10 anos de Atenas 2004 - O legado esquecido e uma oportunidade perdida


Hoje, a exatos 10 anos, começavam oficialmente os Jogos da XXVIII Olimpíada, em Atenas (GRE). O que deveria ser um motivo de festa para o país que criou os Jogos Olímpicos, tornou-se uma dor de cabeça e um exemplo de como não aproveitar uma chance praticamente única.

A maioria das instalações Olímpicas construidas para os Jogos estão em  completo abandono, enquanto outras são utilizadas para fins não-esportivos, como casamentos e conferências.

No Centro de Remo, localizado em Maratona (GRE), cães vadios ficam brincando no mato que toma conta do local, enquanto crianças brincam no curso d'água.

Ainda em Maratona, no local de disputas da Canoagem e Caiaque, a água no curso está totalmente seca e as arquibancadas destruídas.

No último dia 5, foi celebrado os dois anos para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Muitos críticos falam no risco de uma falta do uso das instalações e de incorrer no mesmo destino de Atenas.



Os gregos na época ficaram bastante orgulhosos em sediar os Jogos, mas atualmente, o que restou dele é fonte de raiva, com a Grécia atravessando um período de depressão econômica iniciada em 2008, com desemprego recorde, pessoas desabrigadas e pobreza.

O país tem sofrido bastante para fazer os locais que ainda são utilizados gerarem renda.

Após não ter conseguido sediar os Jogos do Centenário, em 1996, quando foram derrotados por Atlanta (USA), Atenas ganhou os direitos de sediar os Jogos de 2004, superando a então favorita Roma (ITA).

Quando o então presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Juan Antônio Samaranch, anunciou a vitória de Atenas, a comemoração tomou conta da delegação grega e a alegria foi tamanha, que remixaram o anuncio, que foi tocado em várias rádios gregas e virou até single.

Entretanto, a lua de mel durou pouco. Após três anos jogados fora no período de preparações, o COI alertou em 2000 o comitê organizador para acelerar as obras, ou corriam o risco de perder os Jogos.

Então, o país aumentou drasticamente o ritmo das obras, incluindo trabalho em três períodos, para garantir que tudo ficasse pronto a tempo.


Trilhos, estradas e locais de competição surgiram na capital grega e banners dizendo "Bem-vindo ao lar" foram espalhados por toda a cidade.

A essa altura, o custo dos Jogos já haviam dobrado e chegado a 11 bilhões de dólares.

Ao invés de utilizar estruturas provisórias ou locais de competição já existentes, os organizadores preferiram construir instalações gigantes para receber os eventos.

A Companhia de Propriedades Públicas da Grécia (ETAD), que assumiu algumas instalações, negou em 2011 as criticas que elas estavam em péssimo estado de conservação, declarando que elas estavam sendo mantidas por equipes especializadas e que estavam sendo guardadas por equipes de segurança.


Como Atenas, o Rio de Janeiro, sede dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, foi bastante criticado pelo atraso nas obras, tendo os seus preparativos declarados como os piores da história dos Jogos pelo vice-presidente John Coates.

No esforço para assegurar ao mundo que o Rio pode realizar os Jogos a tempo, o comitê organizador apresentou dias depois das criticas, um orçamento geral de 24.1 bilhões, que acrescentado pelas obras de Deodoro, subiram para 37,6 bilhões de reais.

Esse aumento não é uma surpresa para pesquisadores da Universidade de Oxford, que estudaram os Jogos realizados entre Tóquio 1960 e Londres 2012 todos eles não ficaram dentro do orçamento previstos na candidatura.

Os pesquisadores Bent Flyvbjerg e Allison Stewart escreveram que: "Para uma cidade e uma nação que vão sediar uma edição de Jogos Olímpicos, isso significa aceitar o maior risco financeiro que se pode correr atualmente. É um grande perigo que várias nações e cidades tem aprendido." 

Para quem apoia os Jogos, a falha verdadeira não foi em quanto eles custaram para o país ou mesmo em relação ao estado dos locais de competição e instalações construídas para a Olimpíada. Afinal, nem todas estão abandonadas. O IBC (Centro de Televisão Internacional) virou um shopping center, o local de competições do badminton virou um teatro e os locais que ficavam próximos ao Aeroporto de Atenas foram vendidos.


Ao invés disso, eles reclamam da oportunidade perdida em capitalizar nos Jogos Olímpicos. Tanto na questão esportiva, quanto na questão econômica.

No esporte, a Grécia em 2008 e 2012 conseguiu apenas seis medalhas somando os dois Jogos e nenhuma de ouro. Na questão econômica, não conseguiram impulsionar o turismo no país, levando vários hotéis construídos para receber os visitantes durante os Jogos a serem fechados.

O Comitê Olímpico Grego negou as acusações de que os custos para sediar os Jogos Olímpicos contribuíram para a crise financeira do país que perdura desde 2009.

O presidente do Comitê, Spyros Kapralos, disse que: " Os Jogos custaram 8,5 bilhões de Euros. Será que esses 8 bilhões são os culpados pela dívida grega de 360 bilhões de Euros?"

"Se você colocar numa balança. Os aspectos positivos pesam mais que os negativos, entretanto, não conseguimos aproveitar isso." completou Kapralos.



E quanto ao Rio 2016? Nos resta esperar que os governantes aprendam com os erros de Atenas, para não repetir o péssimo exemplo deixado pelos Jogos de 2004 e que o país saiba aproveitar o legado que irá ganhar com a realização do maior evento esportivo do mundo.


Fotos: Getty Images
Fonte: Reuters

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