De volta pra casa, Nicole Silveira fala sobre sua experiência em Pequim e os seus próximos passos

De casaco preto, Nicole Silveira demonstra felicidade com a bandeira esticada em suas costas

Primeira brasileira a disputar o skeleton em Jogos Olímpicos de Inverno, Nicole Silveira retornou ao Brasil e falou ao Surto Olímpico sobre sua experiência em Pequim, as expectativas para o próximo ciclo e sua relação com o esporte.


Ela recebeu o portal em evento na arena Ice Brasil e junto dela haviam alguns itens, como o seu capacete. Nicole começou falando sobre os Jogos e disse que pretendia conseguir um top-8. 


Nicole mostrando o capacete, com uma arara na parte de cima. (Foto: Alexandre Castello Branco/COB)

"Como atleta e pessoa competitiva, eu sempre quero mais. Foi uma pista difícil, o 13º pra mim, que comecei há 3 anos e meio é muito bom. Mas vendo nos treinos e nos splits a posição que eu tava, dava pra fazer mais. O top-8 que era o que eu pretendia antes das Olimpíadas, mas o 13º é muito bom."


Esse foi o melhor resultado do Brasil em esportes de gelo e o segundo melhor em Jogos de Inverno, atrás apenas do nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim-2006. Nicole entrou cerca de de boa expectativa por parte de dirigentes e torcedores brasileiros após ser pentacampeã da Copa América, competição que foi muito importante pra ela no começo da carreira.


"Depois de Pequim, estou mais motivada para as próximas temporadas. Quando eu iniciei no esporte era sempre Copa América e na última temporada eu só disputei Copa do Mundo. Agora, voltando a Copa América, eu me dediquei e foquei como se fosse uma etapa do Mundial, isso me ajudou bastante com os resultados. Agora, com a experiência olímpica, espero ir ainda melhor nas etapas da Copa do Mundo."


Pensando no futuro da modalidade, Nicole conta que deseja trazer crianças e adolescentes para o esporte e ainda falou sobre um projeto que tem no Canadá.


"O objetivo durante o off-season é começar dois (pojetos). Um é em Whistler, no Canadá, onde já levamos eles para uma estrutura onde eles puderam treinar a largada no gelo, eles já estiveram lá e queremos colocar eles já para deslizar na pista.", disse orgulhosa de seu projeto.


"O problema pra mim é que eu trabalho como enfermeira nos hospitais durante o verão, eu quero ter a liberdade de chegar nas próximas temporadas para conseguir patrocínio para trabalhar menos e achar mais atletas para o esporte. Esse é o meu objetivo nesse verão.", completou, lembrando que seu trabalho como enfermeira, acaba dificultando uma dedicação maior aos projetos.


Nicole praticou muitos esportes antes de chegar ao skeleton. Para os Jogos de 2018, ela tentou vaga no bobsled e não conseguiu. Mas antes, ela foi fisiculturista, jogadora de futebol, ginasta, jogadora de vôlei, de rugby e ainda fez halterofilismo. Mas desta vez, ela fala que não deve mudar de modalidade.


"Hoje, eu diria só o skeleton. Acabando o skeleton, que ainda não vejo quando pode acontecer, eu devo me manter em algum esporte. Eu fui assistir o big air e achei legal, gostaria de pelo menos tentar. Mas se você me perguntasse depois do fisiculturismo, o que eu ia fazer eu não responderia skeleton. Eu gostaria de tentar esquiar, snowboard e crossfit. Eu não tenho limites."


Segunda da esquerda para a direita, Nicole na época de fisiculturista (Foto: Arquivo Pessoal)

Nicole se mudou para o Canadá ainda jovem e foi dançarina quando criança e ela conta como essa experiência a ajuda na vida profissional.


" Eu dancei até os 11 anos e foi lá que eu comecei a ser mais disciplinada. Eu aprendi a ser atleta na dança.", comentou.


Com as suas duas últimas descidas transmitidas ao vivo, ela comentou sobre o crescimento dos esportes de inverno e fala em ser personagem fundamental desse crescimento.


"Eu espero que consiga crescer mais, a divulgação foi enorme e sou grata por ser uma pessoa que ajudou nesse crescimento. O que puder fazer para ajudar que esses esportes evoluam, eu vou fazer."


Em breve, Nicole voltará para o Canadá, onde poderá descansar após uma temporada desgastante, mas muito proveitosa. Agora, é partir para o ciclo de 2026. 


Foto de capa: Alexandre Castello Branco/COB

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