Meeting Paralímpico de Sertãozinho/Araraquara marca retorno de Thiago Paulino após Jogos de Tóquio


Três meses após ficar com a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, o arremessador Thiago Paulino, da classe F57 (atletas com deficiência nos membros inferiores que competem em cadeiras), retornou às competições. Ele foi um dos 68 atletas inscritos no Meeting de Sertãozinho, interior de São Paulo, no sábado, 27.

Os Meetings Paralímpicos são uma atualização para a temporada 2021 dos tradicionais Circuito Loterias Caixa, realizados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde 2005. Cada etapa do evento tem provas de atletismo, natação e/ou halterofilismo.

Neste final de semana, de forma inédita, foi realizado em duas cidades concomitantemente. Enquanto que o atletismo foi disputado em Sertãozinho, 335 quilômetros distante da capital paulista, a cidade de Araraquara, a 270 quilômetros de São Paulo, sediou a etapa de natação do Meeting Loterias Caixa.

O Meetinga se despede do estado de São Paulo e parte para o Nordeste do Brasil. As próximas quatro etapas serão em capitais da Região. A primeira cidade a sediar o evento, em 4 de dezembro, será Aracaju. Antes de encerrar a temporada em 12 de dezembro, em Fortaleza, o Meeting Loterias Caixa ainda reunirá competidores paralímpicos em Recife (dia 7) e Natal (9).

Em Sertãozinho, no Centro Olímpico Maria Zeferina Rodrigues Baldaia, Thiago Paulino, 35, participou do arremesso de peso e atingiu a marca de 14,02 m, a melhor da prova na etapa.

"Eu fui descoberto para o esporte em uma edição de Jogos Regionais. Então, ter uma etapa do Meeting Loterias Caixa nesta região, é muito importante, um outro Thiago Paulino pode surgir daqui. Muitos atletas não têm condições de ir a grandes centros, como São Paulo. E eventos como o Meeting Loterias Caixa servem como uma vitrine", disse o arremessador.

O atleta também comentou sobre a polêmica nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. À ocasião, Thiago fez o melhor arremesso da competição na sua classe (15,10 m), bateu o recorde paralímpico e conquistou a medalha de ouro na capital japonesa. No entanto, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) anulou esse arremesso do brasileiro, por um suposto movimento irregular. Apesar da contestação do CPB, o IPC, até hoje, não mostrou nenhum vídeo que comprovasse tal irregularidade. Com a marca válida de 14,77 m, Thiago ficou com a medalha de bronze no Japão e protestou no pódio. O ouro ficou com o chinês Guoshan Wu, com 15,00 m, e a prata para o brasileiro Marco Aurélio Borges (14,85 m).

"Tenho convicção de que não fiz nenhum movimento errado no meu arremesso, mas não deveria ter protestado daquela maneira no pódio. Ali, era um momento de celebração e de respeito aos adversários. Como tenho tatuado no meu braço, eu nunca perco: ou venço ou aprendo. O que aconteceu em Tóquio foi um aprendizado", disse Thiago, do clube ADC Intelli, de Orlândia, São Paulo.

As etapas de Sertãozinho e Araraquara tiveram em comum a participação de atletas que recém-disputaram as Paralimpíadas Escolares, encerrada na noite da sexta-feira, 26, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

A delegação do estado de São Paulo foi a campeã geral, anunciada em evento ao vivo direto do hotel Holiday Inn, na zona norte da capital paulista. A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo provindenciou ônibus e vans para levar os atletas às etapas do Meeting em Araraquara e Sertãozinho. Por volta das 4h da manhã deste sábado, 27, eles pegaram estrada com destino ao interior.

A etapa de Sertãozinho contou com a presença de Otávio Galeti, 17, da classe T47 (atletas com deficiência nos membros superiores). Em um período de 24 horas, ele disputou os 400m nas Paralimpíadas Escolares, no CT Paralímpico, em São Paulo, e os 100 m no Meeting de Sertãozinho. "Praticamente não dormi de sexta para sábado, mas estou contente com os meus resultados", afirmou o atleta que conquistou três medalhas de prata nas Escolares (100m, 400 m e salto em distância) pelo estado de São Paulo. No Meeting, Otávio, que representou o Clube Recreativo Monteazulense (CRM), fez os 100m em 12s25 e, ainda, correu os 200 m no evento.

Já em Araraquara, onde foram realizadas as disputas da natação, Bruno Martino, 16, representando ABDA, de Bauru, nadou três provas, após conquistar cinco medalhas nas Paralimpíadas Escolares: 200m livre, 100m peito e 100m costas da classe S14 (deficiência intelectual).

“Senti bastante o cansaço aqui em Araraquara. Lá nas Paralimpíadas Escolares foi legal, nadei bem, aqui eu gostei mais do meu tempo nos 100m borboleta”, comentou o atleta, que fez 1min17s15, e ficou com a medalha de prata. O ouro foi para Gustavo de Oliveira Nunes, 26, com 1min09s42.

Sertãozinho também reservou um excelente resultado para um atleta que não está mais na faixa etária das Paralimpíadas Escolares (dos 12 aos 17 anos), mas é um jovem de futuro promissor: Matheus de Lima, 18, da classe T44 (deficiência nos membros inferiores sem prótese). O atleta completou os 100m em 11s57, o que seria o segundo melhor tempo do mundo na prova em 2021. "Fico feliz porque melhorei minha marca pessoal, mas vou em busca de índices melhores para disputar as grandes competições internacionais", destacou o atleta da Fundesport, de Araraquara.

Foto: CPB/Thiago Calil

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