Mesatenista paralímpico Israel Stroh comemora estratégia e volta aos treinos com protocolo rígido: “Estamos alguns degraus acima”


Foto: Alexandre Urch/CPB




Israel Stroh termina o atípico ano com saldo positivo, apesar de tantas dificuldades. Campeão brasileiro da classe 7, disputou apenas uma competição internacional em 2020 e teve o sonho da segunda medalha paralímpicada carreira adiado para 2021. Mas leva como boa vantagem a preparação realizada no período crítico da pandemia, cercado de cuidados.





Stroh foi um dos atletas que participaram na primeira leva da Seleção paralímpica de tênis de mesa no retorno aos treinamentos. Um rígido protocolo preparado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro proporcionou segurança aos atletas. Com esta segurança, a comissão técnica da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conseguiu colocar os atletas novamente em ação, paulatinamente. E o resultado não poderia ser melhor.





“Acho que só tivemos um caso, de uma atleta do atletismo, em mais de cem pessoas, o que é um saldo bom. A gente pode usufruir dessa ousadia que o Comitê teve. Hoje, estou alguns degraus acima do que os adversários estão em termos de preparação”, avisa Stroh, que comparou o esforço a uma guerra:





“Eu sentia uma preocupação muito grande no ambiente, é um protocolo muito forte. A gente não podia cruzar o caminho de outras modalidades, de outros funcionários. O mundo estava assustado, está assustado ainda. É um desafio que nós não estávamos acostumados. Eu costumo brincar sobre a capacidade de adaptação dos atletas. E, nesse momento, foi exatamente o contrário, foi ficar em casa, ficar quieto, se esconder. Foi um ano totalmente fora da natureza dos atletas. O movimento paralímpico do Brasil saiu na frente dos outros países, pois tomamos medidas arriscadas, mas que se mostraram corretas”.





Vantagem sobre estrangeiros





Segundo Israel Stroh, tecnicamente não há como medir o nível dos adversários. “Perdemos o parâmetro. São onze meses sem competições internacionais para mim, para eles um pouco mais. A gente acompanha as postagens deles, mas não sabemos o quanto são fieis. O CT de Sheffield abriu depois da gente e fechou, coisa que o Brasil não fez. A Espanha voltou um pouco antes da gente, mas depois fechou. A China não sabemos como está. Estou muito confiante, fizemos a lição de casa de maneira bem interessante. Talvez isso não tenha impacto direto, pois os Jogos serão apenas em agosto. Os adversários vão estar mais equilibrados”, avisa o atleta.





Sobre os momentos de isolamento, hoje o atleta é capaz até de brincar sobre o drama em casa: “Tive vontade de chutar umas portas no auge da pandemia. Não chutei, porque moro sozinho e ia ter que consertar depois. Não ia ser a melhor ideia, ia ter que fazer curativo também. Foi difícil, principalmente na fase que a gente não tinha respostas. Não quero tirar férias. Que trabalhador que não quer ter férias? Mas quando a gente, do esporte, volta, não quer parar”.





Por fim, ele deixa uma mensagem de esperança em grandes momentos para o próximo ano. “Estou sonhando muito forte, muito alto. Tenho uma chance real de medalha de ouro. Já venci o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto do mundo. Tenho uma chance junto com o Paulo Salmim também, na competição por equipes. Essa chance existe, ela é real”, avisa.


Comente

Postagem Anterior Próxima Postagem