Sede do Mundial Paralímpico de natação, Montreal transforma legado em ponto turístico





Sede do Mundial Paralímpico de Natação, a cidade de Montreal, no Canadá, é considerada referência no que diz respeito ao aproveitamento do legado de grandes eventos. Depois de receber as Olimpíadas de 1976, o município transformou o seu principal equipamento esportivo em um dos pontos turísticos mais famosos do país. Erguido para os Jogos daquele ano, o Parque Olímpico de Montreal é hoje um verdadeiro centro de entretenimento, além de continuar recebendo eventos esportivos e artísticos, atraindo visitantes do mundo inteiro.

Localizado na zona leste da cidade, o complexo esportivo foi erguido sob o custo do equivalente a R$1,6 bilhão (U$ 695 milhões). Pouco mais de uma década após os Jogos, o Parque ganhava a sua torre de observação de 175 metros, considerada a estrutura do tipo mais alta do mundo. Do local, onde o visitante pode chegar ao topo em um funicular com capacidade para 76 passageiros, é possível ter uma visão privilegiada da cidade de Montreal, principalmente do Parque Olímpico, que possui estádio poliesportivo com capacidade para 56 mil pessoas, piscina e um museu ambiental.

A viagem à torre de observação custa o equivalente a R$ 18,00 (U$ 8,00), enquanto uma visita guiada pelo parque olímpico - a piscina está passando por reformas - não sai por menos de R$ 50 (U$22). Natural da Grécia, o engenheiro George Paraninpolus, 51 anos, esteve no Parque Olímpico pela primeira vez na última sexta-feira e ficou impressionado com o que viu.

"O Canadá soube aproveitar bem a estrutura construída para as Olimpíadas. A torre de observação foi uma grande sacada, pois transformou o lugar em um ponto turístico. Visitar o Parque Olímpico é como se fosse uma obrigação, assim como ir ao Cristo Redentor no Rio" - disse ele, que foi à torre acompanhado de esposa e filhos.

Além de praça de esportes para futebol, basquete, beisebol e natação, o Parque Olímpico de Montreal também é utilizado como espaço público para atividades culturais e escolinhas das mais diversas modalidades, a preços populares. Andressa Thempson mora no bairro de Ahuntsic-Cartierville, em Montreal, e tem o seu filho David matriculado numa escolinha de basquete no Parque. Para ela, os serviços oferecidos no local são muito bons.

"As quadras são muito boas, o meu filho está aprendendo um esporte e ganhando saúde a um preço muito barato. Acho que o esporte é uma maneira de ensinar bons valores e formar o caráter da criança" – opinou a dona de casa, que paga U$ 30 (equivalente a R$ 60) de mensalidade pela escolinha de basquete do filho.

A poucos metros do estádio poliesportivo está o Biodôme, museu que reproduz os ecossistemas existentes no planeta. Anexo ao Parque Olímpico, o local conta com neve e florestas artificiais, cavernas com morcegos e aquários gigantes simulando o habitat natural dos animais e vegetais.

O Biodôme é apenas um dos polos de uma cidade extremamente preocupada com o meio-ambiente e com a sustentabilidade. No Parque Jean Drapeau, próximo ao local de competições do Mundial Paralímpico de Natação, há o Museu da Biosfera. Envolto por uma esfera gigantesca formada por cabos de ferro, o local chama a atenção pela suntuosidade. O Parque Jean Drapeau está localizado na Ilha de Santa Helena, vizinha à Ilha de Notre Dame, que abriga o Circuito Gilles Villeneuve, integrante do calendário da Fórmula 1.

A coleta seletiva de lixo está presente em todos os cantos da cidade, que conta com lixeiras discriminando os resíduos descartáveis e os recicláveis. Consideradas umas das maiores poluidoras do ambiente, devido ao seu longo tempo de decomposição, as sacolas plásticas são artigo raro em Montreal. Ao ir a um estabelecimento comercial, o consumidor só recebe uma unidade desta em caso de extrema necessidade.

Cortada por muitas ciclovias, a cidade tem diversos pontos de aluguel de bicicleta, um dos principais meios de transporte do município. O metrô de Montreal também é bastante utilizado pela população, que trafega pelas suas quatro linhas que interligam todas as regiões da cidade.

Em Montreal, é possível deparar-se com imigrantes das mais variadas partes do mundo. Assim como em Nova Iorque, é grande a presença de habitantes oriundos do Oriente Médio, Ásia, África e América Latina. Nas ruas, a língua predominante é o francês, embora quase todos os moradores da cidade também falem o inglês.

Na culinária, há grande influência da cultura americana, famosa pelo “fast food”. Entretanto, como a colonização francesa é forte, é possível encontrar restaurantes especializados em massas e pratos sofisticados. Montreal tem um clima temperado, com um verão ameno e um inverno rigoroso, onde as temperaturas costumam chegar a -20º.

"Aqui é uma cidade de muita mistura, começando pela colonização francesa e inglesa, passando pelo clima e pela culinária. No verão, temos sol e as pessoas procuram a região portuária e as piscinas, enquanto no inverno a neve faz parte da paisagem. Quanto à comida, numa mesma rua você encontra lanchonetes e restaurantes sofisticados. É como se o mundo todo estivesse aqui" - resumiu o comerciante Julien Evergard, gerente de um restaurante no centro de Montreal.

Fonte: Flávio Dilascio/Globoesporte.com
Foto: Flávio Dilascio

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