as mesmas três divisões de classe funcional das outras modalidades de esqui. Todas as provas são disputadas no formato contrarrelógio (como o sprint e o individual do biatlo dos Jogos Olímpicos). São três provas com distâncias diferentes: 6km, 10km e 12,5km no feminino e 7,5km, 12,5km e 15km no masculino

Todos os tiros são realizados na posição deitada. Nas provas curtas (6/7,5km), em caso de erro, os atletas dão uma volta extra em um circuito de 150m para cada alvo perdido. Nas demais provas, para cada erro, um minuto é acrescentado no tempo de prova do biatleta.

Os atletas com deficiências visuais atiram usando um rifle especial que indica através de um sinal sonoro o quão perto a mira está do centro do alvo.

Snowboard

Três snowboarders contornam curva de circuito de snowboard cross. A pista na neve é demarcada por linhas azuis e bandeiras vermelhas
Bateria de snowboard cross no Mundial de 2022 - Foto: Gisle Johnsen/World Para Snow Sports
Duas provas são disputadas no snowboard paralímpico: o cross e o banked slalom. São três classes funcionais. Na LL1 e na LL2 participam atletas com deficiências nos membros inferiores, com maior grau de comprometimento para os atletas da LL1. A classe UL é para os atletas com deficiências nos membros superiores. 

No masculino, as provas serão disputadas nas três categorias. No feminino, apenas a classe LL2 terá disputa de medalhas, por falta de atletas nas demais classes. 

Hóquei no gelo

atletas dos Estados Unidos após receberem suas medalhas de ouro. Todos estão encima de seus trenós sorrindo e conversando. Eles vestem uma camisa branca escrito USA em azul na diagonal. Todos estão com uma medalha de ouro pendurada no pescoço
Equipe dos Estados Unidos campeã mundial em 2021 - Foto: parahockey.cz
O hóquei no gelo paralímpico segue regras similares ao da sua versão olímpica. Neste caso, os atletas usam pequenos trenós no lugar dos patins para se locomover pelo rink de gelo. A é a mesma: fazer gols colocando o puck na rede do time adversário. As partidas são jogadas em três períodos de 15 minutos, seguidos de prorrogação e shoot-outs em caso de empate.

A modalidade é disputada apenas em um evento misto. Porém, apenas duas mulheres norueguesas já participaram dos Jogos Paralímpicos. Para incentivar uma participação feminina maior, o IPC permite a convocação de um atleta a mais caso a equipe tenha pelo menos uma mulher.

Curling em cadeira de rodas

Atleta em cima de cadeiras de rodas estica o braço para impulsionar uma pedra de curling amarela usando uma vara. Outros dois atletas chineses aparecem no fundo em suas cadeiras de rodas. Todos vestem um casaco branco e calças pretas
Atleta chinês lançando pedra com o auxílio de uma vara - Foto: World Curling Federation
O curling em cadeira de rodas segue o mesmo esquema do curling regular, com o mesmo tipo de pedras e a mesma pista de gelo. A modalidade é praticada por pessoas com diversos tipos de deficiência física. A única condição é que o atleta use uma cadeira de rodas para a mobilidade no seu dia a dia.

As partidas são disputadas por equipes mistas e tem oito ends de duração. Os atletas jogam todas as pedras de uma cadeira parada e não varrem o gelo para ajudar na direção. Os jogadores podem usar as próprias mãos ou uma espécie de vara para impulsionar as pedras.

O Brasil em Pequim 2022

Esta vai ser a terceira participação do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno. A nossa delegação será composta por seis atletas: cinco homens e uma mulher.

Aline Rocha - esqui cross-country:

Aline esquia usando esquis adaptados com uma espécie de cadeira. Ela usa um agasalho azul e branco e um colete com o número 25
Foto: Ale Cabral/CPB
Indo para sua segunda paralimpíada de inverno. Está embalada com bons desempenho nesta temporada, incluindo dois top-5 no Campeonato Mundial e medalha em etapa de Copa do Mundo. Ela também compete no atletismo, tendo participado da Rio-2016. Em 2021, subiu no pódio da Maratona de Berlim, uma das principais do mundo.

Cristian Ribera - esqui cross-country:

Cristian esqui usando um par de esquis adaptados. O brasileiro veste um agasalho azul e branco, com um colete com o número 40 por cima, e uma touca na cabeça
Foto: Ale Cabral/CPB
Dono do melhor resultado do Brasil em Paralimpíadas de Inverno (6º lugar em 2018), o jovem esquiador de 19 anos vai para sua segunda participação. A expectativa é para que Cristian melhore o seu desempenho. Ele chega a Pequim embalado por uma boa participação no Campeonato Mundial em janeiro, onde ganhou a prata na prova de sprint.

Guilherme Rocha - esqui cross-country:

Guilherme esquia usando um par de esquis adaptados. Ele veste um agasalho azul e branco e um colete com o número 41. Robelson Lula esquia ao fundo
Foto: Ale Cabral/CPB
Participando de sua primeira paralimpíada, Guilherme tem como melhor resultado internacional um oitavo lugar no sprint em uma etapa da Copa do Mundo na Eslovênia em 2021. É o atual 24º colocado do ranking mundial

Robelson Lula - esqui cross-country:

Robelson usando um esqui adaptado com uma cadeira. O brasileiro usa um agasalho azul e branco com um colete com o número 42 por cima
Foto: Ale Cabral/CPB
Também irá estrear em Jogos Paralímpicos. Foi vice campeão do circuito brasileiro de para rollerski em 2021 e é o 29º do ranking mundial.

Wesley Vinícius dos Santos - esqui cross-country:

Wesley, usando um coque no cabelo, esquia com um fundo branco de neve. O brasileiro veste um agasalho do CPB com azul com detalhes em verde e amarelo, com um colete com o número 43 por cima.
Foto: Ale Cabral/CPB
Wesley participa de sua primeira Paralimpíada em Pequim. É o 34º colocado do ranking mundial do esqui cross-country sitting. Já teve um top-10 em etapa da Copa Norte-Americana da modalidade.

André Barbieri - snowboard:

André posa para foto segurando prancha de snowboard e fazendo um sinal de número 2 com a mão direita. Ele veste um casaco cinza com um colete azul por cima e um capacete preto
Foto: Ale Cabral/CPB
André será o único representante do Brasil no snowboard. Compete na classe LL1 onde é o 8º colocado do ranking mundial do cross e o 21º no banked slalom. Recentemente, ganhou duas medalhas (uma prata e um bronze) no snowboard cross em etapas de Copa do Mundo no Canadá.

Destaques Internacionais

No total, 650 atletas de 51 países diferentes irão participar dos Jogos Paralímpicos. 78 medalhas de ouro serão distribuídas em 39 eventos masculinos, 35 femininos e 4 mistos. Veja abaixo alguns dos principais destaques que devem garantir uma ou mais medalha de ouro para seus países:

Oksana Masters (USA) - esqui cross-country e biatlo

Oksana Masters esquia em pista de neve. Ela usa esquis adaptado com uma especie de cadeira e está usando um bastão para se equilibrar em uma curva. Maters veste uma malha vermelha e azul, que lembra a bandeira dos Estados Unidos, com um colete com o número 101 por cima
Masters no Mundial de 2022 - Foto: Samuel Andersen/World Para Snow Sports
Oksana Masters é medalhista paralímpica em quatro modalidades diferentes: remo, ciclismo, esqui cross-country e biatlo. Em Pequim, ela novamente vai em busca de medalha nas duas disciplinas do esqui nórdico, competindo na classe sitting (atletas que competem sentadas). Em 2018, foram dois ouros e um bronze no cross-country e duas pratas no biatlo.

Anna-Lena Forster (GER) - esqui alpino

Forster contorna um obstáculo azul de um circuito de slalom. Ela usa um esqui adaptado com uma espécie de cadeira. A alemã veste uma malha amarela, capacete preto e um colete com o número 19
Forster no Mundial de 2022 - Foto: Luc Percival/World Para Snow Sports
Atual campeã paralímpica do slalom e do super combinado da classe sitting, Anna-Lena Forster está em grande fase. Em janeiro, ganhou quatro ouros no campeonato mundial: downhill, super-g, slalom e super combinado.

Brenna Huckaby (USA) - snowboard


Huckaby encima de sua prancha descendo uma pista de snowboard cross. o trecho da pista é uma reta após uma curva, sinalizados com uma tinta azul
Huckaby no Mundial de 2022 - Foto: Gisle Johnson/World Para Snow Sports
Huckaby foi a campeã das duas provas da classe LL1 do snowboard em Pyeongchang 2018. Por falta de competidoras, os eventos da classe não serão disputados em Pequim, mas a estadunidense, assim como a francesa Cecile Hernandez, conseguiu na justiça o direito de competir nas provas da classe LL2 (para atletas com maior grau de funcionalidade). 

Mesmo competindo em uma categoria mais difícil, tanto Huckaby como Hernandez tem chance de medalha em Pequim, já que costumam competir junto - e vencer - atletas da LL2 em algumas etapas de Copa do Mundo.

Hernandez e Huckaby posam para foto com uma montanha nevada ao fundo. Hernandez veste um agasalho vermelho e azul e capacete preto. Huckaby segura um snowboard e usa uma calça que deixa sua prótese da perna direita à mostra. A americana está com o colete da competição com o número 11
Hernandez e Huckaby no Mundial de 2022 - Foto: Reproução/Instagram


Giacomo Bertagnolli (ITA) - esqui alpino

Bartagnolli esquia em uma pista de neve com bandeiras vermelhas e azuis. Ele está no fundo usando um colete azul. Na sua frente está seu atleta guia vestindo um colete amarelo com a letra G
Bertagnolli e seu guia Andrea Ravelli no Mundial de 2022 - Foto: Luc Percival/World Para Snow Sports
O italiano é o atual campeão paralímpico do slalom e do slalom gigante para deficiente visuais. Neste ciclo, foi campeão mundial em todas as provas do esqui alpino: ouro no slalom gigante este ano e nas demais provas no Mundial de 2019.

Maxime Montaggioni (FRA) - snowboard 

Montaggioni posa para foto segurando sua prancha vermelhar de snowboard. O fracês veste um casaco e capacetes brancos
Montaggioni no Mundial de 2022 - Foto: Gisle Johnsen/World Para Snow Sports
Atual bicampeão mundial nas duas provas da classe UL. O francês era favorito ao ouro em 2018, mas sofreu uma lesão nos treinos em Pyeongchang. Será que a medalha paralímpica vem em Pequim?

Wang Haitao (CHN) - curling em cadeira de rodas

Cinco atletas chineses posam para fotos em suas cadeiras de rodas em pista de curling. O atleta do meio levanta a taça da Copa do Mundo de curling
Equipe chinesa com a taça do Mundial de 2021 - Foto: World Curling Federation
Capitão da equipe chinesa de curling em cadeira de rodas, que conquistou o único ouro paralímpico de inverno do país em 2018. A equipe de Wang teve um bom desempenho ao longo do ciclo, vencendo os campeonatos mundiais de 2019 e 2021.

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