Em live do COB, treinadores e gestores da linha de frente do esporte brasileiro explicam nova preparação para Tóquio - Surto Olimpico

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Em live do COB, treinadores e gestores da linha de frente do esporte brasileiro explicam nova preparação para Tóquio

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O atual cenário esportivo brasileiro e mundial, sob o impacto da pandemia causada pela COVID-19; o adiamento dos Jogos Olímpicos; e o novo trabalho de replanejamento da preparação de algumas das principais equipes do esporte olímpico do Brasil. Estes foram os principais pontos discutidos na terceira de uma série especial de lives promovidas nas redes sociais do Comitê Olímpico do Brasil/Time Brasil com figuras importantes e históricas do esporte brasileiro. Mediado pelo vice-presidente do COB e chefe da Missão Brasileira em Tóquio, Marco La Porta, o encontro reuniu um seleto grupo de treinadores e gestores, formado pelo tricampeão olímpico José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina de vôlei; Fernando Possenti, treinador de maratonas aquáticas; Sérgio Santos, diretor técnico da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri); e Ney Wilson, gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

“O COB tem muita confiança no trabalho dos treinadores brasileiros e neste grupo que conseguimos reunir para a live. A qualidade de todos é muito grande e isso nos dá uma tranquilidade enorme. Devido ao trabalho de vocês, sabemos que estamos muito bem encaminhados rumo a Tóquio. O mundo está passando por um momento difícil, mas tenho certeza de que vai passar e que as lições e aprendizados vão ficar. Ainda temos muitos desafios pela frente, mas sigo otimista e confiante”, disse La Porta, ao final do encontro.

Durante a conversa, José Roberto Guimarães opinou que a mudança de datas dos Jogos Olímpicos não tira o Brasil da lista de principais concorrentes ao pódio em Tóquio. “Temos um bom time e todas as condições de brigar com qualquer equipe do mundo”, ressaltou o treinador, apontando ainda China, Sérvia, Estados Unidos e Itália como principais adversárias. “Para mim, as Olimpíadas têm uma magia difícil de ser explicada. Não fico lamentando se caí em um grupo forte na primeira fase da competição. Pelo contrário, quando você cai em um grupo forte, deve levantar as mãos para o céu e dizer: ‘esse é o grupo que queria cair’. Adversários fortes deixam seu time mais preparado para a competição”.

Com a experiência de quem foi atleta olímpico (Montreal 1976) e é o único brasileiro tricampeão olímpico, Zé Roberto Guimarães afirmou que o suporte dado pelo COB e a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) faz a diferença na preparação de sua equipe. “Quando disputei as Olimpíadas como atleta, tinha que trabalhar e estudar. Íamos aos Jogos para aprender, e o apoio era muito pequeno. Ao longo dos anos, tudo mudou. O salto de qualidade foi muito grande de uns anos para cá. Tudo o que precisamos para uma boa preparação, o COB tem disponibilizado. A integração entre COB e CBV é muito grande. Hoje, os atletas de vôlei têm tudo o que precisam para disputar uma medalha”, afirmou Zé Roberto.

Como treinador, o português Sérgio Santos esteve em quatro Jogos Olímpicos, sendo dois por seu país e outros dois pelo Brasil. Apesar de comandar a equipe nacional, o diretor técnico mantém base na Europa, de onde analisa a situação das principais potências da modalidade em meio ao coronavírus. Em muitos países os treinos já voltaram. De qualquer forma, ele avalia que o adiamento dos Jogos foi positivo para os triatletas brasileiros, que terão mais tempo de preparação. “Temos atletas extremamente jovens, que terão mais um ano de maturidade e experiência. Mais um ano para poderem treinar e crescer. Isso, com certeza, irá beneficiá-los. No esporte de resistência, os resultados geralmente aparecem com atletas a partir dos 20 e tantos anos, acima dos 30. O adiamento acaba por ser positivo e pode nos proporcionar em 2021 resultados melhores do que seriam em 2020”, observou.

Novo planejamento para Tóquio 

Sob a liderança de Ney Wilson na gestão de alto rendimento da CBJ, o judô brasileiro alcançou 12 medalhas olímpicas e 34 medalhas mundiais. Agora, em conjunto com o COB, busca reorganizar o planejamento visando os Jogos de Tóquio, para minimizar os efeitos da pandemia na preparação dos judocas brasileiros. Para ele, o judô foi uma das modalidades mais afetadas pelo isolamento social. “O atleta precisa do adversário para treinar e crescer. Só não foi pior porque o judô mundial paralisou. Apenas o Uzbequistão que não parou. Isso gera uma condição de igualdade. Estamos monitorando os países da Europa e o Japão. A Alemanha é o mais avançado da Europa, e a França está muito parecida com o Brasil, com treinos só na parte física. Portugal está retomando agora com testagem de todos os atletas”, explicou Ney Wilson, destacando o primeiro destino da equipe na volta aos treinos.

O gestor elogiou o trabalho da área de Esportes de COB, que ofereceu aos atletas a oportunidade de treinarem na Europa. A CBJ, inclusive, já anunciou os 28 judocas que integrarão a delegação, e Ney detalhou ainda como serão alguns protocolos para evitar maiores aglomerações de atletas. “Vamos dividir os treinos em micro treinamentos, com divisão entre mulheres e homens, e com a equipe masculina separada em três subgrupos. Está sendo desafiador e temos que retomar com cautela”, ressaltou Ney.

Eleito o melhor treinador do país no Prêmio Brasil Olímpico 2019, Fernando Possenti realiza um trabalho bem próximo do COB. Há cerca de dois anos, ele e sua principal atleta, Ana Marcela Cunha, mudaram-se para o Rio de Janeiro e hoje moram em frente ao Centro de Treinamento Time Brasil, onde utilizam diariamente a piscina do Parque Aquático Maria Lenk. Durante a pandemia, eles receberam do COB um equipamento que simula as braçadas em posição horizontal para manter a maratonista campeã mundial em forma. 

“Por ser um esporte aquático, os atletas precisam do contato com a água. E a nossa modalidade é das poucas em que a aplicação de força é feita na horizontal, não na vertical. Por isso, buscamos resolver com a tecnologia. Estamos usando um equipamento que coloca a atleta na posição horizontal para que possa fazer os gestos mecânicos da natação. Com esse equipamento, podemos simular as quantidades de braçadas e as intensidades”, destacou Possenti, que, após a liberação das autoridades governamentais, também está comandando treinos no mar da Barra da Tijuca.

Ao final da live, Marco La Porta, ex-treinador de triatlo, refletiu sobre o papel destes profissionais no atual cenário. “O treinador tem que ser mesmo sempre criativo. O maior desafio é minimizar os prejuízos e voltar aos treinamentos para conseguir que nossos atletas estejam no pico da forma no ano que vem”, analisou o vice-presidente.

Foto: Divulgação / COB

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