"Vamos tentar classificar um trenó no 4-man e dois no 2-man", afirma Edson Bindilatti, do bobsled - Surto Olimpico

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"Vamos tentar classificar um trenó no 4-man e dois no 2-man", afirma Edson Bindilatti, do bobsled

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Em mais uma transmissão ao vivo pelo Instagram do site Surto Olímpico, o convidado da semana foi o piloto dos trenós brasileiros no bobsled, Edson Bindilatti. Preparando-se para buscar vaga em sua quinta Olimpíada de Inverno, o ex-decatleta comentou sobre as ambições do time brasileiro e a preparação da nova geração de atletas da modalidade. 

"Vamos tentar classificar dois trenós de 2-man. Pela minha experiência, eu optei por pilotar e me dedicar somente no 4-man. A gente sabe a dificuldade. Tem o Marley Linhares que é um atleta fantástico, ele vai ganhar experiência no 2-man e tentar a primeira Olimpíada dele. Logo depois de 2022 ele passará a pilotar nas duas categorias", disparou. "A ideia é manter o Brasil sempre entre os melhores do mundo. E se der certo, vamos classificar os dois trenós do 2-man, o que seria incrível".

A animação de Bindilatti é bem explicada. Para ele, o Brasil tem uma das melhores equipes do mundo na modalidade. "Em equipe, temos uma das melhores do mundo. Começa a complicar um pouquinho na parte de materiais, pois existem países que conseguem investir milhões, como Alemanha, Estados Unidos, Letônia, Suíça. Mas acredito que estudando melhor como a lâminas podem deslizar de forma mais eficaz no gelo, como podemos acertar melhor o trenó, essa distância diminui em relação aos melhores do mundo".

"Somos bicampeões da Copa América, que apesar do nome, aceita a participação de países de fora também. Às vezes vinha time da Alemanha, Suíça, Coreia do Sul. E eles não conseguiram bater o time do Brasil. Somos muito fortes", completou.

A chance de conhecer o bobsled e disputar a quinta Olimpíada

Inicialmente, Bindilatti era atleta do decatlo. Ele foi hexacampeão nacional da modalidade e tetra campeão sul-americano. Mas em 2000 surgiu o convite para conhecer o bobsled, algo no qual o piloto nem sabia do que se tratava. "Foi engraçado e diferente. Eu fazia o atletismo, não conhecia esportes de inverno. Eu tinha bons resultados no atletismo e através disso surgiu o convite, principalmente por causa da minha velocidade e explosão", falou.

“Minha mãe falou que seria muito perigoso, mas eu respondi dizendo que os trenós tinham uma tecnologia que impedia um grande acidente e que era super seguro", afirmou Bindilatti, dando risada. "Mas na verdade não sabia de nada disso, eu queria mesmo era conhecer e entender como funcionava”, ressaltou.

A primeira participação olímpica de Bindilatti ocorreu em 2002, nos Jogos de Salt Lake City, nos Estados Unidos. Naquele momento, o atual piloto do trenó brasileiro revela que jamais poderia imaginar tanto sucesso na modalidade. 

"Quando descobrimos que estávamos qualificados para os Jogos, eu nem acreditei. E eu nunca poderia imaginar chegar na quinta Olimpíada. E mais do que participar dessa quinta edição, o que seria um recorde, eu quero é fazer um grande resultado. Quero ir lá e mostrar que mesmo quase aos 42 anos, idade não é empecilho. Vou mostrar que isso não é um limite", disse.

Além disso, Bindilatti teve a oportunidade de ser o porta-bandeiras do Brasil durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em PyeongChang, na Coreia do Sul, em 2018. No mesmo evento, alcançou a melhor colocação brasileira no bobsled masculino 4-man, ao garantir a 23ª posição. 

Foto: Reuters

Os efeitos da pandemia

Bindilatti demonstrou preocupação quanto a arrecadação de verba para os Jogos Olímpicos, por causa da crise financeira causada pela pandemia de coronavírus. "A pandemia prejudicou um pouco em relação ao repasse de verba do Comitê Olímpico que é feita pela lei Agnelo/Piva. Isso é feito por uma porcentagem arrecadada pelas loterias federais. Com menos apostas nesse período, menor o repasse para as confederações, incluindo as de esportes de gelo e neve".

No entanto, a proximidade entre os Jogos Olímpicos de Verão (23 de junho e 8 de agosto de 2021, em Tóquio) e de Inverno (4 e 20 de fevereiro de 2022, em Pequim), pode ajudar na busca por patrocínio e apoio da mídia e torcida, segundo Bindilatti.

"Em tese pode ajudar. Normalmente no ano que antecede os Jogos, a mídia já procura mais a gente. Acho que vamos perder um pouco da visibilidade enquanto estiver ocorrendo os Jogos de Verão, mas depois vai engrenar e vamos poder aproveitar o momento", disse.

Apesar da pandemia, o piloto brasileiro admitiu que está conseguindo manter suas atividades em treinos, tomando o máximo de segurança possível. 

"Consegui fazer meus treinos de forma correta. Esse período é de preparação para a temporada que começa em novembro. E consegui fazer no meu apartamento, no hall do prédio. Agora tô conseguindo treinar na garagem, com máscara, pois é um local sem muita movimentação de pessoas. Também estou conseguindo ir em praças, bem cedinho pra não pegar aglomeração. Tem praças que contam com campos de areia, então consigo fazer parte do treino lá também".

Mesmo ainda em fase de pré-temporada, Bindilatti afirma que será necessário organizar formas de reunir a equipe para a realização dos treinos de 'push', referentes a explosão e velocidade ao empurrar o trenó. 

"A parte física não tem problema nenhum fazer sozinho, mas na hora de fazer os treinos 'push' é interessante a gente estar junto. E isso deixa a gente em nível mais próximo dos melhores do mundo. Quanto mais tempo a gente tiver de treino de 'push', melhor, visando a próxima temporada e os próximos Jogos Olímpicos". 

Foto: CPDG

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