Guia Tóquio 2020: Basquete 3x3 - Surto Olímpico

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Guia Tóquio 2020 - Basquete 3x3

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Parque de Esportes Urbano Aomi (local temporário à beira-mar)
Período: 23 a 28 de julho
Número de delegações participantes: 13
Total de atletas: 64 (4 por equipe)
Brasil: Não se classificou


HISTÓRICO
O basquete 3x3 é o basquete de rua em sua mais pura essência. A prática do basquete em meia quadra se iniciou pelos Estados Unidos, mas logo se espalhou pelo resto do mundo. Não é difícil achar grupos jogando em quadras de basquete em meio a grandes centros urbanos no mundo.

Hoje, o 3x3 é considerado a modalidade urbana número 1 do mundo, com milhões de praticantes pelo planeta. O jogo dinâmico ajuda a empolgar jogadores, público e espectadores que veem de casa. A cultura urbana do basquete ainda se mistura com música, principalmente o hip hop. A facilidade em formar torneios de 3x3 também favorece a realização de eventos em lugares magníficos, como em  pontos turísticos e históricos de uma cidade.

Etapa das Américas da FIBA World Tour no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/FIBA)
O conceito de campeonato foi desenvolvido pela primeira vez em 2007, onde a Federação Internacional de Basquete (FIBA) testou uma competição de basquete 3x3 nos Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, disputado em Macau. No ano seguinte a FIBA seguiu testando, em eventos na República Dominicana e na Indonésia.

O pré-teste terminou com boa aceitação, a FIBA então evoluiu os testes para os Jogos Asiáticos da Juventude, em 2009, e para a Olimpíada da Juventude, em 2010. O retorno foi extremamente positivo e a decisão estava tomada, a Federação Internacional iria promover o primeiro Campeonato Mundial de basquete 3x3. Em 2012 aconteceu o primeiro Mundial em Atenas, na Grécia. A Sérvia foi a primeira campeã do mundo no 3x3.

Já em 2012, foi a vez da FIBA lançar o FIBA 3x3 World Tour, o Circuito Mundial do 3x3. Por fim, em 9 de junho de 2017, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que a modalidade era a nova incluída no programa olímpico de Tóquio 2020, marcando o que tem tudo para ser uma grande história da modalidade em Olimpíadas.


BRASIL
Apesar de ser um país onde a cultura do basquete de rua é extremamente forte, o Brasil não tem tanta tradição a nível mundial. O melhor resultado da seleção brasileira foi uma medalha de prata conquistada nos Jogos Mundiais de Praia, realizado em Doha, no Catar, em 2019.

Lá, o time sub-23 do masculino perdeu para a Rússia na final por apertados 21-19. O time feminino também fez bonito, terminando na 4ª colocação, mas vencendo as norte-americanas, que tinha atleta da WNBA.

Outro grande resultado da seleção brasileira foi no Mundial sub-18, em 2016. Sob comando do carioca Fabrício Veríssimo, o Brasil foi vice-campeão mundial, perdendo para o Catar na final. Fabrício foi MVP da competição e hoje é destaque da seleção adulta.

As meninas possuem o melhor resultado brasileiro no Mundial 3x3. Em 2014 elas venceram dois dos cinco jogos disputados na fase de grupos, avançando para as oitavas com a última vaga. Lá, acabaram derrotadas pelas belgas por 17 a 8. A seleção masculina nem passou da fase de grupos, com apenas uma vitória.

Fabrício Veríssimo em partida do Brasil contra a Turquia no Pré-Olímpico
Fabrício Veríssimo é um destaque em ascensão com a seleção brasileira (Foto: Divulgação/FIBA)
Antes a seleção masculina e feminina haviam estado no Mundial de 2012, mas perderam todos os jogos. Em 2016 e 2017 não tivemos seleção em nenhum naipe, mas em 2018 e 2019 a equipe masculina ficou na antepenúltima colocação entre 20 times.

Ainda em 2019, ambas seleções disputaram os Jogos Pan-Americanos de Lima, mas ficaram com a 4ª colocação. Jefferson Socas, um dos destaques do time, foi o único que falou com a imprensa após a derrota para a República Dominicana na disputa do bronze.

Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia, ele disse a seguinte frase: “Essa medalha ajudaria bastante. É muito difícil fazer 3×3 no Brasil, são poucos os times que conseguem. A maioria tira do bolso. Temos que trabalhar, ajudar em casa, se virar com dois empregos e treinar à noite. Temos muito menos tempo de treino do que a Seleção de 5×5. Nos encontramos três ou quatro dias antes de cada competição. Isso dificulta muito. O basquete 3×3 é um esporte de conjunto, sinergia, entrosamento. É complicado. A gente perdeu por detalhes. Se tivermos mais investimento, visibilidade e apoio, mostramos que batemos de frente com todo mundo e que falta pouco para brigarmos nas cabeças”.

Mas e Olimpíadas? Bom, o Brasil esteve muito próximo de disputar o basquete 3x3 em Tóquio no torneio masculino, mesmo com o desfalque de Murilo Becker - cortado por lesão. O Brasil teve três vitórias - o maior número de triunfos do Brasil em uma competição desse nível no adulto - mas acabou derrotado nas quartas-de-final do Pré-Olímpico para o time da França por 21 a 19, terminando com o sonho olímpico para Tóquio. No feminino, as meninas já não tinham chances de classificação.


FORMATO DE DISPUTA
O formato de disputa do 3x3 é bem simples. Oito (8) seleções de cada naipe se classificaram para os Jogos Olímpicos, todos estando em um mesmo grupo. Em uma única quadra principal, homens e mulheres realizam o mesmo evento em conjunto.

O formato faz todo mundo se enfrentar, com cada seleção possuindo sete (7) partidas na fase inicial, duas (2) no primeiro dia, duas (2) no segundo dia, duas (2) no terceiro dia e a partida final no dia 4 da competição.

As equipes que ficarem em 7º e 8º estão eliminadas, com os dois (2) primeiros colocados avançando direto para a semifinal. Os classificados de 3º a 6º (o 3º enfrenta o 6º e o 4º duela contra o 5º) se enfrentam em duas partidas de quartas-de-final a serem realizadas após as últimas partidas da fase de grupos no dia 4 do torneio olímpico. O 5º dia de basquete 3x3 terá as semifinais e disputas de medalhas.

Curiosidades Basquete 3x3


ANÁLISES

BASQUETE 3X3 MASCULINO
Jogos da fase de grupo: 23/07, 24/07, 25/07, 26/07 e 27/07
Quartas-de-final: 27/07
Finais: 28/07, às 10h55
Equipes: 8

Favorito ao ouro: Sérvia (SRB)
Candidatos ao pódio: Letônia (LAT) e Países Baixos (NED
Podem surpreender: Polônia (POL) e Comitê Olímpico Russo (ROC)
Brasil: Não tem

A Sérvia é a favorita ao ouro nos Jogos de Tóquio. A seleção venceu a Copa do Mundo em 2016, 2017, 2018 e só perdeu em 2019, quando terminou em 4º. No Campeonato Europeu o time também é dominante, com uma prata em 2016, e o bicampeonato europeu em 2018 e 2019.

Além disso, a Sérvia possui 4 dos 5 melhores jogadores do mundo na modalidade segundo o ranking individual da FIBA: Aleksandar Ratkov (2º), Mihailo Vasic (3º), Stefan Kojic (4º) e Dusan Bulut (5º). Tudo isso, somado à liderança do ranking mundial, coloca os sérvios no topo do pódio.

Letônia vem logo atrás na briga pela medalha Os letões são número 4 do mundo, mas possuem o jogador melhor ranqueado pela FIBA Nauris Miezis. Ele ajudou demais na campanha dos letões que saiu com a prata na Copa do Mundo de Amsterdã, em 2019. Os letões também foram campeões do Europeu em 2017.

Dusan Bulut em ação pela Sérvia contra o Estados Unidos
Dusan Bulut é considerado melhor jogador do mundo no 3x3 (Foto: Divulgação/FIBA)
O maior desfalque da competição será a ausência dos norte-americanos, os atuais campeões do mundo com a vitória diante da Letônia em 2019. Antes disso, o EUA haviam sido prata na Copa do Mundo de 2016 e tem o basquete como um dos esportes mais tradicionais. O time é o número 2 do mundo no ranking mundial e possui Dominique Jones como seu principal atleta. Entretanto, apesar disso tudo, está de fora da competição no masculino.

Outra ausência sentida será da Eslovênia, equipe que já foi medalhista duas vezes em Copa do Mundo e três vezes em Europeu, incluindo o ouro em 2017.

Sem EUA e Eslovênia, caberá aos Países Baixos a medalha de bronze. Eles subiram ao pódio nos Mundiais de 2017 e 2018 e chegam com grandes chances de pódio em Tóquio. Corre por fora a Polônia, bronze na Copa do Mundo de 2019.


BASQUETE 3X3 FEMININO
Jogos da fase de grupo: 23/07, 24/07, 25/07, 26/07 e 27/07.
Quartas-de-final: 27/07
Finais: 28/07, às 09h55
Equipes: 8

Favorito ao ouro: França (FRA)
Candidatos a medalha: China (CHN), Itália (ITA) e Comitê Olímpico Russo (ROC)
Podem surpreender: Mongólia (MGL), Estados Unidos (USA) e Romênia (ROU)
Brasil: Sem representante

Na competição para mulheres é a França o grande time a ser batido. O curioso é que diferentemente do masculino, onde a Sérvia domina com os títulos internacionais, a França - por exemplo - nunca foi campeã do mundo. A seleção francesa tem uma prata em 2012 como melhor resultado e vem de dois bronzes em 2018 e 2019. O ouro veio na Copa Europeia, com títulos em 2018 e 2019.

O ranking mundial também possui as europeias na liderança, com Laetitia Guapo sendo a melhor jogadora do mundo pela FIBA, além de Migna Touré, número 3 do mundo, e Marie-Eve Paget, número 4.

França no basquete 3x3 feminino
Seleção francesa em partida que lhe garantiu vaga olímpica (Foto: Divulgação/FIBA)
As espanholas seriam fortes candidatas a baterem de frente com as francesas, mas não estarão na Olimpíada. Caberá à Rússia, Itália e principalmente a China esse dever de brigar pela medalha olímpica até o último ponto

As chinesas são as atuais campeãs mundiais, a Rússia aparece em 2º do ranking mundial e foram campeãs do mundo e da Europa em 2017, enquanto as italianas levantaram o caneco em 2018.

O problema do 3x3 feminino é que as outras seleções não estão muito atrás. O EUA levará um quarteto de meninas da WNBA, a Mongólia terá a craque Khulan Onolbaatar, a Romênia é 3ª do ranking FIBA e conta com Gabriela Marginean em grande fase. Por último, o Japão é na teoria a equipe mais fraca, mas o fator casa e imprevisibilidade do basquete de rua podem causar surpresas.

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