![]() |
Mohd Rashan/AFP |
O Comitê Olímpico Internacional (COI) se pronunciou na última quinta (1) em defesa das boxeadoras Imane Khelif (ALG) e Lin Yu-Ting (TPE). As duas, que foram desclassificadas no meio do último mundial de boxe pela IBA, que alegou que elas não passaram no teste de feminilidade, sofreram uma onda de ataques transfóbicos, mesmo sendo mulheres cisgênero.
Em Nota, o COI fez questão de frisar que IBA foi descredenciada pela entidade e não comanda mais o boxe olímpico, por conta de diversas irregularidades, suspeitas de corrupção e uso da entidade para lavagem de dinheiro do seu atual presidente Umar Kremlev. E que as boxeadoras foi excluídas de forma arbitrária antes de decisões de medalha no último mundial, sendo o correto que elas nem competissem se não fossem realmente elegíveis
"Os ataques contra essas duas atletas se baseia inteiramente nessa decisão arbitrária, que foi tomada sem nenhum procedimento adequado – especialmente considerando que esses atletas competem em competições de alto nível há muitos anos" disse o COI, lembrando que as duas boxeadoras estiveram na olimpíada de Tóquio e em outros mundiais de boxe, sem serem interpeladas por sua sexualidade
A argelina Imane Khelif foi o principal alvo do ódio dos transfóbicos, por conta da desistência de sua rival nas oitavas de final após 40 segundos de luta. Ao contrário do que foi espalhado em algumas redes sociais, Imane não é uma atleta transexual, e sim uma mulher que tem uma condição em que sua produção de testosterona acima do normal, assim como a taiwanesa Lin Yu-Ting. Inclusive , a Argélia é um país muito fechado para questões LGBTQIA+, o que corrobora o fato de que ela Khelif fosse trans, provavelmente não estaria competindo na Olimpíada.
Os comentários depreciativos foram feitos no ano passado pelo presidente da IBA, que declarou que "países tem enviado homens para competir contra mulheres nas competições" após as desclassificações das lutadoras, sem acusá-las diretamente. Khelif disputaria a final do mundial nos 66kg e Yu-Ting, o bronze nos 57kg, quando foram desclassificadas do mundial.
veja na íntegra o comunicado do COI:
Toda pessoa tem o direito de praticar esporte sem discriminação. Todos os atletas participantes do torneio de boxe dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 cumprem os regulamentos de elegibilidade e inscrição da competição, bem como todos os regulamentos médicos aplicáveis definidos pela Unidade de Boxe de Paris 2024 (PBU). Assim como nas competições olímpicas anteriores de boxe, o gênero e a idade dos atletas são baseados em seus passaportes.
Essas regras também se aplicaram durante o período de qualificação, incluindo os torneios de boxe dos Jogos Europeus de 2023, Jogos Asiáticos, Jogos Pan-Americanos e Jogos do Pacífico, o torneio qualificatório africano ad hoc de 2023 em Dacar (SEN) e dois torneios qualificatórios mundiais realizados em Busto Arsizio (ITA) e Bangkok (THA) em 2024, que envolveram um total de 1.471 boxeadores diferentes de 172 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs), a Equipe de Refugiados de Boxe e Atletas Neutros Individuais, e contaram com mais de 2.000 lutas de qualificação.
A PBU usou as regras de boxe de Tóquio 2020 como base para desenvolver seus regulamentos para Paris 2024. Isso foi para minimizar o impacto nas preparações dos atletas e garantir a consistência entre os Jogos Olímpicos. Essas regras de Tóquio 2020 foram baseadas nas regras pós-Rio 2016, que estavam em vigor antes da suspensão da Federação Internacional de Boxe pelo COI em 2019 e a subsequente retirada de seu reconhecimento em 2023.
Vimos em reportagens informações enganosas sobre duas atletas competindo nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. As duas atletas competem em competições internacionais de boxe há muitos anos na categoria feminina, incluindo os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o Campeonato Mundial da Associação Internacional de Boxe (IBA) e torneios sancionados pela IBA.
0 Comentários