Com lema "Temos Asas", cerimônia transforma Estádio de Tóquio em "aeroporto" e abre oficialmente as Paralimpíadas - Surto Olímpico

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Com lema "Temos Asas", cerimônia transforma Estádio de Tóquio em "aeroporto" e abre oficialmente as Paralimpíadas

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Os balões dos Agitos que se formaram durante a cerimônia (Foto: Alê Cabral/CPB)
A 16ª edição dos Jogos Paralímpicos foi oficialmente aberta nesta terça-feira (24). Com o lema "Temos Asas", a cerimônia de abertura do megaevento transformou o Estádio Nacional de Tóquio em um verdadeiro aeroporto, o "Paraporto", e promoveu a ideia de que todos nós "podemos voar". Assim como na Olimpíada, o evento não teve público e contou com uma Parada dos Atletas "enxugada", mas foi repleta de brilho.

Como tradicionalmente ocorre, a cerimônia foi marcada pela alternância entre partes artísticas e protocolares. O Imperador Naruhito foi o responsável pela abertura oficial das Paralimpíadas, mas o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Andrew Parsons, e a presidente do Comitê Organizador de Tóquio-2020, Hashimoto Seiko, também discursaram. 

A maior parte dos voluntários e os protagonistas das performances tinham alguma deficiência. A história principal da cerimônia foi a da "mono-asa", uma pequena japonesa cadeirante, de 13 anos, que representou um avião de asa única. Com muita vergonha no início, ela foi ganhando confiança após muito apoio ao longo do evento e conseguiu voar ao final.

Evelyn Oliveira e Petrúcio Ferreira carregaram a bandeira brasileira na cerimônia (Foto: Miriam Jeske/CPB)
Apesar de ter a segunda maior delegação do megaevento, com 260 atletas, o Brasil foi a cerimônia com apenas dois esportistas, Petrúcio Ferreira, do atletismo, e Evelyn Oliveira, da bocha, além de dois dirigentes. Como medida de prevenção à Covid-19, os demais brasileiros acompanharam o evento da Vila Paralímpica.

Um dos momentos mais esperados da cerimônia, o acendimento da pira paralímpica foi marcado por um diferencial. Pela primeira vez na história, três atletas foram responsáveis pelo acendimento: Kamiji Yui, do tênis em cadeira de rodas, Uchida Shunsuke, da bocha, e Morisaki Karin, do halterofilismo.

A cerimônia

Após um curto vídeo de atletas paralímpicos em ação sob um fundo neutro, a cerimônia foi iniciada já no Paraporto. "Prontos para Voar" foi o nome do primeiro ato, com cenas curtas. A este primeiro momento, o Imperador Naruhito e Andrew Parsons, presentes no Estádio Olímpico, foram apresentados e saudados à transmissão.

Em seguida, se iniciaram as "boas-vindas dos anfitriões", com a chegada da bandeira do Japão, carregada por atletas paralímpicos locais, cadeirantes e andantes, além de um bombeiro. Coube a Hirari Sato, a função de cantar o hino nacional japonês para dar o início oficial à cerimônia.

Bandeira do Japão chegando na cerimônia (Foto: Wander Roberto/CPB)
De volta para o centro do estádio, o terceiro ato começou com uma tripulação de voluntários se movimentando em conjunto e acionando alavancas, num dos primeiros momentos divertidos da cerimônia. Com a movimentação, uma espécie de engrenagem começa a funcionar - a engrenagem do aeroporto.

Um atleta jovem, com prótese em uma das pernas, passou a correr ao redor do estádio. Numa simbologia, o "poder" de seu movimento fez com que uma hélice central se movimentasse e esta foi a deixa para a entrada dos "Agitos", símbolo dos Jogos Paralímpicos, na cerimônia. Com três "traços", em cores vermelha, azul e verde, os Agitos representam o dinamismo dos paratletas e seus movimentos em crescente assimétrica.

Então, com um novo vídeo que mostra cenas anteriores das Paralimpíadas, foram apresentadas todas as 23 modalidades que integram o programa dos Jogos de Tóquio. Em seguida, após tomada de imagens da capital japonesa, o cenário voltou para o Estádio Olímpico, dando início a Parada dos Atletas, começando com o Time Paralímpico de Refugiados.

Entre músicas animadas e calmas, os atletas desfilaram em duas passarelas distintas do estádio. Um dos momentos marcantes foi no anúncio do Afeganistão, que desistiu dos Jogos Paralímpicos de última hora por conta da tomada de suas terras pelo Talibã. Em gesto de solidariedade, a bandeira do país foi carregada por um membro da ONU, mesmo sem a presença da delegação.

Bandeira do Afeganistão entrando no Estádio Nacional (Foto: Dan Orlowitz/The Japan Times)
Entre os mais de 160 países que têm atletas em Tóquio para as Paralimpíadas, destaque para Israel, que entrou com dois cães-guia; Haiti, que desfilou com sua delegação mesmo em meio a uma crise humanitária em seu país; a Venezuela, com uma equipe volumosa e animada; e o Irã, que contou com a presença de Morteza Mehrzadselakjani, segundo homem mais alto do mundo (2,46m) e atleta do vôlei sentado.

Seguindo a ordem alfabética japonesa, o Brasil foi a 119ª nação a desfilar. Os porta-bandeiras foram Petrúcio Ferreira, paralímpico mais rápido do mundo, no atletismo, e Evelyn Oliveira, da bocha. Muito animados, os dois estavam acompanhados de dois dirigentes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e até saudaram Andrew Parsons, presidente do IPC, que é brasileiro. 

"Neste momento, estou emocionado. Já chorei muito, mas foi um choro de alegria. Estar aqui, representando os atletas brasileiros, me deixa muito feliz. Gostaria que todos os outros atletas estivessem aqui, pulando e dançando, pois os brasileiros são os melhores do mundo. Obrigado, Brasil!", disse Petrúcio, em entrevista ao SporTV, logo após o desfile.

Carioca, Andrew Parsons já foi presidente do CPB e hoje é presidente do IPC (Foto: Reprodução)
Após a apresentação da volumosa apresentação do país-sede, o Japão, que conta com a maior delegação dos Jogos, com 262 esportistas - o Brasil tem 260 atletas e é a segunda maior -, a Parada das Nações foi encerrada, retomando à história da cerimônia. 

PARTE FINAL

Com o tema "Pequena mono-asa", deu-se início o quinto ato do espetáculo com uma curta história animada, tradicional japonesa, em que ventos fortes sopraram para a entrada de diversos voluntários com asas, representando aviões. Uma criança cadeirante, com uma única asa, foi a protagonista desta parte. Outras três pessoas com distintas deficiências atuaram em volta da criança.

Então, um quinto "personagem" entra em cena e passa a incentivar a mono-asa a voar, utilizando linguagem de sinais em um ritmo divertido. Já inspirada, uma sexta aeronave ainda foi apresentada e a mono-asa. Ao fim da performance, a escuridão tomou conta do estádio e entraram Andrew Parsons e Hashimoto Seiko, presidente do Comitê Organizador de Tóquio, para abrir oficialmente o evento.

Com um longo discurso, Hashimoto agradeceu aos profissionais de saúde e aos atletas e recepcionou todas as nações, relembrando dos Jogos de 1964 e da importância de Tóquio no desenvolvimento do esporte paralímpico. Já Parsons falou da longa espera para a chegada dos Jogos Paralímpicos. Ele também citou sobre o "We The 15", campanha do IPC para tentar dar visibilidade e chamar atenção para os 15% da população mundial que têm algum tipo de deficiência.

Parsons também elogiou o Movimento Paralímpico, em especial os atletas, e os encorajou a "dar o seu melhor" nos Jogos Paralímpicos, dizendo da capacidade da capacidade deles e do esporte de transformar o mundo. Ele finalizou com um "muito obrigado", guardando suas origens brasileiras. Com uma curta frase, o Imperador Naruhito declarou os Jogos abertos.

Por fim, na última parte protocolar, a bandeira do Comitê Paralímpico Internacional chegou no estádio sendo carregada por seis atletas de cinco continentes, sendo passada a funcionários de serviços essenciais japoneses antes de ser hasteada ao som do hino do IPC. Os atletas fizeram o juramento paralímpico e a história da mono-asa voltou a ser contada.

Já inspirada pelos demais aviões da passagem anterior, a mono-asa se concentrou quando, de repente, cores encheram o estádio. Um grande caminhão, colorido e iluminado, roubou a cena e tornou-se o foco da apresentação, transformando-se em um palco com uma banda de rock em ação, tocando "Tsubasa". A festa tomou conta do estádio e a mono-asa voou pelo céu estrelado de Tóquio.

Caminhão que promoveu a festa durante os últimos momentos da cerimônia (Foto: Dan Orlowitz/The Japan Times)
Com a história já encerrada, foi hora de chegar à parte final da cerimônia: o acendimento da pira. A tocha chegou ao estádio pelas mãos de três ex-atletas japoneses. A chama foi passada também a profissionais de saúde, que ajudam no movimento paralímpico, e foi finalizada com o acendimento por três pessoas diferentes, pela primeira vez na história: Kamiji Yui, do tênis em cadeira de rodas, Uchida Shunsuke, da bocha, e Murizaki Karen, do halterofilismo, todos cadeirantes.

Fotos: Miriam Jeske/CPB

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