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| Arquivo Pessoal |
Mais um entrevistado de nossa série, o saltador César Castro falou sobre vários assuntos com nossa equipe, desde a sua experiência nos Saltos Ornamentais, o processo de renovação do esporte no país até a divulgação do esporte por meio de quadros na televisão e a preparação para a Olimpíada de 2016.
Como começou e o que te levou a praticar os saltos ornamentais?
Eu sou natural de Brasília e comecei a saltar aos 9 anos, na piscina da Secretaria de Esportes do Distrito Federal, e meus pais sempre me incentivaram bastante meu irmão a praticar esporte, eu por exemplo, comecei no judô, depois passei para a natação. Tanto eu como meu irmão éramos crianças bem agitadas e acho que esse foi um fator que contribuiu, porque queriam que a gente gastasse a nossa energia em esportes. Eu comecei nos saltos bem por acaso. Uma vez por mês, o professor de natação liberava os alunos da escolinha a pular na plataforma de saltos. E aí, essa brincadeira começou a ficar mais interessante que a própria escolinha de natação, e aí o professor de saltos - na época, o Giovani Casilo, ele percebeu que dali poderia sair um talento e me convidou para fazer a escolinha em 1993, comecei a partir dali e não parei mais.
E a partir daí, sua trajetória...
Eu comecei mesmo pela Secretaria de Esportes, que era um programa do governo que pagava uma taxa simbólica por semestre equivalente a uns 50 reais pra poder praticar esporte. E aí fiquei nessa escolinha, era duas vezes na semana (terça e quinta), aí lá pelos 15 anos comecei a levar o esporte um pouco mais a sério, quando participei do meu primeiro campeonato sul-americano na Colômbia. E aí dos 15 aos 17, não sabia exatamente o que queria, aquela idade de escolha, uma certa cobrança dos pais... e foi aos 18 que resolvi tentar ser atleta profissional... em meio termo, a gente sabe que é profissional em meio termo, mas levei o esporte muito a sério, passei a estudar a noite pra poder buscar o melhor que eu pudesse ser no esporte. Aí quatro anos depois eu tava na Olimpíada de Atenas, na primeira final Olímpica que participei.
Falando em final Olímpica, como você se sentiu naquele momento, aquele que deve ter sido o dia mais importante da sua vida, já não é todo mundo que chega numa final Olímpica?
É, quando eu penso no dia, eu lembro que eu tava muito concentrado, acho que a gente não curte, não entende quando tá vivendo aquele momento de competição, a gente não tem a noção exata do que aquilo representa, no meu caso eu tinha 21 anos e eu tava muito concentrado na competição, pra mim era mais uma competição, eu sei que era importante mas não tinha aquela noção exata na hora, depois que passa alguns anos é que você tem essa noção. E realmente é um dia que fica marcado na história, foi a primeira olimpíada e competir com atletas com medalhas olímpicas, que são grandes nomes, aqueles adversários que eu assistia pela televisão e de repente eu tô competindo junto... é um dia que fica guardado, mas que na hora, tanto em Atenas como em Pequim - onde fiquei nas preliminares - e em Londres, onde peguei semifinal, a gente naquele momento ali, acaba que a concentração, a tensão por ter que pensar na técnica é tão grande que a gente não tem noção no geral, só no específico.
Então a ficha não cai na hora, só caiu depois né?
É, na hora a gente tá ali muito concentrado, muito tenso, tem que pensar nos detalhes que o treinador pede, é concentrar bem entre um salto e outro... é uma coisa muito especifica, ter aquela noção daquilo só depois, em casa, vendo alguns vídeos, é mais ou menos assim.
Queria saber mais sobre a sua última competição, no Grand Prix de Porto Rico, aonde você foi medalha de prata, ficando atrás apenas de um chinês (Sun Zhiyi venceu com 442,25 pontos).
Lá em Porto Rico foi uma competição interessante, porque na semana anterior, no Canadá, eu machuquei durante um treino, num salto no dia anterior à prova, minhas pernas falharam durante um salto e aí acabei batendo a cara na água, e isso me tirou da prova, não tinha condições porque meu olho inchou, e por causa disso ele um pouco pela metade, apenas meu olho direito (abria), conversei com o médico e o treinador e a gente achou melhor abandonar. E na semana anterior (ao Grand Prix) eu não treinei, o que me tirou um pouco do ritmo. Mas aí, na semana seguinte em Porto Rico, eu consegui entrar no ritmo de competição na final, na preliminar e na semifinal eu não saltei como gostaria, mas na final fui muito bem, mas dessa vez o chinês acabou me dando o troco, ano passado eu o já tinha vencido.
Pra mim foi uma prova boa, fui do 4° ao 1° lugar, depois fui pro 2°... foi uma competição bem disputada, interessante, que apesar de não ter treinado 100% na semana anterior, consegui manter a calma ali e valeu a experiência de anos nos saltos ornamentais.
Não sei se você acompanha muito a TV aberta no Brasil, mas existe um quadro no "Caldeirão do Huck", que têm promovido um quadro chamado "Saltibum", que trata dos saltos ornamentais, como você enxerga essa divulgação pro esporte, tem alguma importância para os atletas e para as pessoas olharem o esporte, tem um lado positivo?
Com certeza, foi uma ótima iniciativa que a Rede Globo teve junto com a confederação, tem que parabenizar o Eduardo que intermediou esse programa, todo mundo ali dos Saltos Ornamentais esteve envolvido, eu tenho acompanhado daqui dos Estados Unidos e tenho certeza que vai despertar pelo menos o interesse de muita gente, ainda acho que os saltos são um esporte para poucos, que poucos conhecem, muitas vezes ainda tenho que explicar, quando falo que faço saltos ornamentais, sempre tem alguém: 'Ah, aquele da piscina lá, natação?'. Não, é do trampolim, esse tem que saltar. 'Ah, tá'. Sabe aquela cara de quem não conhece? E quando a Globo abraça um programa desse, acho que facilita muito, e quem sabe no futuro a gente possa ampliar o número de praticantes, um fator que pesa muito para que nossos resultados sejam melhores que temos hoje, dependemos muito ainda do Hugo Parisi, da Juliana Veloso, de mim... alguns atletas têm aparecido, mas... quando a televisão entra, a tendência é sempre aumentar o esporte e melhorar.
Você falou dessa questão da renovação dos atletas, tem algum atleta, na sua visão, que possa aparecer em 2016, em 2020? E esse processo (de renovação) está bem encaminhado?
Acho que o Brasil hoje melhorou, alguns atletas já apareceram, estão despontando, inclusive no (Grand Prix do) Canadá, a Giovana Pedroso ela foi finalista na plataforma de 10 metros e isso eu acompanhei alguns anos, a última vez uma o Brasil levou um atleta nas finais tinha sido a Juliana (Veloso), talvez há uns sete anos atrás, nas finais do Grand Prix, a Giovana é uma atleta de 15 anos, que já está nas finais, é um nome a gravar... também em Porto Rico, a Ingrid (Oliveira) também esteve na final da plataforma de 10 metros. Nós temos também o Isaac, garoto de 16 anos que tem um bom futuro pela frente, a Andressa Mendes que inclusive já competiu no Pan-Americano de Guadalajara, as gêmeas (Nicoli e Natália Cruz) que saltam 10m feminino, o Yan (Campelo) no trampolim de 3m, tem uma turma boa que pode dar bom resultado, mas acredito que é uma junção de alguns fatores, a Confederação precisa trabalhar junto com os treinadores para poder fazer planejamento mais consistente, um planejamento um pouco mais sério, porque nós temos dois anos pro Rio, está perto mas é possível fazer alguma coisa... e se esse planejamento for bem consistente, acredito que pra 2020 teremos alguns nomes representando e substituindo os antigos nomes que nós já conhecemos há algum tempo.
Eu sou natural de Brasília e comecei a saltar aos 9 anos, na piscina da Secretaria de Esportes do Distrito Federal, e meus pais sempre me incentivaram bastante meu irmão a praticar esporte, eu por exemplo, comecei no judô, depois passei para a natação. Tanto eu como meu irmão éramos crianças bem agitadas e acho que esse foi um fator que contribuiu, porque queriam que a gente gastasse a nossa energia em esportes. Eu comecei nos saltos bem por acaso. Uma vez por mês, o professor de natação liberava os alunos da escolinha a pular na plataforma de saltos. E aí, essa brincadeira começou a ficar mais interessante que a própria escolinha de natação, e aí o professor de saltos - na época, o Giovani Casilo, ele percebeu que dali poderia sair um talento e me convidou para fazer a escolinha em 1993, comecei a partir dali e não parei mais.
E a partir daí, sua trajetória...
Eu comecei mesmo pela Secretaria de Esportes, que era um programa do governo que pagava uma taxa simbólica por semestre equivalente a uns 50 reais pra poder praticar esporte. E aí fiquei nessa escolinha, era duas vezes na semana (terça e quinta), aí lá pelos 15 anos comecei a levar o esporte um pouco mais a sério, quando participei do meu primeiro campeonato sul-americano na Colômbia. E aí dos 15 aos 17, não sabia exatamente o que queria, aquela idade de escolha, uma certa cobrança dos pais... e foi aos 18 que resolvi tentar ser atleta profissional... em meio termo, a gente sabe que é profissional em meio termo, mas levei o esporte muito a sério, passei a estudar a noite pra poder buscar o melhor que eu pudesse ser no esporte. Aí quatro anos depois eu tava na Olimpíada de Atenas, na primeira final Olímpica que participei.
Falando em final Olímpica, como você se sentiu naquele momento, aquele que deve ter sido o dia mais importante da sua vida, já não é todo mundo que chega numa final Olímpica?
É, quando eu penso no dia, eu lembro que eu tava muito concentrado, acho que a gente não curte, não entende quando tá vivendo aquele momento de competição, a gente não tem a noção exata do que aquilo representa, no meu caso eu tinha 21 anos e eu tava muito concentrado na competição, pra mim era mais uma competição, eu sei que era importante mas não tinha aquela noção exata na hora, depois que passa alguns anos é que você tem essa noção. E realmente é um dia que fica marcado na história, foi a primeira olimpíada e competir com atletas com medalhas olímpicas, que são grandes nomes, aqueles adversários que eu assistia pela televisão e de repente eu tô competindo junto... é um dia que fica guardado, mas que na hora, tanto em Atenas como em Pequim - onde fiquei nas preliminares - e em Londres, onde peguei semifinal, a gente naquele momento ali, acaba que a concentração, a tensão por ter que pensar na técnica é tão grande que a gente não tem noção no geral, só no específico.
Então a ficha não cai na hora, só caiu depois né?
É, na hora a gente tá ali muito concentrado, muito tenso, tem que pensar nos detalhes que o treinador pede, é concentrar bem entre um salto e outro... é uma coisa muito especifica, ter aquela noção daquilo só depois, em casa, vendo alguns vídeos, é mais ou menos assim.
Queria saber mais sobre a sua última competição, no Grand Prix de Porto Rico, aonde você foi medalha de prata, ficando atrás apenas de um chinês (Sun Zhiyi venceu com 442,25 pontos).
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Pra mim foi uma prova boa, fui do 4° ao 1° lugar, depois fui pro 2°... foi uma competição bem disputada, interessante, que apesar de não ter treinado 100% na semana anterior, consegui manter a calma ali e valeu a experiência de anos nos saltos ornamentais.
Não sei se você acompanha muito a TV aberta no Brasil, mas existe um quadro no "Caldeirão do Huck", que têm promovido um quadro chamado "Saltibum", que trata dos saltos ornamentais, como você enxerga essa divulgação pro esporte, tem alguma importância para os atletas e para as pessoas olharem o esporte, tem um lado positivo?
Com certeza, foi uma ótima iniciativa que a Rede Globo teve junto com a confederação, tem que parabenizar o Eduardo que intermediou esse programa, todo mundo ali dos Saltos Ornamentais esteve envolvido, eu tenho acompanhado daqui dos Estados Unidos e tenho certeza que vai despertar pelo menos o interesse de muita gente, ainda acho que os saltos são um esporte para poucos, que poucos conhecem, muitas vezes ainda tenho que explicar, quando falo que faço saltos ornamentais, sempre tem alguém: 'Ah, aquele da piscina lá, natação?'. Não, é do trampolim, esse tem que saltar. 'Ah, tá'. Sabe aquela cara de quem não conhece? E quando a Globo abraça um programa desse, acho que facilita muito, e quem sabe no futuro a gente possa ampliar o número de praticantes, um fator que pesa muito para que nossos resultados sejam melhores que temos hoje, dependemos muito ainda do Hugo Parisi, da Juliana Veloso, de mim... alguns atletas têm aparecido, mas... quando a televisão entra, a tendência é sempre aumentar o esporte e melhorar.
Você falou dessa questão da renovação dos atletas, tem algum atleta, na sua visão, que possa aparecer em 2016, em 2020? E esse processo (de renovação) está bem encaminhado?
Acho que o Brasil hoje melhorou, alguns atletas já apareceram, estão despontando, inclusive no (Grand Prix do) Canadá, a Giovana Pedroso ela foi finalista na plataforma de 10 metros e isso eu acompanhei alguns anos, a última vez uma o Brasil levou um atleta nas finais tinha sido a Juliana (Veloso), talvez há uns sete anos atrás, nas finais do Grand Prix, a Giovana é uma atleta de 15 anos, que já está nas finais, é um nome a gravar... também em Porto Rico, a Ingrid (Oliveira) também esteve na final da plataforma de 10 metros. Nós temos também o Isaac, garoto de 16 anos que tem um bom futuro pela frente, a Andressa Mendes que inclusive já competiu no Pan-Americano de Guadalajara, as gêmeas (Nicoli e Natália Cruz) que saltam 10m feminino, o Yan (Campelo) no trampolim de 3m, tem uma turma boa que pode dar bom resultado, mas acredito que é uma junção de alguns fatores, a Confederação precisa trabalhar junto com os treinadores para poder fazer planejamento mais consistente, um planejamento um pouco mais sério, porque nós temos dois anos pro Rio, está perto mas é possível fazer alguma coisa... e se esse planejamento for bem consistente, acredito que pra 2020 teremos alguns nomes representando e substituindo os antigos nomes que nós já conhecemos há algum tempo.
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| Cesar com as gêmeas Nicoli e Natália Cruz - Arquivo Pessoal |
Você já viu alguma manifestação de preconceito com o fato de praticar os saltos ornamentais, não só pelo estereótipo de ser considerado um "esporte para mulheres", mas pelo fato de alguns atletas masculinos já terem assumido a homossexualidade, como o Tom Daley?
Algumas pessoas tem essa ideia sim, é uma modalidade plástica, existe uma exposição muito grande do corpo, é uma modalidade que se assemelha com o balé, com a ginástica olímpica, com o nado sincronizado, aonde o atleta tem que fazer movimentos suaves, e isso pode confundir as pessoas. E também tem o fato de alguns ícones da modalidade assumirem publicamente a homossexualidade, como o Greg Louganis, o Thomas Daley, pode gerar essa confusão, mas hoje em dia essa questão atravessa as modalidades, não há uma modalidade específica, e também, a opção sexual não interfere em nada no desempenho.
Pra quem não sabe, o Greg Louganis, atleta americano que foi um saltador lendário, protagonizou uma cena clássica dos Jogos Olímpicos, quando bateu a cabeça no trampolim em Seul 1988, sangrou na piscina, alguns anos depois ele revelou que era homossexual e também havia revelado ser portador do vírus HIV e o pessoal ficou em pânico, venceu e se consagrou na história do esporte.
A história do Greg Louganis vai muito além do que a gente conhece. A imprensa de uma maneira geral foca muito no corte, na pancada na cabeça e na AIDS. Mas o que aconteceu foi: na fase preliminar da competição da Olimpíada, ele bate a cabeça no trampolim de 3 metros, só que ele é um atleta de muito nível, então mesmo com esse incidente ele consegue a pontuação necessária pra passar para a semifinal. Acontece que ele vai para a semifinal com a cabeça enfaixada e 6, 7 pontos na cabeça, realiza uma série bem feita e vai pra final com a cabeça enfaixada e com aquele trauma do acidente da preliminar, faz os mesmos saltos que o fizeram bater a cabeça e ele consegue ser campeão olímpico.
Isso é um fato muito interessante, porque, quando acontece um acidente, comigo mesmo, semana passada quando bati a cara na água durante um treino, num salto, na vez seguinte que vou fazer o salto vou com um pouco de receio, não é simples bater o pé, a mão, a cabeça e voltar lá pra fazer a mesma coisa, não sai a mesma coisa. Por mais que você mande o comando pro seu corpo fazer a mesma coisa, o seu corpo tem maneiras de se depender para que você não fuja ao seu controle, por mais treinado que esteja. E o Greg Louganis conseguiu fazer o melhor possível dentro de uma final olímpica depois de um acidente, então isso mostra algumas qualidades de um superatleta e não é a toa que é considerado um dos maiores atletas do mundo.
Inclusive ele foi ao Mundial de Desportos Aquáticos (em Barcelona), e foi reconhecido por todos até hoje, apesar de ter parado de saltar há alguns anos, ele ainda é uma referência. E como estou morando nos Estados Unidos, assisto a televisão daqui, vira e mexe ele aparece, é uma personalidade nos Estados Unidos por tudo o que fez e o que representou.
Retornando ao assunto das competições, você se classificou para a Copa do Mundo, em Xangai, e gostaria de saber sobre a sua preparação e se tem alguma expectativa por resultado, enfim, onde você pretende estar.
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| Barcelona 2013 - Getty Images |
Essa semana (duas semanas atrás, ocasião da entrevista) baixei a carga de exercícios, fui mais focado para a parte física para chegar a próxima semana (semana passada) voltar a treinar e só parar no dia da minha prova em Xangai. O meu objetivo é sempre estar entre os melhores, na final. Eu sei que depois quando chega na final tudo pode acontecer, os saltos ornamentais não tem nada a ver com natação, atletismo, que você tem seu tempo ali, não varia muito. Os saltos ornamentais tem uma variação bem interessante, tanto que um exemplo, dos Jogos de Londres, com o David Boudia, na plataforma de 10 metros, ele foi o 18° na preliminar (último classificado) e acabou sendo o campeão olímpico. Então, o importante é você estar nas finais e esse foi o meu objetivo. Na Copa do Mundo não vai ser diferente, eu sei que tenho condições de estar entre os melhores, tenho trabalhado pra isso, não aconteceu em Barcelona, fiquei em 15°, em Londres fiquei em 17°, hoje tô na faixa das semifinais e quero ultrapassar essa barreira, depois que eu passar essa barreira, tudo pode acontecer.
Nessa mesma pegada, num campo mais amplo, pegando Mundial de 2015, em Kazan (RUS) e a Copa do Mundo de 2016, no Rio, o que você espera nos próximos anos?
Primeiro, dizer que a minha vida tá bem estabilizada aqui, acho que é importante ressaltar que esse ano foi bem complicado pra mim, passei por mudanças, estou aqui nos Estados Unidos desde julho do ano passado, mas a minha mudança completa, inclusive a esposa só acabou agora. Então tô com a vida estabilizada aqui e agora posso fazer um planejamento consistente, concreto para o Mundial, Pan-Americano, Copa do Mundo e Olimpíada. E meu maior objetivo hoje é trabalhar os saltos com maior grau de dificuldade, porque sei que esse é um fator que me limita nos grandes eventos. Quando eu chego no Campeonato Mundial, por mais que salte muito bem, eu ainda fico muito atrás porque chega um chinês, um russo, um australiano chegar lá e faz um salto com um grau de dificuldade mais alto, acaba que dependo do erro deles.
Então hoje a minha estratégia é melhorar esse grau de dificuldade e isso é o que vou fazer agora, só que para melhorar esse grau de dificuldade preciso melhorar minha condição física, hoje tenho que trabalhar dobrado minha parte física para poder aguentar o ritmo de treino e ganhar explosão, massa muscular, ter um bom nível pra competir com o pessoal, meu objetivo é esse, melhorar a condição física, melhorar o grau de dificuldade da minha série pra poder chegar junto dos grandes nomes nas finais.
Penso que ainda é cedo para perguntar sobre isso, mas gostaria de saber se tem alguma expectativa inicial quanto sua participação no Rio 2016, se uma medalha é indispensável, se uma final, um resultado positivo basta pra deixar feliz ou então se a maior exposição do esporte na mídia é suficiente.
Até a Olimpíada eu tenho um chão. Temos aí o Mundial, o Pan, a Copa do Mundo e a Olimpíada, é um processo. E meu objetivo, como falei, é estar nas finais. Falar em medalha é complicado. Hoje, a realidade minha é estar nas finais, eu sou um atleta que tem condições de estar nas finais. Ser medalhista ou não é complicado falar isso, tem outros atletas com pontuação mais forte, uma série mais forte, eles são os grandes favoritos. São os chineses, tem os dois russos, mexicano, alemão, são atletas que estão nas cabeças, mas sou um atleta muito competitivo, então na hora H consigo manter a frieza e fazer muito bem feito o que treino, é uma grande vantagem minha, mas tenho alguns fatores limitantes que vou trabalhar até lá. Mas hoje, o meu objetivo, uma coisa que me deixaria muito satisfeito e contente com minha carreira, é encerrar a minha carreira e minha participação olímpica entre os 12 melhores. Esse resultado é uma realidade possível e eu treino pra isso.
Saindo do campo esportivo, queria saber como você enxerga, como atleta, toda esse clima que envolve a preparação dos Jogos Olímpicos, obras, pressão do COI e da imprensa brasileira, como enxerga isso?
Sua pergunta tem uns pontos interessantes... Primeiramente, eu resolvi sair do Brasil, e uma das motivações foi essa, eu estava no olho do furacão e percebi num momento, ano passado, que eu tava dando mais entrevista relacionada aos problemas que o Brasil estava enfrentando pras Olimpíadas do que o que precisava para treinar, pra poder estar entre os melhores, e aí eu falei "eu não posso ficar nisso, não tem como pensar em duas coisas e fazer bem as duas coisas." E eu resolvi sair. É uma coisa que é complicada porque todos os meus colegas dos saltos que vem falar comigo, inclusive agora em Porto Rico e no Canadá, vieram alguns amigos e eles estão cientes do que tá acontecendo, a primeira pergunta que eles chegam e falam pra mim é assim: "e aí César, vai ter Olimpíada no Brasil mesmo?" Aí eu falei "Cara, eu não sei...", eu fico sem saber o que responder até mesmo aonde vai ser a competição de saltos, porque muita gente pergunta "Cesar, aonde vai ser a competição de saltos?" e até hoje não tem nenhum papel dizendo que vai ser no Maria Lenk ou não...
E já chegaram a dizer que a competição seria no Forte de Copacabana né?
Isso, algumas pessoas já disseram que seria no Forte de Copacabana, alguém já disse que será no Maria Lenk, mas eu mesmo não sei de nada então prefiro não responder, e eu prefiro nem me aprofundar nesse tipo de coisa, porque toda vez que eu paro pra pensar nisso, é um espaço do meu pensamento que eu tô perdendo na minha cabeça pra pensar no que eu posso fazer para melhorar no meu treinamento e no meu dia a dia. E como são duas coisas completamente diferentes, eu preferi me afastar e focar mais no treino. E de repente, num momento da carreira, depois que eu parar, eu possa me inteirar mais disso. Mas é complicado, é uma coisa meio chata, não é muito agradável não.
Sua pergunta tem uns pontos interessantes... Primeiramente, eu resolvi sair do Brasil, e uma das motivações foi essa, eu estava no olho do furacão e percebi num momento, ano passado, que eu tava dando mais entrevista relacionada aos problemas que o Brasil estava enfrentando pras Olimpíadas do que o que precisava para treinar, pra poder estar entre os melhores, e aí eu falei "eu não posso ficar nisso, não tem como pensar em duas coisas e fazer bem as duas coisas." E eu resolvi sair. É uma coisa que é complicada porque todos os meus colegas dos saltos que vem falar comigo, inclusive agora em Porto Rico e no Canadá, vieram alguns amigos e eles estão cientes do que tá acontecendo, a primeira pergunta que eles chegam e falam pra mim é assim: "e aí César, vai ter Olimpíada no Brasil mesmo?" Aí eu falei "Cara, eu não sei...", eu fico sem saber o que responder até mesmo aonde vai ser a competição de saltos, porque muita gente pergunta "Cesar, aonde vai ser a competição de saltos?" e até hoje não tem nenhum papel dizendo que vai ser no Maria Lenk ou não...
E já chegaram a dizer que a competição seria no Forte de Copacabana né?
Isso, algumas pessoas já disseram que seria no Forte de Copacabana, alguém já disse que será no Maria Lenk, mas eu mesmo não sei de nada então prefiro não responder, e eu prefiro nem me aprofundar nesse tipo de coisa, porque toda vez que eu paro pra pensar nisso, é um espaço do meu pensamento que eu tô perdendo na minha cabeça pra pensar no que eu posso fazer para melhorar no meu treinamento e no meu dia a dia. E como são duas coisas completamente diferentes, eu preferi me afastar e focar mais no treino. E de repente, num momento da carreira, depois que eu parar, eu possa me inteirar mais disso. Mas é complicado, é uma coisa meio chata, não é muito agradável não.
Terminando o ciclo de 2016, você já pensa no pós-2016, se pretende seguir carreira ou pretende terminar no Rio?
Que eu vou encerrar a minha carreira é quase certo lá, é bem provável que sim. Sou formado em educação física, de vez em quando faço alguns cursos para me atualizar na área esportiva, eu também tô aprendendo o inglês um pouco melhor, então de certa forma eu sempre penso também no pós. Eu sei que a carreira de atleta é bem curta, se bem que a minha conseguiu se estender bastante, mas sempre tive isso na cabeça, eu precisava ter uma vida paralela porque uma hora sei que vai acabar e eu vou ter que começar do zero. E não vou mentir que em alguns momentos pós-Olimpíadas as dúvidas aumentam em relação ao futuro, mas depois que os anos vão passando e eu começo a voltar a treinar e focar pra Olimpíada eu acabo relaxando um pouco em relação a isso.
Que eu vou encerrar a minha carreira é quase certo lá, é bem provável que sim. Sou formado em educação física, de vez em quando faço alguns cursos para me atualizar na área esportiva, eu também tô aprendendo o inglês um pouco melhor, então de certa forma eu sempre penso também no pós. Eu sei que a carreira de atleta é bem curta, se bem que a minha conseguiu se estender bastante, mas sempre tive isso na cabeça, eu precisava ter uma vida paralela porque uma hora sei que vai acabar e eu vou ter que começar do zero. E não vou mentir que em alguns momentos pós-Olimpíadas as dúvidas aumentam em relação ao futuro, mas depois que os anos vão passando e eu começo a voltar a treinar e focar pra Olimpíada eu acabo relaxando um pouco em relação a isso.
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| Universidade da Georgia - Arquivo Pessoal |
Mas eu tenho essa noção e de certa forma, eu procuro preencher esse lado profissional para quando chegar em setembro de 2016, que eu esteja com um inglês legal, atualizado nas áreas do esporte, seja na parte administrativa, na parte de marketing, entre outras, pra não poder começar do zero e ficar desesperado. Aqui nos Estados Unidos, de certa forma, eu ajudo algumas crianças, que na verdade é o meu pagamento pra treinar aqui na Universidade da Geórgia, é também poder colaborar e ser um exemplo, um incentivo para as crianças que treinam saltos, eu faço isso com o maior prazer, eu não sou remunerado por isso, é uma coisa que eu gosto e acabo aprendendo tendo essa experiência de trabalhar com crianças, que eu tenho gostado, é uma coisa que poderia trabalhar também sendo professor de saltos, seja no Brasil, seja aqui, aonde eu tiver oportunidade e possibilidade.
Pra encerrar, algumas palavras para os nossos leitores?
Primeiramente agradecer vocês por dar essa oportunidade de falar de saltos ornamentais, principalmente em época de Copa do Mundo de Futebol... infelizmente hoje não posso dizer que quem praticar saltos que "procure uma piscina mais próxima", são poucos os lugares. Eu espero que quem esteja lendo aí, ouvindo, possa fazer saltos no Rio de Janeiro, em São Paulo, Campinas, Belém ou Brasília, eu sonho que o esporte seja maior e quem se interessa pela modalidade tenha um acesso mais fácil, agradecer também ao Mackenzie, meu patrocinador há 11 anos, junto com os Correios e o Time Brasil. Um abraço ao pessoal do Surto, uma boa semana e sempre que quiserem estou à disposição.
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| Arquivo Pessoal |
Você pode conferir abaixo o áudio da entrevista:






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