O
presidente da federação de judô da França, Stéphane Nomis, expressou seu desejo
de ver os judocas russos competindo nos Jogos Olímpicos do ano que vem em
Paris, insistindo que não queria que os atletas fossem os "maiores perdedores".
Um
total de 17 atletas da Rússia estão competindo no Campeonato Mundial na capital
do Catar, Doha, depois que a Federação Internacional de Judô (IJF) permitiu que
eles retornassem sob uma bandeira neutra, desde que passassem por verificações
de antecedentes independentes.
A
decisão da IJF veio depois que o Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou
no final de março que russos e belarrussos deveriam poder competir como atletas
individuais neutros no cenário esportivo global, desde que não apoiassem a
guerra na Ucrânia e não fossem afiliados às forças armadas.
A
decisão sobre sua participação em Paris 2024 ainda não foi tomada, mas a
Ucrânia anunciou que vai boicotar o evento se atletas da Rússia e de Belarus
competirem. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, se opõe ao retorno desses
atletas enquanto a invasão da Ucrânia continuar, enquanto diferentes opiniões
sobre a questão controversa foram expressas por membros do Comitê Organizador
de Paris 2024.
Nomis
afirmou que o COI tomou uma "boa decisão" ao recomendar aos atletas
russos e belarrussos o retorno às competições internacionais e queria vê-los
competir nos Jogos do ano que vem. "Vamos seguir a decisão do COI, e o
mais importante é que uma grande maioria disse sim".
O mandatário
do judô francês reforçou ainda que acha importante que os atletas de todo o
mundo tenham a possibilidade de competir para que não sejam eles os maiores
perdedores. “Eles não decidiram fazer a guerra, então é bom para nós vê-los
[competindo em Doha]. O Judô é uma grande família e nós os queremos [em Paris].
Queremos todos os países no judô em Paris. Isso é muito importante."
A
Ucrânia boicotou o Campeonato Mundial de Judô - que conta para a qualificação
para as Olimpíadas de Paris 2024 - em protesto contra a decisão de readmitir
atletas da Rússia e de Belarus na competição.
Nomis
disse que queria ver atletas ucranianos e russos competindo em Paris 2024 em
uma tentativa de pressionar por negociações de paz entre os políticos dos dois
países. "É uma pena [os atletas ucranianos não estarem no Campeonato
Mundial], mas é uma escolha deles e nós respeitamos isso".
Ele ressaltou
o apoio francês à Ucrânia, visto que a Ministra dos Esportes da França [Amélie
Oudéa-Castéra] deu € 1 milhão de euros ao Ministro dos Esportes da Ucrânia
[Vadym Guttsait] para treinar e preparar os atletas para as Olimpíadas,
inclusive com alguns atletas ucranianos treinando na França.
"Quando
você está em negociações e tem um problema, precisa falar com todas as pessoas,
por isso é muito importante ter essas comunicações entre os esportistas. Preferíamos
ter todos os países nas Olimpíadas. A geopolítica no esporte é muito importante
e você pode fazer política pelo esporte. É mais fácil falar com as pessoas
durante um evento esportivo. Geopolítica e esporte andam juntos há muito tempo.
Quando Pierre de Coubertin criou as Olimpíadas foi para fazer as pazes com
todos os países", concluiu Nomis.
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