Coluna Gran Willy: Qual o peso de um título de Grand Slam sem presença de público? - Surto Olimpico

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Coluna Gran Willy: Qual o peso de um título de Grand Slam sem presença de público?

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Com o circuito mundial de tênis paralisado até no mínimo dia 31 de julho, existe cada vez mais dúvida sobre a realização dos Grand Slams. Roland Garros foi remanejado para setembro e o US Open ainda não se pronunciou sobre um possível adiamento. Uma das saídas para esses torneios seria realizá-los sem público. Mas qual a graça de vencer um Grand Slam sem público?

A questão foi levantada pelo tenista croata Marin Cilic, que disse no fim da semana passada que o "título do US Open sem público teria menos valor". 

"Não vai ser a mesma coisa. Vai parecer jogo-treino e o campeão será sempre relembrado como ‘aquele que ganhou o US Open sem fãs’. Vai ter menos valor. Não seria, de fato, o melhor cenário”, disparou Cilic, que faturou seu único título de Major no US Open, em 2014.

Por um lado, exista talvez um sentimento estranho de vencer um Grand Slam sem público. Principalmente para os queridinhos da torcida, como Federer e Nadal, que jogaram em fevereiro deste ano, antes da pandemia de coronavírus, para um público de 51 mil pessoas, no Cape Town Stadium, na África do Sul, um recorde na modalidade.

Não vamos ver aquelas viradas espetaculares movidas pelo apoio da torcida. Não vamos presenciar momentos emocionantes 'in loco'. E em tempos que Federer e Nadal estão mais perto do fim de suas carreiras, seria realmente loucura imaginá-los faturando por exemplo, o último título de Major na carreira, sem pessoas para ver isso. 

Mas isso também não significa que eles estariam "tristes" ao vencer, já que mais um Major para a carreira seria fundamental para manter a liderança no recorde de títulos desta categoria, como seria o caso do suíço ou igualar este recorde, na situação do espanhol.

Já os norte-americanos não sentiriam o apoio da torcida nas quadras. Difícil pensar em um tenista local para vencer o torneio masculino em tempos normais, sem o apoio da torcida parece ser mais difícil ainda. 

No cenário feminino, as norte-americanas têm muito mais força para superar uma situação adversa como essa. Serena Williams busca igualar o recorde de títulos de Grand Slams, após falhar nas últimas quatro oportunidades. Além disso, outras norte-americanas tiveram grande desempenho nas últimas edições do evento e podem vencer mesmo sem o apoio do público, como Sloane Stephens, campeã em 2017, Sofia Kenin, atual campeã do Australian Open, Coco Wanderweghe, Madison Keys ou até mesmo a jovem Cori Gauff.

Sofia Kenin é a nova sensação do tênis norte-americano. Foto: Associated Press 
Dito isso, um título de Grand Slam, sempre será um título de Grand Slam. O tenista entrará para a história da mesma forma. Valerão os mesmos 2 mil pontos para o ranking e uma provável vaga para o Finals masculino ou feminino no fim da temporada, se for realmente realizado. 

Utilizando o caso do US Open ainda, se não ocorrer um adiamento do torneio, marcado para o final de agosto, os tenistas (mulher e homem) ainda ficariam marcados por serem os primeiros campeões de Grand Slam após a pandemia de coronavírus. Após vidas terem sido salvas dentro daquele complexo, no Hospital de Campanha de Flushing Meadows. Então parece tudo uma questão de como enxergamos o cenário. 

Seria correto receber público?

Marin Cilic também levantou outra questão, apontando que o tênis conta com agravantes que podem atrasar o retorno às atividades e torneios. "Temos dificuldades que o basquete ou o futebol não têm. E por outro lado, essas modalidades têm campeonatos que dependem uns dos outros para terminar. Nós, nesta fase, somos um pouco indiferentes se começaremos em dezembro, em janeiro ou antes”.

O fato do tênis ter um circuito mundial, que percorre todo o globo, dificulta sua retomada neste nível internacional, uma vez que para isso os tenistas precisariam viajar, percorrendo grandes distâncias, ficando expostos e tendo contato com diversas pessoas. Além disso, uma vacina contra o coronavírus ainda não foi desenvolvida, deixando o cenário mais complicado. 

Entretanto, nem todos acreditam nisso. A ministra dos esportes na França, Roxana Maracineanu, afirmou à Rádio RTL France que acredita ser possível receber 5 mil pessoas por dia no torneio de Roland Garros, levando em conta que os três principais estádios do complexo juntos teriam capacidade para 25 mil pessoas por sessão.


Além disso, alguns eventos fora do mundo do tênis já estão planejando receber público, como no automobilismo norte-americano e no golfe.

A discussão tende a aumentar nos próximos meses e a forma como os países vão lidar com a redução na curva de contágio será fundamental para frear de uma vez a doença ou ter que paralisar o mundo novamente pela falta de cuidado e seriedade dos governos no combate ao coronavírus.

Smash! 

- Luisa Stefani segue tendo bons resultados no torneio US Pro Tennis Series, realizado sem a presença de público e seguindo diversas restrições para manter a saúde das atletas. Stefani venceu quatro de seis partidas durante a semana, com destaque para o triunfo sobre Whitney Osuigwe, atual número 143 do ranking de simples da WTA, por 2 sets a 1.

- Victoria Azarenka, Sofia Kenin, Bianca Andreescu, Monica Puig, Madison Keys, Eugenie Bouchard e outros grandes nomes do tênis feminino disputarão um torneio exibição em Charleston, nos Estados Unidos, a partir do dia 23 de junho.

Foto: Eduardo Munoz/Reuters

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