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Primeiro classificado, Philipe Chateaubrian destaca treinamento e revela sonho pela medalha em Paris

CBTE/Divulgação



*com Hugo Magliano e Nathan Raileanu

Bem antes dos Jogos olímpicos de Paris começarem, o atirador Philipe Chateaubrian já conseguiu um grande feito: Ser o primeiro brasileiro classificado para a próxima Olimpíada, no campeonato Pan-americano de 2022. O Capitão do exército vem se mantendo nos critérios técnicos estabelecidos pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) para manter a vaga e em entrevista exclusiva para o especial #1AnoParaParis2024 do Surto Olímpico, revela que vem treinando forte para chegar em sua primeira olimpíada com condições de buscar uma medalha olímpica:

"As expectativas são as melhores possíveis. Tenho trabalhado forte para chegar em Paris preparado pra disputar uma medalha. Ainda não conheço a cidade luz e acredito não ter lugar melhor pra disputar minha primeira olimpíada. "

Philipe também falou da sua preparação, dos Jogos Pan-americanos e se ele tem parentesco com o fundador da primeira emissora de TV no Brasil, Assis Chateaubriand neste entrevista que você confere abaixo:


- Você foi o primeiro classificado nominal para a Olimpíada de Paris. Quando você reparou durante a competição que você podia pegar essa vaga e o que você sentiu quando garantiu a classificação?

Sempre tive o sonho de disputar as Olimpíadas e isso foi se tornando cada vez mais forte e real. Quando estava disputando a medalha de ouro e consequentemente a vaga olímpica na competição em que me classifiquei, eu acreditava muito que era possível sim conseguir a tão sonhado classificação pra Paris 2024 e graças a Deus fui presenteado com essa cota. Claro que aquele frio na barriga também esteve lá durante a disputa mas soube lidar com ele e tive um excelente desempenho na final. 


- Que benefícios você conseguiu com essa vaga conquistada com antecedência? 

Um dos principais benefícios foi o tempo de preparação. Há um ano e meio dos Jogos Olímpicos, data da minha classificação, pude me preparar e testar coisas diferentes na parte, física, técnica e psicológica. Além disso, posso testar equipamentos esportivos diferentes, me adaptar a eles com o tempo necessário pra isso e verificar se houve ganhos significativos com essas trocas. 


- A responsabilidade para manter essa vaga pelos critérios te ajuda a se manter focado?

Com toda certeza ! A Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) prestigia o atleta que conquistou a vaga na Olimpíada desde que mantenha os índices pré-estabelecidos, o que é um ótimo incentivo pra eu continuar atingindo o índice e ir muito além dele, até porque meus objetivos na olimpíada não é apenas de participar. Trabalho forte todos os dias pra chegar em condições de disputar uma medalha e porque não a de ouro? Sonhar é de graça ! E foi sonhando e trabalhando muito que já dei alguns passos na direção desse objetivo. 


- Como você se avalia tecnicamente faltando um ano para Olimpíada? O que acha que você precisa para chegar totalmente preparado para Paris?

 Sou o atual campeão pan-americano de tiro esportivo na modalidade de pistola de ar 10m. Por conta dessa conquista terminei em 14º no ranking mundial no ano passado. O crescimento técnico dos meus treinos recentes apontam para uma real possibilidade de fazer frente aos europeus e asiáticos no cenário mundial e chegar forte na disputa olímpica. Estou muito confiante no trabalho que estamos desenvolvendo. 


- Quais as principais competições que você pretende disputar até Olimpíada?

Até a olimpíada irei participar de alguns torneios sul-americanos e do campeonato de tiro das Américas. Também estarei em muitas etapas de copa do mundo, campeonato mundial e Jogos Pan-Americanos de Santiago no Chile em Outubro. 


- O Brasil tem outro grande nome na pistola de ar 10m que é o Felipe Wu, medalhista olímpico. Qual sua relação com o Felipe e a importância de ter um adversário tão forte no mesmo país?

O Wu é um grande amigo e uma referência no esporte. Nosso relacionamento é ótimo e estar competindo frequentemente com um atleta de altíssimo nível como ele faz com que sempre busquemos o nosso melhor em cada treino ou competições. Somos competidores, em hipótese alguma oponentes. E quem ganha com isso é a equipe brasileira que vai sendo constituída por grandes representantes desse esporte olímpico que conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil.


- Como você vê o desenvolvimento do esporte no País? Teve alguma melhora em estruturas para os atiradores depois da medalha olímpica do Felipe Wu?

Acredito que tivemos ganhos sim, hoje temos um excelente estande militar de tiro esportivo onde ocorreu os Jogos olímpicos de 2016. Este legado tem impulsionado a iniciação de novos atletas no esporte.  

CBTE/Divulgação


- Como está sua expectativa para os Jogos Pan-americanos? Já estar garantido em Paris faz você encarar esta competição mais 'leve', focando apenas na medalha (O Pan de Santiago distribui vagas para a Olimpíada) ?

A preparação está a todo vapor. Estar inelegível a cota não reduz minha vontade de ser campeão da competição. Atletas sempre buscam a superação, que seja da prova ou a uma marca pessoal, por exemplo. 


- Como o tiro esportivo apareceu na sua vida?

Eu sou Militar, Capitão do Exército, formado na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras) na turma de 2014. Em 2011, após ser cortado da equipe de futebol dos cadetes, eu fiz um teste bem sucedido na equipe de tiro esportivo usando uma pistola e fui convocado pra participar da Navamaer ( competição entre as três Forças Armadas ). Nos quatro anos que competi, ganhei duas medalhas de ouro, uma prata e um bronze. Logo vi que tinha reais possibilidades de continuar praticando o esporte ao longo da vida. E graças a Deus essa escolha tem dado certo. 


- O tiro esportivo é um esporte de muita precisão e acurácia. Como é seus treinamentos e sua preparação física e mental para as competições?

O tiro esportivo tem uma preparação muito específica por ser um esporte de precisão. Eu divido o treino físico em duas partes: aeróbico e fortalecimento muscular específico. Corridas e bike são os principais aeróbicos que faço ( geralmente na academia ) e séries pra ombro, costas e abdômen que constituem os e exercícios de fortalecimento. Faço um acompanhamento semanal com o psicólogo esportivo Eduardo Cillo do Comitê Olímpico do Brasil, profissional este muito importante na minha equipe multidisciplinar, uma vez que meu esporte é muito mental. 


- Você lida com algum tipo de preconceito por lidar com um esporte que usa arma, por associarem a pistola esportiva com a de fogo?

Infelizmente existe ainda uma falta de conhecimento da modalidade e por vezes associam tiro esportivo com coisas diferentes do esporte. Mas posso afirmar que praticamos um esporte que desenvolve em muito a capacidade de concentração, atenção, equilíbrio corporal, auxilia também no controle da respiração e no desenvolvimento do equilíbrio emocional. Mais que um esporte, O tiro esportivo é uma arte. 

- Agora, uma curiosidade: Você tem algum grau de parentesco com Assis Chateaubriand, que trouxe a televisão para o Brasil e criador da TV Tupi em 1950? 

Já me perguntaram isso antes. Não somos parentes. Aliás, o Chateaubrian (Nota do Editor: sem o d, diferente do antigo magnata da comunicação) do meu nome é “nome” e não “sobrenome”. Meu pai era um admirador dele e também sempre frequentava um lugar onde apreciava sempre o mesmo vinho com o mesmo nome “Chateau” e me fez essa homenagem que tanto gosto. 

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