IJF anuncia "acordo histórico" com Irã para encerrar boicote no judô contra Israel



Neste sábado, a Federação Internacional de Judô (IJF) anunciou um "acordo histórico" com o Irã, que aparenta encerrar seu boicote histórico contra atletas de Israel no tatame. A Federação internacional de Judô (IJF) publicou em sua página uma carta enviada pelo Comitê Olímpico Iraniano e pela Federação Iraniana de Judô em que estes concordam em "respeitar por completo a Carta Olímpica e seu princípio não-discriminatório". 

Atletas iranianos não competem contra israelenses desde uma competição de luta em 1983, em Kiev, então União Soviética. Outros países árabes e muçulmanos também boicotam sistematicamente Israel, mas o Irã é o caso mais recorrente e emblemático em âmbito esportivo, especialmente porque ocasionalmente envolve atletas de altíssimo nível em mundiais e olimpíadas.

Arash Miresmaeili, presidente da Federação Iraniana de Judô e um dos signatários da carta, entrou para a histórica olímpica justamente por um destes casos. Ele era bicampeão mundial e grande favorito ao ouro nos 66kg nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, evento do qual foi porta-bandeira nacional na cerimônia de abertura. Após ser sorteado para enfrentar Ehud Vaks, de Israel, apareceu com dois quilos a mais para a pesagem e foi desqualificado, sendo considerado um "herói nacional" pelo então presidente iraniano, Mohammad Khatami.

Ainda que não mencione diretamente "boicote" ou "Israel", a nota afirma que a Federação Internacional de Judô decidiu atuar para proteger os atletas e promover uma competição justa, após vários e "perturbadores" casos que envolviam lesões ou desqualificações, as quais poderiam ser ligadas às obrigações dos atletas em não competirem contra "certos países". Alan Abrahamson, em uma análise publicada no site da IJF, comenta que nos círculos internos do judô a informação que corre é que os atletas iranianos gostariam de competir, mas recebem instruções contra.

Miresmaeili e Seyed Reza Salehi Amiri, presidente do Comitê Olímpico Nacional do Irã, afirmaram que "em colaboração com o Ministério do Esporte e Juventude do Irã, nós não estamos economizando esforços em negociar com o Parlamento para que possamos identificar as devidas resoluções legais", indicando uma clara orientação governamental com o intuito de impedir atletas de competirem com israelenses.

A carta é endereçada ao Presidente da IJF, Marius Vizer, ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach e ao Ministro do Esporte e Juventude do Irã, Masoud Soltanifar. Vizer tem feito várias declarações públicas a respeito do assunto nos últimos meses.



Fotos: Divulgação / IJF




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