Guia Tóquio 2020: Basquete - Surto Olímpico

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Como funciona o basquete na Olimpíada

FICHA TÉCNICA
Local: Saitama Super Arena
Período: de 24/07 a 08/08
Número de delegações participantes: 24 seleções de 18 países (12 por naipe)
Total de atletas: 288 (12 por equipe)
Brasil: não se classificou em ambos os naipes

HISTÓRICO
Esporte coletivo criado em 1891 pelo professor de educação física canadense James Naismith, o basquete teve sucesso imediato e rapidamente conseguiu ser esporte de demonstração na Olimpíada de 1904, em Saint Louis (USA). Mas ele só veio a figurar oficialmente no programa olímpico na edição de Berlim, em 1936. 

A estreia do basquete foi inusitada, já que o torneio olímpico foi disputado em quadras de tênis ao ar livre. Ao menos, o Dr. Naismith foi o responsável por entregar as medalhas para os três primeiros colocados do esporte que criou. 

Já para os Jogos de Londres em 1948, a competição foi enfim disputada em um ginásio fechado com piso apropriado pela primeira vez, o que se seguiu em todas as edições desde então. Foi somente na edição de Montreal, em 1976, que as mulheres estrearam na modalidade, 40 anos depois dos homens.

No bola-ao-cesto, não tem para ninguém: Os Estados Unidos são os maiores vencedores dos torneios olímpicos de basquete tanto no masculino quanto no feminino: Entre os homens, foram 15 ouros em 19 edições. Apenas a União Soviética (Munique 1972 - vencida em cima dos estadunidenses, em uma final que rende polêmicas até hoje - e Seul 1988), Iugoslávia (Moscou 1980, Olimpíada sem participação dos Estados Unidos) e Argentina (Atenas 2004) conseguiram furar o domínio dos Estados Unidos no lugar mais alto do pódio na modalidade.
Basquete feminino EUA Atlanta 1996
O basquete feminino dos Estados Unidos começou uma hegemonia em Atlanta 96 que dura até hoje (e não parece que vai acabar agora...) (Foto: USAB/Divulgação) 
Entre as mulheres, a hegemonia estadunidense também é imensa, com 8 ouros em 11 torneios disputados (seis deles de forma consecutiva entre 1996 a 2016). Apenas a União Soviética (em Montreal 1976 e Moscou 1980) e a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), da Antiga União Soviética (Barcelona 1992), conseguiram roubar o ouro olímpico da mão das norte-americanas.

BRASIL
O Brasil esteve presente na estreia do basquete no masculino em 1936 e disputou 15 de 19 edições, ficando de fora apenas nas edições de 1976, 2000, 2004, 2008 e agora, em 2021. Já no feminino, o Brasil só conseguiu estrear na edição de 1992, mas disputou sete edições consecutivas até os Jogos do Rio em 2016. A equipe ficou de fora de Tóquio-2020. 

A Olimpíada em solo japonês, aliás, será a primeira em 45 anos em que o Brasil não estará em nenhum torneio olímpico do basquete.

Basquete Brasil Olimpíadas
Magic Paula e Hortência comandaram a fase de ouro do basquete feminino brasileiro nos anos 90 (Foto: LBF/Divulgação)
Na modalidade, o país tem uma bela história, com cinco medalhas: uma de prata, com a seleção feminina em Atlanta 1996, e quatro de bronze (1948, 1960 e 1964 com a seleção masculina e em 2000 com a seleção feminina).


FORMATO DE DISPUTA
Para diminuir a quantidade de jogos, a Federação Internacional de Basquete (FIBA) decidiu mudar a configuração dos grupos do torneio olímpico. Antes eram dois grupos de seis seleções, em que as quatro melhores de cada chave avançavam às quartas de final.

Em Tóquio serão três grupos de quatro seleções cada: avançam para as quartas de final os dois melhores de cada grupo, mais os dois melhores terceiros colocados. O sistema eliminatório continua o mesmo, com quartas de final, semifinais e finais. Agora uma seleção só precisa de seis jogos para ser campeã olímpica, ao invés dos oito como era anteriormente.

ANÁLISES

MASCULINO
Datas: 24/07 a 07/07
Final: 06/07 às 23h30

Favoritos ao ouro: Estados Unidos (USA), Espanha (ESP) e Argentina (ARG)
Candidatos à medalha: Austrália (AUS), França (FRA) e Eslovênia (SLO)
Podem surpreender: -
Brasil: Não se classificou

Entre os homens, veremos um torneio olímpico recheado de seleções emergentes, muito graças aos pré-olímpicos mundiais, em que equipes tradicionais como Grécia, Brasil, Sérvia e Lituânia caíram para República Tcheca, Alemanha, Eslovênia e Itália, respectivamente. Sete países já haviam conquistado vaga pelo Copa do Mundo de 2019 - Espanha, França, Argentina, Estados Unidos, Irã, Nigéria e Austrália – e o Japão já estava classificado como país-sede.
Estados Unidos basquete Tóquio 2020
Kevin Durant quer o tri olímpico, mas conseguir tal feito parece que vai ser mais difícil do que ele espera... (Foto: USAB)
Estados Unidos, apesar de baixas de LeBron James, James Harden e Stephen Curry, leva uma boa seleção para a Olimpíada. Comandados pelo lendário técnico do San Antonio Spurs, Greg Poppovich, os EUA terão como principais destaques Kevin Durant, que vai em busca do tri olímpico pessoal e do tetra consecutivo da seleção estadunidense, e Devin Booker, atual super astro do Phoenix Suns que confirmou presença nos Jogos Olímpicos mesmo em meio às finais da NBA, que ainda estão acontecendo até o fechamento deste guia. Eles vão se esforçar para evitar que a queda precoce do Mundial de 2019, quando os Estados Unidos caíram nas quartas de final, se repita em Tóquio. Pelos últimos resultados em amistosos pelos os desfalques de última hora de Kevin Love (lesionado) e de Bradley Beal (com covid-19), a tarefa será difícil.

A Eslovênia fará sua estreia no basquete em Olimpíadas
Luka Doncic já levou a Eslovênia para a olimpíada e agora quer levá-la para o pódio (Foto: FIBA/Divulgação)
Seleções não tão dependentes de ausências de jogadores da NBA, como Espanha e Argentina, podem surpreender - como já fizeram no último Mundial, quando fizeram a final, tendo como âncoras de suas equipes os míticos alas-pivôs quarentões Pau Gasol (ESP) e Luis Scola (ARG). Assim como a França, Austrália e Eslovênia, que com o reforço de alguns jogadores da NBA para sua espinha dorsal também lutam para pelo menos pintar no pódio olímpico. No caso esloveno, cabe destacar que a presença do craque Luka Doncic será fundamental. 

FEMININO
Datas: 25/07 a 07/07
Final: 07/07 às 23h30

Favoritos ao ouro: Estados Unidos (USA)
Candidatos à medalha: Austrália (AUS), Sérvia (SRB), França (FRA) e Canadá (CAN)
Podem surpreender: Bélgica (BEL) e Espanha (ESP)
Brasil: Não se classificou

Ainda que doze seleções estejam disputando o ouro olímpico no torneio feminino, essa medalha parece já ter um dono definido e a verdadeira competição deverá ser pela prata. Os Estados Unidos mais uma vez mandam uma equipe fortíssima para a Olimpíada, como nomes como Breanna Stewart e A’ja Wilson, que estão assumindo o protagonismo da seleção, antes pertencente à fortíssima geração das geniais Diana Taurasi Sue Bird (elas também estarão em Tóquio, em busca de seus quintos títulos olímpicos). Por estar em um patamar muito acima das demais, as estadunidenses devem conquistar o sétimo ouro seguido – essa dá para cravar sem muitos sustos (não nos decepcione Dream Team Woman!).

Austrália basquete Tóquio 2020
A Austrália é a melhor seleção do resto do mundo na teoria e deverá fazer a final olímpica contra os Estados Unidos no basquete feminino (Foto: Twitter Liz Cambadge)
Austrália, na teoria, é a melhor seleção do resto do mundo e deve brigar para ver quem vai pra final olímpica, ficar com a prata ou fazer o jogo da vida para abocanhar um ouro que desde Atlanta 1996 não sai do pescoço dos Estados Unidos na modalidade. Mas a equipe oceânica seria ainda mais forte se pudesse contar com a ajuda da sua super pivô Liz Cambadge, que pediu dispensa para preservar sua saúde mental conta de problemas de ansiedade. Ainda assim, as Opals ainda tem uma equipe muito forte.

Com ótimos conjuntos, Canadá, Sérvia e França – as duas últimas seleções fizeram a final do último Eurobasket Women realizado em junho - são outras seleções que devem brigar para estar na final olímpica, por conta de sua força da coletividade e de seus bons valores. Entra na briga, correndo por fora, a emergente Bélgica, da excepcional Emma Meesseman.

Já quem era favorita ao pódio até pouco tempo atrás e virou incógnita foi a Espanha, que após a péssima participação na última Eurobasket Women - que fez a Espanha ficar de fora do mundial de 2022 - deixou a pulga atrás da orelha na cabeça dos torcedores espanhóis sobre as reais condições da seleção espanhola em Tóquio, mesmo com craques como a pivô Astou Ndour e Laia Palau.
Basquete feminino Olimpíada Tóquio 2020
A Espanha decepcionou no Eurobasket, perdeu a vaga para o mundial e agora precisa dar uma resposta em Tóquio (Foto: FIBA/Divulgação)

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