Nova geração de velocistas pernambucanos encontra atletas de Tóquio 2020 no Meeting Paralímpico no Recife


O Meeting Paralímpico de Recife uniu atletas com experiência internacional do Movimento Paralímpico brasileiro, como as velocistas Fernanda Yara e Ana Cláudia Silva, e o saltador Jeosah dos Santos, e jovens estreantes, porém com muito potencial.

O evento foi realizado na terça-feira, 7, na pista e no campo da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), e conta com a participação de 127 competidores do estado e regiões vizinhas.

Os Meetings são uma atualização para a temporada 2021 dos tradicionais Circuitos Paralimpicos, que já eram realizados pelo CPB desde 2005, com competições de atletismo, natação e/ou halterofilismo. O evento chegou ao Nordeste brasileiro com a etapa de Aracaju, em Sergipe, realizada no último sábado, 4.

Após Recife, Natal, no dia 9, e Fortaleza, no dia 12, receberão as últimas etapas do ano. Na capital do Rio Grande Norte, serão realizadas provas de atletismo, natação e halterofilismo. Já no Ceará, ocorrerão disputas de atletismo e natação.

Em Pernambuco, nesta terça-feira, Ana Cláudia, a Lala, da NEFD-UFPE, correu os 100m da classe T42 (para atletas com deficiência nos membros inferiores e que não usam próteses), e marcou 16s50. O tempo é 13 centésimos mais rápido do que ela alcançou nas classificatórias dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em agosto. No Estádio Nacional japonês, ela correu em 16s63 e não avançou à final.

“Eu treino nesta pista todos os dias, ajudo até a capinar o mato na caixa de salto em distância, vim competir na minha bicicleta, de tão próximo que estou de casa. Estou muito feliz de correr aqui, encerrar a temporada com este tempo perante meus amigos, deu tudo certo”, relatou a atleta de 33 anos, que fraturou o fêmur aos seis anos de idade e perdeu parcialmente os movimentos da perna direita.

Na mesma série de Lala, Samira Brito, da Apa Petrolina, fez 15s20. Ela tem paralisia cerebral e compete pela classe T36. Esta marca também é mais rápida do que a que alcançou em Tóquio, nos Jogos Paralímpicos, quando percorreu os 100m no Estádio Nacional em 15s27. Na capital pernambucana, Samira também correu os 200 m em 31s71, o que seria o nono melhor tempo do ano na prova.

Na série dos 100m, anterior à de Lala e Samira, a mais rápida foi Thaís Teixeira de Albuquerque, da Apa Petrolina, que concluiu a distância em 14s78. O tempo dela ainda está quase dois segundos mais lento do que o recorde brasileiro em sua classe (T46), mas esta foi apenas a primeira participação de Thaís em competições paralímpicas, após ter jogado handebol com pessoas sem deficiência em Petrolina. No Meeting de Recife, Thaís ainda competiu no salto em distância e atingiu a marca de 4,18 m.

“Eu sempre escondi minha deficiência, não sabia nem que era possível participar de alguma competição paralímpica. Mas o pessoal da minha equipe me mostrou vídeos e vi que eu não era única, havia outras pessoas com lesões idênticas à minha correndo. Fiquei muito feliz, espero que esta seja a primeira vez de muitas no esporte paralímpico”, contou a atleta de 21 anos, que sofreu uma lesão na clavícula durante o parto e perdeu parcialmente os movimentos do braço esquerdo.

Atletas da classe T46 costumeiramente perfilam ao lado daqueles das classes T45 e T47, para lesionados e amputados de membro superior abaixo do cotovelo. No feminino, no Brasil, duas atletas se destacam internacionalmente.

A potiguar Maria Clara Silva, de 17 anos, tem o 21º tempo do mundo no ano (13s25) e a mais rápida do país em 2021 é Fernanda Yara (13s03). Yara, que representa a AAPPD, de Pernambuco, competiu no Meeting Loterias Caixa em Recife nos 200 m e 400m. Ela percorreu os percursos em 28s48 e 1min03s35, respectivamente.

Nos 100m entre os homens na capital pernambucana, Wanderson Oliveira (Andef-RJ), que até 2016 era um dos craques da Seleção Brasileira de futebol de sete (para paralisados cerebrais), fechou a prova em 11s98, apenas noventa centésimos do recorde brasileiro da sua classe (T38), do acreano Edson Cavalcante (11s08). Nos 200m, Wanderson completou o percurso em 24s74.

Na classe T64, para amputados de perna abaixo do joelho que utilizam prótese, João Vitor Reis, 22, fez o melhor tempo da vida, com 12s21. “Foi minha terceira competição do ano e meu tempo evoluiu demais, acho que estou no caminho certo”, explicou o pernambucano que amputou a perna direita após um osteosarcoma em 2015, e hoje representa a NEFD-UFPE.

Ele começou no esporte paralímpico no Circuito Loterias Caixa regional Norte-Nordeste, em março de 2020, a última competição antes do início da pandemia. Retornou nas Paralimpíadas Universitárias, em setembro deste ano, no Centro de Treinamento Paralímpico, quando correu os 100m em 12s55. Uma semana atrás, disputou as Paralimpíadas do Recife e fez 12s87.

No Meeting de Recife, um recorde nacional foi batido: Romildo Santos, da AAPPD-PE, atingiu a marca de 6,32 m no salto em distância pela classe T44 (para atletas com deficiência nos membros inferiores e que não utilizam prótese). Ele superou André Luís de Oliveira, que saltou 6,28 m, em Fortaleza, no ano de 2010.

Foto: Mauricio Ferry/CPB

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