Surto História: A primeira vez que a tocha olímpica percorreu os cinco continentes do planeta - Surto Olimpico

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Surto História: A primeira vez que a tocha olímpica percorreu os cinco continentes do planeta

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Os Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 foram ricos em referência a história e tradição olímpica, mas também inovou em algumas ações. Uma delas foi o primeiro tour da tocha olímpica pelos cinco continentes do mundo, algo que nunca havia acontecido antes. Mas para falar desse momento histórico, temos que voltar para os anos 30 e descobrir como foi criada a tradição do revezamento da tocha. 

O atleta alemão Siegfried Eifrig teve a honra de participar do primeiro revezamento da tocha olímpica, como parte das festividades para iniciar os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936. O jornal alemão Deutsche Welle entrevistou Eifrig há 16 anos, e ele contou a origem daquela celebração. 

"O revezamento da tocha foi inventado aqui em Berlim. A ideia pegou de tal forma que é repetida desde então, em todos os Jogos Olímpicos", explicou Eifrig.

A autoria do ato é creditada à Carl Diem, um administrador esportivo do governo nazista na Alemanha e secretário-geral da organização dos Jogos de 1936. A sua inspiração teria sido originada num vaso antigo, ornamentado com desenhos de atletas que carregavam uma tocha. A ideia de Diem foi aceita com intenções políticas por parte do governo nazista, que abraçou o projeto por meio do Ministério da Propaganda do Terceiro Reich, liderado por Joseph Goebbels. 

A tocha percorreu mais de 3 mil quilômetros, partindo de Olímpia, na Grécia e atravessando outros seis países, como Bulgária, Iugoslávia, Hungria, Áustria, Tchecoslováquia e Alemanha. Naquela altura, todos os países por onde a tocha passou, já eram dominados por tratados nazistas e fascistas. O revezamento da tocha foi utilizado como manobra de propaganda para sensibilizar o público nas últimas semanas antes dos jogos.

Atenas 2004

Pelé carregou a tocha olímpica, mas nunca teve a oportunidade de disputar os Jogos Olímpicos. Foto: Reprodução
Acesa em 25 de março de 2004, no Sítio Arqueológico de Olímpia, na Grécia, a tocha olímpica passou por 34 cidades de 27 países, nos cinco continentes, algo que nunca havia acontecido antes em toda a história do evento. Todas as cidades-sede dos Jogos Olímpicos até então receberam o revezamento da tocha, além de algumas outras cidades como Bruxelas (Bélgica), Cidade do Cabo (África do Sul), Istambul (Turquia), Lausanne (Suíça), Nova Délhi (Índia), Nicósia (Chipre), Nova York (EUA), Pequim (China) e Rio de Janeiro.

Após a passagem por dentro da cidade de Atenas e pelo estádio Panatenaico, a tocha foi levada no dia 4 de junho para Sydney e posteriormente Melbourne, na Austrália, cidade que foi sede dos Jogos Olímpicos de 1956. Após a visita no país da Oceania, a tocha viajou para Tóquio, Seul, Pequim, Nova Délhi e Cidade do Cabo, até chegar no Rio de Janeiro, no dia 13 de junho. A cidade foi representante da América do Sul no tour. 

Quando a chama olímpica foi acesa, o governo do Rio de Janeiro instalou um relógio contando regressivamente os 80 dias que faltavam para que um dos maiores símbolos olímpicos chegasse ao Brasil. Na época, o Rio era uma das concorrentes para ser cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2012, que no final seriam realizados em Londres, no Reino Unido. O Rio de Janeiro recebeu o evento na edição seguinte, em 2016.

A chama olímpica se apagou enquanto o nadador Ricardo Prado a carregava na cerimônia. Foto: Folha de São Paulo 
E a passagem da tocha pelo Brasil foi marcada por momentos de comoção, gafes e a participação de muitos atletas nacionais e celebridades da televisão. Por volta das 9h da manhã a tocha chegou de helicóptero ao Maracanã. O primeiro a carregar o objeto, foi Pelé, eleito atleta do século pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

A tocha chegou a passar também pelas mãos do nadador medalhista de prata em Los Angeles 1984, Ricardo Prado. Depois quem teve a honra de carregar o símbolo olímpico foi o nadador Gustavo Borges, quatro vezes medalhista no evento. Uma coincidência foi o fato de que a tocha se apagou nas mãos dos dois nadadores, que foram rapidamente "socorridos" para a continuação do percurso. 

Xuxa (a apresentadora), Daniela Cicarelli, Tony Ramos, Renato Aragão e até mesmo João Paulo Diniz, herdeiro do Grupo Pão de Açúcar, carregaram a tocha. O skatista Bob Burnquist foi protagonista de um momento épico, ao levar a tocha andando de skate. O tenista Gustavo Kuerten também aproveitou a oportunidade em 2004 e carregou a tocha. Ele era uma das esperanças de medalha em Atenas, algo que infelizmente não se concretizou.

Durante a tarde, o revezamento parou para uma cerimônia de homenagens a atletas olímpicos, no Palácio da Cidade. Foram lembrados durante a celebração, o atirador Guilherme Paraense, primeiro campeão olímpico da história do Brasil, nos Jogos da Antuérpia em 1920, e Adhemar Ferreira da Silva, atleta bicampeão olímpico no salto triplo em 1952 e 1956, ambos já falecidos. Eles foram representados por suas respectivas famílias.

Para encerrar o revezamento no país, o ex-jogador e ex-técnico Zagallo passou a tocha para Ronaldo, que na época era campeão mundial de futebol e atacante do Real Madrid. O jogador carregou o símbolo olímpico até o Aterro do Flamengo, onde artistas realizavam um show que fazia parte da celebração. A festa acabou após o fogo ser depositado em uma espécie de lamparina, onde viajaria para a Cidade do México. 

O percurso ainda passaria por Montreal, Antuérpia, Bruxelas, Amsterdã, Lausanne, Paris, Londres, Barcelona, Roma, Munique, Berlim, Helsinque, Moscou, Istambul, Sofia, Nicósia e uma segunda viagem à Grécia, até que a pira olímpica fosse finalmente acesa em Atenas, no dia 13 de agosto, no Estádio Olímpico.

Foto: COI

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