Guia Pequim 2022 - Esqui estilo livre


FICHA TÉCNICA

Local de disputa: Genting Snow Park e Big Air Shougang
Período: 03/02 a 19/02
Delegações participantes: 27
Total de atletas:   276 (141 homens e 135 mulheres)
Brasil: Sabrina Cass no moguls feminino

O Esqui estilo livre surgiu no início do século XX, através de esquiadores que faziam acrobacias em seus esquis. A modalidade começou a ser organizada na década de 1960, com a realização de suas primeiras competições nos Estados Unidos. 

Em 1979, a Federação Internacional de Esqui (FIS) reconheceu o esqui estilo livre e no ano seguinte já organizou a primeira Copa do Mundo da modalidade, com provas de aéreos, moguls e do balé de esqui (ou esqui acrobático).

Edgar Grospiron, primeiro campeão olímpico do moguls - Foto: Rick Stewart/Allsport
O primeiro contato do esqui estilo livre em Jogos Olímpicos, veio na edição de Calgary-1988, onde foi um esporte de demonstração. Nos Jogos seguinte, em Albertville-1992, o moguls entrou oficialmente para o programa olímpico. Já o esqui aéreo estreou oficialmente em Lillehammer-1994.

Com a popularidade da modalidade, novas provas foram adicionadas aos poucos, como o esqui cross em 2010, o slopestyle e o halfpipe em 2014 e o big air que vai estar pela primeira vez nos Jogos Olímpicos em Pequim-2022.

COMO É A DISPUTA

Em Pequim-2022, serão realizadas 13 provas de esqui estilo livre, em seis disciplinas diferentes. Abaixo, explicamos como é a disputa de cada uma delas:

Aéreos:

Os atletas fazem saltos acrobáticos e recebem notas pela sua performance. Em cada salto são avaliados nos quesitos: ar, forma e aterrissagem. As três notas são somadas e multiplicadas pelo valor de dificuldade da manobra executada. Além da disputa masculina e feminina, este ano também será realizada uma prova de equipe mista.

Moguls

No moguls, os atletas descem uma pista cheia de morrinhos de neve (os moguls). No meio da descida, há duas rampas onde os atletas fazem saltos acrobáticos. No final da descida, cada esquiador recebe uma pontuação. O tempo da descida é transformado em uma pontuação, que vale 15% da total. 25% vêm dos saltos e os outros 60% da pontuação são dados através das notas de juízes que avaliam a técnica do esquiador ao contornar os moguls.

Cross

No esqui-cross os atletas descem uma pista de neve, seguindo um percurso que inclui rampas de saltos e curvas inclinadas. Na primeira fase, os atletas fazem uma tomada de tempo, descendo sozinhos no percurso. A classificação define o chaveamento das fases seguintes, onde os esquiadores competem em baterias eliminatórias, com os dois primeiros colocados avançando até chegar à final.

Halfpipe

Os atletas descem uma pista de 100m a 170m de comprimento e em formato de “U”, que lembra um cano cortado ao meio. Os esquiadores vão fazendo manobras durante a descida, recebendo notas de 0 a 100 pelo desempenho geral, sendo avaliados pelos juízes nos seguintes quesitos: execução, dificuldade, amplitude, variedade e progressão.

Slopestyle

No slopestyle, os atletas descem uma pista de até 800m realizando várias manobras. O circuito conta com vários obstáculos, como rampas, bunkers e corrimãos, que os esquiadores escolhem como utilizar. O critério de julgamento é similar ao do halfpipe.

Big Air

Novidade em Pequim-2022, o big air consiste em uma disputa de saltos realizados utilizando uma mega rampa. As notas vão de 0 a 100 e utilizam os mesmos critérios do halfpipe e do slopestyle.




O BRASIL NO ESQUI ESTILO LIVRE


Josi Santos competindo no aéreos em Sochi-2014 - Foto: AFP
O primeiro brasileiro a competir no esqui estilo livre foi Sérgio Schuller, que em 2009 participou de duas provas de esqui cross na Europa. A estreia do Brasil em Campeonatos Mundiais veio em 2011, com Bruno Monti ficando em 44º lugar no esqui cross. Em 2013, Lucas Vianna ficou em 51º lugar no Slopestyle no Campeonato Mundial.

Pensando em classificar o Brasil para os Jogos Olímpicos de Sochi 2014, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) começou um programa de esqui aéreos. As primeiras atletas foram as ex-ginastas Laís Souza e Josi Santos. Elas conseguiram bons resultados em provas internacionais, incluindo dois bronzes de Laís na Copa América do Norte, as primeiras medalhas do Brasil no esqui estilo livre.

As duas conseguiram se classificar para a Olimpíada. Porém Laís não conseguiu participar após um acidente em um treino nos Estados Unidos a deixar tetraplégica. Josi foi para Sochi e ficou na 22ª colocação.

Josi homenageou Laís em Sochi - Foto: Amanda Kestelman/ge.globo
Em Pequim 2022, o Brasil vai ter sua primeira representante no moguls. Sabrina Cass garantiu a vaga olímpica, com o 29º lugar no ranking mundial da prova. Filha de mãe brasileira e pai estadunidense, a atleta começou a competir representando os Estados Unidos. Em 2019, ela foi campeã mundial júnior no moguls. Em 2021, passou a representar o Brasil. Nessa temporada, foi evoluindo aos poucos conseguindo seus melhores resultados em etapas de Copa do Mundo.

Sabrina Cass em etapa da Copa do Mundo na Suécia - Foto: Reprodução/Instagram
O Brasil também esteve próximo de conseguir vagas no masculino. Os irmãos Sebastian e Dominic Bowler disputam provas de halfpipe e slopestyle. Os dois tentaram a classificação olímpica no halfpipe e apesar de conseguirem resultado dentro do top-30 em etapas de Copa do Mundo, eles não conseguiram pontos suficientes para ficarem elegíveis à vaga olímpica.

DESTAQUES

Os países com mais medalhas olímpicas no esqui estilo livre são Estados Unidos e Canadá, ambos com 25 pódios no total, com destaque a parte para China e Belarus no aéreos e a Austrália com bom histórico no aéreos e no moguls. Abaixo, listamos alguns nomes que são favoritos a medalha em Pequim-2022

Gu Ailing (China)

Gu Ailing em competição nos Estados Unidos - Foto: AP
Uma das principais estrelas da China em sua Olimpíada caseira será Gu Ailing. Filha de pai estadunidense e mãe chinesa, ela começou a competir pela china na temporada 2019/2020, quando foi campeã olímpica da juventude no big air e no halfpipe e prata no slopestyle e é favorita ao pódio nas três provas. No último mundial, em 2021, Gu foi ouro no slopestyle e no halfpipe e bronze no big air.

Kelly Sildaru (Estônia)

Sildaru nos X-Games de 2019 - Foto: Reprodução/Instagram/Kelly Sildaru
É a principal rival de Gu Ailing. Sildaru foi campeã mundial do halfipipe em 2019 e ganhou o ouro no slopestyle nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2020. Deve brigar com a chinesa pelos ouros no slopestyle, halfpipe e big air.

Mikael Kingsbury (Canadá)

 Kingsbury em prova nos EUA, onde conquistou sua centésima medalha em Copa do Mundo - Foto: Rick Bowmer/AP Photo
O canadense Mikael Kingsbury é o grande nome do esqui moguls. Foi prata em Sochi-2014, ouro em Pyeonchng-2018 e três vezes campeão mundial. Em Copas do Mundo, Kingsbury conquistou nove vezes o título geral do circuito e nesta temporada conquistou seu centésimo pódio da carreira. 

Sandra Naslund (Suécia)

Sandra Naslund após vencer etapa da Suécia da Copa do Mundo 2021/22 - Foto: FIS Freestyle
A sueca Sandra Naslund é bicampeã mundial de esqui cross (2017 e 2021). Ela chega a Pequim com status de super-favorita, com um ótimo desempenho na temporada, vencendo nove das dez etapas de Copa do Mundo que disputou. 

Nico Porteous (Nova Zelândia)

Nico Porteous comemora a medalha de bronze em Pyeongchang-2018 - Foto: Jorge Silva/Reuters
A Nova Zelândia está em busca de seu primeiro ouro em Jogos Olímpicos de Inverno e ele pode vir no esqui estilo livre. Nico Porteous é um forte candidato a vencer no halfpipe masculino. Ele é o atual campeão mundial e venceu a prova nas últimas duas edições do badalado X-Games.

CALENDÁRIO


03/02 às 07h00 - moguls feminino - qualificação 1
03/02 às 08h45 - moguls masculino - qualificação 1
05/02 às 07h00 - moguls masculino - qualificação 2
05/02 às 08h30 - moguls masculino - finais
06/02 às 07h00 - moguls feminino - qualificação 2
06/02 às 08h30 - moguls feminino - finais

06/02 às 22h30 - big air feminino - qualificação
07/02 às 02h30 - big air masculino - qualificação
07/02 às 23h00 - big air feminino - finais
09/02 às 00h00 - big air masculino - finais

10/02 às 08h00 - aéreos - esquipe mista - finais
13/02 às 08h00 - aéreos feminino - qualificação
14/02 às 08h00 - aéreos feminino - finais
15/02 às 08h00 - aéreos masculino - qualificação
16/02 às 08h00 - aéreos masculino - finais

12/02 às 22h30 - slopestyle feminino - qualificação
13/02 às 22h30 - slopestyle feminino - finais
14/02 às 01h30 - slopestyle masculino - qualificação
14/02 às 22h30 - slopestyle masculino - finais

16/02 às 22h30 - halfpipe feminino - qualificação
17/02 às 01h40 - halfpipe masculino - qualificação
17/02 às 22h30 - halfpipe feminino - finais
18/02 às 22h30 - halfpipe masculino - finais

17/02 às 00h30 - cross feminino - ranqueamento
17/02 às 03h00 - cross feminino - mata-mata
18/02 às 00h45 - cross masculino - ranqueamento
18/02 às 03h45 - cross masculino - mata-mata

*todas as provas estão no horário de Brasília

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