Os Jogos Olímpicos na Televisão Brasileira - Seul 1988, Bandeirantes - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na Televisão Brasileira - Seul 1988, Bandeirantes

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Narração: Luciano do Valle, Silvio Luiz, Jota Júnior, Osmar de Oliveira, Álvaro José e Marco Antônio Mattos
Comentários: Juarez Soares, Rivellino e Zico (futebol), Edvar Simões (basquete), Paulo Russo (vôlei), Álvaro José (atletismo e natação) e Newton Campos (boxe)
Reportagens: Roberto Cabrini, Eli Coimbra, Elia Júnior, Flávio Prado, Gilson Ribeiro, Maria do Carmo Fúlfaro e Marcelo Bianconi
Apresentação: Elia Júnior, Simone Mello, Luiz Andreoli e Elys Marina
Participação: Blota Jr.


Se havia um símbolo do que era esporte na telinha brasileira, no fim dos anos 1980, era a Bandeirantes. E se havia um símbolo do retumbante sucesso do consórcio entre a empresa Luqui, antes PromoAção, e o departamento de esportes do canal paulista, era o “Lu” da Luqui, um dos sócios da empresa (o outro era José Francisco Coelho Leal, o “Quico”), o grande representante daquilo tudo à frente das câmeras: claro, Luciano do Valle. Fosse apenas narrando e promovendo eventos, ou colocando a mão na massa (como treinador da Seleção Brasileira na Copa Pelé), o paulista de Campinas conseguia o que desejava ao sair da TV Globo, em 1982: provar que nem só de futebol precisava viver o esporte dentro da televisão. Seu projeto era sucesso e sua imagem era positiva a ponto de fazer dele a capa da Veja São Paulo, edição da Veja encartada apenas para os pauistas, em 1988. 

Mais: não faltava quem pedisse que Luciano fosse técnico da Seleção Brasileira para valer, após a Copa Pelé. Ou que pedisse que ele fizesse pelo basquete o que fizera pelo vôlei, sendo arauto da modernização da modalidade. De fato, por mais que Globo e Manchete tentassem, era inquestionável: para qualquer brasileiro que curtisse o tema, a Bandeirantes era “o canal do esporte”, como se ufanava em seu lema nos programas e transmissões.


O Espaço maciço dado ao esporte na televisão aberta – para exemplificar: só em 1986, além da Copa do Mundo de futebol, houve a exibição dos Mundiais masculinos de vôlei e basquete. Os principais torneios brasileiros, também com ampla variedade de modalidades: as disputas nos Campeonatos Brasileiros de vôlei e basquete tinham lugar garantido, além dos esperados campeonatos de futebol. Quando não havia evento, inventava-se: assim, em 1987, surgiu a Copa Pelé, torneio formando seleções de jogadores veteranos (incluindo o homônimo, que jogou alguns minutos na estreia do Brasil), que encantou o país em janeiro daquele ano. 

Por falar em janeiro, também havia nele o Verão Vivo, com semanas a fio de atividades (de jogos a apresentações musicais) organizadas nos verões da Enseada do Guarujá, tradicional praia do balneário paulista. A criação de ídolos esportivos que cativavam os brasileiros – foi assim nos jogos de hóquei, que celebrizaram a cidade paulista de Sertãozinho, no boxe, com as lutas de Adilson “Maguila” Rodrigues, na sinuca, que popularizou nomes do Brasil (Rui Chapéu) e fora dele (o inglês Steve Davis), e na Fórmula Indy, trazida como novidade ao país, mostrando como Emerson Fittipaldi ainda sabia guiar perfeitamente. Sem contar os programas centrais disso tudo: o noticiário diário Esporte Total, na hora do almoço, o boletim noturno Desafio, com notícias e lutas de boxe, e a maratona dominical (das 10h às 20h) que era o Show do Esporte, desde 1984. 



A Bandeirantes era o canal do esporte na televisão brasileira em 1988 - e Luciano do Valle era o símbolo absoluto disso (Reprodução/Editora Abril)



Para os padrões de 1988, a equipe de esportes do canal da família Saad fazia um trabalho invejável – admirável, até. Mesmo quando não tinha os direitos de eventos, acabava ajudando: foi assim ao ceder parte de sua equipe para a “Rede do Pan” que transmitiu, de modo independente, os Jogos Pan-Americanos de Indianapolis, em 1987. De quebra, como se já não bastassem os nomes conhecidos da audiência  - Luciano do Valle, o comentarista e apresentador Juarez Soares (1941-2019), os repórteres e apresentadores Elia Júnior e Simone Mello, os apresentadores Elys Marina e Luiz Andreoli, os narradores Jota Jr., Osmar de Oliveira (1943-2014) e Marco Antônio Mattos (1939-2004), o narrador/comentarista Álvaro José, repórteres como Eli Coimbra (1942-1998) -, aquele 1987 ainda trouxe mais dois tremendos ganhos para a equipe capitaneada por Luciano. Após terem o contrato rescindido unilateralmente pela TV Record, tanto o narrador Silvio Luiz quanto o repórter e apresentador Flávio Prado encontrariam guarida na emissora, no mês de outubro. Silvio, em especial, recebia uma retribuição: cinco anos após abrir caminho para Luciano do Valle deixar a TV Globo e implantar o projeto que divulgava esportes olímpicos na TV Record, naquele momento era ele quem se valia da mão estendida de Luciano, nos encontros durante os trabalhos da Rede do Pan, para rumar à Bandeirantes e seguir com sua carreira.

Com todo esse cenário favorável e receptivo, era de se esperar que a Bandeirantes tivesse Seul-1988 como uma das meninas-dos-olhos daquele ano. Nem mesmo a perspectiva de precisar exibir eventos durante a madrugada brasileira tirava o otimismo de Luciano do Valle, falando à revista Istoé/Senhor de 7 de setembro de 1988: “Os telespectadores só precisam de um bom motivo para ficarem acordados, e a Olimpíada será muito mais do que isso”. Também seria muito mais do que um mero evento esportivo para o consórcio Bandeirantes/Luqui, que investiria mais do que a concorrência nos preparativos para Seul. Para começo de conversa, de acordo com o que Luciano dizia à Istoé/Senhor, seriam US$ 4 milhões gastos pela emissora (os fatos revelaram US$ 8 mi), tanto em equipamentos quanto para a montagem dos estúdios de 140 m² que a Bandeirantes teria, no 12º andar do centro de imprensa da cidade-sede olímpica. Dentro dos estúdios, as instalações bandeirantinas também seriam invejáveis: quatro novas ilhas de edição, quatro câmeras externas, duas câmeras exclusivas no estúdio e uma mesa para a edição das imagens.

E antes mesmo que qualquer instalação ficasse pronta, antes mesmo que os enviados a Seul fossem selecionados, a Bandeirantes já mobilizava sua audiência com programas especiais de preparação olímpica. Um deles já estava no espaço esportivo habitual: o Desafio começaria a focalizar alguns atletas brasileiros que iriam a Seul, já no começo de 1988. Pouco depois, um boletim especial, de três minutos, já traria maior conteúdo sobre os Jogos: apresentado por Elys Marina, o Seul 88: Em Busca do Ouro mostrava grandes nomes da história olímpica, os preparativos de Seul, os preparativos dos atletas. E assim seria, até que chegassem os meses mais próximos da cerimônia de abertura.




(Boletim “Seul 88: Em busca do ouro”, exibido pela TV Bandeirantes em 14 de março de 1988, com a apresentação de Elys Marina. Postado no YouTube por Êgon Bonfim)

Somente então viria a escolha da equipe de 45 enviados da Bandeirantes a Seul, sob o comando de Luciano do Valle. Junto a Teti Alfonso, diretor de esportes da Bandeirantes, Luciano chefiava aquela cobertura – e obviamente, seria a voz do canal para algumas das competições mais importantes na Coreia do Sul. Além dele, Silvio Luiz, Jota Júnior e Osmar de Oliveira também estariam a postos para narrar muitos eventos nos Jogos Olímpicos, bem como Álvaro José, novamente se revezando entre narração e comentários, dependendo da modalidade. 

Para os comentários, alguns nomes eram certos. Voltava Edvar Simões para os comentários do basquete masculino, como fizera pelo canal em Los Angeles-1984, além do professor Paulo “Russo” Sevciuc seguir absoluto como parceiro de Luciano do Valle, nas transmissões dos jogos do vôlei (homens e mulheres) na Arena Jamsil, na Universidade de Hanyang e no Saemaul Sports Hall. 

Já outros comentaristas ficariam nos estúdios da emissora, no bairro paulistano do Morumbi. E seriam novidades da Bandeirantes. Principalmente para o futebol: mesmo ainda em atividade no Flamengo, Zico seria a grande aposta do canal, comentando as partidas do futebol masculino, em sua primeira experiência no papel. Um dos símbolos da Seleção de Masters celebrizada pela Copa Pelé de 1987, comentarista relativamente elogiado na Copa de 1986 (pela simplicidade com que falava do que via), Roberto Rivellino também ajudaria nas transmissões nos gramados. E mesmo que já fosse conhecido das transmissões das lutas de boxe que o canal exibia – fossem de Adilson “Maguila” Rodrigues ou as fulgurantes aparições de Mike Tyson -, Newton Campos também teria sua primeira vivência olímpica na televisão, também comentando o boxe olímpico do Brasil.

Finalmente, para as reportagens, três nomes que haviam trabalhado na cobertura de Los Angeles retornariam: Elia Júnior, Roberto Cabrini e Gílson Ribeiro. Outro egresso da TV Record, Eli Coimbra trazia a experiência gigante que já tinha em coberturas esportivas para a Bandeirantes. Flávio Prado, que chegara da Record no ano anterior, ficaria mais focado nas reportagens do que o time brasileiro de futebol (treinado por Carlos Alberto Silva, com Taffarel, Jorginho, André Cruz, Geovani, Bebeto, Romário...) faria nos gramados sul-coreanos. Haveria ainda mais dois novatos em reportagem, ambos em suas primeiras coberturas olímpicas: Marcelo Bianconi e Maria do Carmo Fúlfaro.

Além do trabalho nas reportagens, Elia Júnior. também faria o que já fazia no dia-a-dia normal: apresentaria o Show do Esporte nos domingos, dos estúdios em Seul. Mas, obviamente, a Bandeirantes teria outros apresentadores, até para Elia não precisar ficar 24 horas em pé. Nos estúdios da Rua Radiantes, 13, no Morumbi, estariam a mineira Simone Mello, que também trabalhava como repórter na equipe esportiva; Luiz Andreoli, vindo da Globo para o time de Luciano do Valle em 1987; Juarez Soares, a outra cara do Show do Esporte ao lado de Elia Júnior, também permaneceria no Brasil, apresentando e colaborando com os comentários nas transmissões do torneio olímpico de futebol; 

Entre a equipe que estava em Seul, além do supracitado Elia Jr., mais dois nomes ancorariam a cobertura da Bandeirantes. Um deles já era conhecido de quem assistisse ao que fazia a equipe de Luciano do Valle – ou melhor, conhecida: Elys Marina também estaria a postos nos estúdios do centro de imprensa. Mas era o outro apresentador da emissora da família Saad que chamaria atenção naquela cobertura. José Blota Júnior, o popular Blota Júnior (1920-1999), já era então um dos mais célebres apresentadores da televisão brasileira (só para exemplificar: Blota Jr. fora o mestre de cerimônia dos históricos festivais de música que a TV Record fazia nos anos 1960, ao lado da esposa Sônia Ribeiro). Advogado de formação, pai do José Francisco “Quico” Leal que comandava a Luqui com Luciano do Valle, comandante de programas dos mais diversos tipos, o paulista de Ribeirão Bonito estaria ao lado de Elys Marina comandando os programas que sustentariam aquela cobertura. Além do mais, Blota apresentaria as reportagens que exibissem como estava o ambiente em Seul durante os Jogos.

Claro, nada mudaria nos cavalos de batalha habituais da Bandeirantes para o esporte: seguiria o Esporte Total diário, na hora do almoço, como fechamento do que se vira na madrugada brasileira em Seul. Aos domingos, o Show do Esporte também continuaria, mantendo a audiência das 10h às 20h, reprisando disputas para quem não podia/não queria ficar acordado na madrugada, exibindo reportagens especiais etc. Na segunda, também continuaria o boletim Desafio, mostrando matérias rápidas com personagens marcantes daquele período olímpico entre 17 de setembro e 2 de outubro de 1988. Mas a força do canal paulista viria a partir das 20h30 de Brasília: logo após o Jornal Bandeirantes, vinha O Melhor de Seul, noticiário que mostrava rapidamente os melhores momentos da madrugada anterior – e já preparava o ambiente para o que se veria na Bandeirantes, das 22h30 às 10h30 de Brasília: as disputas mais importantes, ao vivo, sempre com flashes à disposição para o que aparecesse repentinamente e fosse importante nas Olimpíadas. 

Afinal, era a ocasião em que o autointitulado “canal do esporte” queria se provar assim – até pelos glorificadores lemas da cobertura (“Bandeirantes, a primeira em Seul”, ou “Bandeirantes, a maior torcida do Brasil”). E começou com a cerimônia de abertura no Estádio Olímpico de Seul, na noite brasileira de 16 de setembro. Comandando a transmissão do canal dos Saad, três narradores com cacife para serem os principais nomes em qualquer um dos concorrentes: Luciano do Valle, Sílvio Luiz e Osmar de Oliveira – e ainda tendo o auxílio de Blota Jr., também presente à cabine no estádio.


Anúncio da cobertura da TV Bandeirantes para os Jogos Olímpicos de 1988 (Reprodução/Folha de S.Paulo)


Começados os Jogos, tudo foi ficando delineado na cobertura. Como gostava, Luciano do Valle ficava mais próximo das transmissões do basquete e do vôlei – neste, em especial, a dupla com Paulo Russo voltava a exibir o entrosamento vindo desde a rápida passagem pela TV Record, acompanhando os jogos das Seleções Brasileiras, tanto na campanha do 6º lugar das mulheres quanto no 4º lugar masculino.



De resto, Jota Júnior, Marco Antônio Mattos e Álvaro José se alternavam entre as demais modalidades. Com destaque para Álvaro José. E o paulistano brilhou ao narrar um momento que daria consequências positivas para outros membros da equipe da Bandeirantes: o doping de Ben Johnson na prova dos 100m masculino, no atletismo. Começando por Roberto Cabrini: o repórter esperou pacientemente pelo corredor canadense (e por seu técnico e mentor, Charles Francis), até dar o pulo do gato – sabendo do fanatismo de Ben por futebol, Cabrini foi entrevistá-lo na pista de testes do Estádio Olímpico, trazendo a tiracolo a camisa da Seleção Brasileira como presente. 

Valeu a pena: Johnson falou com exclusividade à Bandeirantes, na véspera do 24 de setembro de 1988 em que faria história – primeiro para o bem, depois para o mal. E na hora do mal, a Bandeirantes deu mais sorte. Além de narrador, Osmar de Oliveira já era um dos grandes personagens da medicina esportiva brasileira: bastava dizer que fora “Dr. Osmar” o médico da delegação do Comitê Olímpico Brasileiro em Moscou-1980. Logo, fontes médicas não faltavam ao locutor paulistano para que ele pudesse apurar determinadas informações. 

Tão logo começaram a pipocar as notícias de que o vidro 1237, contendo a amostra de urina com estanozolol, era de Ben Johnson, Dr. Osmar tomou a frente. Manteve contato com a WADA (Agência Mundial Antidoping), com o COI... e finalmente, em primeira mão para o Brasil, foi Osmar quem confirmou na Bandeirantes, em 26 de setembro: o medalhista de ouro ganhara os 100m do atletismo masculino à base de esteroides anabolizantes, e seria fortemente punido com a perda do que conquistara. Também valeu a pena, pois as observações didáticas dadas pelo narrador e médico sobre a polêmica foram elogiadas pela revista Istoé/Senhor, na semana seguinte ao escândalo: “(...) O locutor Osmar de Oliveira, falando de Seul para a TV Bandeirantes, disse que o fabuloso ‘Big Ben’ estaria sujeito a problemas de fígado, descontrole psíquico, eventualmente câncer e, surpresa geral, drástica atrofia dos seus pênis e dos seus testículos, podendo inclusive tornar-se estéril. As informações de Osmar, que também é médico, foram recebidas com risos nos próprios estúdios da emissora. Elas eram, no entanto, rigorosamente corretas”. Nada como ter gente especializada.

Em meio a todo esse trabalho, Osmar convivia bastante naquela cobertura com outro nome estelar da Bandeirantes: Silvio Luiz. Que protagonizava, querendo ou não, histórias engraçadas, sempre guiadas por sua proverbial irreverência. Uma delas: num jantar envolvendo a equipe da Bandeirantes em Seul, o intérprete que acompanhava os enviados demorara um pouco mais para entrar no restaurante, pois buscava estacionar o carro. Nesse meio-tempo, Silvio viu um pedido no cardápio do restaurante (obviamente, em coreano). Sem saber nem o básico do idioma, simpatizou com a grafia da iguaria... e chamou o garçom, apontando no menu o que desejava. 

Ato contínuo, o intérprete enfim chegou ao restaurante, e perguntou o que o narrador pedira. Silvio novamente apontou a refeição. O intérprete exclamou: “Mas você vai comer cachorro?!” Claro, na mesma hora Silvio pediu rapidamente para que o intérprete desfizesse o pedido por carne de cachorro, feito ao garçom. Dali por diante, para tentar se fazer entender, o locutor da Bandeirantes tinha seus métodos com os garçons em Seul. Se quisesse carne bovina, começava a mugir, como um boi; e se o desejo era carne de frango, balançava os braços como uma ave. E mesclava português e espanhol nas tentativas de conversa.

Compensando os apuros passados fora do trabalho, Silvio brilhava nas transmissões. Vivendo uma das grandes fases de sua trajetória já então longa na televisão, foi designado como o locutor das partidas do Brasil no futebol masculino, cabendo a Osmar de Oliveira as demais partidas. Tendo Ely Coimbra a seu lado na cabine dos estádios (e o trio Rivellino-Zico-Juarez Soares, comentando dos estúdios em São Paulo), o narrador descreveu pela Bandeirantes todo o caminho brasileiro, usando seu arsenal gigante de bordões, de “acerte o seu aí que eu arredondo o meu aqui” ao “olho no lance”, passando por tudo no meio do caminho. Começou na fase de grupos: o 4 a 0 na Nigéria, o 3 a 0 na Austrália, o 2 a 1 na Iugoslávia. Nas quartas de final, o 1 a 0 na Argentina

E veio um primeiro ápice na inesquecível semifinal, em 27 de setembro de 1988 (aqui, na íntegra). De fora do banco de reservas brasileiro, sem estar relacionado para o jogo, Neto se uniu a Silvio e a Eli Coimbra na cabine da Bandeirantes no Estádio Olímpico de Seul, preconizando involuntariamente o caminho que seguiria após o fim da carreira nos campos. E lá, todos se enervaram com o 1 a 0 alemão (‘Como é que é, a bandeira não vai subir?”, torcia Silvio, alegando impedimento de Holger Fach no gol). Todos celebraram o gol de Romário, no dramático 1 a 1. E, finalmente, todos se emocionaram com a apoteose de Taffarel, defendendo um pênalti no tempo normal (o microfone de Silvio captou Neto dizendo que ele pegaria) e outros dois na decisão por pênaltis que levou o Brasil à final olímpica – sem contar uma bola na trave, que Silvio Luiz narrou como se Taffarel tivesse defendido: “Bateu na trave... não interessa. Para mim foi ele mesmo quem defendeu”. 



(Brasil 1(3)x1(2) Alemanha Ocidental, semifinal do torneio olímpico de futebol, nos Jogos Olímpicos de 1988, na transmissão da TV Bandeirantes, com a narração de Sílvio Luiz e os comentários de Ely Coimbra. Postado no YouTube por Flávio Baccarat)

Depois, veio a derrota para a União Soviética, com a medalha de prata servindo de um grande anticlímax. Mas ficara tudo bem para Silvio Luiz: ali ele mostrara o tamanho do acerto de Luciano do Valle ao trazê-lo para a Bandeirantes, tornando-o outro chamariz de audiência.


E o clipe de encerramento da cobertura, exibido no fim da transmissão da cerimônia de encerramento no 2 de outubro de 1988, celebrando os 45 enviados a Seul e a retaguarda que trabalhara no Brasil, deixava claro: aquela cobertura fora um marco no projeto de Luciano do Valle. A Bandeirantes podia não ser a campeã de audiência, mas criava naquele fim de década de 1980 uma tradição esportiva que até hoje a torna conhecida. E que deixa saudades em muitas pessoas. 



(Clipe da TV Bandeirantes para celebrar a cobertura dos Jogos Olímpicos de 1988. Postado no YouTube por Edu Cesar)



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