Surto de A a Z: Aprenda mais sobre o golfe - Surto Olimpico

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Surto de A a Z: Aprenda mais sobre o golfe

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Os registros do ano 100 a.C mostram que o jogo chamado paganica foi um dos precursores do que conhecemos hoje como golfe. Os participantes usavam uma vara para bater em uma bola feita de couro. A partir dos anos 900 d.C, práticas similares foram constatadas na China, até que no século XV surge de fato o golfe moderno, na Escócia.

O esporte sofreu muitos preconceitos em seus primeiros anos de desenvolvimento pois ocupava muito tempo dos soldados, que deixavam de treinar em outros esportes mais "úteis" para o dia a dia, sendo proibido na Escócia pelo Rei James II e o parlamento. No entanto, a suspensão da prática não durou muito, sendo abolida em seguida. 

No século XVII o golfe chegou aos Estados Unidos e no fim do século XIX a modalidade passou a ser difundida no Brasil, graças a colônia britânica que habitava o país. Engenheiros da São Paulo Railway, primeira ferrovia do estado, jogavam em um campo improvisado num terreno que ia da Estação da Luz até o Rio Tietê. Outros ingleses jogavam na praia de Santos.

O São Paulo Golf Club tem o campo oficial mais antigo do país, fundado em 1901. Já o Gávea Golf Club, no Rio de Janeiro, sediou a primeira edição do Aberto do Brasil de Golfe, em 1945.

De acordo com a Federação Brasileira de Golfe (CBGolfe), o país conta com 117 campos e 20 mil praticantes, sendo que metade deles são federados. Fazendo um paralelo com um país vizinho, a Argentina conta com quase 300 campos e mais de 100 mil golfistas. 

Mas para entender mais sobre a modalidade, o Surto Olímpico foi atrás do treinador da CBGolfe, Erik Andersson, que explicou detalhes técnicos do golfe, para auxiliar aquele que gostaria de acompanhar o esporte, mas (ainda) não entende. Esse é o primeiro de três textos da série sobre golfe.

Como é o campo?


Foto: Reprodução
Tudo começa no tee no campo. Esta é a palavra para o local onde o golfista inicia suas tacadas. Nesta parte do campo a grama costuma ter de 10 a 12mm de tamanho. “O objetivo é realizar jogadas sempre dentro do fairway, que é o local onde a grama está mais baixa e que fica sempre na área central do gramado”, explica Erik. 

“Nas bordas estão o semi rough e o rough, local com gramas altas. O tamanho desses gramados podem variar de 22mm a 40mm”. Entre várias jardas do circuito, entre o tee e o buraco, o golfista enfrentará obstáculos também, como lagos, árvores, montanhas, rios e até mesmo bunkers de areia. 

Ao se aproximar do buraco, o jogador entra na área do green, local com grama baixa, com no máximo 3mm de altura. 

“O green serve para a bola rolar bem. A grande diferença que a gente pode observar entre essas partes do campo é a altura do gramado. Quanto mais baixo, mais isso facilita o jogo. Quanto mais alto, dificulta um pouco mais”, afirmou Erik.

O golfista ainda conta com a ajuda dos caddies, que carregam a bolsa de tacos dos atletas pelo campo. Caddies com mais experiência e conhecimento da modalidade podem até se tornar jogadores, como foi o caso de Francis Ouimet, história na qual é contada no filme "O melhor jogo da história", (Mark Frost, 2005). 

Os caddies são separados pelas categorias A, B e Master. O "B" carrega os tacos do jogador. O "A" dá impressões sobre a próxima jogada, faz análises sobre o vento e sugere qual tipo de taco deve ser usado, ajudando o golfista de forma mais complexa. Já o Master é aquele que indica um caddie para o jogador. 

Tacos e suas diferenças

Um jogador tem direito de usar até 14 tacos na bolsa, como conta o treinador da CBGolfe. No entanto, ele raramente vai chegar a usar todos eles em uma partida de 18 buracos. 

Os tacos são separados em quatro categorias: madeira para as longas tacadas no tee, ferro para jogadas mais precisas e de aproximação, putter para jogar no green, finalizando uma jogada e wedge, específico para situação em que a bola cai no buraco de bunker de areia. Apesar dos nomes, todos os tacos são feitos de titânio. 

Todos os tacos têm uma angulação diferenciada na cabeça e isso afeta a jogada, pois cada um manda a bola em uma altura e distâncias diferentes. Então você precisa escolher o taco certo para a tacada certa. Por isso o golfista pode ter até 14 tacos, pois no jogo a gente cai em várias situações e cada uma delas necessita de um taco específico”.

“Geralmente o número mais alto do taco ferro, que são o 10 ou o 9, vai ter mais ângulo, chegando a ter de 42º a 45º de curvatura. Você acaba fazendo a mesma força ou movimento nas tacadas, mas o que vai determinar a trajetória da bola é o ângulo da cabeça do taco”.

A bola de golfe deve ter no máximo 45 gramas, e seu diâmetro deve ter ao menos 42.67 mm. A sua forma é esférica e contém entre 300 e 400 pequenas cavidades que ajudam a manter a bola no ar. 

Para os profissionais, a bola é constituída por um núcleo sólido formado por uma esfera de borracha cheia de líquido, enrolada por um fio de borracha. Este conjunto é envolvido por uma cobertura em Surlyn ou balata. A balata é um material sintético mais macio que o Surlyn, que permite executar jogadas com mais precisão, imprimindo à bola maior rotação.

O campo e as nomenclaturas de pontuação 

Um campo de golfe tem 18 buracos em seu percurso, sendo que cada um deles tem distâncias diferentes para o tee. O par é o número de tacadas previsto para superar as distâncias pré-determinadas e acertar o buraco, como conta Erik.

“Por exemplo, o par 3 ("3" no caso é a quantidade de tacadas), para o caso de um atleta profissional, terá algo em torno de 110 até 260 jardas. No par 4, de 270 até 500 jardas. Já no par 5, a distância fica de 510 até 650 jardas. E o campo pode ter três ou quatro pares 3, dez pares 4, quatro ou cinco pares cinco e no final dessa construção de percurso será determinado o número de tacadas total para todo o campo. Geralmente esse número varia entre 70 e 72 jogadas ao todo”. 

Os jogadores profissionais em bom nível geralmente chegam até o buraco com menos tacadas que o previsto e isso faz com que eles joguem “abaixo do par”.

Quando um golfista acerta o buraco com uma tacada a menos que a previsão, o feito leva o nome de birdie. Ao conseguir isso com duas jogadas a menos, chama-se de eagle. No entanto, se o atleta erra e fica com uma tacada a mais do que o esperado, ele comete um bogey. Com duas tacadas a mais, o golfista comete um double bogey, e assim sucessivamente. 

Uma das jogadas mais espetaculares do golfe é quando o atleta faz um hole in one, que significa acertar o buraco com apenas uma tacada. São mais comuns em buracos com par 3. 


Preços para jogar e a compra de equipamentos


Foto: Reprodução
O golfe ainda é um esporte muito restrito no país. Isso é refletido no número de praticantes e no acesso que se tem aos campos e equipamentos. 

“No Brasil, o golfe não é um esporte popular. Então infelizmente não temos campo público. Tem aqueles que aceitam que você pague uma taxa por dia para jogar. Esses são geralmente encontrados em São Paulo, podendo chegar ao valor de R$ 200 em um fim de semana. Acredito que no estado de São Paulo a gente tenha cerca de 60 campos”, disse Erik. 

No entanto, para se tornar um frequentador assíduo, o fã de golfe vai precisar desembolsar muito mais. “Dependendo do clube, uma transferência de título pode custar algo em torno de 10 ou 20 mil reais. Para entrar como sócio de um campo pode custar muito mais caro, passando dos R$ 200 mil, em um campo mais exclusivo”. 

Já sobre os equipamentos, o grande problema é com importação. Segundo Erik, os jogadores que conseguem viajar vez ou outra para os Estados Unidos acabam comprando lá. “É possível encontrar uma bolsa completa de tacos para iniciar, por pouco mais de US$ 200 (cerca de R$ 1 mil), chegando até US$ 3 mil (aproximadamente R$ 16 mil) em níveis maiores. No caso do taco “drive”, por exemplo, que é aquele que dá maior alcance a tacada, pode custar US$ 500 (quase R$ 2,7 mil) só um taco. Existem opções para todos os bolsos”, revelou Erik.

A carreira como golfista e o preparo físico

O golfe parece um esporte em que se caminha muito, mas também é necessário ter muita explosão e cuidado com a parte física, como argumentou o treinador Erik. 

“Requer muita força física tanto de pernas quanto de quadril e lombar. Os profissionais de alto rendimento treinam muito a parte física e mobilidade, com movimentos de rotação e precisão, atributos necessários para uma boa tacada”. 

Além disso, a carreira de um golfista pode ter muita longevidade, com atletas de 50 e até 60 anos, jogando em alto nível. Por isso um bom preparo físico é importante para evitar lesões de quadril, coluna ou ombro. “Trata-se também de uma modalidade mental, então você precisa ter calma, precisão, boas tomadas de decisão. Isso são coisas fundamentais”. 

No momento, os principais atletas do Brasil na modalidade são Adilson da Silva, Alexandre Rocha, Rodrigo Lee e Luiza Altmann

Foto: Zeca Rezende/Veja SP

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