Mundial de Canoagem Sprint - Dia 4: Erlon e Isaquias levam bronze e vaga olímpica ao Brasil e Caio Ribeiro ganha sua segunda medalha


Em Szeged

O Brasil conquistou mais dois bronzes, chegando a 5 medalhas no Mundial de Canoagem, disputado em Szeged, Hungria, a considerada a meca do esporte. A equipe da paracanoagem encerrou sua participação com um ouro, uma prata e dois bronzes, o último deles conquistado na manhã deste sábado por Caio Ribeiro de Carvalho nos 200m do K1. Erlon de Souza e Isaquias Queiroz conquistaram um bronze no 1000m do C1, sendo que Isaquias também garantiu sua vaga na final do C1 neste domingo, ao vencer sua bateria na semifinal.

A China continua a surpreender. Hao Liu e Hao Wang venceram a prova dos 1000m no C2 do início ao fim. Os cubanos Serguey Torres Madrigal e Fernando Dayan Jorge Enriquez apertaram nos últimos metros, mas terminaram com a prata. Erlon e Isaquias sofreram pressão dos romenos Victor Mihalachi e Catalin Chirila e dos alemães Peter Kretschmer e Yul Oeltze, mas eles terminaram em 5º e 4º, respectivamente. Erlon e Isaquias aseguraram também as primeiras vagas olímpicas para o Brasil na canoagem.

Erlon comentou que ao contrário dos outros dias, eles enfrentaram vento contra, o que atrapalhou um pouco. "Foi um dia muito atípico, tivemos um pouco de dificuldade no meio da prova, que foi radicalmente diferente de ontem", explicou Erlon. Isaquias, resfriado desde a sua chegada na Hungria ainda brincou: "Tem que esquecer,. tomar umas vitaminas, naturais né, para não contaminar nada.. É só botar a cabeça no lugar e dar o máximo. Cada tiro que a gente dá, o resfriado não aguenta e diz 'vou embora daqui', brincou o três vezes medalhista olímpico. "Agora é descansar . 

"Pensamos em Tóquio a partir de agora. Até alguns minutos atrás nosso pensamento era o Mundial que era classificatório. A partir deste momento começamos pensar" disse Erlon, que agora segue ao Brasil para o Campeonato Brasileiro, antes de um período de férias. A dupla brasileira conquistou a vaga no C2 1000m em Tóquio, que ainda não é nominal. A dupla escolhida também poderá participar das provas do C1 1000m, contanto o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) desejem inscrever os dois na prova individual do C1. Enquanto Isaquias foi medalha de prata nas Olimpíadas do Rio e bronze nos dois últimos mundiais na prova, Erlon não tem o costume de participar internacionalmente da prova.


O chinês Hao Liu disse que não vê nenhum segredo no desempenho da China que chegou a Hungria sem nenhum ouro nos mundiais e já levou dois, impulsionados pela torcida bem barulhenta e participativa. "Não fazemos nada especial, apenas treinamos muito. Temos um sistema muito bom que nos ajuda também, com grandes técnicos, mas acho que todas as equipes fazem isso", declarou modestamente o novo campeão mundial. A chinesa Luqi Zhang, oitava no C1 200m feminino, disse acreditar que os fortes treinamentos de inverno auxiliaram o desenvolvimento do país. 

Isaquias e Sebastian Brendel têm dia longo e marcam encontro na final do C1 1000m

Principal adversário histórico de Isaquias, Sebastian Brendel (GER), venceu o ouro no C1 500m, que não é prova olímpica. Foi o 11º título mundial de Brendel e 19ª medalha conquistada, mas primeiro ouro nos 500m depois da prata no ano passado quando perdeu para Isaquias no Mundial de Montemor-o-Velho. Este ano, Isaquias resolveu se concentrar nas duas provas olímpicas. Angel Kodinov (BUL) levou a prata e Oleg Tarnovschi (MDA) o bronze. 



Algumas horas depois, Brendel e Isaquias voltaram às raias para a disputa das semifinais do C1 1000m. Brendel fez o melhor tempo geral, com 3:55.33, a frente do cubano Jose Ramon Pelier Cordova, que conseguiu 3:56.55. "Foi um calendário difícil hoje, fiquei feliz por poder vencer as duas corridas. Mais cedo eu tentei vencer mas sem esquecer da corrida mais tarde. Acho que a medalha de ouro ajudou agora", declarou. Sobre a final, o atual tetracampeão mundial e bicampeão olímpico nos 1000 metros do C1 considera Isaquias seu "principal rival, mas tem outros caras grandes na final. Vamos ver o que tem no meu tanque", completou o alemão . 

Enquanto terminava de conversar com ele, Isaquias estava sofrendo na raia. Ele passou em terceiro durante a maior parte da corrida, bem atrás, mas conseguiu um forte desempenho no final para vencer sua bateria, com 3:55.73, a frente do tcheco Martin Fuksa (3:55.81) e do polonês Tomasz Kaczor (3:56.78).



Também bem cansado, Isaquias comentou que "a prova muito pegada. Espero que eu esteja bem descansado, que o vento esteja bom amanhã", declarou. "Eu fiquei com medo de ficar de fora da final e dei o máximo no final. Ganhei né?", perguntou aos jornalistas antes de ver o resultado. A final acontece neste domingo, às 7:12, horário de Brasília.

Último dia de Paracanoagem dá mais uma medalha ao Brasil

Na final dos 200m no KL3, o ucraniano Serhii Yemelianov disparou no início e não conseguiu mais ser alcançado, alcançando o tricampeonato mundial que se soma ao ouro conquistado nas Paralimpíadas do Rio. Numa disputa entre três atletas durante toda prova Leonid Krylov (RUS) ficou com a prata e Caio Ribeiro de Carvalho levou seu segundo bronze da competição. Se na quinta-feira ele ficou com a prata a 1 décimo de segundo atrás do australiano Curtis McGrath na final dos 200m do VL3, agora ele ficou a apenas 9 centésimos de segundo a frente do australiano Dylan Littehaleskrylov.


O resultado não o impediu de sair chateado da raia. "Foi horrível, não foi um bom dia", declarou logo ao sair do barco. Não sei o que aconteceu. Dei muito para poder vencer, mas infelizmente meus adversários foram mais fortes, agora é voltar e continuar o trabalho, melhorar, conversar com meu treinador para ver o que aconteceu. Podia ter dado mais, poderia ter ido mais rápido", lamentou. 

Sobre os planos para os próximos dias, Caio disse que o foco agora é "no Campeonato Brasileiro que começa semana que vem. No final de semana seguinte é o evento-teste do Japão e depois ter um me time, para descansar a carcaça, o psicológico". O Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade Paracanoagem acontece em Brasília entre 29 de agosto e 1 de setembro. Giovane Vieira de Paula terminou em terceiro lugar na final B da mesma prova. 


Outro brasileiro em ação no último dia foi Fernando Rufino de Paulo, conhecido como o "Caubói", que terminou em sexto lugar no KL2 200m. McGrath levou seu segundo ouro neste mundial, a frente de Federico Mancarella (ITA), que conquistou a prata e Scott Martlew (NZL), que levou o bronze. No KL1 feminino 200m, Maryna Mazhula (UKR) levou o ouro, a frente de Edina Mueller (GER) e Katherinne Wollermannell (CHI), cujo bronze foi muito comemorado pela equipe brasileira presente em Szeged. 


Neozelandesa dá show e chilena comemora muito vaga olímpica

Com a ausência da seis vezes campeã mundial, Laurence Vincent-Lapointe (CAN) pega num exame anti-doping em resultado anunciado poucos dias antes da competição, a prova do C1 200m ficou bem aberta. Nevin Harrison (USA) levou o ouro, Olesia Romasenko (RUS) a prata, e Alena Nazdrova (BLR) o bronze. Maria Mailliard (CHI) e Katie Vincent (CAN) ficaram em 4º e 5º lugar e assim garantiram seus países em Tóquio-2020, resultado bom para o Brasil na pretensão por uma vaga olímpica. 


Com a confirmação oficial, Mailliard, que ficou a um décimo da medalha, deu pulos de alegria e começou a chorar. "Estou muito feliz, sou a primeira mulher do meu país classificada aos Jogos Olímpicos. O treinamento foi duríssimo, mas tudo valeu a pena", em meio a cumprimentos de equipes latinas que passavam pela área. Valdenice Conceição provavelmente brigará pela vaga continental com a cubana Mayvihanet Borges, bronze em Lima-2019 e que não veio ao mundial. pela vaga olímpica continental, no Pan-Americano a ser disputado em Valparaiso, Chile, em maio do ano que vem.

Um dos maiores nomes da canoagem atual, a neozelandesa Lisa Carrington venceu com mais de um barco de vantagem a prova dos 200m no K1 feminino. A polonesa Marta Walczykiewicz ficou com a prata e Emma Aastrand Jorgensen (DEN) e Teresa Portela (ESP) dividiram a medalha de bronze. Em uma final com duas competidoras de nome Teresa Portela, a portuguesa Teresa do Rosário Afonso Portela terminou em oitavo. No K1 200m masculino, o atual campeão olímpico Liam Heath (GBR) levou seu segundo título mundial. Strahinja Stefanovic (SRB) levou a prata e Carlos Garrote deu mais um bronze à Espanha.

Para alegria dos torcedores, a Hungria levou dois ouros: Balint Kopasz, de 22 anos, virou a sensação local ao conquistar sua primeira medalha em mundiais, logo a de ouro no K1 1000m. Depois de bater na trave ano passado, em 4º lugar, ele venceu o tricampeão mundial e campeão olímpico Fernando Pimenta (POR) que terminou em terceiro lugar. A prata foi para Josef Dostal (CZE). 

"A cada ano eu me sentia mais forte mentalmente e fisicamente. Eu sou muito jovem e posso me adaptar e melhorar", comentou o campeão. Cerca de duas horas depois do título ele ainda estava respondendo a várias perguntas e pedidos de selfies por parte de torcedores, jornalistas locais e membros da organização do evento. "Ë uma novidade para mim, é minha primeira conquista em mundial adulto e fico feliz em conquistar em minha cidade natal. Fico feliz pela presença de amigos, família e patrocinadores torcendo por mim", respondeu olhando para baixo e um tanto envergonhado. Quanto a Tóquio, ele apontou Pimenta, Dostal e Aleh Yurena (BLR) como principais rivais em Tóquio, mas declarou que o ouro nos Jogos Olímpicos é seu principal objetivo. 


O português que ainda disputa a final do K1 5000m neste domingo disse estar feliz com o resultado e o desempenho da canoagem portuguesa, mas que ainda é cedo para pensar em Tóquio. "O importante é a consistência", comentou o português. Sobre as Olimpíadas, ele declarou que "O foco agora está na prova de amanhã e depois pensamos nos Jogos". A prova dos 5000m conta com 40 atletas inscritos, entre eles o brasileiro Vagner Junior Souta e encerra a programação do Mundial, as 11:25 da manhã, horário de Brasilia.

Tamara Csipes levou seu sétimo título mundial e segundo ouro no K1 1000m - o outro foi em 2011, quando Szeged também sediou o mundial. Ela conseguiu ultrapassar a polonesa Justyna Iskrzycka nos metros finais, que teve que se contentar com a prata. O bronze foi para Lizzie Broughton (GBR). 

No K2 500m feminino, Maryna Litvinchuk e Volha Khudzenka (BLR) levaram o ouro; Karolina Naja e Anna Pulawska (POL) ficaram com a prata e Spela Ponomarenko Janic e Anja Osterman (SLO) foram medalhistas de bronze. Já no equivalente masculino também deu uma dupla Belarus: Stanislau Daineka e Dzmitry Natynchyk ganharam; Pelayo Roza e Pedro Vazquez Llenin conquistaram a prata e o bronze foi para os alemães Marcus Gross e Martin Hillerroza, por apenas dois centésimos de segundo.

Fotos: Isaquias remando: Bence Vekassy/ICF - outras fotos: Mateus Nagime/Surto Olímpico

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