Patinadores Mai Mihara e Matteo Rizzo ganham ouro na Universiade de Inverno; Brasileiros tem fraco desempenho



A Universiade de Inverno, competição disputada em Krasnoyarsk, Rússia terminou com grandes performances na Patinação Artística: o italiano Matteo Rizzo e a japonesa Mai Mihara (foto) venceram as categorias individuais fazendo prevalecer conjuntos de programas de alta precisão técnica e maior valor artístico sobre adversários com programas mais explosivos. Nos Pares e na Dança no Gelo, vitórias de Alisa Efimova e Alexander Korovin e Betina Popova e Sergey Mozgov em competições com largo domínio da Rússia que ocupou quase todas as posições dos pódios. Na patinação sincronizada, o Team Unique da Finlândia ousou nas coreografias e ficou com o ouro sobre seus conterrâneos e rivais históricos do Marigold IceUnity. O evento também contou com a participação de patinadores brasileiros, trazendo visibilidade à pratica do esporte no país.

Masculino:

Uma disputa bastante forte nos dois dias de competição, entre o russo Maxim Kovtun e o italiano Matteo Rizzo. No programa curto, vitória de Kovtun, com Rizzo a menos de um ponto de distância na classificação em segundo lugar. No programa livre Kovtun teve uma queda enquanto o italiano não deu chances para a concorrência, exibindo uma de suas melhores performances na temporada inteira, sendo aplaudido de pé pela audiência presente na Arena de Krasnoyark. O resultado foi a medalha de ouro, com quase 15 pontos de diferença sobre Kovtun, que ficou no segundo lugar.

Rizzo agradeceu o apoio da platéia russa, um reconhecimento à excelência de seu trabalho, mesmo competindo contra um patinador do país que fez performances de qualidade: "A atmosfera da Universiade é deliciosa. A música do Queen que eu patinei era realmente emocional, e combinou perfeitamente com o apoio que eu senti da platéia. A atmosfera resultante foi única e incrível."

Em terceiro lugar ficou o georgiano Morisi Kvitelashvili, que melhorou expressivamente sua performance do programa curto para o programa livre, fez a segunda melhor performance do dia e ganhou três posições na classificação final.

Feminino:

A qualidade da patinação emocional e elegante da japonesa Mai Mihara brilhou, mas enfrentou um duelo difícil com o estilo agressivo e acrobático da cazaque Elizabet Tursynbaeva. No programa curto, Mihara se beneficiou do regulamento que limita a execução de saltos quádruplos em programas curtos femininos, fez um programa de alta precisão e excelência estética e abriu uma vantagem de 5 pontos sobre a segunda colocada, a russa Stanislava Konstantinova, com outra japonesa, Hina Takeno em terceiro e Tursynbaeva, após cair em um salto triplo Lutz ficou na quarta posição, mais de oito pontos atrás.

No programa livre, Tursynbaeva usou seu salto quádruplo Salchow, que mesmo sem uma finalização limpa por queda e grau de execução comprometido ainda teve um valor bastante elevado. A cazaque realizou perfeitamente mais sete saltos triplos de complexidade elevada, quatro deles na segunda metade do programa, valendo bônus de pontuação e fechou o dia com a melhor nota. Mai Mihara executou um programa mais simples, com apenas um erro menor numa combinação de saltos, mas de elevado valor artístico e ficou com a segunda melhor pontuação do programa livre.A performance foi suficiente para manter a primeira posição na somatória final e garantir a medalha de ouro.
Stanislava Konstantinova manteve o bom rendimento médio, mesmo com um programa livre mais simples que o das primeiras colocadas no dia e ficou com a medalha de bronze.

Pares:

A Rússia dominou totalmente as competições em duplas na Universiade e em Pares conquistou todo o pódio. Alisa Efimova e Alexander Korovin venceram uma medalha de ouro sofrida, em dias de performances dramáticas e cheias de problemas.

Nenhum dos pares que se apresentou conseguiu um programa livre sem quedas, e os vencedores tiveram que superar problemas físicos para completar a performance: "Foi muito difícil para mim fazer três saltos Axel e foi muito difícil me manter em pé após as aterrissagens: eu estava sentindo dor após os saltos", disse Efimova, que ressaltou a necessidade de se concentrar para completar os programas quando a situação é desfavorável: "Acho que o principal é esquecer o momento e pensar no próximo elemento, e o que eu posso conseguir desse próximo elemento".

Anastasia Poluianova e Dmitry Sopot ficaram com a medalha de prata e Alexandra Koshevaia e Dmitry Bushlanov ficaram com o bronze, superando a dupla do Cazaquistão Zhansaya Adykhanova e Abish Baytkanov, que teve duas quedas no programa livre.

Dança no Gelo:

Mais uma vitória russa, em um duelo doméstico. Em um dia de dificuldades, mas de performances emocionais, Betina Popova e Sergey Mozgov conquistaram a medalha de ouro sobre os conterrâneos Sofia Evdokimova e Egor Bazin, Evdokimova e Bazin conseguiram a melhor nota do programa livre, mas na somatória ficaram pouco mais de 1.5 ponto atrás de Popova e Mozgov.

Foi a segunda vitória em torneios internacionais para Popova e Mozgov, que lutaram pelo resultado mas chegaram a ficar surpresos ao conseguir enfrentar as outras duplas em condições de igualdade. Popova explicou que tem se ressentido de uma velha lesão de calcanhar que voltou a doer, e portanto treinado pouco. No primeiro dia de competição, Mozgov também acabou se lesionando durante treinos, o que fez com que a dupla tivesse  que tomar especial cuidado ao longo das performances.

Os representantes da França, Adelina Galyavieva e Louis Thauron mantiveram-se no terceiro lugar e ficaram com a medalha de bronze após dois dias de performances consistentes.

Patinação Sincronizada:

Originalidade e ousadia, além de um programa curto sem falhas valeram a medalha de ouro para o Team Unique, da Finlândia, que com uma rotina baseada em street dance levantou a plateia e abriu vantagem sobre todos os adversários logo no primeiro dia. Sua equipe rival histórica na patinação finlandesa, Marigold IceUnity teve um dia com muitos erros de conjunto e ficou apenas na  terceira posição, com os russos do Tartarstan ficando em segundo após uma ótima performance.

No programa livre, Marigold IceUnity se redimiu das falhas e apresentou a rotina mais forte do dia, com a trilha sonora de Transformers, superando o Team Unique mas não o alcançando na somatória final. A equipe Tartarstan teve uma queda e uma apresentação menos vigorosa que a do programa curto, perdendo uma posição e ficando com o bronze.

O Brasil na competição:

O Brasil participou da competição de Patinação Artística com os atletas de categorias individuais Ruanh Oliveira e Ana Carla Decottignies. Mesmo com as dificuldades de treinamento, da quase inexistência de locais adequados e competições no país e consequentemente da apresentação de rotinas técnicas de nível bem menor que as de todos os outros competidores, os brasileiros foram bem recebidos pela platéia, com o reconhecimento de esforços e do interesse em disciplinas de esporte sobre gelo.

A participação foi encarada pelos técnicos e integrantes da equipe brasileira como um início importante da visibilidade da prática dessas modalidades dentro Brasil: até agora poucos atletas de esportes de gelo se formaram dentro do país, a maioria ou indo buscar recursos desde cedo no exterior ou abandonando as competições prematuramente. Com o passo dado, espera-se ter mais recursos para o esporte e mais participantes do país em próximos jogos e em competições internacionais.

Todas as tabelas com resultados, agenda de apresentações em horário local e súmulas detalhadas de julgamentos do evento de Patinação Artística da Universiade de 2019 estão disponíveis AQUI, no site oficial de resultados do evento.

Foto: FISU


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