Promotores da Noruega formalizaram uma denuncia de corrupção em larga escala ao ex-presidente da União Internacional de Biatlo (IBU), Anders Besseberg, que foi oficialmente acusado de corrupção no período em que liderou o órgão governante mundial, o qual presidiu por 25 anos.
Besseberg, foi acusado pela Comissão de Revisão Externa (ERC) independente da Federação Internacional de favorecer e proteger os interesses russos, "particularmente no contexto antidoping" depois de ter sido subornado por líderes do biatlo no país. Outras alegações incluíam que as federações membros no Congresso da IBU de 2016 foram subornadas para votar a favor do Campeonato Mundial de 2021 realizado em Tyumen, na Rússia.
Økokrim, autoridade nacional da Noruega para investigação e repressão de crimes econômicos e ambientais, vinha investigando o caso há cinco anos. Eles anunciaram hoje que os supostos crimes foram cometidos durante o período de 2009 a 2018, ano em que Besseberg e a secretária-geral da IBU, Nicole Resch, renunciaram após a abertura da investigação criminal.
Na acusação, Besseberg, de 77 anos, é acusado de ter recebido vários relógios caros. Ele também supostamente usou prostitutas pagas por outros, bem como aceitou viagens de caça gratuitas ao exterior. Funcionários do biatlo russo estão entre os que ajudaram a financiar os presentes, de acordo com Økokrim.
Besseberg também é acusado de ter usado um BMW X5 por vários anos, enquanto os custos de aluguel foram supostamente pagos pela agência de marketing Infront. A pena máxima para esse tipo de corrupção é de prisão até 10 anos.
"Økokrim acredita que há evidências de que o réu recebeu subornos continuamente ao longo de um período de 10 anos. A seriedade do caso é enfatizada pela quebra de confiança que isso acarreta à luz de seu cargo como presidente da IBU", disse a promotora e primeira procuradora do estado, Marianne Djupesland.
A investigação exigiu a entrevista de um grande número de pessoas e a obtenção de informações de vários países e fez parte de uma investigação conjunta com a Áustria sob os auspícios da Eurojust, uma agência da União Europeia que lida com a cooperação judiciária em matéria penal , disse Økokrim.
Besseberg negou as acusações e disse nunca aceitou suborno ou tentou influenciar o trabalho antidoping da IBU em benefício de ninguém, afirmou uma declaração de seu advogado, Christian B. Hjort. Ele afirmou ainda que seu cliente não quer comentar as várias acusações em detalhes, mas se explicará ao tribunal quando o caso for necessário.
"Deve-se notar que uma série de acusações feitas contra ele no passado, especialmente o fato de que ele foi acusado de influenciar os esforços antidoping em favor dos russos e aceitar grandes somas de dinheiro, não estão incluídas na acusação. Ele está feliz com isso, porque acredita que adotou uma linha dura em seus esforços antidoping, sejam aos atletas vindos do leste ou do oeste. Ele acredita que esta também pode ser a origem de algumas das acusações contra ele: que ele se tornou impopular em alguns campos", disse o advogado Hjort.
O chefe da Økokrim, Pål K. Lønseth, alertou que o caso sugeria que havia corrupção em larga escala no esporte internacional, principalmente devido ao baixo nível de maturidade no que diz respeito à prevenção da corrupção em um ambiente que se movimentam grandes quantidades de vsalores financeiros.
"No contexto, isso representa um claro risco de corrupção com o qual há todos os motivos para se preocupar. Espero que o esporte internacional de alto nível fortaleça seu trabalho anticorrupção para que as organizações esportivas possam manter sua credibilidade".
A IBU se mostrou aberta a colaborar com o desenvolvimento relativo ao caso Besseberg. "A IBU e a BIU trabalharam em estreita colaboração com os Økokrim neste caso complexo e de longa duração e continuarão a oferecer seu apoio total e incondicional para chegar a uma resolução", disseram eles em um comunicado.
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