Coluna Nihonde Wa Surto - Quem sabe usar hashis?


Por Luane Magalhães Shimabuku

Existe algo mais icônico sobre o Japão do que o hashi, ou como muitos conhecem, “os pauzinhos”? Ok, existem imagens mais icônicas., mas os hashis estão com certeza no top 10. Ninguém discorda. 

Comer utilizando hashis requer uma certa prática, aliás, requer um certo DNA. Eu como, mas com toda a certeza do mundo sem nenhuma classe e com uma boa dose de sofrimento quando chega no final da comida, no final do arroz. Quando assisto a vídeos de crianças orientais pequeninhas comendo tranquilamente e com classe confirmo minha certeza de que é genética essa habilidade. A ciência só não foi pesquisar isso ainda. Mas certeza que é.

Aliás, uma pequena historinha: quando fui conhecer minha sogra, fomos a um clube em São Vicente, litoral de São Paulo, onde senhorinhas japonesas promovem uma espécie de feira gastronômica típica todas as sexta-feiras. Imaginem que são banquinhas de comida típica produzida por “bachans”, vovozinhas japonesas. Nada melhor!

Lá fui eu achando que estava super bem no manuseio do hashis até ver minha sogra e sua delicadeza e perícia de gueixa. Deus! Como a realidade é dura quando se percebe a sua falta de manejo! (rsrs) E foi o segundo tapa da realidade que levei porque na primeira vez que fomos, eu e Kleber, em um restaurante japonês tradicional algumas semanas antes, no início de namoro, me ofereceram garfo e faca só pela minha brasilidade e eu neguei orgulhosa que só. Muita perícia e elegância não temos. Orgulho nos sobra. rsrsrs 

Enfim, os hashis são antigos. Acredita-se que seu uso remonta cerca de 2.500 anos antes de Cristo e diz a lenda que surgiram para ajudar a grelhar carnes e facilitar seu manuseio. Mito e lenda ou não, os “pauzinhos” sobreviveram ao tempo e se tornaram uma marca registrada do Japão e do oriente como um todo. 

Existem algumas regras na utilização de hashis e ações que nunca, nunquinha da Silva, se deve fazer por ser uma imensa falta de educação.


- Nunca na sua vida use o hashi como um “palito” espetando alimentos com eles;
- Nunca, nunquinha, pegue a comida de cima para baixo com eles, sempre pegue de ladinho;
- Nunca aponte para algo ou alguém com o hashi;
- Nunca movimente pratos ou tigelas empurrando-os com o hashi;
- Nunca, nunca espete o hashi no arroz. Vale lembrar que levar o hashi espetado no arroz é um dos atos das cerimônias fúnebres quando se faz isso levando um pote de arroz do velório para o cemitério;
- Todas as peças de são cortadas de modo a caberem na boca sem precisar o uso de uma faca, logo tudo pode ser pego em unidade com o hashi. Não parta nada com eles; 
- Facas e grafos são utilizados para servir pratos ocidentais e algumas vezes, colheres de origem chinesa de cerâmica são utilizadas para caldos e sopas; 
- Após terminar a refeição, você pode apoiar os hashis sobre o prato com as pontas viradas para a esquerda sem jamais cruza-los ou pode colocá-los apoiados no “descanso de hashi” (hashioki).


Muito treino, pessoal! muito treino para se livrar daqueles plugues de plástico que os rodízios brasileiros inventaram para ajudar e também a versão mais 'roots' deles feitos com papel dobrado (quase um origami) e um elástico atilho. Na Liberdade se vê muito ainda.

foto: Shutterstock

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