Ginástica Rítmica do Brasil volta de Cali com atestado de qualidade da preparação


A delegação de Ginástica Rítmica do Brasil voltou na segunda-feira (6) ao País, com as malas abarrotadas por um carregamento de medalhas conquistadas nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Cáli, na Colômbia. No total, foram dez peças (quatro de ouro, quatro de prata e duas de bronze).

O maior destaque individual do Brasil na GR ficou por conta de Maria Eduarda Alexandre, cujo desempenho em Cáli lembrou muito o título do livro infantil “Maria Eduarda, a menina que devorou o mundo”, que faz sucesso entre a garotada. No caso, a ginasta da Associação Toledana de Ginástica (Agito), do Paraná, devorou a América ao conquistar o ouro nas maças, na bola e no individual geral.

Além das grandes conquistas de Cáli, Maria Eduarda já tem assegurada vaga nos Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023. “Santiago, para nós duas, significa que não paramos por aqui. Estamos só começando. Temos mais um ano na categoria juvenil, tempo para nos adaptarmos ao novo ciclo e às mudanças do código. As coreografias de 2022 já estão prontas. Graças ao investimento da Área de Desenvolvimento do COB e da CBG tivemos a oportunidade de fazer essa montagem com a Mariana Pamukova, treinadora de uma das melhores ginastas do mundo, que admiro e tenho como referência”, diz a treinadora da ginasta, Solange Paludo.

A despeito de toda a expectativa que um grande desempenho como o de Maria Eduarda pode criar, Solange lembra que sua pupila está apenas no início da carreira. “A Maria Eduarda é uma ginasta muito talentosa e esforçada. Por isso, minha prioridade é manter a paixão dela pelo esporte. Temos consciência das inúmeras possibilidades que temos e onde queremos chegar”.

A Seleção Brasileira de Conjunto, que se preparou durante cinco meses para essa competição, foi campeã na série de cinco fitas e prata no individual geral e na série de cinco bolas – nessa disputa, obteve a mesma pontuação do México (33,65), mas ficou atrás no primeiro critério de desempate: recebeu uma nota de execução mais baixa – 6,85 contra 7,05 das adversárias.

Na avaliação de Juliana, o Brasil fez um planejamento campeão. “Foi um projeto inovador levar a Seleção Juvenil para se concentrar em Aracaju (no Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica). Pudemos contar com a excelente estrutura que já abriga a Seleção Adulta há tantos anos, e isso ajudou bastante. Além disso, a CBG, em parceria com a Área de Desenvolvimento do COB, trouxe no mês de outubro uma treinadora búlgara (Mariya Kancheva) que nos auxiliou nos treinos, fazendo alguns ajustes de extrema importância na reta final da preparação”.

Juliana acha que a convivência com a Seleção Adulta foi muito valiosa para a equipe. “A maturidade dessas meninas é seu principal atributo. Afinal, estamos falando de atletas de 14 e 15 anos. Treinar lado a lado com as meninas da Seleção principal foi engrandecedor para a Seleção Juvenil. As pequenas se espelham muito nas adultas, admiram e seguem seus exemplos. Por outro lado, as adultas são extremamente receptivas, carinhosas e disciplinadas; além disso, extremamente pacientes em passar seus conhecimentos para a próxima geração”.

Márcia Naves, que treina duas das meninas do conjunto juvenil (Gabryela Nogueira da Rocha e Luiza do Amaral Pugliese) no Clube AGIR, de Curitiba, entende que a reunião das ginastas em Aracaju foi fundamental. “Foram selecionadas as melhores ginastas do Brasil para formar esse conjunto. Se não houvesse investimento, teria sido escolhido o conjunto de um clube para representar o Brasil”.

Márcia é treinadora também de Bárbara Domingos, que foi finalista no Mundial adulto de Kitaskyushu, em outubro, e de Isadora Carnielle, que saiu de Cáli com três medalhas (prata na fita, bronze nas maças e na bola).

“A Isadora sempre foi uma ginasta muito talentosa. Já tem uma trajetória de muito sucesso e conquistas em nível nacional e Sul-Americano. E foi uma grande vitória a volta dela. Ela havia ficado muito desestimulada durante a pandemia e chegou a parar de treinar”, lembra Márcia.

Com muita conversa e habilidade, a treinadora, que orienta a ginasta há sete anos (Isadora tem 14 anos agora), conseguiu convencê-la a permanecer no esporte. “Eu disse a ela que o amor tão grande de uma atleta pela GR não poderia acabar assim. Sabia que bastava uma fagulha para reavivar aquela chama. No momento em que a Isadora conseguiu a vaga para treinar em Aracaju, mesmo fora de forma, senti que ela voltou a se motivar, porque é muito competitiva”.

Foto: Divulgação/cob

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