Grand Slam de Judô - Etapa de Paris - Último Dia: desempenho do Brasil decepciona


O Brasil encerrou hoje a participação no Grand Slam de Paris e o desempenho foi bastante aquém do esperado. Com as peças mais importantes da seleção feminina presentes, a expectativa era de várias classificações para disputa por medalhas e, claro, a conquista delas.

Contudo, os resultados aguardados não vieram. O quinto lugar de Rafaela Silva e os sétimos de Eleudis Valentim (52kg) e Larissa Pimenta (52kg), estes últimos gratas surpresas, foram as melhores posições que as brasileiras atingiram.

Hoje em Paris seis judocas foram ao tatame. No 70kg, Ellen Santana, estreante em Grand Slam, foi superada pela croata Barbara Matic, enquanto a experiente Maria Portela parou em Barbara Timo, sua ex-companheira de seleção que hoje defende Portugal. 

No meio-pesado, o melhor desempenho foi de Samanta Soares, que venceu sua primeira luta contra a chinesa Kaili Zhang, mas caiu nas oitavas para a atual vice-campeã olímpica Audrey Tcheumeo, da França. 

Já Mayra Aguiar foi superada na primeira rodada pela chinesa Fei Chen, que chegou à semifinal do torneio batendo outra campeã mundial, a japonesa Mami Umeki, nas quartas. 

Entre as pesados, Maria Suelen Altheman começou bem, com vitória sobre Valentine Marchand, da França, mas sucumbiu à eslovena Anamari Velenseki, que foi bronze no Rio 2016 no 78kg. Beatriz Souza perdia por um waza-ari no duelo com Shiyan Xu, da China, buscou o empate, mas sofreu o segundo waza-ari e parou na primeira rodada. 

A equipe feminina permanecerá na França nesta semana para treinamento de campo e seguirá para a Áustria, onde lutará o Aberto de Oberwart, no próximo sábado. Será a segunda da série de três competições seguidas que a seleção feminina fará em fevereiro. O último compromisso será o Grand Slam de Dusseldorf, na Alemanha, onde o Brasil terá também os homens na disputa. 

Com planejamento diferente, a equipe masculina do Brasil não participou do Grand Slam de Paris neste final de semana. Os judocas foram ao Japão em janeiro para uma série de treinamentos em Universidades e só estrearão no Circuito Mundial no Grand Slam de Dusseldorf, que distribui os mesmos mil pontos do Grand Slam de Paris. O torneio alemão acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro.

A preocupação, além da classificação para as olimpíadas de Tóquio, é garantir uma boa posição para os atletas no ranking. Uma classificação ruim gera chaves mais complicadas e isso ceifou as chances de várias ótimos atletas nas Olimpíadas do Rio/2016. 

Como dito no início, o desempenho foi aquém do esperado. Entretanto, não pode ser visto com total espanto, já que a seleção, depois de um ciclo dourado para a Rio/2016, tem apresentado uma perda no fôlego. Apesar disso, o talento da seleção é incontestável e a esperança continua firme para os próximos desafios.

Vejamos o resumo de cada categoria no último dia em solo francês:

CATEGORIA FEMININA

(-70kg)

A medalhista de bronze mundial Yoko Ono (JPN) venceu seu terceiro título de Grand Slam. Bateu, na final, a medalhista de bronze do Grand Slam de Osaka, Margaux Pinot (FRA). A nervosa disputa foi vencida nas penalidades pela japonesa, atual número 12 do mundo. 

Nesta categoria, a brasileira Maria Portela perdeu sua luta para Bárbara Timo, ex-companheira de seleção brasileira que, sem espaço, acabou se naturalizando portuguesa. E a agora luso-brasileira não decepcionou garantindo o bronze para o país do velho continente. Saki Niizoe (JPN) fechou o pódio.

(-78kg)

A campeã europeia, Madeleine MALONGA (FRA), venceu um Grand Slam pela primeira vez e logo em casa, enlouquecendo a torcida presente. Na final, a francesa derrotou a medalhista de bronze Grand Prix de Tashkent, Luise Malzahn (GER), que estava em dia inspirado. A campeã do Grand Slam precisou de dois minutos para abriu a pontuação com um waza-ari, conquistado a partir de um o-soto-gari. No entanto, a derrota da alemã veio com a terceira punição. 

A ex-campeã mundial, Mami Umeki (JPN), garantiu mais uma medalha para os japoneses, enquanto Fei Chen, que derrotou Mayra Aguiar na primeira luta, ficou com o outro bronze. 

(+78kg)

Deem o mundo a Idalys Ortiz (CUB), porque ela merece. A cubana, lenda viva do esporte, terror das judocas do peso pesado (Maria Suelen Altherman, que o diga), continua a aumentar sua galeria de vitórias. A conquista, dessa vez, veio em cima de Iryna Kindzerska (AZE), medalhista de ouro no Grand Prix de Tel Aviv. Uma das judocas mais condecoradas da história venceu com um waza-ari. 

A japonesa Akira Sone (JPN), de apenas 18 anos de idade, conquistou sua quinta medalha em Grand Slam, agora com um bronze. Minjeong KIM (KOR) ficou com a segunda medalha de bronze distribuída.

CATEGORIA MASCULINA

(-81kg)

O medalhista de bronze do Grand Prix de Haia, Dominic Ressel (GER), venceu um Grand Slam pela primeira vez, ao derrotar Sagi Muki (ISR), vencedor do Grand Prix de Tel Aviv. O alemão aplicou um ippon em Muki e conquistou a maior conquista da carreira até agora. 

Saeid Mollaei (IRI), campeão mundial em Baku/2018, e Alan Khubetsov (RUS), vencedor do Grand Prix de Budapeste, asseguraram as medalhas de bronze.

(-90kg) 

O ex-campeão mundial, GWAK Donghan (KOR), foi a estrela da categoria -90kg. O Coreano foi impecável durante a competição e, na final, venceu o medalhista de bronze do World Judo Masters, Islam Bozbayev (KAZ). O medalhista de bronze olímpico e campeão mundial registrou seu segundo triunfo em Grand Slam após aplicar um seoi-otoshi e um uchi-mata, marcando dois waza-ari(s).

Krisz Toth (HUN), ex-medalhista de prata em mundial, garantiu um lugar no pódio, assim como Kenta Nagasawa (JPN), que ganhou sua quinta medalha em Grand Slam. Ambos ficaram com o bronze na competição. 

(-100kg)

Medalhista olímpico e mundial de prata, Varlam Liparteliani (GEO) venceu seu terceiro título de Grand Slam. O georgiano venceu na final o japonês Wolf Aaron (JPN), campeão mundial em Budapeste/2017, após aplicar um uchi-mata e conquistar um waza-ari. 

Peter Paltchik garantiu a segunda medalha israelense na competição, com um bronze. Guham Cho (KOR) fechou o pódio. 

(+100kg)

O judoca de 32 anos, Kim Sungmin (KOR), parou o medalhista olímpico de prata Harasawa Hisayoshi (JPN), por ippon, aplicando um o-soto-gari, para levar para a Coreia a medalha de ouro no Grand Slam de Paris e encerrar a competição. para ganhar o ouro na última competição do Grand Slam de Paris. 

Defendendo o título de Paris conquistado em 2018, Kokoro Kageura (JPN) teve de se contentar com a medalha de bronze. Ushangi Kokauri (AZE), atual vice-campeão mundial, também levou o bronze para casa.

JAPÃO NA LIDERANÇA GERAL

Sem surpresas, os japoneses lideraram o quadro de medalhas da competição, com nada menos do que 5 medalhas de ouro, 3 de prata e 7 de bronze. 19 no total. Bem superior que os donos da casa, que concluíram a competição com "apenas" 5 medalhas: 2 ouros, 1 prata e 2 bronzes. Destaque para as mulheres francesas, que se consolidam cada vez mais como uma boa geração. Fechando o pódio, a Coreia teve um desempenho bastante satisfatório: 2 ouros e 3 bronzes, fechando com 5 medalhas no total. 

Brasil, como sabemos, não medalhou.

Foto: Divulgação






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