Guia Pequim 2022 - Patinação artística


FICHA TÉCNICA

Local de disputa: Capital Indoor Stadium
Período: 04/02 a 19/02
Delegações participantes: 32
Total de atletas: 148 atletas 
Brasil: não se classificou

A patinação no gelo começou a ser praticada ainda na antiguidade, em corpos d’água congelados. No século XIX, a atividade começou a ser organizada, com o surgimento da União Internacional de Patinação (ISU), que comanda as competições internacionais de patinação artística e de velocidade até hoje.

Inicialmente, a patinação artística consistia em desenhar figuras no gelo utilizando as lâminas dos patins. O esporte mudou através do trabalho de Jackson Haines, considerado o “pai da patinação artística moderna”. Haines era bailarino e incorporou música e elementos de dança nos seus programas.

Em 1896, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial de Patinação Artística. Doze anos depois, a modalidade estreou nos Jogos Olímpicos em uma edição de verão: Londres-1908. O esporte voltou em Antuérpia-1920, até ser incluído na primeira edição dos Jogos de Inverno em 1924.

Ulrich Salchow em Londres-1908 quando ganhou a medalha de ouro. O sueco dá nome a um dos seis saltos da patinação artística - Foto: Domínio Público

COMO É A DISPUTA?


A patinação artística será disputada na mesma arena onde a Seleção Feminina de Vôlei do Brasil ganhou o ouro em Pequim-2008 - Foto: CFP
Em Pequim-2022, serão realizadas cinco provas na patinação artística: masculino, feminino, pares, dança no gelo e a competição em equipe. No masculino, feminino e nos pares, os patinadores fazem duas apresentações compostas por saltos, giros e elementos de dança. O programa curto tem duração de 2min50 e o programa longo 4min.

Na dança no gelo, também são feitas duas apresentações. Com origem na dança de salão, a dança no gelo não tem saltos na sua composição (o que é a principal diferença em relação aos pares). 

O primeiro programa é a dança rítmica. Com 2min50 de duração, ela deve seguir um estilo musical que é determinado pela ISU a cada temporada. Para 2021/22, o tema é a “dança de rua”. Já na dança livre, cada dupla pode escolher livremente a sua música. 

As notas de cada programa da patinação artística são divididas em duas partes: os elementos técnicos e os componentes do programa. 

A parte técnica é a soma dos elementos feitos na apresentação. Cada elemento tem um valor base, que pode aumentar ou diminuir dependendo da execução do atleta.

Os pontos dos componentes do programa são feitos com os juízes dando nota de 0 a 10 para cinco quesitos na apresentação: habilidade com os patins, transições, performance, composição e interpretação da música.

Nas quatro provas individuais e em duplas, a classificação final é decidida pela soma da pontuação dos dois programas. Todos competem no programa curto, com os melhores (24 no individual e 20 nos pares e dança no gelo) fazendo a segunda apresentação.

Na competição por equipes, competem dez países que conseguiram classificar patinadores nas quatro disciplinas. Todos competem no programa curto/dança rítmica, com as equipes recebendo pontos para a classificação final (10 para o 1º, 9 para o 2º, 8 para o 3º e assim sucessivamente). As cinco equipes com mais pontos avançam para o programa longo. O time com mais pontos leva a medalha de ouro.



O BRASIL NA PATINAÇÃO ARTÍSTICA


A prática da modalidade no Brasil começou na década de 1960 com a instalação de pistas de gelo em shoppings e centros de eventos. Em 2006, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo se filiou à ISU podendo mandar atletas para representar o Brasil em competições internacionais. No começo de 2007, o Brasil estreou internacionalmente na modalidade com Simone Pastusiak participando da Universíade e Stephanie Gardner competindo no four continents (o campeonato continental para países fora da Europa). 

Stephanie no Four Continents de 2007 - Foto: Arquivo Pessoal
No ano seguinte, o Brasil participou do Mundial Júnior com Kevin Alves no masculino e Elena Rodrigues no feminino. A estreia em Mundiais sênior veio em 2009. Kevin Alves foi o 37º entre os homens e Stacy Perfetti terminou na 51ª posição entre as mulheres.

Kevin Alves no Mundial Júnior de 2010 - Foto: David W. Carmichael/davecskatingphoto.com
A principal representante do Brasil na patinação artística na última década foi Isadora Williams. Nascida nos Estados Unidos, mas filha de mãe brasileira, Isadora começou a patinar com 5 anos de idade. Em 2010, participou de seu primeiro Mundial Júnior ficando no 41º lugar.

Isadora Williams continuou evoluindo e, em 2012, conquistou a primeira medalha brasileira em competições internacionais ao ficar em terceiro lugar no Golden Spin, em Zagreb, na Croácia. No ano seguinte, ela conseguiu um feito inédito: ficou em 12º lugar no Troféu Nebelhorn, conquistando uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno Sochi 2014.

Isadora competindo em Sochi-2014 - Foto: Barbara Walton/EFE
Em Sochi, Isadora não foi muito bem, terminando na 30ª e última colocação entre as participantes. Mas no ciclo olímpico seguinte, continuou evoluindo. Em 2016, venceu a Sofia Cup (até hoje o único ouro internacional do Brasil na patinação artística). 

Em 2018, veio a segunda Olimpíada, em Pyeongchang, na Coreia do Sul. Ao som de Hallelujah, na voz de K.d Lang, Isadora brilhou no programa curto, terminando na 17ª colocação. O resultado fez com que ela fosse a primeira latino-americana a se classificar para o programa longo em Jogos Olímpicos. Isadora terminou em 24º lugar após cometer alguns erros na apresentação final.



Neste ciclo olímpico, Isadora começou bem, conseguindo pela primeira vez avançar para o programa longo no Campeonato Mundial em 2019 (terminou na 24ª posição). Porém a pandemia interferiu nos planos da brasileira que viu o rink onde treinava ficar fechado por muito tempo. Isadora retornou às competições em 2021 para tentar a classificação olímpica, porém uma lesão no pé atrapalhou seu desempenho e ela não conseguiu competir no programa longo no Troféu Nebelhorn (competição na Alemanha que serve como pré-olímpico final da modalidade).

Isadora durante o programa curto na última Olimpíada - Foto: John Sibley/Reuters

DESTAQUES


As principais potências da patinação artística internacional atualmente são Rússia, Estados Unidos, Canadá e Japão. Os quatro países são os principais candidatos ao pódio na competição por equipes. Abaixo, veja alguns destaques que devem brigar por medalha (e por alguns feitos históricos) em Pequim 2022.

FEMININO

A Rússia tem as melhores patinadoras da atualidade, com grande possibilidade de conseguir as três medalhas femininas em Pequim. Além disso, vale ressaltar que pela primeira vez devemos ter atletas realizando saltos quádruplos no feminino em Jogos Olímpicos.

Kamila Valieva (Comitê Olímpico Russo)

Valieva no Europeu de 2022 - Foto: CFP
 A favorita ao ouro é Kamila Valieva que está fazendo uma excelente temporada de estreia na categoria sênior. Além de vencer o Campeonato Europeu, Valieva quebrou mais de uma vez os recordes mundiais da pontuação dos dois programas e do total. 

Anna Shcherbakova (Comitê Olímpico Russo)

Shchrebakova no Mundial de 2021 - Foto: TT News/Reuters
A atual campeã mundial, Shcherbakova tem bons programas para brigar por um lugar no pódio em Pequim. Nesta temporada foi vice-campeã europeia e venceu duas etapas do Grand Prix de patinação artística.


Alexandra "Sasha" Trusova (Comitê Olímpico Russo)

Trusova no Europeu de 2022 - Foto: Reprodução/ISU
Bicampeã mundial júnior (2018 e 2019) e bronze no último mundial adulto, Sasha Trusova pode ser considerada a "rainha dos saltos quádruplos", por ser a única mulher que atualmente consegue fazer quatro tipos de saltos quádruplos diferentes (toe loop, Salchow, flip e Lutz). Com um repertório de saltos difíceis, pode conseguir notas altíssimas no programa longo.


MASCULINO


Hanyu Yuzuru (Japão)

Hanyu durante o seu programa curto em Sochi-2014 - Foto: Kyodo News
Atual bicampeão olímpico, Hanyu tenta se tornar o segundo homem a ganhar o ouro olímpico três vezes seguidas (o outro foi o sueco Gillis Grafström entre 1920 e 1928). O japonês tem uma carta na manga para tentar o feito: ele quer ser o primeiro homem a fazer um quádruplo Axel e deve tentar o salto em Pequim.

Nathan Chen (Estados Unidos)

Chen durante apresentação no Mundial de 2021 - Foto:Martin Meisner/AP
O principal desafiante de Hanyu é Nathan Chen. Atual tricampeão mundial e recordista mundial no programa longo, o norte-americano deve complicar a vida do japonês em Pequim. Nesta temporada, venceu o campeonato nacional e uma etapa do Grand Prix.


PARES

Sui Wijing e Han Cong (China)

Sui e Han celebram o ouro no Mundial de 2019 - Foto: Reuters
Sui e Han são a aposta dos donos da casa para conseguir um ouro na patinação artística. A dupla ficou com a medalha de prata em Pyeongchang-2018 e venceu os mundiais de 2017 e 2019 e ficou com a prata na última edição. Nesta temporada, venceram os dois Grand Prix que participaram. 

Anastasia Mishina e Aleksandr Galliamov (Comitê Olímpico Russo)

Mishina e Galliamov no Troféu NHK 2021 - Foto: Yutaka/Presse Sports
A Rússia tem pares preparados para estragar a festa dos chineses. Mishina e Galliamov são os atuais campeões mundiais, quando superaram Sui e Han na briga pelo ouro. A dupla vem embalada após uma ótima participação no Campeonato Europeu onde quebraram os recordes mundiais do programa curto, do longo e do total (os dois últimos pertenciam aos chineses). 

DANÇA NO GELO

Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron (França)

Papadakis e Cizeron na última Olimpíada - Foto: John Sibley/Reuters
A dupla francesa é tetracampeã mundial e ficaram com a medalha de prata quatro anos atrás. Na ocasião, um problema com o figurino de Papadakis atrapalhou o desempenho da dupla na dança rítmica. Papadakis e Cizeron são donos dos três recordes mundiais da dança no gelo e das melhores notas da temporada.

Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov (Comitê Olímpico Russo)

Dupla russa no Mundial de 2021 - Foto: Natalia Fedorenko/TASS
Sinitsina e Katsalapov são os principais desafiantes dos franceses em Pequim. Eles venceram o último campeonato mundial e foram campeões europeus no começo de janeiro.

CALENDÁRIO


03/02 às 23h00 - equipes - programa curto masculino e pares e dança rítmica
05/02 às 22h30 - equipes - programa curto feminino e programa longo pares
06/02 às 22h20 - equipes - programa longo masculino e feminino e dança livre
07/02 às 22h20 - masculino - programa curto
09/02 às 22h35 - masculino - programa longo
12/02 às 08h05 - dança no gelo - dança rítmica
13/02 às 22h20 - dança no gelo - dança livre
15/02 às 07h05 - feminino - programa curto
17/02 às 07h10 - feminino - programa longo
18/02 às 07h35 - pares - programa curto
19/02 às 08h05 - pares - programa longo
20/02 às 01h00 - exibição de gala

*todas as provas estão no horário de Brasília

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