Uma planejada Copa do Mundo da Federação Internacional de Esgrima (FIE) em Tauberbischofsheim, na Alemanha, foi cancelada devido à decisão de permitir o retorno de atletas russos e belarrussos. Os delegados da FIE votaram a favor da participação de atletas individuais, equipes e dirigentes da Rússia e de Belarus em eventos da FIE, durante um Congresso Extraordinário na semana passada. Eles estavam banidos desde o início de março do ano passado por causa da guerra na Ucrânia.
No entanto, ainda persistem restrições de viagem foram impostas por vários países europeus às chegadas de russos e belarrussos, incluindo a Alemanha, que optou por impor restrições severas à emissão de vistos para esses cidadãos. Assim, não acontecerá o retorno de atletas da Rússia e de Belarus às competições da FIE, marcado para abril, que seria uma das primeiras Copas do Mundo em que eles poderiam competir.
A presidente da Federação Alemã de Esgrima (DFB), Claudia Bokel, ex-presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse que a decisão do Congresso Extraordinário da FIE "desencadeou discussões acaloradas interna e externamente". O Comitê Executivo concluiu que a Copa do Mundo de Tauberbischofsheim não poderia ocorrer nas condições exigidas pela FIE.
"Como antes, nossa solidariedade é com as pessoas na Ucrânia que estão sofrendo com a guerra de agressão. A Federação Alemã de Esgrima aceita a decisão da última sexta-feira (10) e agora queremos dar um sinal claro de que gostaríamos de um resultado diferente e que ainda vemos um grande número de questões em aberto. Assim, uma decisão posterior sobre a admissão teria sido o único caminho certo. Gostaríamos de dar a oportunidade dos alemães usar a vantagem de jogar em casa a caminho dos Jogos Olímpicos de Paris, mas sentimos que as circunstâncias tornam outra decisão impossível", disse Bokel.
A medalhista de prata da equipe feminina de Atenas 2004, Bokel, inicialmente reagiu à decisão da FIE alegando que a "geopolítica" teve uma influência e alertou que o resultado "pode ser um sinal de maior coordenação nas próximas semanas no mundo dos esportes". No entanto, a Federação da Alemanha não confirmou explicitamente como votou no Congresso Extraordinário e apenas insistiu que a votação foi "secreta" e que Bokel tinha "direito de votar".
Como presidente da Comissão de Atletas do COI de 2012 a 2016, Bokel apoiou os apelos para que a Rússia fosse banida dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro após revelações sobre o programa de doping patrocinado pelo estado do país. O COI acabou decidindo contra uma proibição total, com critérios de elegibilidade para atletas russos definidos por Federações Internacionais.
Bokel afirmou mais tarde que ela foi "intimidada internamente" por sua postura. O presidente da Federação Russa de Esgrima, Ilgar Mammadov, disse que não ficou surpreso com o anúncio e insistiu que outro país poderia intervir. "Este não é o primeiro país, outros vão recusar".
"Claro, eles esperavam tais decisões. Aqueles países que não podem realizar competições em igualdade de condições não irão realizar. Não vou criticar meus colegas, mesmo que a Federação Nacional queira [realizar competições], a política do Governo não nos permite ir ao seu país. Hoje é a Alemanha, amanhã pode ser outro país. Temos relações normais com todos. No Congresso, eu disse, que só queremos competir e vencer de forma justa", disse Mammadov à agência de notícias estatal russa TASS .
O COI, que continua a recomendar a não participação de atletas russos e belarrussos, embora esteja explorando paralelamente a isso um caminho para seu retorno, disse que "tomou nota da decisão da FIE". Bach é supostamente próximo do oligarca russo nascido no Uzbequistão Alisher Usmanov, que liderou a FIE de 2008 até deixar temporariamente o cargo depois de ser sancionado pela União Europeia no ano passado. O oficial grego Emmanuel Katsiadakis é o presidente interino da FIE desde então.
De acordo com os planos da FIE, esgrimistas russos e de Belarus poderão retornar a competir no Grand Prix de Sabre, a ser realizado em Seul, na Coréia do Sul, de 27 a 29 de abril, e nas Copas do Mundo começando com o florete feminino em Poznań, na Polônia, a partir de 21 de abril, o fato é que a Polônia também proibiu a emissão de vistos para os russos.

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