Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Londres 2012, ESPN - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Londres 2012, ESPN

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(Propaganda dos canais ESPN, anunciando a cobertura para os Jogos Olímpicos de 2012. Postada no YouTube por Flávio Paiva)


Narração: João Palomino, Paulo Andrade, Eduardo Monsanto, Everaldo Marques, Paulo Soares, Rogério Vaughan, Cledi Oliveira, Luiz Carlos Largo, Fernando Nardini e Ari Aguiar

Comentários: Paulo Vinicius Coelho (futebol masculino), Paulo Calçade/Juliana Cabral (futebol feminino), Maurício Jahu (vôlei masculino), Ana Moser (vôlei feminino), Wlamir Marques, Zé Boquinha e Eduardo Agra (basquete), William Lima (natação), Danielle Zangrando (judô) e Adauto Domingues (atletismo)

Reportagens: André Plihal, João Castelo Branco, Vinícius Nicoletti, Mendel Bydlowski, José Renato Ambrósio e Helvídio Mattos

Apresentação: João Carlos Albuquerque, Rodrigo Rodrigues, Paulo Soares, Rogério Vaughan, André Kfouri, Eduardo Monsanto e Juliana Veiga

Participação: José Trajano


O grande público ainda demoraria para notar, mas aquele 2012 olímpico marcaria o início de uma grande reviravolta editorial nos canais ESPN. Reviravolta iniciada tão logo o ano começou: afinal, após 17 anos, já cansado do ritmo de trabalho e das discussões, José Trajano deixara a diretoria de jornalismo da emissora esportiva do grupo Disney no Brasil, ficando apenas com seus postos habituais, no Linha de Passe e no Pontapé Inicial. Seu sucessor no cargo era outro cidadão presente desde os primórdios do canal: João Palomino. Gradualmente, o narrador e apresentador deixaria a frente das câmeras e passaria para a direção, atrás delas.


Entretanto, era cedo para implantar mudanças drásticas. E a fase pujante por que a ESPN passava ainda tinha provas visíveis. Programas como o Histórias do Esporte ainda mantinham a força do caráter poliesportivo dos canais. Tecnologicamente, os avanços também seguiam: se os canais ESPN ainda eram dois em Pequim-2008, quatro anos depois, além da ESPN Brasil e da ESPN, a direção brasileira do canal poderia administrar a ESPN+, que tinha como diferencial exibir 100% da programação em HD. A parceria com o Grupo Estado possibilitava a continuação da Rádio Estadão/ESPN. E de quebra, até revista levava a marca do grupo: a editora Spring lançava a mensal Revista ESPN.


Palomino ainda estaria presente nos trabalhos em Londres-2012. E não só como diretor dos trabalhos feitos pelos 59 enviados à cidade-sede olímpica para os trabalhos no centro de imprensa: o paulista de Fernandópolis também narraria alguns esportes – bem como Paulo Andrade, o locutor que paulatinamente se tornaria a principal voz dos canais ESPN ao longo daquele ano. Já com a experiência de Pequim (e também oferecendo a possibilidade de acumular narração e apresentação), Eduardo Monsanto também seria mais um dos locutores enviados para os trabalhos in loco em Londres. E já se notabilizando pela capacidade de narrar vários esportes, Everaldo Marques também iria a Londres.


De resto, os locutores da emissora fariam seus trabalhos dos estúdios no bairro paulistano do Sumaré. Alguns acumulando coberturas olímpicas pela ESPN: Paulo Soares, Rogério Vaughan e Cledi Oliveira entre esses. Outros, estreando em Jogos pelo canal – caso do mineiro Ari Aguiar e do paulista Fernando Nardini, vindo para a ESPN após passagens por Record e Bandeirantes.


Já entre os comentaristas, os canais ESPN teriam poucas novidades para as competições em Londres. Um dos símbolos do canal, nas opiniões sobre futebol, Paulo Vinícius Coelho (o famoso e popular “PVC”) seria o comentarista do torneio de futebol masculino – com ênfase nas partidas do Brasil, obviamente. Para o futebol feminino daqueles Jogos, começaria nos comentários uma dupla que logo se completaria na modalidade dentro da ESPN: Paulo Calçade, cada vez mais íntimo do futebol de mulheres, e Juliana Cabral, que vinha para se tornar sinônimo da modalidade na emissora, trazendo a experiência em campo (com a prata em Atenas-2004) e na tevê – afinal, já participara da cobertura do Bandsports em Pequim-2008. Calçade, aliás, teria função dupla: já apresentando no canal o Segredos do Esporte, programa que abordava a relação do esporte com campos como fisiologia e sociologia (até pelo jornalista ter formação em Educação Física, além do Jornalismo), o comentarista faria edições especiais do programa durante os Jogos.


De resto, vários nomes já conhecidos de quem acompanhava Olimpíadas na ESPN – a maioria, também comentando dos estúdios em São Paulo. Nas quadras de Earls Court, Ana Moser para o vôlei feminino, e Maurício Jahu para o vôlei masculino; nas quadras de Greenwich e do Parque Olímpico de Stratford, para o basquete (masculino e feminino), o trio de opinadores com que os espectadores da NBA já estavam habituados: Wlamir Marques, José Roberto “Zé Boquinha” Lux e Eduardo Agra - primeiras Olimpíadas na ESPN para Agra, integrante da equipe brasileira em Moscou-1980 e Los Angeles-1984. No judô, Danielle Zangrando opinaria sobre as lutas no tatame do Centro de Exibições ExCel. E enquanto William Lima comentaria a natação olímpica no Centro Aquático, Adauto Domingues novamente apareceria na ESPN para as provas do atletismo no Estádio Olímpico. Mesmo atrás das câmeras, nomes certos na redação da emissora, como Kitty Balieiro (1957-2019) e Roberto Salim, também seguiriam para Londres.


Entre os repórteres, também, nomes com algumas edições de Jogos Olímpicos na trajetória, num esquema parecido com coberturas anteriores. Como as disputas olímpicas seriam em Londres, nada mais lógico do que usar o correspondente habitual dos canais ESPN na cidade-sede, morador dela desde a infância: João Castelo Branco apareceria tanto na tela, com as reportagens normais, quanto com “videorreportagens” produzidas para o site da emissora – que teria alguns enviados da redação, como Antônio “Tonhão” Strini, para os trabalhos em Londres. André Plihal ficaria mais vinculado ao que a Seleção Olímpica fizesse no futebol masculino, enquanto Helvídio Mattos e Vinícius Nicoletti correriam pelos locais de disputa – bem como Mendel Bydlowski: iniciado na ESPN como repórter cinematográfico, Mendel faria ali sua primeira grande cobertura. Assim como outro novato em Olimpíadas: José Renato Ambrósio.


Haveria ainda uma participação especial. Por mais que houvesse deixado a direção de jornalismo dos canais ESPN, José Trajano se mantinha como um verdadeiro símbolo deles, pelas participações constantes que ainda fazia. E também foi um dos enviados a Londres – fazendo reportagens sobre o ambiente na cidade, junto ao filho João Castelo Branco, e também comentando sobre o que via nos blocos olímpicos dos noticiários da emissora, dentro do estúdio panorâmico no Parque Olímpico de Stratford.




(Propaganda com parte da equipe dos canais ESPN anunciando a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012. Postado no YouTube por Ismail Bruno)


Já os apresentadores teriam menos programas a apresentarem: os canais ESPN teriam apenas os noticiários habituais convertidos em versões olímpicas, com o Bate-Bola em Londres e o Sportscenter em Londres. Nos estúdios no centro de imprensa, Eduardo Monsanto e Everaldo Marques seriam os âncoras das notícias olímpicas, enquanto os outros apresentadores se quedariam nos estúdios em São Paulo. Para o Bate-Bola, João Carlos Albuquerque no começo da tarde, Rodrigo Rodrigues no fim dela. Para o Sportscenter noturno, ora Paulo Soares, ora Rogério Vaughan, ora Juliana Veiga (a ex-snowboarder, locutora muito utilizada em campanhas publicitárias, já se inseria na apresentação do noticioso da ESPN), ora André Kfouri: repórter nas três Olimpíadas anteriores pela emissora, em 2012 André ficaria em São Paulo.


E Rodrigo Rodrigues (1975-2020) seria o apresentador a simbolizar interessante parceria naquela cobertura: como já se fizera na Copa de 2010, YouTube e ESPN trabalhariam lado a lado, na produção de conteúdo especial sobre aqueles Jogos Olímpicos. O principal desse conteúdo seria o +AoVivo, programa exibido exclusivamente no YouTube e apresentado por Rodrigo, tendo um convidado do esporte e outro, em geral, da música. Foi assim na estreia, em 28 de julho de 2012, com Rodrigo recebendo no estúdio PVC e Bruno Sutter – cantor e humorista celebrizado no Hermes & Renato popularizado pela MTV, como o Detonator, a voz do Massacration.


Após alguns meses de anúncios evocando clássicos do rock produzidos na Inglaterra (como “London Calling”, do Clash, ou “Black Dog”, do Led Zeppelin) para anunciar a cobertura dos Jogos, enfim a ESPN podia começar seus trabalhos, nos três canais – a ESPN Brasil com as principais competições, tendo a ESPN e a ESPN+ como opções sempre à disposição. Todos teriam uma força adicional: além dos enviados brasileiros, com a ESPN latinoamericana exibindo pela primeira vez os Jogos Olímpicos para a região, nomes como Tito Puccetti, Juan Yankilevitch e Enrique “Quique” Wolff também apareceriam na tela da parceira brasileira de vez em quando, com reportagens e comentários exibidos no Sportscenter Olímpico.


Após a estreia da Seleção Brasileira no torneio de futebol feminino, em 25 de julho, e da dupla Paulo Andrade-PVC transmitir o 3 a 2 do Brasil no Egito, em 26 de julho de 2012, João Palomino e Eduardo Monsanto estariam a postos no Estádio Olímpico para a transmissão da cerimônia de abertura. Monsanto, por sinal, repetiria uma dose saudável: assim como narrara a primeira medalha brasileira em Pequim-2008, com o bronze de Ketleyn Quadros no judô, o locutor carioca daria voz à medalha inicial da delegação brasileira em Londres – também no judô, mas ainda melhor: o ouro de Sarah Menezes, no peso extraleve (48kg).


Os tatames ainda renderiam um outro momento marcante daquela cobertura, ainda que narrado dos estúdios. Na mesma hora, em 2 de agosto de 2012, dois brasileiros disputavam medalhas: Mayra Aguiar lutava pelo bronze contra a holandesa Marhinde Verkerk no peso meio-pesado do judô feminino, enquanto Esquiva Falcão lutava na decisão do ouro dos meio-pesados do boxe masculino, contra o japonês Ryota Murata, no Centro de Exibições ExCel. Everaldo Marques dava voz à luta no tatame, enquanto Cledi Oliveira narrava a luta final no boxe para os canais ESPN. Que decidiram exibir as duas lutas: a tela foi “dividida”, com os embates exibidos lado a lado, enquanto Cledi e Everaldo alternavam narrações. Cledi acabou narrando a derrota de Esquiva para Ryota Murata, mas sua deixa foi perfeita: no exato momento em que entregou a narração para o judô, Everaldo Marques narrou o ippon de Mayra Aguiar em Marhinde Verkerk, garantindo o bronze da gaúcha nos meio-pesados do judô. Mayra “retribuiu”, visitando a base da ESPN no centro de imprensa em Londres.


Everaldo Marques teria em Londres dois motivos (um profissional, outro pessoal) para lembrar daquela cobertura por muito tempo. O profissional: foi ele a narrar, com Ana Moser nos comentários, a saga do vôlei feminino rumo ao bicampeonato olímpico – “Evê” considera a narração da final, contra os Estados Unidos, um dos grandes momentos de sua carreira. O pessoal veio no centro de imprensa: saudoso de passar o Dia dos Pais longe do filho, o recém-nascido Guilherme (cinco meses então), Everaldo recebeu via correios uma encomenda em Londres. Era uma surpresa: uma camiseta. Nela, uma foto de Guilherme deitado, vestindo um pequeno quimono, com uma medalha pendurada. Logo abaixo da foto, as palavras: “Papai vale ouro”. Toda a redação da ESPN colaborara para que a encomenda chegasse ao narrador. Foi o bastante para as lágrimas rolarem pela face de Everaldo, no IBC de Londres. E para ele se prometer algo, como expressou ao UOL em 2014: enquanto a camiseta não desbotasse, continuaria com ela entre suas roupas.


A ESPN terminou aquela cobertura com um tom misto – Paulo Andrade e PVC transmitiram a decepção da derrota do Brasil na decisão do ouro no futebol masculino, mas Everaldo Marques e Maurício Jahu testemunharam e transmitiram o ouro das brasileiras no vôlei feminino, no mesmo 11 de agosto de 2012. Ainda assim, de novo, o habitual tom caloroso mantido pela equipe do canal foi expresso duplamente. No YouTube, com o samba da redação para festejar mais uma cobertura concluída para a audiência cativa. Na videorreportagem de João Castelo Branco, o carioca que revivera os Jogos Olímpicos na cidade em que já era radicado desde a infância. E na televisão, com uma vinheta celebrando os trabalhos em Londres.


Era preciso celebrar. Porque, quando voltassem a cobrir Jogos Olímpicos, os canais ESPN já estariam envoltos na profunda mudança editorial por que passavam desde a alteração na direção, naquele 2012. E muitos aspectos dessa mudança decepcionariam boa parte da audiência que viera com o canal em toda a sua história.





(Vinheta inserida durante a programação dos canais ESPN, após os Jogos Olímpicos de 2012, festejando os trabalhos da emissora na cobertura)

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