Maratonista Daniel do Nascimento ganha reverências no Quênia


Daniel Ferreira do Nascimento, de apenas 23 anos, mostrou o seu grande potencial ao completar a Maratona de Valência, no dia 5 de dezembro, em nono lugar, no tempo de 2:06:11. Foi o segundo melhor tempo obtido por um atleta sul-americano na história, ficando atrás apenas do recordista continental Ronaldo da Costa, integrante do Programa Ídolos Loterias Caixa, da CBAt, que tem 2:06:05, ínfimos 6 segundos de diferença, ainda mais se levando em conta uma prova de 42,195 km.

Daniel está feliz? Claro que está. Marcou sua passagem definitiva para o grupo de elite de fundistas do Quênia, onde treina com um grande time do país, na cidade de Kaptagat, que fica a uma altitude de cerca de 2.800 m.

Daniel está satisfeito? Mais ou menos. “Tenho condições de conseguir um tempo muito mais baixo. Treino com alguns dos melhores maratonistas do mundo. Aprendi aqui o segredo de treinar em equipe e de estar num grupo forte, onde um puxa o outro”, comentou o atleta, nascido em Paraguaçu Paulista (SP). “Estar numa equipe de alto rendimento é fundamental.”

Na terça-feira (14/12), Danielzinho, como é conhecido, plantou uma árvore com seu nome num local destinado a grandes maratonistas, como o etíope Hailé Gebrselassie, e a infinidade de integrantes da legião queniana. O brasileiro foi acompanhado no plantio por nada menos do que Eliud Kipchoge, bicampeão olímpico e recordista mundial da maratona (2:01:39).

“Aqui você encontra muitos medalhistas olímpicos. Os quatro primeiros da maratona dos Jogos de Tóquio, disputada em Sapporo, este ano, têm origem nos treinamentos feitos em Kaptaglat”, contou o brasileiro, que estreou na distância dos 42,195 km no dia 23 de maio deste ano, com vitória em Lima, no Peru, com 2:09:04, obtendo índice olímpico.

Para o futuro imediato, Daniel diz que volta para o Brasil no dia 26 de dezembro para disputar a tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo. “Recebi o convite da organização e achei boa ideia. Na verdade, meu grande objetivo na viagem é buscar a minha namorada para vir morar comigo no Quênia”, comentou Daniel, referindo-se a Grazielle Zarri, atleta de fundo do Pinheiros. “A Grazi é muito importante na minha vida. Estava meio deprimido e ela foi uma peça fundamental na minha volta por cima.”

Daniel conta que teve de lutar muito para provar que poderia ser um bom maratonista. “Por causa da minha idade, todos achavam que ainda era jovem. Só que com 17 anos passei por uma bateria de testes no Laboratório Olímpico do COB, no Rio, e deu que eu tinha condições perfeitas para provas longas. O treinador Alex Sandro Lopes, da Orcampi, foi um dos que me apoiaram na minha decisão.”

No início de 2022, em acordo com um dos treinadores do time queniano e com o agente italiano Gianni Demmadonna, Daniel deve disputar provas de 5.000 m e de 10.000 m na Europa. “Ainda preciso fazer marcas para entrar em grandes competições. Já estou qualificado para a maratona do Mundial de Oregon-2022, mas ainda não sei se vou participar.”

Primeiro não africano na classificação final na Maratona de Valência, o corredor superou o tempo de legendas da maratona brasileira, como o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima (2:08:31), Marilson Gomes dos Santos, bicampeão da Maratona de Nova York e quinto colocado na Olimpíada de Londres-2012 (2:06:34), e o recém-falecido Luiz Antônio dos Santos, bicampeão da Maratona de Chicago e bronze no Mundial de Gotemburgo-1995 (2:08:55), por exemplo.

O corredor, que treinava há até pouco tempo com Neto Gonçalves, em Bauru, foi o brasileiro mais bem colocado na São Silvestre de 2019, em que conquistou o 11º lugar. Em 2020, o atleta foi campeão da 14ª Meia Maratona de São Paulo, o que garantiu a ele vaga no Mundial de Meia Maratona, na Polônia, na qual ficou na 93ª colocação. Daniel Nascimento também representou o Brasil na Copa Pan-Americana de Cross Country, no Canadá, onde conquistou o 8º lugar, depois de ganhar o título brasileiro em Serra (ES).

Daniel teve momentos difíceis na carreira. Em 2019, por exemplo, abandonou o esporte e foi trabalhar como boia-fria no corte de cana-de-açúcar e arrancar mandioca em sua cidade natal. Nada como um dia após o outro e quilômetros e quilômetros de treinamento.

Foto: Divulgação

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