Parada das Nações Tóquio 2020 - Samoa Americana - Surto Olímpico

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Parada das Nações Tóquio 2020 - Samoa Americana

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Introdução


A Samoa Americana é um conjunto de ilhas localizado no Sul do Oceano Pacífico. Protegido militar e diplomaticamente pelos Estados Unidos, o território é composto por cinco ilhas e dois atóis de corais, que fazem parte do arquipélago de Samoa.

Ao todo, 55.212 pessoas viviam no território em 2020, segundo estimativa das Nações Unidas – a maior parte delas em Pago Pago, na ilha de Tutuila, considerada a capital do território. A principal atividade econômica é a exportação de frutos do mar, em especial, de atum, para o restante dos Estados Unidos.

Ocupadas pelos polinésios há mais de 3 mil anos, as ilhas que formam a Samoa Americana foram alvos dos colonizadores a partir do Século XVIII, recebendo exploradores neerlandeses, franceses e ingleses. Em meados do Século XIX, missionários britânicos começaram a disseminar o cristianismo na região, enfrentando a resistência de parte dos nativos.

Depois, foi a vez de alemães e estadunidenses disputarem a soberania sobre as ilhas. Os dois países chegaram a estar próximos de um conflito armado, mas entraram em um acordo e dividiram o poder sobre o arquipélago. Com isso, parte do território se transformou na Samoa Americana, enquanto a outra parte, inicialmente sob o domínio alemão, viria a ser ocupada também por britânicos e neozelandeses até se tornar independente em 1962, com o nome de Samoa.

Atualmente, a Samoa Americana é considerada um território não-incorporado dos Estados Unidos, status semelhante ao de ilhas como Porto Rico e Guam. Os samoanos elegem seu próprio governante desde 1977, mas não podem votar nas eleições norte-americanas. Em contrapartida, o arquipélago envia um delegado para a Câmara dos Deputados, que atua somente como observador, sem direito a voto.

Outro atrativo do arquipélago é sua grande biodiversidade. Cerca de 30% das espécies vegetais presentes na Samoa Americana são endêmicas, isto é, só existem na região. O território possui ainda 35 espécies nativas de pássaros.

O sistema marinho também é altamente diversificado, com cerca de 950 peixes de recife e 250 espécies de corais, bem como tartarugas marinhas e baleias jubarte raras e ameaçadas de extinção. Em 1988, os Estados Unidos instituíram o Parque Nacional da Samoa Americana, o parque mais ao sul sob controle do país.



Por sua posição no meio do Pacífico, a Samoa Americana fica próxima à Linha Internacional de
Data
. Por isso, muitos turistas viajam à vizinha Samoa para passar o dia e, depois, cruzam a linha
rumo à Samoa Americana, que, por estar do outro lado, tem um fuso horário de 24 horas a menos.
Assim, as pessoas podem viver a mesma data “duas vezes”.


Trajetória olímpica





O Comitê Olímpico Nacional de Samoa Americana foi reconhecido pelo COI no dia 01 de janeiro de 1987. No ano seguinte, o arquipélago estreou em Jogos Olímpicos, com uma delegação de seis atletas – todos homens – competindo em Seul 1988.

O destaque samoano nessa edição foi o boxeador Maselino Masoe, que venceu duas lutas entre os meio-médios. Em Barcelona 1992, Masoe retornou e conseguiu a melhor colocação da história do país em um evento olímpico, com o quinto lugar entre os médios-ligeiros.

Dois anos depois, viria a primeira e, até hoje, única participação do território em Jogos Olímpicos de Inverno. Brad Kiltz e Faauuga Muagututia competiram nas duplas do bobsleigh em Lillehammer 1994, terminando na 39ª posição entre 42 equipes.

As Olimpíadas de Atlanta 1996 foram marcantes para a Samoa Americana, que enviou aos Jogos a maior equipe de sua história até então – sete atletas. O número só viria a ser superado nos Jogos da Juventude de 2018, em Buenos Aires, quando a nação enviou 12 esportistas, incluindo a equipe feminina de handebol de praia. 

Além disso, o arquipélago teve em Atlanta sua primeira competidora mulher: a atleta do arremesso de peso Lisa Misipeka, que terminou na 25ª e última colocação.

Curiosamente, Misipeka também esteve em Sidney 2000, mas competindo no lançamento do martelo. Dessa vez, a atleta teve um rendimento mais expressivo, terminando na 14ª colocação com um lançamento apenas 1,04m abaixo da marca que lhe daria vaga na final.

No ano anterior, a samoana havia conquistado o bronze no martelo no Mundial de Atletismo em Sevilla, única medalha da história do território na competição. Os Jogos de Atenas 2004 foram a última participação olímpica de Misipeka, que não registrou nenhuma marca devido a uma lesão no joelho.


Lisa Misipeka foi a primeira medalhista da Samoa Americana em um Mundial de Atletismo (Foto: Reprodução)

Na Rio 2016, a Samoa Americana enviou quatro atletas. Issac Silafau e Jordan Maegoa competiram nos 100 metros rasos do atletismo no masculino e no feminino, respectivamente, mas não passaram da bateria preliminar.

No judô, Benjamin Waterhouse perdeu na sua primeira luta pela categoria até 73kg masculina. Por fim, o porta-bandeira Tanumali Jungblut errou suas três tentativas de erguer 141kg no arranco e terminou em último lugar na categoria até 94kg masculina do levantamento de pesos.

Para os Jogos de Tóquio, a delegação samoana americana já conta com dois atletas garantidos. Tyler Paige e Adrian Hoesch venceram a classe 470 masculina no Sail Melbourne International – torneio que funcionou como seletiva olímpica da vela para a Oceania – e garantiram o barco do território em 2021. Pelo regulamento, a Samoa Americana pode definir os atletas que ocuparão esse barco nos Jogos, mas a tendência é que Paige e Hoesch sejam os escolhidos.

Se a Samoa Americana ainda busca sua primeira medalha em Olimpíadas, o arquipélago tem bons números nos Jogos do Pacífico. Nesse evento multiesportivo, o país já conquistou 45 medalhas de ouro, 48 de prata e 81 de bronze. Na última edição, disputada em Ápia, Samoa, em 2019, a Samoa Americana conquistou o ouro no basquetebol feminino, além de cinco pratas e sete bronzes.


Time feminino de basquete conquistou a única medalha de ouro da Samoa Americana nos Jogos do Pacífico de 2019 (Foto: SPG Association)


Modalidades


+ Futebol Americano


Com pouca tradição em modalidades olímpicas, a Samoa Americana é considerada uma grande exportadora de atletas de futebol americano para os Estados Unidos. Segundo o site especializado Pro Football Reference, 37 jogadores nascidos no arquipélago já atuaram na National Football League (NFL), a maior liga de futebol americano do mundo.

Atualmente, o destaque samoano é o offensive guard Mike Iupati, que participou de todos os Pro Bowls – o tradicional jogo das estrelas da NFL – entre 2012 e 2015, quando defendia o San Francisco 49ers. Depois de passagem pelo Arizona Cardinals, o atleta é titular do Seattle Seahawks desde 2019.

Porém, o grande nome da modalidade ligado ao país foi Junior Seau. Nascido em Oceanside, na Califórnia, Seau era bisneto de um dos líderes da vila de Pago Pago, capital de Samoa Americana, e chegou a viver no arquipélago em grande parte de sua infância.

O atleta atuou como defensive tackle pelo San Diego Chargers entre 1990 e 2002, sendo eleito o melhor jogador defensivo de toda a liga em 1992 e selecionado para 12 Pro Bowls. Já pelo New England Patriots - franquia que defendeu entre 2006 e 2009 - Seau chegou ao Super Bowl em 2008, quando o time acabou derrotado pelo New York Giants.

Após deixar o esporte em 2010, Junior Seau cometeu suicídio em maio de 2012, aos 43 anos. Estudos descobriram posteriormente que Seau sofria de Encefalopatia Traumática Crônica, comorbidade comum em ex-atletas de futebol americano, devido aos impactos que sofreram na cabeça ao longo de sua carreira, que pode levar a condições mentais como depressão e demência. Em 2015, ele viria a se tornar o primeiro atleta polinésio a entrar para o Hall da Fama da NFL.

Junior Seau foi homenageado pelo New England Patriots, franquia que defendeu entre 2006 e 2009, com a aposentadoria de seu número - o 55 (Foto: Bryan Sneider/Reuters)


+ Futebol


Assim como grande parte dos países do Pacífico, a Samoa Americana não possui qualquer tradição no futebol. Porém, a seleção adulta do arquipélago é mundialmente conhecida por ter sofrido a maior goleada da história em um jogo internacional reconhecido pela FIFA. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, o time perdeu para a Austrália por impressionantes 31 gols a 0.

Famosa após a derrota acachapante, a seleção de Samoa Americana se tornaria o enredo do documentário britânico Next Goal Wins (2014), que ganhará uma adaptação dirigida por Taika Waititi – vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2020 pelo filme “Jojo Rabbit” – prevista para ser lançada ainda neste ano. 



Destaques

Tyler Paige e Adrian Hoesch (vela): os velejadores competiram no Sail Melbourne International em janeiro de 2020, que atuou como seletiva olímpica da Oceania para os Jogos de Tóquio. A dupla samoana foi a única da classe 470 masculina elegível para a conquistar a vaga olímpica, já que a Austrália, o outro país que estava na disputa, já havia garantido vaga no Campeonato Mundial.

Pelo regulamento, a Samoa Americana pode denir os atletas que ocuparão seu barco nos Jogos, mas a tendência é que Paige e Hoesch sejam os escolhidos. Caso sejam confirmados, os dois serão os primeiros atletas do território a participarem de uma competição olímpica de vela desde a jovem Tu’lemanu Ripley, que competiu nos Jogos da Juventude de Singapura, em 2010.

Tanumali Jungblut (levantamento de peso): Jungblut foi medalhista de bronze no arranco da categoria até 94kg do Campeonato da Oceania de 2016. No mesmo ano, foi o porta-bandeira da delegação de Samoa Americana nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. No Brasil, ele terminou na última colocação da categoria até 94kg, após falhar nas três tentativas de levantar 141kg no arranco.

Neste ciclo, o atleta subiu no peso e passou a competir na categoria até 109kg. No momento, Jungblut é o segundo melhor atleta da Oceania no ranking e precisa ultrapassar Sanele Mao, de Samoa, para conseguir uma vaga direta em Tóquio. Outra possibilidade seria um convite da Comissão Tripartite, que foi justamente a forma como o esportista competiu na Rio 2016.

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