Missão Europa proporciona oportunidade de avanço na preparação mental da equipe de ginástica - Surto Olimpico

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Missão Europa proporciona oportunidade de avanço na preparação mental da equipe de ginástica

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O cuidado com a Preparação Mental é uma realidade presente na rotina dos integrantes das Seleções da Confederação Brasileira de Ginástica. Se normalmente essa atividade já estava inserida nos planos de trabalho rotineiros, o lado mental foi considerado imprescindível no contexto da Missão Europa, uma etapa que pretende fazer a conexão entre a fase de isolamento domiciliar e a de retomada de treinamentos em solo brasileiro. “É um trabalho fundamental num período de grande instabilidade, no qual ainda não temos previsão de retorno às competições. Nós nos preocupamos em cuidar dos efeitos da quarentena na saúde mental de toda a equipe. Montamos um protocolo de cuidados psicológicos para o retorno aos treinos e oferecemos apoio psicológico para os casos particulares de maior necessidade”, diz Juliana Fajardo, profissional que exerce o cargo de chefe de delegação em Sangalhos.

A psicóloga Carla Di Pierro, que tem longa lista de serviços prestados a nomes importantes do esporte brasileiro, como o medalhista olímpico Thiago Pereira e a campeã mundial na Maratona Aquática Ana Marcela Cunha, entrou no universo da Ginástica ao começar a atender Flávia Saraiva no ano passado, e a Seleção Brasileira de Conjunto de Ginástica Rítmica desde janeiro deste ano. “O trabalho de preparação mental deve ser periodizado, assim como o físico. A oportunidade de fazer intervenções in loco, que estou tendo aqui em Portugal, é valiosíssima. Nós nos habituamos a atender em consultório, mas poder estar no treino, incorporando-nos à rotina dos atletas, vendo quais são as exigências psicológicas às quais estão submetidos, é uma experiência riquíssima”.

Carla está oferecendo treinos práticos de Mindfulness (atenção ou consciência plena) com o objetivo de proporcionar ao atleta a capacidade de autorregulação emocional. “Mindfulness ajuda a desenvolver a autorregulação. É um trabalho para que o atleta fique no presente, administre melhor seus pensamentos, de forma a potencializar sua recuperação física e mental”, explica a profissional.

Um dos objetivos dos encontros com Carla é tornar o atleta capaz de reduzir o nível de ansiedade e de se ativar quando se sente desanimado. “A autorregulação é fundamental. Não existe atleta sem ansiedade às vésperas de uma grande competição. O importante é saber gerenciar o nível dessa ansiedade, controlando os pensamentos auto-exigentes e autocríticos”.

Outra atividade desenvolvida em Sangalhos foi o workshop que ensinou os atletas a estabelecer metas efetivas utilizando a ferramenta SMART Goal Setting, muito empregada no mundo corporativo. O acrônimo SMART é formado por metas que devem ser específicas (S de specific, mensuráveis (M de measurable), atingíveis (A de attainable), relevantes (R de relevant) e temporais (T de time-based). “Eles aprenderam a desenhar suas metas. Nos corredores, nos refeitórios, ouço comentários deles, do tipo ‘alcancei minha meta’. Isso é muito bom. Alcançar uma produz um ciclo virtuoso, fecham um ciclo e abrem outro. As metas podem ser físicas, técnicas, comportamentais”, exemplifica Carla.

As atividades envolvem não apenas os atletas - boa parte delas está voltada aos treinadores e demais membros das comissões multidisciplinares. Na visão de Carla, esses profissionais têm papéis que estão entre os mais relevantes no contexto da preparação mental. “Tomemos o exemplo do fisioterapeuta, que cuida da recuperação de um atleta. Se ele olhar de forma otimista o processo, influenciará o mindset do ginasta”.

Houve reuniões exclusivas de Carla com os treinadores. “Eles podem contribuir positivamente, de variadas maneiras. Temos nas Seleções muita gente jovem, em fase de desenvolvimento psicológico”, apregoa a psicóloga.

Em dia com o que há de mais moderno no mundo da psicologia esportiva, Carla recicla os conhecimentos que os treinadores têm na área. “Antigamente, havia um conceito de que não se podia pensar negativamente. Hoje aceitamos nossas emoções. Devemos ser capazes de identificar os padrões de pensamento e escolhê-los, e de desenvolver habilidades e competências emocionais”.

Vice-campeão mundial júnior nas argolas, Diogo Soares está tendo a oportunidade de desenvolver sua preparação mental nos anos iniciais de sua carreira. Em Sangalhos, desfrutou de suas primeiras experiências com meditação, por exemplo. “Eu me senti mais relaxado, consegui controlar os pensamentos dos treinos passados e me transportei para o presente”, diz o jovem piracicabano. “Talvez a meditação possa me ajudar a alcançar os resultados esportivos que almejo, caso eu consiga desenvolver o hábito de praticá-la”, completa o promissor ginasta.

Flávia Saraiva, atendida por Carla há um ano e meio, está aproveitando para realizar consultas presenciais em Sangalhos. “Falo com a Carla semanalmente, uma ou duas vezes. Ela me ajudou muito, em especial nos primeiros meses da pandemia. Ao longo desses 18 meses de trabalho conjunto, percebi que evoluí nos aspectos emocionais. Cuidamos da respiração, que ajuda a controlar ansiedade, aprendi a estipular metas e a me focar nelas. São várias coisas que, somadas, permitem um grande progresso. A técnica de Mindfulness é muito importante também”, diz a ginasta, que se diz contente por ver seus colegas tendo acesso às orientações da psicóloga. “Participamos de várias palestras. Ela tirou muitas dúvidas do pessoal. As atividades motivacionais também contribuíram muito para podermos nos fortalecer mentalmente e atravessar este momento”, diz a atleta de 20 anos, já com sete medalhas de ouro em etapas da Copa do Mundo, cinco medalhas em Jogos Pan-Americanos, além de diversas finais em Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos.


Foto: Divulgação/CBG

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