Grand Slam de Judô - Dusseldorf - Dia 01: Nathália Brígida e Rafaela Silva garantem medalhas para o Brasil


O judô brasileiro teve um grande início de Grand Slam em Dusseldorf, na Alemanha, levando duas atletas ao pódio e apagando, um pouco, o mau desempenho em Paris. 

Na categoria até 48kg, Nathália Brígida mostrou que está forte e empenhada na conquista da vaga para Tóquio/2020. A judoca não tomou conhecimento da sua chave e venceu as três primeira lutas, para se garantir na semifinal. Entre as adversárias derrotadas, a experiente Húngara Éva Csernoviczki, medalhista olímpica em Londres/2012 e no mundial de Paris/2011, e Shira Rishony (ISR), há poucas semanas campeã no Grand Slam de Tel Aviv. Batalhas que engrandecem a conquista da judoca. 

Na semifinal, diante de Funa Tonaki, atual vice-campeã mundial em Baku/2018 e campeã em Budapest/2017, a japonesa fez valer o favoritismo. Disputa do bronze para Brígida, que teve de encarar a alemã Katharina Menz, diante de um ginásio enlouquecido. Luta duríssima e só após três minutos e meio de Gold Score a brasileira conseguiu encaixar um juji-gatame, vencendo a alemã por ippon. Medalha de bronze para a judoca que tem evoluído bastante nesse início de temporada, agarrando sua chance na seleção. 

"Estou muito satisfeita com meu desempenho aqui na Alemanha. Em uma competição de um nível alto como essa sair com uma medalha, sem dúvida, mostra que estou evoluindo. E me dá ainda mais confiança e motivação para os meus próximos desafios nessa temporada", avaliou Brígida. 


Rafaela Silva, por sua vez, chegou a Dusseldorf como uma das cabeças-de-chave da competição e confirmou seu favoritismo nas preliminares. Abriu caminho com vitória nas punições sobre Ichinkhorloo Munkhtsedev, do Azerbaijão. Em seguida, projetou a holandesa Sanne Verhagen, pontuando um waza-ari faltando poucos segundos do fim da luta, para avançar às quartas-de-final. Nessa fase, a brasileira sofreu um waza-ari no início da luta contra Sappho Coban, da Alemanha, mas reagiu com outras duas projeções e superou a alemã por ippon para chegar à semifinal. 

A penúltima luta foi uma reedição da final olímpica do Rio contra a mongol Sumiya Dorjsuren e teve o mesmo desfecho de 2016. Luta parelha, com Rafaela vencendo no finalzinho graças a um waza-ari que precisou ser confirmado pelo vídeo. 

Na decisão pelo ouro, Rafaela sofreu um waza-ari no segundo minuto de luta com Yoshida, chegou a forçar duas punições à adversária, mas não conseguiu supera-la. 

A campeã olímpica fecha, portanto, a série de três competições na Europa participando das disputas por medalhas em todas as etapas. Foi quinto em Paris, prata em Oberwart e prata em Dusseldorf. Que início de temporada.  

Outros brasileiros também lutaram nesta madrugada. 

Defendendo a medalha de bronze conquistada ano passado, Eric Tabatake (60kg), que era cabeça de chave, perdeu na sua primeira luta para o francês Luka Mkheidze, de 23 anos, que terminou em 7º lugar na Alemanha e é um judoca de pouca expressão no circuito.  

O desempenho de Phelipe Pelim foi um pouco superior. Ganhou a primeira luta do Esloveno Matjaz Trbovc e, ao subir ao tatame pela segunda vez, teve pela frente o japonês Ryuju Nagayama, medalhista de bronze no último mundial e campeão de 4 Grand Slam, inclusive estava defendendo o título conquistado ano passado em Dusseldorf. Não deu outra, o japonês venceu, mas Pelim equilibrou o quanto pode. Nagayama foi mais uma vez o campeão na Alemanha. 

Cabeça de chave, havia boa expectativa de que Daniel Cargnin, grande valor da nova geração do judô brasileiro, teria um bom desempenho. O caminho até o favorecia, porém, diante do desconhecido cazaque Kuanov Yesset, o brasileiro caiu precocemente. Cargnin está em uma posição confortável no ranking olímpico, mas para além do ranking olímpico, disputa a vaga com Charles Chibana. Portanto, cada ponto é importante. 

Falando em Charles Chibana, o brasileiro também perdeu logo na primeira luta. Seu adversário foi Manuel Lombardo, um jovem talento italiano. O garoto é o atual campeão mundial sub/21 e venceu o Grand Prix de Tel Aviv no início da temporada. Nome a ser observado. Charles perdeu mais uma chance de se aproximar de Cargnin. 

A família Chibana também foi representada entre as mulheres. A prima de Charles, Gabriela Chibana, deu adeus logo na primeira luta, diante da consistente Katharina Menz (GER), bronze no Grand Slam de Ekaterinburg em 2018 e que tinha a seu favor o ginásio inteiro. Para Gabriela a derrota foi ainda mais amarga porque, ainda líder da disputa interna pela vaga olímpica no peso, viu a companheira Nathália Brígida subir ao pódio, o que fará com que, muito provavelmente, Chibana perca essa liderança e tenha que correr atrás de Brígida agora. 

Sempre ressaltamos que com a aposentadoria de Érika Miranda e a suspensão de Jéssica Pereira, a categoria passou a inspirar preocupações, mas as jovens Eleudis e Larissa têm demonstrado bons valores. A jovem Larissa Pimenta não chegou tão longe quanto em Paris. Mesmo assim, ganhou duas lutas, vindo a perder diante da experiente Yulia Kazarina (RUS), que tem duas medalhas de prata em Grand Slam no currículo. 

Eleudis, como sua colega, venceu duas lutas. A segunda foi contra Estrella Sheriff (ESP), bronze nesse mesmo Grand Slam em 2018. Porém, diante de Majlinda Kelmendi (KOS), ouro na Rio/2016, bicampeã mundial e vencedora de 5 Grand Slam, não foi páreo. Nas punições, a brasileira deu adeus. Em tempo: Kelmendi angariou seu sexto título de Grand Slam: única não japonesa a fazê-lo hoje. 

A judoca Tamires Crude, da mesma categoria de Rafaela Silva, parou logo na primeira luta, diante de Anna Borowska (POL) e as chances de alcançar a campeã olímpica na disputa interna são bem remotas. 

Vamos aos resultados gerais. 

CATEGORIAS FEMININAS 

(-48kg) 

A ex-campeã mundial Funa Tonaki (JPN) derrotou a ex-medalhista do Grand Slam de Paris Kang Yujeong (KOR) por ippon, na final dos 48kg, para manter as esperanças para representar o país das olimpíadas em Tóquio/2020. A número três do mundo, Tonaki, conquistou seu terceiro título de Grand Slam às custas da número 15 do mundo, que foi derrotada com um sumi-gaeshi, por ippon. A japonesa tem um recorde de medalhas na IJF World Judô Tour, mas tem um recorde negativo de três derrotas em três lutas contra a número 1 do mundo e campeã mundial Daria Bilodid (UKR), a mais jovem campeã mundial de judô de todos os tempos. 

A primeira medalha de bronze foi ganho pela medalhista de prata do Grand Prix de Cancún, Catarina Costa (POR). A segunda medalha nós sabemos, foi ganha por Nathália Brígida. 

(-52kg) 


A campeã olímpica e bicampeã mundial, Majlinda Kelmendi (KOS), conquistou seu sexto título de Grand Slam. A vítima da vez foi com uma vitória direta sobre a medalhista de prata Sosorbaram Lkhagvasuren (MGL) dos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires/2018. Kelmendi não estava em sua melhor forma explosiva na Alemanha, pois venceu três de suas cinco lutas com hansoku-make ou as punições (três shidos), mostrando toda sua experiência. 

A mongol de apenas 17 anos, caiu da mesma maneira, nas punições. Contudo, imagine iniciar o tour adulto com uma prata perdendo para Kelmendi. Nada mal. 

As medalhas de bronze ficaram com a italiana Odette Giuffrida e para Chishima Maeda, de 21 anos, (olha o spoiller mais sem futuro do esporte) única japonesa que não venceu hoje. 

(-57kg) 

A campeão mundial Yoshida Tsukasa (JPN) derrotou a campeã olímpica Rafaela Silva (BRA) na última luta do primeiro dia em Düsseldorf. Yoshida recebeu sua sétima medalha de ouro em Grand Slam. 

Sumiya Dorjsuren (MGL) e Sarah Leonie Cysique (FRA). 

CATEGORIA MASCULINA 

(-60kg) 

Ryuju Nagayama (JPN), medalhista de bronze no Campeonato Mundial e algoz de Phelipe Pelim, liderou a categoria de peso leve masculino no primeiro dia na Alemanha, batendo, na final, o russo Robert Mshvidobadze. O japonês aplicou um uchi-mata para conseguir o ippon. 

Então você pensa que o agora cinco vezes vencedor de Grand Slam já está com um pé nas Olimpíadas para representar o Japão? Não, não. O Japão tem nesta categoria Naohisa Takato, tricampeão mundial e oito vezes campeão de Grand Slam. É muito talento para um país só. 

Quem também subiu ao pódio, só que para receber as medalhas de bronze, foram Lukhumi Chkhvimiani (GEO) e Tornike Tsjakadoea (NED), medalhista de prata no Grand Prix de Tel Aviv/2019. 

(-66kg) 

O medalhista de ouro do World Judo Masters, Maruyama Joshiro (JPN) venceu a terceira competição consecutiva e agora disponta na liderança do ranking japonês que tem, apenas, o bicampeão mundial Hifume Abe. O judoca nipônico venceu o coreano Kim Limhwan. Em pouco tempo de luta aplicou um uchi-mata para abrir a pontuação com um waza-ari, que manteve até o final. 

Yakub Shamilov (RUS) venceu o italiano Manuel Lombardo para garantir o bronze, enquanto Yondonperenlei Baskhuu (MGL) venceu Denis Vieru, vencedor do Grand Slam de Paris há duas semanas. 


CALENDÁRIO DO SÁBADO 

Amanhã teremos sete brasileiros em ação: 73kg: Eduardo Katsuhiro Barbosa/Paineiras/FPJUDO, 73kg: Marcelo Contini/EC Pinheiros/FPJUDO, 81kg: Eduardo Yudy Santos/EC Pinheiros/FPJUDO, 63kg: Aléxia Castilhos/Sogipa/FGJ, 63kg: Ketleyn Quadros/Sogipa/FGJ, 70kg: Ellen Santana/S.E. Palmeiras/FPJUDO e 70kg: Maria Portela/Sogipa/FGJ.

Fotos: IJF.

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