Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Atenas 2004 , Bandeirantes - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Atenas 2004 , Bandeirantes

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(Vinheta de abertura das transmissões dos Jogos Olímpicos de 2004 pela TV Bandeirantes. Postado no YouTube originalmente por Fábio Marckezini)



Narração: Álvaro José, Silvio Luiz, José Luiz Datena, Carlos Fernando e Eduardo Vaz

Comentários: Ana Moser (vôlei), Isabel (vôlei de praia), Luisa Parente (ginástica artística), Paula (basquete), Vanessa Menga (tênis), Fabíola Molina (natação)

Reportagens: Luiz Ceará, Márcio de Castro, Fernando Nardini e Antônio Petrin

Apresentação: José Luiz Datena

Participação: Carlos Nascimento




Após os Jogos Olímpicos de 2000, paulatinamente a Bandeirantes foi deixando de ser o “canal do esporte”. O dinheiro para investir em compra de direitos de transmissão já era curto – e ficou menor ainda após o fim do consórcio com a Traffic, em 2001. A própria direção do canal dos Saad preferiu investir em programas de entretenimento naqueles primeiros anos do século XXI, como o vespertino 'Melhor da Tarde'. Nem mesmo o lançamento do Bandsports, em 13 de maio de 2002, mudou o rumo das coisas.


Para tentar afastar tal impressão, havia iniciativas aqui e ali. Entre 2001 e 2002, um Show do Esporte ainda resistente (mas com duração muito menor que a dos tempos áureos) encampava o “Projeto Brasil Olímpico”, trazendo torneios de modalidade como o judô. Seguiam as transmissões da Fórmula Indy, tradição bandeirantina no automobilismo. De mais a mais, o noticioso Esporte Total conseguia algum sucesso de audiência na hora do almoço, apresentado por Jorge Kajuru – até junho de 2004, mês de sua rumorosa demissão da emissora paulista. Mas nada que fizesse a emissora voltar aos tempos em que era sinônimo de futebol, vôlei, basquete, enfim, de qualquer disputa esportiva.


Nem mesmo o grande símbolo do esporte na Band estava mais lá. Certo, Luciano do Valle deixara de lado a promessa de diminuir o ritmo e deixar as narrações de grandes eventos esportivos, como ensaiava fazer após Sydney-2000. Mesmo ainda baseado no Recife (apresentava na retransmissora da Bandeirantes ali o Valle Tudo, programa de variedades), Luciano seguiu como a principal voz do canal para as disputas. Mas sem muitos eventos para narrar na Bandeirantes, saudoso de estar nas cabines de estádios, o locutor pediu em junho de 2003 a “suspensão” do contrato com a casa em que já estava havia 19 anos. Motivo: havia sido convidado pela TV Record para narrar os jogos do Palmeiras na Série B do Campeonato Brasileiro de futebol, e estava a fim de aceitar. A Band amistosamente atendeu o pedido de um funcionário tão icônico. E lá se foi Luciano do Valle, “emprestado” à Record entre 2003 e 2005 – o próprio pensava em retornar ao canal dos Saad em 2004, mas acabou ficando mais tempo, narrando principalmente torneios de futebol (Campeonato Brasileiro, Série B, a Eurocopa de 2004).


Só que a ausência momentânea de Luciano do Valle não apagava a tradição e o esforço esportivo que a Bandeirantes tinha. Mesmo com uma estrutura pequena, o canal exibiu com exclusividade na televisão aberta brasileira os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003. E mesmo sem a menor perspectiva de fazer frente à Globo em audiência e pujança, se aprontou para Atenas-2004. 50 enviados, entre gente da frente e de trás das câmeras, viajaram para os trabalhos no centro de imprensa – sem contar os 10 enviados do “filhote esportivo “ Bandsports, que também ajudavam vez por outra. E mesmo a maioria que ficaria na retaguarda, nos estúdios do bairro paulistano do Morumbi, também auxiliaria bastante a cobrir aquelas Olimpíadas de 2004.


Sem Luciano do Valle, aumentava ainda mais a importância de dois narradores: Silvio Luiz e Álvaro José. Enviados a Atenas, a experiência de ambos seria fundamental na Band – Silvio pelos 52 anos de carreira que completava em 2004, Álvaro pelo conhecimento de esportes olímpicos que já dispensava apresentações. No Brasil, mas também dando voz a muitas competições em Atenas, estariam nomes que apareceriam mais no Bandsports, mas também seriam locutores pela emissora-mãe: Eduardo “Dudu” Vaz e Carlos Fernando (este, vindo da ESPN Brasil em 2002). Entre os repórteres, mais pessoas com trabalhos anteriores em Jogos Olímpicos: Luiz Ceará, Antônio Petrin e Márcio de Castro, além de Fernando Nardini, que cobriu ocasiões como o ouro de Robert Scheidt na classe Laser do iatismo. Chegando à emissora naquele ano, após longa e marcante passagem pela TV Globo, Carlos Nascimento vinha para ser a grande estrela do jornalismo da Bandeirantes – a ponto de viajar a Atenas só para ancorar a cerimônia de abertura, ao lado de Álvaro José, na cabine do Estádio Olímpico, em 13 de agosto de 2004, e voltar ao Brasil logo depois, para trabalhar dos estúdios no resto daquela cobertura.


E a voz de vários deles estava em momentos importantes: Silvio Luiz narrava o basquete feminino (e o futebol das mulheres também), Álvaro José fazia as locuções do atletismo (e estava a postos no Olympic Indoor Hall para narrar a ginástica artística, com a ansiedade pelas medalhas que não vieram com Daiane dos Santos nem com Daniele Hypólito – aqui, Álvaro narrando a final do individual geral, em 19 de agosto de 2004)


Todavia, um dos principais artifícios da Bandeirantes para tentar atrair a audiência estava na ideia esperta das comentaristas, que falariam dos estúdios em São Paulo. Sim, das comentaristas, no feminino: só mulheres opinavam nas transmissões do canal, nas disputas olímpicas entre 11 e 29 de agosto de 2004. Para o vôlei (masculino e feminino), Ana Moser tinha sua primeira experiência na televisão aberta, após comentar o torneio de Sydney-2000 pela ESPN Brasil. No vôlei de praia disputado nas arenas de Fáliro, Isabel seria a comentarista, trazendo a experiência não só profissional, mas pessoal, de tanto que jogara nas areias do Rio de Janeiro, antes mesmo de ter uma carreira esportiva. Paula foi outra a ter estado nos Jogos Olímpicos pela tevê fechada (era comentarista do basquete feminino no SporTV em 2000) e que comentaria pela Band quatro anos depois, falando do bola-ao-cesto. 16 anos após ter sido a primeira brasileira a participar da competição olímpica da ginástica artística, em Seul-1988, a carioca Luisa Parente iniciava pelo canal paulista sua trajetória comentando o esporte em que fez fama.


Sem ter conseguido nas piscinas o índice necessário para nadar em Atenas, Fabíola Molina também fora arregimentada pela Bandeirantes para comentar a natação nas piscinas do Centro Olímpico Aquático. De carreira recém-encerrada naquele ano, após a recuperação de um acidente automobilístico que retardara sua trajetória, Vanessa Menga falaria sobre o tênis, trazendo sua experiência de dois Jogos Olímpicos (Atlanta-1996 e Sydney-2000). E Cris Parmigiano seria a comentarista do judô. Ana, Isabel, Paula, Luisa, Fabíola, Vanessa, Cris... estava armada a ideia que a Band teria para aquela cobertura olímpica na Grécia, usando da canção de Chico Buarque: divulgadas em placas de publicidade nas ruas e no próprio canal, as comentaristas seriam as “Mulheres de Atenas” do canal.


Se as “Mulheres de Atenas” chamariam a atenção, um bom espaço naqueles Jogos Olímpicos seria cedido pela Bandeirantes a... um homem: José Luiz Datena. Está certo que em sua volta à emissora paulistana, em 2002, após rapidíssima passagem pela Rede TV, Datena já não tinha mais o esporte como parte principal de seu trabalho: a apresentação do Cidade Alerta, na TV Record, entre 1996 e 2002, o transformara no mais conhecido apresentador de programas policiais do país. E era com essa credencial que o paulista de Ribeirão Preto se destacava na Band, à frente do Brasil Urgente que até hoje apresenta, à tarde. No entanto, se já não era principalmente ligado ao esporte, José Luiz nunca o deixara completamente de lado. E os trabalhos bandeirantinos em Atenas-2004 foram a grande oportunidade para fazê-lo voltar a ser narrador mais uma vez, após fugazes retornos à função nos tempos de Record. Tiro certo: Datena deu voz, alegremente, às transmissões da Band para as medalhas de ouro do vôlei de praia masculino - Emanuel/Ricardo, superando os espanhóis Bosma/Herrera, na tarde brasileira de 25 de agosto de 2004, com Isabel comentando - e do vôlei de quadra masculino, em 29 de agosto, com Ana Moser comentando. E ainda tinha fôlego e empolgação para apresentar com seu estilo inconfundível o debate olímpico Mulheres de Atenas (as partes 2, 3 e 4 do último programa, no 29 de agosto da cerimônia de encerramento – a primeira e a quinta estarão abaixo), ao lado das comentaristas do canal.



(Primeira parte do debate “Mulheres de Atenas”, em 29 de agosto de 2004, na TV Bandeirantes, avaliando os Jogos Olímpicos de Atenas, com a apresentação de José Luiz Datena. Postado no YouTube por HelNascimento)


Outra tentativa da Bandeirantes para cativar quem nela assistisse aos Jogos Olímpicos viria com um mascote e uma canção. O mascote nem era nada tão inédito: cada vez que um brasileiro celebrasse uma medalha em Atenas, de qualquer metal, apareceria dando cambalhotas e pulando na telinha o Medalinho, animação “bronzeada” de uma criança trajada como um grego da Antiguidade, com túnica, coroa de louros, cabelos encaracolados e tudo mais que o estereótipo da Grécia Antiga ditasse no imaginário. Do bronze de Leandro Guilheiro no judô (peso leve, até 73kg), ganho em 16 de agosto de 2004, ao bronze na maratona (quem sabe não fosse ouro, sem Cornelius Horan?) com que Vanderlei Cordeiro de Lima encerrou a participação da delegação brasileira, em 29 de agosto, toda medalha brasileira tinha Medalinho fazendo piruetas e agitando a bandeira na transmissão da Bandeirantes, para comemorar.



Eis Medalinho estático: uma imagem do mascote da Bandeirantes na cobertura das Olimpíadas de Atenas celebrando o bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona (Reprodução/Arquivo de Fábio Marckezini)



Foi assim que Carlos Fernando (narrador que apareceu até bastante na Bandeirantes, embora mais focado no Bandsports durante aquelas Olimpíadas – “Cacá” chegou a narrar os flashes dos saltos ornamentais na Band) saudou, alegre, nos estúdios em São Paulo, com a companhia de Álvaro José, que comentou de Atenas a chegada de Vanderlei ao Estádio Panatenaico para ganhar a medalha, enquanto esperava para ancorar a cerimônia de encerramento no Estádio Olímpico de Atenas.


Não só nas medalhas, mas também como “trilha sonora” daquela cobertura, a Bandeirantes trazia mais um artifício em Atenas-2004: sob encomenda, Margareth Menezes criara a canção “Um por Todos”. E a cantora/compositora baiana foi convidada especial do supracitado Mulheres de Atenas, não só dando as opiniões diletantes de uma acompanhante distante do esporte, como cantando “Um por Todos” no final, para arrematar aquela cobertura simples. Que tivera seus percalços (o horário político das eleições municipais impedira a exibição de 30 minutos de Brasil 7x0 Grécia, na primeira fase do torneio de futebol feminino, e mais meia hora dos 3 sets a 0 de Cuba no Brasil, na decisão da medalha de bronze no vôlei masculino), mas que mantivera a tradição da Band em Jogos Olímpicos.



(Margareth Menezes cantando “Um por Todos”, tema da TV Bandeirantes para os Jogos Olímpicos de Atenas, no fim do programa “Mulheres de Atenas”, em 29 de agosto de 2004. Postado no YouTube por HelNascimento)


A compensação viria em 2008: vários retornos, uma equipe maior, e uma cobertura mais alentada em Pequim fariam a Bandeirantes viver lampejos dos tempos de “canal do esporte”.

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