NHK Trophy de Patinação Artística - Dia 2



Mesmo com erros, favoritos confirmaram o domínio e levaram o ouro no segundo dia do NHK Trophy de Patinação Artística, última etapa classificatória para as finais do Grand Prix de 2019, realizada na cidade de Sapporo, no Japão. Pequenas falhas não tiraram as vitórias dos chineses Wenjing Sui e Cong Han nos Pares, da russa Alena Kostornaia no individual feminino e do bicampeão olímpico Yuzuru Hanyu, do Japão no individual masculino. Em Dança no Gelo, os franceses Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron (foto) foram irrepreensíveis, garantiram o primeiro lugar e estabeleceram novos recordes.



Dança no Gelo:


Uma atuação perfeita: é o que se viu na Makomanai Ice Arena de Sapporo com a performance de Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron. A ousada performance do poema de Forrest Blakk "Find You" foi tecnicamente impecável e valeu uma nota de componentes de habilidade e artísticos quase absoluta: com apenas um juiz dando nota 9.25 para transições, todas as outras notas entre 9.50, 9.75 e 22 avaliações em 10.00. Com a apresentação, Papadakis e Cizeron marcaram 136.58 pontos, o novo recorde do segmento e 226.61 pontos na soma final, também em pontuação recorde.

Precisão técnica e sobretudo a interpretação poderosa—que valeu uma nota 10 perfeita dos juízes—foram os pontos onde a dupla mais trabalhou desde a conquista da medalha de ouro no Internationaux de France em Grenoble, há 2 semanas: "Houve uma grande melhoria em ambos os programas desde nossa prova em Grenoble. Trabalhamos muito na parte técnica da Dança Rítmica e na Dança Livre eu acho que estamos realmente começando a interpretar e dar vida a todos os personagens de nosso programa. Ainda há espaço para melhorar até a final e estamos animados em continuar trabalhando nesses dois programas", disse Cizeron em entrevista.

A prata ficou com os russos Alexandra Stepanova e Ivan Bukin, com uma vigorosa e aliciante interpretação de "Primavera" e "Cry Me a River", incorporando elementos de hip-hop. Com levantamentos e giros em nível máximo, a dupla marcou 124.74 pontos e 208.81 pontos na somatória final. Os italianos Charlene Guignard e Marco Fabbri tiveram um erro grave na saída de um levantamento em rotação onde Guigard quase caiu, mas seguraram o resto do programa, marcaram 115.93 pontos na Dança Livre, 198.06 na somatória final e ficaram com a medalha de bronze.



Pares:


Os medalhistas de prata olímpicos, Wenjing Sui e Cong Han, da China não tiveram um dia perfeito: em um salto triplo toeloop lado a lado, parte de uma combinação Sui caiu e o elemento perdeu quase todo o valor. Mas o restante da execução foi de uma qualidade tão definitiva e tão óbvia, com uma quantidade de elementos ousados em nível máximo tão expressiva que a performance apenas ratificou uma vitória enorme: 226.96 pontos na somatória final contra 208.49 dos canadenses Kirsten Moore-Towers e Michael Marinaro com o aumento da diferença da véspera de 10 para 18 pontos.

Sui e Han venceram em um dia onde o nível da competição foi bastante alto. Além dos chineses, Moore-Towers e Marinaro trouxeram uma versão limpa, acrobática e mais emocionalmente intensa de seu programa "Carry You", que antes havia apresentado inúmeros problemas na etapa do Skate Canada. Moore-Towers comentou a melhoria, com a dupla finalmente conseguindo a mesma eficiência de seus treinos em uma competição: "Acho que a expectativa de todo atleta é poder competir do mesmo jeito que treina e nesta semana nós fizemos isso. Ainda deixamos escapar alguns níveis, que vamos recuperar em algumas semanas para a competição na Itália (final do Grand Prix), mas para a maior parte estamos felizes".

O bronze ficou com os russos Anastasia Mishina e Aleksandr Galliamov, que marcaram 134.35 pontos no dia e 203.35 pontos na somatória final. A dupla, uma das mais jovens a disputar as etapas do Grand Prix neste ano, com o resultado está classificada para as finais.


Feminino:

Conhecida como "a garota que não erra", a russa Alena Kostornaia errou, e na saída de um de seus elementos mais fortes: o triplo Axel solo, que teve um passo de desequilíbrio na aterrissagem, foi avaliado como sub-rotado e perdeu boa parte do valor. A russa de 16 anos manteve o sangue frio e não se deixou abalar: realizou o resto da performance de modo preciso, interpretou com decisão e sem timidez, com mais uma grande atuação artística. Com níveis máximos e graus de execução elevados em piruetas e sequência de passos, Kostornaia marcou 154.96 pontos no Programa Livre e totalizou 240.00 pontos na competição, conquistando a medalha de ouro.

A grande adversária de Kostornaia, na competição, Rika Kihira chegou a incluir um salto quádruplo no planejamento do programa, mas na execução optou por realizar apenas um triplo. A escolha foi boa para a performance que privilegiou uma fluência entre elementos, todos atacados com assertividade e sem deixar grandes margens para correção de erros. E o programa foi bastante limpo: a única falha menor foi um triplo toeloop subrrotado numa combinação. A opção por segurança valeu para Kihira seu melhor pontuação na temporada em um Programa Livre, 151.95, e na somatória final a japonesa ficou com 231.84 pontos e a medalha de prata.

A campeã olímpica de PyeongCheng-2018, Alina Zagitova, da Rússia reagiu após um programa curto com erros grandes. Sem quádruplos ou triplos Axel no arsenal, Zagitova buscou clareza de execução, em um programa baseado em elementos obrigatórios realizados em nível alto, com transições baseadas em elementos grandes, mas isolados. Com uma extraordinária sequência de passos e ótimo trabalho de piruetas, a campeã olímpica realizou apenas um erro menor na saída de um salto triplo flip. Zagitova ficou com o bronze, com sua melhor marca na temporada de 151.15 pontos no Programa Livre e 217.99 pontos na somatória final.


Masculino:

Um imprevisto e uma ideia rápida, reformando o layout do programa no meio: foi como o bicampeão olímpico Yuzuru Hanyu, do Japão reagiu ao perder um salto quádruplo toeloop planejado, que acabou sendo realizado apenas como duplo. Hanyu apenas moveu o eemento de alto valor mais para frente, em uma combinação instantânea arriscada de quádruplo toeloop e triplo toeloop. Deu certo: mesmo com uma falha menor na saída, o resultado foi a preservação do valor planejado do programa e em mais uma performance espetacular obteve a medalha de ouro, com 195.71 pontos no Programa Livre e 305.05 pontos na somatória.

Hanyu se mostrou feliz com o resultado, e especialmente com um fato importante: é a primeira vez nos últimos três anos em que termina sua segunda etapa classificatória do Grand Prix sem estar lesionado, e uma das poucas desde 2011 que compete nessa segunda etapa sem estar lesionado ou doente. Ao deixar a pista, foi cumprimentado pelos seus técnicos Brian Orser e Ghislain Briand, que diziam "você derrotou um dos seus medos". Em entrevista, o bicampeão olímpico disse como se sentia: "Por agora estou feliz que eu consegui passar por esta competição, liderando o programa livre. Permaneci saudável, não tive dor nem me lesionei. Agora vou para a final: quero me recuperar dos esforços até lá e fazer mais treinos e coordenação para estar pronto para a final."

A medalha de prata ficou com o francês Kevin Aymoz. Em um dia nervoso, Aymoz errou bastante cometendo diversas falhas menores que puseram sua classificação em risco. Mas conseguiu manter um bom nível artístico e na somatória final acabou na segunda posição com 250.02 pontos: "Hoje foi uma luta difícil para mim, dei o melhor que eu podia nesta noite. Por agora estou apenas sob tensão e ainda estou me aguentando no gelo, então fico apenas feliz de estar lá e patinar", disse. Com o resultado, Aymoz se classificou para a primeira final de Grand Prix de sua carreira: "Não era meu objetivo principal na temporada, então estou indo para pegar experiência do que é essa competição e talvez conquistar o pódio em algumas temporadas."

A boa surpresa do dia ficou com o canadense Roman Sadovsky. Ele foi um dos três patinadores a apresentar um programa baseado em "A Lista de Schindler", em um dia que teve performances que variaram do sensível e emocional—o bom trabalho artístico de Jason Brown dos EUA, que terminou a competição em 5o. lugar após enfrentar muitos problemas na parte técnica no primeiro dia—ao puramente grotesco e ofensivo—a apresentação do russo Anton Shulepov, com um figurino e interpretação considerados de extremo mau gosto, francamente insultuosos para a comunidade judaica e de conteúdo técnico bastante questionável. Nesse cenário, Sadovsky enfrentou os concorrentes com uma interpretação digna, elegante e um trabalho técnico de boa qualidade e alto valor competitivo. O canadense ultrapassou o russo Sergei Voronov, terceiro na classificação da véspera e conquistou uma festejada medalha de bronze.

Todas as tabelas com resultados, agenda de apresentações em horário local e súmulas detalhadas de julgamentos do NHK Trophy 2019 de Patinação Artística estão disponíveis aqui, no site oficial de resultados do evento.

Foto: YS

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