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| Fotos: BJK Cup |
*Entrevista feita por Carlo Saleme, Gabriel Sanches, Laura Leme e Nathan Raileanu.
Confira abaixo os principais destaques da entrevista de Laura Pigossi. Para ouvir a conversa completa, ouça o SurtoCast em seu tocador de áudio preferido, como o Sportify, para acessar é só clicar aqui
[Quanto à preparação] Acho que dessa vez, eu estava com um peso nas costas de querer me classificar de novo e pelos meus próprios esforços. Precisava me classificar e eu via o Pan Americano como uma oportunidade que eu ia deixar de jogar qualquer torneio para tentar me classificar por lá. Depois do Pan Americano, eu acho que tirei uns 50 kg das costas.
Considerando que Roland Garros será o palco dos jogos, como está seu planejamento para Paris pensando em torneios, na parte física, técnica e mental?
LP: O tênis é um pouco diferente das outras modalidades, a gente segue o nosso calendário normal de torneios e acaba tendo torneio toda semana. Mas eu, por exemplo, esse ano vou acabar esticando mais a temporada de saibro, não jogando muito na grama. Acho que vou jogar um torneio só, Wimbledon, ou talvez um torneio antes se realmente meu técnico quiser, mas por mim eu jogo só Wimbledon para poder realmente ficar mais no saibro e não ter que me adaptar de novo.
LP: Com certeza, eu acho que uma parte de mim para de jogar como Laura Pigossi e começa a jogar por um país inteiro. Onde eu não permito me colocar para baixo, não me permito não dar 100% em cada ponto, então é algo que eu realmente sinto muito nas minhas costas, mas não não é um peso, eu sinto orgulho. Até meu técnico brinca, você tem que jogar com a camiseta do Brasil embaixo da camiseta [normal] nos torneios, porque a diferença é realmente gritante, até a maneira como eu me apresento na quadra, mas é tipo eu realmente ser vista, né? Acho que assim seria a palavra.
LP: Eu comecei a jogar quando eu tinha 6 anos de idade, no Clube Paulistano, que é meu clube até hoje. Comecei a jogar por causa do meu irmão mais velho. Tudo que ele fazia, eu queria fazer também para competir, ter essa rivalidade, e eu queria fazer melhor.
Comecei a jogar torneio Paulista quando eu tinha 9, 10 anos. Depois eu comecei a jogar torneio brasileiro e, quando eu tinha 12 anos, me mudei para uma academia de tênis, porque precisava ver os profissionais treinando para poder me espelhar neles e isso me ajudou bastante.
Acho que quando eu mudei para essa academia, tomei realmente a decisão de querer me tornar tenista profissional. E daí depois, quando eu tinha 15 anos, comecei a jogar torneios internacionais. Depois, com 21, me mudei para Europa para treinar em Barcelona, que, para mim, era o centro do tênis culturalmente e me ajudou muito.
Como você enxerga a nova geração do tênis brasileiro, tanto no feminino, como no masculino? Como você analisa os motivos da base estar tão forte?
LP: Até aquece o coração, né? Porque é muito bom poder ver o tênis crescendo da maneira que está crescendo. Acho que as gerações menores precisavam dessa visibilidade, de acreditar que elas também poderiam conseguir uma medalha olímpica, fazer uma final de dupla de Grand Slams ou semifinal de Roland Garros, que nem fez a Bia. Eu acho que isso é o que realmente mais inspira você quando pequeno. A CBT (Confederação Brasileira de Tênis) está fazendo um trabalho incrível com a base e a gente com certeza vai ver isso daqui uns 5, 10 anos com a quantidade de tenistas que vão surgir graças a esses torneios que estão aparecendo.
Considerando o ótimo momento do tênis feminino brasileiro, vemos muitos pedidos de torneios nível WTA no Brasil. Como vocês atletas veem essa questão?
LP: Eu acho que a Confederação já faz um grande trabalho, eu acho que é tudo um crescimento, né? Do dia para noite a gente não consegue mudar o mundo, mas com certeza vem aumentando o número de torneios, principalmente os de base. Eu acho que também não se consegue fazer só torneios muito grandes, porque a gente acaba usando todo esse dinheiro em um só.
Então acho que as coisas vêm acontecendo pouco a pouco e, com certeza, daqui um, dois anos vamos ter muitos muito mais torneios e poder vivenciar momentos como do Ginásio do Ibirapuera [onde foi realizado a Billie Jean King Cup]. Eu gosto muito de poder ter esse contato com o público brasileiro, eu jogando em casa me sinto jogando no paraíso e, com certeza, se tivessem mais torneios eu provavelmente jogaria todos.
LP: Foi uma sensação de realização. O meu Grand Slam favorito é Roland Garros, mas, para mim, Wimbledon sempre foi o mais autêntico, mais chique - as pessoas vão de terno - e poder estar participando, jogar naquelas quadras, sentir o ambiente foi sensacional.
LP: Eu acho que vai ser uma preparação bem bem interessante, né? Eu sempre tento deixar tudo de mim dentro da quadra e jogar com a maior energia, e com certeza não vai ser diferente.
A gente sabe que a vida do tenista é cheia de altos e baixos, e isso também impacta na questão financeira do tenista profissional. Você pode contar um pouco pra gente de como você se prepara para isso?
LP: Eu tenho patrocinadores que me ajudam e, depois da medalha olímpica, acabei tendo mais visibilidade. Porém, mesmo antes disso, o Banco BRB me ajudava, ele comprou esse meu sonho e acho que deu certo, ele vem me apoiando desde então para eu poder também ficar mais tranquila na quadra. Eu acho que quando você acaba conseguindo viajar com seu técnico tendo essa tranquilidade de só ter que se preocupar no seu calendário e no dentro de quadra em ter a melhor performance ajuda muito.
LP: Para mim o que facilitou muito a minha vida, foi que o meu irmão veio morar em Barcelona antes de mim. Então ele veio um ano antes e quando eu vim ele já estava, depois veio a namorada dele morar aqui também, ela estudou comigo e a conheço desde que eu tenho 11 anos de idade, acaba sendo uma das minhas melhores amigas também.
Então para mim voltar para Barcelona significa voltar para casa, tenho esse sentimento de família. Então, podendo ter a sorte de ter um irmão, ter a mulher dele, tenho os dois cachorros (Chico Bento e Amora) acaba deixando tudo mais aconchegante.


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