Guia Tóquio 2020: Futebol - Surto Olímpico

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Como funciona o futebol em Olimpíadas

FICHA TÉCNICA
Locais de disputa: Kashima Stadium, Miyagi Stadium, Saitama Stadium 2002, Sapporo Dome, Tokyo Stadium, Internacional Yokohama Stadium
Período: 21/07 a 07/08
Número de delegações participantes: 24 (16 equipes no masculino e 12 no feminino)
Total de atletas: 616, sendo 112 reservas (18 titulares por equipe + 4 reservas)
Brasil: Está presente no masculino e no feminino

HISTÓRICO
Considerado o esporte mais popular do planeta e um dos mais antigos, o futebol está presente nos Jogos Olímpicos desde a Olimpíada de Paris, em 1900, mas somente como um torneio de exibição, onde os países eram representados por equipes. Oito anos depois, o futebol entrou de maneira oficial como parte do maior torneio esportivo do mundo.

Somente a Grã-Bretanha e a Hungria têm três medalhas de ouro no futebol masculino. A ilha venceu em 1900, 1908 e 1912, quando os ingleses já haviam iniciado o processo de profissionalização ainda no final do século XIX. Os húngaros venceram em 1952, 1964 e 1968, tendo gerações lideradas por Puskás, Bene e Dunai, respectivamente. Por pouco não veio o tetra em 1972 com a prata em Munique.

Porém, nesses 121 anos nenhum país teve mais medalhas que o Brasil no futebol masculino. Embora a de ouro só veio jogando em casa no Rio de Janeiro em 2016, a seleção brasileira tem três de prata conquistadas em 1984, 1988 e 2012, além de duas de bronze em 1996 e 2008, totalizando seis medalhas e sendo seguida pela Hungria, União Soviética e Iugoslávia com cinco cada.

Campeões olímpicos Rio 2016. Foto: Ministério do Esporte
As mulheres, por sua vez só tiveram a entrada no esporte nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Nas seis edições do torneio já realizadas, os Estados Unidos conquistaram o ouro em quatro delas, sendo uma na estreia da competição e um tri olímpico consecutivo, indo de Atenas-2004 a Londres-2012.

Além das americanas, a Noruega conquistou a medalha dourada em Sydney-2000 e a Alemanha subiu no degrau mais alto do pódio no Rio-2016. Outros países quase conseguiram a vitória e ficaram com a prata, como a China em 1996, o Japão em 2012 e a Suécia em 2016.

BRASIL
A seleção brasileira masculina sempre deu muito azar no futebol olímpico. Na sua primeira participação em 1952, parou na Alemanha nas quartas de final, perdendo por 4 a 2, onde vencia por 2 a 0 até os 30 minutos do segundo tempo, quando tomou o empate aos 45 minutos e perdeu na prorrogação.

Nas décadas de 1960 e 1970, a seleção fez campanhas medíocres. Nos Jogos de Roma, ficou em segundo lugar na fase de grupos – na época apenas um se classificava. Já em Tóquio-1964 ficou na terceira colocação de seu grupo. Na Cidade do México-1968 e em Munique-1972, o Brasil não venceu um jogo sequer acumulando vexames ao empatar com Japão e Nigéria na capital mexicana e perder para o Irã por 1 a 0 na Alemanha.

Com uma geração de atletas melhor do que nas décadas anteriores, parecia que o ouro iria chegar, mas novamente deu azar. Em Los Angeles-1984 e em Seul-1988, o Brasil conquistou suas primeiras medalhas de prata ao perder para a França - que viria a ser carrasca dois anos depois na Copa do Mundo – por 2 a 0 e ver na capital sul-coreana a União Soviética conquistar o ouro por 2 a 1, ao virar o jogo na prorrogação com gol de Savichev.

Nos Jogos de Atlanta em 1996, a seleção brasileira era favorita ao ouro. Com um time cheio de craques, alguns jogadores que participaram do tetra como Bebeto e Aldair, além de atletas que participariam do penta como Dida, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo - este que também esteve no título de 1994 -, o Brasil decepcionou ao perder para a Nigéria por 4 a 3, sofrendo o gol de ouro de Kanu, após ter aberto 3 a 1 no primeiro tempo. Mesmo após golear Portugal por 5 a 0 e conquistar o bronze, o sentimento era de decepção.

Foto: CBF
Em Sydney, repetição de quatro anos antes. Derrota para Camarões e no gol de ouro nas quartas de final. Em Pequim-2008, a medalha de bronze ficou marcada pela goleada dos rivais argentinos por 3 a 0 na semifinal. Em Londres-2012, parecia que o ouro chegaria. Campanha sólida, chegando na final vencendo todas as partidas por três gols. No entanto, a seleção foi surpreendida por Oribe Peralta e companhia ao perder para o México por 2 a 1 e amargar a medalha de prata.

Na Rio-2016, o Brasil teria o apoio da sua torcida. Porém, bastou dois empates por 0 a 0 contra África do Sul e Iraque para as vaias dos torcedores aparecem. A resposta veio na goleada contra a Dinamarca por 4 a 0, na vitória por 2 a 0 contra a Colômbia e os acachapantes 6 a 0 em Honduras.

Com sentimento de revanche pelo 7 a 1 sofrido na Copa do Mundo pela Alemanha, a seleção brasileira encararia os alemães na busca do ouro. Após o 1 a 1 permanecer no tempo normal e na prorrogação, a partida foi para os pênaltis. Weverton defendeu a cobrança de Petersen e coube a Neymar converter a cobrança para os 63.707 pagantes no Maracanã explodirem em comemoração com a vitória e a primeira de ouro do futebol masculino na história do país.

A equipe feminina participou de todas as seis edições da curta história do futebol olímpico. A seleção ainda não conseguiu a medalha de ouro, embora tenha chegado perto, com duas pratas. O início da trajetória foi marcado por dois quartos lugares doloridos em sequência. Em 1996, derrota para a China por 3 a 2 de virada e na semifinal. Quatro anos depois, os Estados Unidos foram para a final ao vencerem por 1 a 0.

Em Atenas e Pequim, apesar das medalhas de prata, a forma da conquista de ambas ainda traz um gosto amargo até hoje. Como se fosse um filme repetido, duas derrotas para as americanas na prorrogação. Em 2004, Wamback fez o segundo gol aos sete minutos do segundo tempo para fazer o 2 a 1. Na China, depois de um 0 a 0, Lloyd marcou ainda no primeiro tempo, dando o terceiro ouro seguido.

Nos Jogos de Londres, a seleção brasileira caiu para as japonesas ainda nas quartas de final por 2 a 0. Com o apoio da torcida, teve drama na vitória contra a Austrália nos pênaltis por 7 a 6, após um 0 a 0 que perdurou os 120 minutos. O jogo seguinte acabou sendo o mesmo cenário, mas dessa vez quem se deu bem foi a Suécia. Na disputa pelo bronze, o Brasil ficou em quarto lugar ao perder para a seleção canadense por 2 a 1.

Futebol em Tóquio 2020 GRUPOS


FORMATO DE DISPUTA
Os 16 países classificados do masculino estão divididos em quatro grupos de A a D com quatro seleções cada. Os dois primeiros de cada grupo se classificam às quartas de final. Caso houver empate no número de pontos, passa quem tiver mais saldo de gols. Se persistir, classifica quem obteve maior pontuação na partida entre as equipes em questão.

Já o torneio feminino possui 12 equipes, que estão divididas em três grupos (E, F e G) com quatro seleções cada. Os dois primeiros de cada chave, mais os dois melhores terceiros colocados no geral avançam às quartas de final. Assim como no masculino, caso houver empate no número de pontos, passa quem tiver mais saldo de gols.

A fase eliminatória começa nas quartas de final em jogo único. Em caso de empate, a partida vai para uma prorrogação de 30 minutos divididos em dois tempos de 15 minutos. Se o placar se mantiver inalterado, a partida irá para as penalidades. Quem chegar a semifinal e perder o jogo, disputa a medalha de bronze.



ANÁLISE

FEMININO
Datas: 21/07, 24/07, 27/07, 30/07, 02/08, 05/08 e 06/08
Final: 06/08
Países Participantes: Japão, Brasil, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia, Canadá, Estados Unidos, Zâmbia, Austrália, China e Chile.

Favoritos ao ouro: Estados Unidos (USA)
Candidatas ao pódio: Países Baixos (NED), Grã-Bretanha (GBR) e Suécia (SWE)
Podem surpreender: Brasil (BRA), Japão (JPN) e Canadá (CAN)
Brasil: Está no grupo F, ao lado de Países Baixos, China e Zâmbia.

Futebol feminino Tóquio 2020

Esta é uma das poucas vezes em que o alto nível de disputa do futebol feminino deixa um ar de mistério sobre a medalha de ouro. As mulheres mostraram ao mundo no Mundial de 2019 que o jogo evoluiu e para os Jogos Olímpicos, a disputa promete se ainda mais acirrada.

Como é de praxe, os Estados Unidos é um dos favoritos. Atual campeã da Copa do Mundo, irá atrás de sua quinta medalha dourada e tem futebol para isso. A equipe do treinador Vlatko Andonovski é um time experiente, com um coletivo muito forte e promete mostrar isso. Além disso, há muitos talentos como Megan Rapinoe, Alex Morgan, Carli Lloyd, entre outras.

Megan Rapinoe. Foto: Bernadett Szabo/Reuters
A treinadora dos Países Baixos, Sarina Wiegman, manteve a mesma base que foi vice-campeã mundial e isso torna a Orange Lionesses favoritas. O elenco ainda é jovem e com experiência internacional e pela seleção, tendo como destaque a atacante Lieke Martens – destaque do Barcelona na conquista da Champions League, além de estar no auge da carreira -, sua parceira de ataque Vivianne Miedema e a meio-campista Sherida Spitse.

Lideradas pela capitã Caroline Seger, a Suécia é outra força europeia a ser candidata ao ouro olímpico. A meio-campista está indo para sua quarta Olimpíada e se tornou a atleta com mais jogos disputados por seleção no continente. Dessa vez, quer mais do que a prata. Para isso conta com a ajuda da dupla de zaga do Chelsea, Magdalena Eriksson e Johanna Andersson, e das atacantes do Real Madrid, Kosovare Asllane e Sofia Jakobsson.

Apesar de algumas dúvidas por parte da torcida, a Grã-Bretanha também pode ser considerada favorita ao pódio. Das 22 convocadas, apenas duas atletas não jogam no futebol inglês. Outro ponto que ajuda é o fato entrosamento. São cinco jogadoras do Chelsea e dez do Manchester City, campeão e vice da Premier League feminina, respectivamente. A seleção conta com o talento de Lucy Bronze, Ellen White, Jill Scott, entre outras.

Seleção Brasileira. Foto: CBF
Mesmo com algumas seleções tendo amplo favoritismo, não podemos deixar de lado uma seleção que tem Marta convocada. O Brasil de Pia Sundhage chega com uma campanha impecável no pré-olímpico, com sete vitórias, melhor ataque (31 gols) e melhor defesa (2 gols). Há ótimos nomes em todos os setores do campo, mas a treinadora sueca preferiu deixar de fora a artilheira Cristiane. Por outro lado, Bia Zaneratto pode ser o nome do ataque brasileiro.

Não é apenas no masculino. O Japão também pode surpreender. Mesmo tendo um time relativamente jovem, Saki Kumagai é o coração e o termômetro do Nadeshiko. A defensora do Bayern de Munique esteve no vice mundial de 2011 e é quem lidera o time. Do meio para frente, a experiência de Sugasawa, Nakajima e Iwabuchi podem ajudar com gols e assistências.

Outra seleção que pode acabar surpreendendo é o Canadá. A treinadora Bev Priestman convocou um time que sabe o que é jogar uma Olimpíada e tem em seu principal nome a artilheira Christine Sinclair, que tem 299 jogos e 186 gols – mais que qualquer um no masculino e feminino. Além disso, conta com as veteranas Sophie Schmidt e Desiree Scott no meio campo.

MASCULINO
Datas: 22/07, 25/07, 28/07, 31/07, 03/08, 06/08 e 07/08
Final: 07/08
Países Participantes: Japão, Brasil, Argentina, França, Alemanha, Romênia, Espanha, Nova Zelândia, Egito, Costa do Marfim, África do Sul, Austrália, Arábia Saudita, Coréia do Sul, Honduras e México.

Favoritos ao ouro: Brasil (BRA), França (FRA) e Espanha (ESP)
Candidatos ao pódio: Argentina (ARG), Japão (JPN), México (MEX), Coréia do Sul (KOR)
Podem surpreender: -
Brasil: Está no grupo D, ao lado de Alemanha, Arábia Saudita e Costa do Marfim.

O futebol masculino em Tóquio-2020 promete. Das 16 seleções classificadas, ao menos sete delas tem chance de chegar ao pódio. O Brasil é um dos favoritas e buscará o bi olímpico. O elenco convocado por André Jardine é bem equilibrado e conta com jogadores de destaque em seus clubes. A surpresa fica por conta da convocação do veterano Daniel Alves e Richarlison, que foi um dos destaques do vice-campeonato da Copa América com a seleção principal, encerrada há algumas semanas.

Richarlison. Foto: Divulgação/Everton FC

Outras seleções com favoritismo são as europeias. Mesmo não podendo contar com Mbappé, a França conta com André-Pierre Gignac e Florian Thauvin, dois atletas experientes e com bagagem de seleção principal, com Gignac estando na Eurocopa de 2016, enquanto Thauvin esteve no elenco campeão mundial de 2018. Como se não bastasse, contam com promessas como Camavinga, Caqueret, Tousart, Kalulu, entre outros.

A geração espanhola promete demais para Tóquio. Com alguns nomes que chegaram até a semifinal da Eurocopa como Unai Simón, Pau Torres, Oyarzabal, Pedri, Olmo e Eric García, “La Furia” também conta com jogadores consolidados em clubes europeus, como Marco Asensio e Dani Ceballos, de Real Madrid e Arsenal, respectivamente. É a grande favorita para conquista do ouro.

No entanto, o futebol nunca é uma ciência exata. E sempre tem alguém para desbancar o favorito e ganhar o rótulo de “zebra”. O Japão pode surpreender. O treinador dos samurais Hajime Moriyasu acredita tanto que acha possível o ouro, e a federação japonesa convocou a seleção mais forte possível, contando com atletas como Takehiro Tomiyasu, Yuta Nakayama, Ko Itakura, Ritsu Doan e Takefusa Kubo. Podem surpreender e alcançar a melhor colocação em Jogos Olímpicos, um bronze na Cidade do México em 1968.

Se inspirando em 2002 quando alcançou a quarta colocação, a Coreia do Sul busca surpreender o mundo novamente, mas a tarefa é difícil. A seleção sul-coreana se apoia no talento de Song Min-kyu, que é o astro desse time e é considerado o ''Son Heung-min 2.0”. O coletivo é o diferencial, mas a defesa é o ponto fraco do time. Pode surpreender, mas a chance de chegar ao pódio é pequena.

Já o México fez um grande pré-olímpico. Apesar do nível técnico na Concacaf estar aquém de um desafio à altura, a seleção mexicana tem um time extremamente veloz e competitivo, além de um coletivo forte. O elenco convocado é a mesma base que jogou o torneio qualificatório em março.

Chegando como a campeã sul-americana, a Argentina tem um elenco inferior a outras seleções que participarão do torneio e também não é o mais forte que os argentinos já convocaram, mas tem alguns nomes interessantes como Mac Allister, Adolfo Gaich, Ezequiel Barco e Carlos Valenzuela. No momento, a medalha é improvável, mas com talentos individuais, pode surpreender.

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