Coluna Buzzer Beater - As fases do luto de mais uma derrota no basquete - Surto Olímpico

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Coluna Buzzer Beater - As fases do luto de mais uma derrota no basquete

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O Basquete do Brasil está fora de uma olimpíada após 45 anos. Não se classificou no feminino,no estreante formato 3x3 e a última esperança, o basquete masculino, repetiu o triste roteiro dos últimos anos de 'iludir' o torcedor: jogar muito bem contra seleções fortes e nos momentos decisivos enfrentando seleções do mesmo escalão, não conseguir vencer e frustra fortemente todos que se acreditaram em uma classificação.  Creio que nesse momento, todo fã do basquete brasileiro está em luto.  E cada um, de torcedor ao jornalista que escreve sobre o assunto, passa pelas fases do luto de maneiras diferentes.


Teve gente que não acreditou até hoje que perdemos para a Alemanha  - sem Denis Schroder e Maxi Kleber - e levou 28 pontos de um jogador que tem médias de 6.9 pontos e 16 minutos por jogo na NBA e que o Brasil não foi nem de longe aquela equipe que jogava tão bem no início do Pré-olímpico. Sem negação, amigos. É duro, mas aconteceu. O Brasil demorou a mudar sua marcação mais forte e assim, perdeu nomes que estavam muito bem no pré-olímpico, como Hettsheimeir e Alex. E no ataque, o nervosismo pela decisão da vaga olímpica tirou a capacidade da equipe rodar a bola para encontrar um jogador melhor colocado para arremessar. Resumindo: os jogadores não fizeram quase nada do que tinham feito nos outros jogos e perdemos muito por isso.


Teve gente que com muita raiva, iniciou mais uma 'caça às bruxas', culpando jogadores de 'amarelões' e que desde Oscar Schmidt não temos um jogador que saiba botar a bola debaixo do braço e decidir a partida quando a situação está difícil. Não os culpo. Nada contra a geração que brilhou na NBA, mas todos que adentraram na seleção como principais estrelas, funciona apenas quando o coletivo funciona junto, o que não acontece sempre no basquete. Pobres Leandrinho - por muitos anos tentou ser esse cara -  e Vitor Benite no último domingo, que tentaram decidir e não conseguiram. Eles são ruins? Pelo contrário. A culpa dessa 'amarelada' é deles? Claro que não. São jogadores de altíssimo nível, mas quando o coletivo não está bem, fica difícil eles brilharem. A verdade é que deixamos de produzir na base alguns 'franchise players' para criarmos fábricas de 'role players', isso falando de forma bem resumida e rasteira, já que essa é uma questão deveras complexa para se falar em um momento de terra arrasada


Teve gente que quer uma fórmula mágica e imediata para voltarmos a ser relevantes no basquete mundial. Mas assim como na seleção feminina, não existe caminho fácil nessa árdua trajetória que o basquete está trilhando para se tornar relevante. O trabalho de Petrovic foi bom, renovou a seleção em algumas posições, a fez a seleção melhorar defensivamente, falha crônica de décadas da seleção brasileira e com exceção do jogo contra a Alemanha, atuou muito bem no ataque, rodando a bola em busca do jogador melhor colocado para o arremesso. E o técnico croata já se mostrou capaz de fazer essa equipe evoluir ainda mais. Espero que a CBB consiga mantê-lo e que ele queira ficar no comando da seleção para o ciclo de Paris para que tentar a classificação em 2024. Mas é bom nos acostumarmos com a toda a dificuldade e as muitas atuações frustrantes que ainda virão, não vai ser fácil. Não vai brotar um Lebron James (ou uma Diana Taurasi) do nada em algum ginásio brasileiro e nos levar ao alto escalão do basquete.


Teve gente que disse em total estágio de tristeza que estamos atrasados em relação ao basquete mundial e nossos campeonatos nacionais são ruins e que o fundo do poço que o basquete se encontra ainda é mais fundo. Nosso basquete está atrasado? Sim, 30 anos de descaso dos dirigentes que comandavam a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) deixaram profundas marcas na modalidade, difíceis de serem curadas a curto prazo. Mas campeonatos como NBB e LBF são heróis da resistência buscando manter jogadores em atividade e tentar desenvolvê-los. Até a CBB conseguiu  organizar um 'campeonato brasileiro', o que coloca mais jogadores em atividade, e no esporte coletivo da quantidade se extrai a qualidade. Apesar das derrotas recentes, e da falta de ídolos no esporte - afinal até hoje se idolatram Oscar, Paula e Hortência que há mais de 20 anos não jogam profissionalmente  - ainda é possível ver que, apesar e alguns erros de percurso, a CBB está buscando tirar o basquete desse terrível atoleiro.


Eu deveria ter escrito essa coluna até antes, mas tive que passar pelos estágios desse luto. Depois de tudo, o sentimento que permeia ainda é esperança. Ainda quero ver um Brasil vitorioso com a bola laranja na mão. Sei que décadas de estrago e incompetência fez o basquete perder muito da relevância em relação a outros esportes coletivos e da paciência de muitos fãs. Não conseguimos acompanhar as tendências do basquete mundial dentro de quadra, e fora, ainda estamos tentando minimizar os danos. Mas mesmo com tudo isso, o basquete não perdeu ainda o carinho do machucado torcedor brasileiro, como vimos quando a seleção brilhou contra Tunísia, Croácia e México ,deixando um torcedor cautelosamente empolgado.  Talvez eu esteja ainda à espera de um milagre, mas acredito que precisamos de um gatilho certo para poder acender a chama do basquete no país e voltarmos a nos empolgar com a seleção. Mas quando ele virá? Não sei, mas ele ainda virá. 


foto: FIBA/Divulgação

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