Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Pequim 2008, Bandeirantes - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Pequim 2008, Bandeirantes

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(Vinheta de abertura das transmissões da TV Bandeirantes para os Jogos Olímpicos de 2008)




Narração: Luciano do Valle, Nivaldo Prieto, Álvaro José, Osmar de Oliveira e Silvio Luiz

Comentários: Neto (futebol masculino/futebol feminino), Virna (vôlei feminino/vôlei masculino) e Luisa Parente (ginástica artística)

Reportagens: Henri Karan, Fernando Fernandes, Emily Virgílio, Paloma Tocci, Sérgio Gabriel e Felipe Andreoli (este, representando o programa CQC)

Apresentação: Renata Fan, Elia Júnior, Paloma Tocci, Guilherme Arruda e Luize Altenhofen


O departamento de esportes da Bandeirantes superou os tempos difíceis por que passava durante os Jogos Olímpicos de Atenas. Aos poucos, as condições financeiras voltavam a ser melhores – basta citar a parceria com um nascente Esporte Interativo, entre 2005 e 2006, permitindo várias transmissões de futebol (Campeonato Espanhol, Campeonato Italiano, Liga dos Campeões); de certa forma, a transmissão da Copa de 2006, ainda que só no “filhote esportivo” Bandsports; e finalmente, o acordo de sublicenciamento com a Globo, a partir de 2007, rendendo os direitos dos Jogos Pan-Americanos, além de vários campeonatos nacionais de futebol à emissora (Campeonato Paulista, Campeonato Carioca, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil – e com exclusividade na emissora paulista, o Sul-Americano Sub-20, os Mundiais de base, e a Copa do Mundo feminina de 2007). Com mais eventos, mais programas surgiam para sustentar o esporte no canal, como a mesa-redonda diária Jogo Aberto ou o semanal Band Esporte Clube.


Por menor que fosse, outra prova de recuperação da Band estava na volta da “cara do esporte” da emissora da família Saad. De fato, o “empréstimo” de Luciano do Valle à TV Record durou um pouco mais do que o previsto: o locutor lá ficou entre 2003 e 2005. Mas em janeiro de 2006, com pompa, circunstância e anúncios públicos (havia até outdoor nas ruas de São Paulo), Luciano retornou à sua “casa”. Voltou ancorando uma edição remodelada – semanal, pré-Copa – do Apito Final, nas noites de segunda, preparando o ambiente para a cobertura do Mundial de futebol no Bandsports. E voltou a ser a principal voz de eventos esportivos na Bandeirantes. Obviamente, estava garantido como o grande símbolo dos trabalhos da emissora em Pequim – afinal, era a última edição de Olimpíadas em que valeria o acordo Globo-Bandeirantes com o COI, assinado no fim dos anos 1990. E após a ausência de Atenas-2004, o paulista de Campinas iria para sua sexta edição de Jogos Olímpicos pela Band. Mesmo que não fosse mais diretor de esportes, mesmo que já fosse criticado aqui e ali por um suposto enfado e por erros cometidos, a ascendência de Luciano do Valle no esporte da Band era clara.




Após o “empréstimo” à Record, Luciano do Valle voltou para seguir sendo o símbolo esportivo da Bandeirantes – e seria o grande rosto da emissora para a cobertura das Olimpíadas em 2008 (Divulgação)



Mas embora fosse a figura mais importante, Luciano era apenas um dos cerca de 200 enviados da Band, somados os que trabalhariam pelo Bandsports, a Pequim, para os trabalhos no estúdio de 260m² que seria montado no centro de imprensa da capital chinesa, unindo todos os veículos do Grupo Bandeirantes, em tevê (Band e Bandsports) e rádio (Bandeirantes e Bandnews FM), usando o mesmo uniforme vermelho.


Acrescentando o tom positivo – e até nostálgico – de reação que aquela cobertura teria para a emissora, quase todos os demais narradores haviam estado pela mesma Bandeirantes em Seul, havia 20 anos. Álvaro José, como sempre, daria voz a quantos esportes olímpicos pudesse, com ênfase em natação, atletismo e ginástica artística. Sílvio Luiz (indo para a sexta cobertura olímpica no canal) ficaria mais focado no futebol, mas também daria um tostão de sua voz no basquete. De volta à Band em 2007, Osmar de Oliveira (1943-2014) já era mais célebre como comentarista na época, mas voltaria a ser locutor em Pequim, acompanhando alguns jogos de vôlei e basquete. A única “novidade” era Nivaldo Prieto – e mesmo ele já tinha 11 anos de emissora, àquela altura, sendo responsável por algumas partidas dos torneios olímpicos de futebol, vôlei e basquete.




Álvaro José e Silvio Luiz: dois nomes que haviam dado voz pela Bandeirantes às disputas em Seul-1988 participariam da cobertura dos Jogos de Pequim, pela mesma emissora (Divulgação)


Entre os comentaristas, uma presença destacada. Se ainda era um iniciante hesitante na cobertura da Band em Sydney-2000, oito anos depois, Neto já se convertera num dos comentadores mais célebres das transmissões de futebol da televisão brasileira, guiado pela transparência e pelo polemismo – características que o faziam amado ou odiado, dependendo do telespectador. Por isso mesmo, era nome certo nos comentários da participação brasileira nos torneios olímpicos de futebol masculino e feminino: faria os trabalhos dos estúdios em São Paulo, enquanto Luciano do Valle narrava das cabines em Pequim – sim, houvera o entrevero entre ambos, pelas críticas de Luciano a Neto antes da final da Copa do Brasil daquele ano, mas aos poucos a paz se refazia.


Se Neto era o nome no futebol, Virna era o nome da Band para os comentários no vôlei. Ainda ativa no vôlei de praia, que deixaria em 2010, a potiguar de Natal já se iniciara pela Band na cobertura do Pan de 2007, credenciada pelos três torneios olímpicos na carreira. Agradara. E seria parceira de Luciano do Valle – ou do narrador da vez, como Osmar de Oliveira – nas cabines para os jogos de vôlei, nos torneios de homens e mulheres em Pequim. E Luisa Parente, por sua vez, era a única remanescente das “Mulheres de Atenas” que voltaria a aparecer pela Band em 2008, comentando a ginástica artística – grande aposta de audiência da emissora naquela cobertura olímpica, conforme apregoava o diretor de esportes e comandante dos trabalhos em Pequim, Carlos Gomes, o “CG”: “Em 2004, a Band ficou em primeiro lugar [na audiência] exibindo ginástica olímpica. A ginástica se tornou um diferencial da Band”.


Entre os repórteres, uma previsível separação de forças. Com a expectativa no que a Seleção masculina poderia fazer no torneio de futebol, Fernando Fernandes seria o repórter privativo do torneio do ludopédio, experiente que era nos gramados. De resto, Henri Karam, Emily Virgílio, Sérgio Gabriel (egresso da rádio do grupo, que começava a despontar na televisão, na editoria geral) e Paloma Tocci (egressa da rádio Transamérica paulista) correriam Pequim e cidades vizinhas afora, acompanhando as demais disputas olímpicas.


E de quebra, um dos principais chamarizes de audiência da emissora da família Saad na época teria seu representante nos Jogos. Já acostumado a acompanhar os eventos esportivos e gostar deles – até pelo pai, Luiz Andreoli, de tantas reportagens e “ancoragens” nas passagens por Globo (1982 a 1987) e Bandeirantes (1987 a 1996) -, Felipe Andreoli era habitualmente o escolhido do CQC (Custe o que Custar) para aparecer em qualquer grande acontecimento do esporte, impondo o “jornalismo de entretenimento” que o programa comandado por Marcelo Tas fazia, dando audiência respeitável nas noites de segunda-feira. Previsivelmente, Felipe foi incluído entre os enviados da Band a Pequim. E lá faria seu primeiro trabalho num grande evento esportivo, produzindo seu material para o CQC, de terno, óculos escuros e toda a indumentária característica dos “repórteres” do programa.


Finalmente, se nenhum programa especial sustentaria a cobertura em Pequim, a Band se valeria dos seus habituais cavalos-de-batalha. Renata Fan foi enviada, para de lá apresentar o Jogo Aberto que fechava os trabalhos diários durante aqueles Jogos, das 11h30 às 13h de Brasília, após a madrugada inteira de cobertura. E para o semanal Band Esporte Clube, também em Pequim, a dupla habitual de apresentadores dele: Guilherme Arruda e Patrícia Maldonado – com Paloma Tocci sempre a postos, se necessário. E embora estivesse mais concentrado no Bandsports, o velho e bom Elia Júnior, outro símbolo esportivo da emissora, aparecia quando podia nas apresentações. Além dos programas habituais, os cinco seriam os âncoras de uma maratona que começava às 22h de Brasília, trazendo a madrugada inteira de competições, e só pararia às 13h, com o fim do Jogo Aberto resumindo o dia olímpico. Um total de 15 horas diárias. Podiam não ser os tempos de pujança dos anos 1980 e 1990, mas não era nada mal.



Renata Fan, Luisa Parente, Paloma Tocci, Patrícia Maldonado e Virna (da esquerda para a direita): as mulheres eram maioria, mas o destaque da Band nas Olimpíadas de 2008 também ia para Felipe Andreoli, o homem do CQC em Pequim (Divulgação)


Era a tentativa da Band confirmar que a tradição esportiva “faz[ia] parte do DNA da emissora”, como o diretor Carlos Gomes anunciava. Para tanto, já no dia 7 de agosto de 2008, um dia antes da cerimônia de abertura, o trio Luciano do Valle-Neto-Fernando Fernandes estava a postos para a transmissão de Brasil 1x0 Bélgica, estreia brasileira no futebol masculino naqueles Jogos. E Luciano voltou no dia seguinte, comandando a transmissão da cerimônia de abertura, com Nivaldo Prieto e Álvaro José ao lado na cabine do Ninho do Pássaro.




(Melhores momentos de Brasil 1x0 Bélgica, pela fase de grupos do torneio de futebol masculino, nos Jogos Olímpicos de 2008, na transmissão da TV Bandeirantes, com a narração de Luciano do Valle e os comentários de Neto)

Tinha sido dado o pontapé inicial numa cobertura surpreendentemente positiva. Não só pela Band evocar momentos de mais potência na disputa pela audiência em eventos esportivos, mas também por surpresas engraçadas. Por exemplo: ver Osmar de Oliveira, que narrara muitos jogos de vôlei nos primórdios de sua carreira (pela TV Gazeta paulistana, no fim da década de 1970), dando voz à transmissão da emissora paulista para os 3 sets a 0 do Brasil na Argélia, estreia da seleção feminina de vôlei no torneio olímpico, já no primeiro dia “oficial” de disputas – madrugada de 9 de agosto de 2008, no horário de Brasília. Um simpático momento na última cobertura olímpica da carreira de “Dr. Osmar”, falecido em 12 de julho de 2014, vítima de complicações após hemorragia.


Mas foi só daquela vez. De resto, todos os papéis mais ou menos bem definidos. Silvio Luiz e Nivaldo Prieto se alternando entre as partidas secundárias de futebol e basquete, Osmar de Oliveira aparecendo vez por outra na narração... e novamente, Álvaro José se valendo de sua experiência com esportes olímpicos – e também da sorte, claro – para dar voz à transmissão da Band para, talvez, os dois momentos mais marcantes de atletas brasileiros em Pequim. O narrador/comentarista paulistano estava no Cubo D’Água para narrar a apoteose de Cesar Cielo na natação, tanto com o bronze nos 100m, quanto (e principalmente) com o ouro nos 50m (aqui, o começo da cerimônia de premiação), na madrugada brasileira de 16 de agosto de 2008. Mais seis dias, e já na manhã de 22 de agosto, também foi de “Alvinho” a voz alegre, no Ninho do Pássaro, para o ouro redentor de Maurren Maggi no salto em distância feminino, tão logo a russa Tatyana Lebedeva se frustrou com o salto queimado.




(O ouro de Maurren Maggi no salto em distância feminino, nos Jogos Olímpicos de 2008, na transmissão da TV Bandeirantes, com a narração de Álvaro José. Exibido em reportagem de Henri Karam para o “Jornal da Noite” de 22 de agosto de 2008. Postado no YouTube por HelNascimento)


Enquanto isso, Luciano do Valle narrava as partidas de vôlei e de futebol, nos homens e nas mulheres. No torneio feminino da bola nos pés, inclusive, Luciano seguiu com a empolgação vista em suas narrações na Copa do Mundo de 2007 – na qual sua voz emoldurou de modo inesquecível o golaço de Marta, nos 4 a 0 sobre os Estados Unidos, na semifinal. Obviamente, a decepção do locutor com nova derrota para os Estados Unidos na decisão do ouro também foi grande.


Tudo bem: o que era de Luciano do Valle, estava guardado. Como quase sempre, jogos decisivos nos torneios olímpicos de vôlei pediam a voz do campineiro na Bandeirantes. Foi o que aconteceu, tanto nas disputas dos homens quanto na das mulheres. Na madrugada do dia 24 de agosto de 2008, último dia olímpico, é certo que ele narrou mais uma decepção, com a prata brasileira no vôlei masculino, após a derrota na final para os Estados Unidos. Mas o que ocorrera no dia anterior compensara: com Virna ao lado na cabine do Estádio Indoor da Capital, Luciano soltou a voz para saudar o ouro do vôlei feminino, com os 3 sets a 1 nas norte-americanas.


Ansioso pelo último ponto – e fazendo os espectadores se recordarem de um certo 24 a 19 em Atenas... -, Luciano alertava: “Como é difícil ganhar o ouro...”. Imediatamente depois, veio o erro norte-americano, o fim do jogo, e ele lembrou as mesmas palavras ditas por ele na Bandeirantes, em Barcelona-1992, ao narrar o primeiro ouro do vôlei masculino em Jogos Olímpicos: “Ganhamos! Somos ouro! Brasil!”. Mais calmo, Luciano narrou os minutos posteriores ao ouro, antes da entrega das medalhas, e antecipou as entrevistas de Paloma Tocci na quadra, com as medalhistas douradas. O narrador até arriscava: o Brasil também levaria o ouro no vôlei masculino. Não deu.




(Ponto decisivo da medalha de ouro do Brasil no torneio de vôlei feminino, nos Jogos Olímpicos de 2008, na transmissão da TV Bandeirantes, com a narração de Luciano do Valle. Exibido em reportagem com a locução de Dan Sister, no programa “Band Esporte Clube” de 24 de agosto de 2008. Postado no YouTube por HelNascimento)


Depois, Luciano até ganhou “descanso” na cerimônia de encerramento de 24 de agosto: afinal, Nivaldo Prieto tinha voz marcante, e poderia ancorar a transmissão da emissora, junto ao experiente Álvaro José. Era o fecho de uma cobertura honrosa, saudada com um vídeo especial no Band Esporte Clube de horas mais tarde, naquele domingo. Mesmo sem conseguir fazer frente à Globo – em estrutura e em audiência – como em tempos idos, a Bandeirantes podia se orgulhar: tivera cobertura mais completa do que em Atenas-2004. Evocara o “canal do esporte” que um dia fora. A tradição seguia intacta.



(Álvaro José e Nivaldo Prieto comentando a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2008, logo após o final, na transmissão da TV Bandeirantes. Postado no YouTube por Êgon Bonfim)

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