Surto Entrevista - Ana Patrícia e Rebecca




A dupla Ana Patrícia e Rebecca pode ser considerada a revelação do vôlei de praia nacional nesse último ciclo olímpico.correndo por fora na corrida para Tóquio, a dupla cresceu nos momentos certos e garantiu uma das vagas do Brasil na competição (A outra ficou com Ágatha e Duda). Nessa entrevista ao surto olímpico, Ana Patrícia- de 22 anos - e Rebecca - de 26 anos - falam da importância da comissão técnica capitaneada pelo técnico Reis Castro, os desafios e as expectativas para os jogos olímpicos. confira:



- Qual foi a importância de conseguir a vaga olímpica com antecedência?

REBECCA: Na verdade a antecedência veio porque o calendário do mundial não prevê nenhuma etapa ano que vem até março, então a gente só não disputou uma etapa, que foi a do México ... Mas é sempre bom poder fazer um planejamento com antecedência, priorizando os ciclos de treinamento e tendo um calendário pré-definido. Agora estamos de férias, relaxando a cabeça mesmo depois desse ano tão desgastante para voltarmos com 150% de energia para o ano que vem.



- Já foi definido o planejamento de competições para 2020?

REBECCA: A gente já tem sim os calendários da FIVB e da CBV, e com certeza isso vai ajudar a nossa comissão técnica a fazer um planejamento bem assertivo para o ano que vem. O mais importante será estar no auge da nossa condição em julho/agosto, na época dos Jogos.


- Vocês são uma dupla jovem, mas já conseguiram a vaga olímpica. para vocês, o que fez essa parceria ter conseguido tão bons resultados?

REBECCA: A gente sempre acreditou no nosso trabalho. A nossa comissão é muito experiente e fez um planejamento para que a gente já somasse pontos no final de 2018 e início de 2019, para chegarmos ao início da corrida olímpica no mesmo nível das outras duplas. E isso nos ajudou muito. Vencemos etapas na China e na Holanda que nos deu muita confiança para esse desafio da corrida. Vimos que era possível e focamos em cada etapa como se fosse a última. Claro que passamos por momentos difíceis, o circuito mundial exige demais das pessoas, são muitas etapas em sequência, em muitos países, mas acho que conseguimos manter o nosso foco e o nosso time unido durante todos esses meses.


- Aliás, vocês não eram muito cotadas para os jogos de Tóquio, pois tinham concorrência de duplas brasileiras mais experientes. Incomodou em algum momento serem consideradas 'outsiders' pela mídia especializada?

REBECCA: A gente estava ali entre as possíveis duplas. Claro que sempre respeitamos a história e a experiência das outras atletas, mas também sempre acreditamos na gente. A gente é uma dupla jovem, mas essa será a quarta olimpíada consecutiva da nossa comissão técnica. Ter eles junto com a gente foi essencial. Acredito que essa foi uma das corridas mais disputadas dos últimos tempos, eram pelo menos cinco times com condições e a gente conseguiu sair na frente e se manter. E esse mérito é todo do nosso trabalho em equipe.


- Vocês são treinados pelo Reis Castro, que já foi técnico de outra grande dupla que foi Juliana e Larissa. Qual é a importância dele na evolução do jogo de vocês?

REBECCA: Como falei em cima, ter o Reis e o Oliveira fez toda a diferença. É muito difícil você se manter ali convivendo com pessoas que não são da sua família por meses e meses e sempre em situações de pressão e cobrança. Então a dosagem entre saber cobrar no momento certo, saber aliviar, ter responsabilidade, armar as melhores estratégias, e se blindar da pressão é muito difícil. Nesse quesito, estar longe dos holofotes é até melhor.


- O vôlei de praia brasileiro é uma potência olímpica, já que sempre trouxe pelo menos uma medalha em cada edição dos Jogos. Como vocês lidam com a expectativa do público em ver ao menos uma dupla brasileira no pódio em Tóquio?

REBECCA: O brasileiro quer ser o melhor em tudo, né? A gente costuma dizer que segundo lugar e último lugar é a mesma coisa. Mas temos cada vez mais que desconstruir essa ideia. Claro que iremos para Tóquio em busca de uma medalha, de ouro para o Brasil, e dar 100/120% em quadra. Mas já está claro para todo mundo que o nível do vôlei de praia mundial é muito forte. Hoje em dia todo mundo joga vôlei de praia, e joga muito bem. Então não podemos cair nessa pressão. Assim como fizemos nesse ano, estaremos lá dando nosso melhor e em busca de voltar para casa satisfeitas com o nosso trabalho. Um possível pódio será consequência disso.


- Ana Patrícia veio de outro esporte e teve que aprender os fundamentos quase do zero e se tornou uma das grandes atletas da modalidade. Como foi esse processo de 'aprender' a jogar vôlei de praia? 

ANA PATRICIA: Quando eu comecei o vôlei de praia eu não tinha nada de fundamento do vôlei, mas a minha vivência em outros esportes facilitou bastante meu desenvolvimento. Foi bem legal porque nesse início eu encontrei pessoas muito empenhadas em me ensinar. Até porque não existe esporte sem isso, né. Sem uma base e sem alguém para ensinar os fundamentos iniciais. Mas também foi difícil, porque eu saí atrás das outras pessoas. Mas então foquei toda minha energia nisso e consegui aprender bastante.



- Rebecca é cearense e uma conterrânea sua que fez muito sucesso na modalidade é a Shelda. Ela é uma atleta que te inspira no esporte? existem outras jogadoras em que você se espelha?

REBECCA: Infelizmente eu não acompanhei muito a Shelda, porque eu era muito novinha quando ela jogava. Nós já fomos apresentadas, fiquei muito feliz de conhecê-la. É um orgulho muito grande saber que ela levou o nome do Ceará para o mundo, foi protagonista da nossa modalidade, conquistou medalhas olímpicas e inspirou uma legião de pessoas.

Das atletas que eu pude acompanhar, gosto muito da Larissa, que não nasceu aqui, mas viveu toda a grande fase da carreira dela aqui em Fortaleza. A Misty May, dos EUA também foi um grande espelho. E outros nomes incontestáveis, que puder jogar contra e conhecer e ficar ainda mais fã que são a Laura Ludwig e a Walsh.


- Essa vai ser a primeira olimpíada das duas e a ansiedade deve estar grande. Vocês já imaginam ou já falaram com alguém que esteve em jogos olímpicos saber como é a sensação de fazer parte de um evento tão grandioso?

REBECCA: Acho que a gente tem um grande exemplo “dentro de casa”, que é a nossa comissão. E eles já passaram por três experiências muito distintas. Já conquistaram medalha, não conquistaram e em outra tiveram que se adaptar rápido por causa da lesão da Juliana. E claro que conversamos com outros atletas também que já estiveram lá. A gente sempre procura absorver ensinamentos para melhorar a nossa estrada. Mas cada história é uma história e vamos escrever a nossa do nosso jeito e da melhor forma possível.


- Deixe um recado para os leitores, o espaço é de vocês

ANA PATRÍCIA/REBECCA: A gente se vê em Tóquio, pessoal! Torçam muito pra gente!


fotos: FIVB/Divulgação

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