Após 2021 com gosto amargo, Nathalie Moellhausen começa temporada renovada e com ‘nova identidade’


Ano novo, vida nova. Essa máxima nunca foi tão verdadeira quanto para o que vive a campeã mundial, Nathalie Moellhausen. Depois de um 2021 com uma participação olímpica que terminou com um gosto amargo, a esgrimista está vivendo um momento de aprendizado e renovação. É dessa maneira que ela começa a temporada.

A principal atleta do Brasil na modalidade viveu um período intenso emocionalmente no ano passado. Em meio à pandemia, ela foi para a disputa dos Jogos Olímpicos, em Tóquio, com uma expectativa alta em cima do seu desempenho e como uma das esperanças de medalha.

Entretanto, Nathalie acabou encarando uma adversária muito complicada no quadro de 32, a italiana Rossella Fiamingo, a qual superou a brasileira por 10 a 9, em embate decidido na prioridade. Um golpe muito duro e prematuro sofrido por ela, que usou o fato para se renovar e se aprimorar.

“É uma nova identidade. Teve um antes, um durante e um depois da Olimpíada para mim, muitas coisas estão mudando, foram seis meses de renovação após os Jogos. Depois da derrota, está nascendo uma nova Nathalie. Seguramente uma Nathalie mais livre, uma Nathalie que consegue expressar exatamente aquilo que eu sou”, contou a esgrimista.
“Eu estou nesta fase em que estou me tornando mestre de mim mesma. Depois de todas as experiências, depois de 30 anos, eu quero a autonomia, quero experimentar e ver como é a nova Nathalie, ver como ela joga na pista”
Nathalie sabe da responsabilidade e da expectativa que a sua torcida tinha sobre ela no Japão, principalmente, por ela ter vindo de um título mundial em 2019. Com a derrota, ela sabe da dor sentida por todos, mas acredita que nada é permanente.

“A dor passa, todas as emoções são impermanentes. A alegria e a dor vão sumindo com o passar dos dias, e isso faz parte do ciclo. Estou ciente da frustração enorme gerada pela minha derrota na Olimpíada, porque o Brasil inteiro estava com expectativas e que, para mim, é importante, pois eu represento esse país e o povo brasileiro, portanto, a dor deles é minha também. Tudo isso torna o plano emocional muito difícil, temos de preparar a parte mental muito bem para podermos superar as derrotas”, afirmou.

Ainda sobre a parte mental, ela falou sobre o que é importante para se manter forte psicologicamente: “O falecimento do meu pai (em 2018), a pandemia e a derrota na Olimpíada me confirmam até que ponto é importante aceitar e se adaptar àquilo que está além do nosso controle, porque assim continuamos a ter força no presente para construirmos o futuro, não adianta ficar remoendo o passado, temos sempre de continuarmos a lutar pelos nossos objetivos”.

Após os Jogos Olímpicos, a campeã mundial ficou quatro meses longe das competições, retornando em novembro do ano passado. Ela desembarcou em Talin, na Estônia, para disputar a Copa do Mundo de Espada, torneio em que alcançou o quadro de 32.

A participação de Nathalie no evento no país báltico fugiu à programação inicial que era a de voltar aos campeonatos somente em 2022, com enfoque no ciclo para Paris 2024. A volta antecipada foi positiva para a esgrimista, que saiu de Talin mais motivada a continuar.

“Na Estônia, eu tive apenas três classes de esgrima e uma de combate desde os Jogos Olímpicos. Eu treinei sozinha. Chegar na pista, ver que as minhas pernas estão lá e que tudo o que fiz deu um bom resultado, me deu uma grande motivação para o futuro, para continuar a treinar”, lembrou.

Foto de capa: Augusto Bizzi/FIE

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