Guia Tóquio 2020: Tiro com arco - Surto Olímpico

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Guia Tóquio 2020: Tiro com arco

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Como funciona o tiro com arco em Olimpíadas

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Parque Yumenoshima
Período: 22/07 a 31/07
Número de países participantes: 51
Total de atletas: 128
Brasil: 2 atletas 

HISTÓRICO
Apesar do tiro com arco ser uma das modalidades esportivas de prática mais antiga que se tem conhecimento pela humanidade, sua história em Jogos Olímpicos não é tão extensa. A modalidade esteve inserida nos programas de 1900, 1904, 1908 e 1920, mas ficou ausente por 52 anos dos Jogos, só voltando a aparecer em 1972, na edição de Munique, permanecendo regularmente desde então.

Há grandes diferenças entre os dois períodos do tiro com arco olímpico. No primeiro, entre 1900 e 1920, eram realizadas diversas provas que variavam a cada edição, envolvendo distâncias e objetivos distintos. A partir de 1972, surgiu uma padronização das disputas, que passaram a ter uma distância fixa de 70 metros.

Como prova da quantidade exagerada de provas existentes no período, a Bélgica faturou 11 ouros nessas quatro primeiras edições em que a modalidade esteve presente, sendo que oito deles foram obtidos somente quando foi sede, em Antuérpia-1920. Na ocasião, apenas Bélgica e França competiram no tiro com arco. Em quatro provas, apenas atletas belgas foram inscritos e, por isso, não havia como perder.

Apenas cinco países conquistaram medalhas no início do século passado: Bélgica, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Países Baixos. Desde a reintegração na década de 1970, em um momento de maior expansão dos Jogos Olímpicos, 21 países já medalharam no tiro com arco. Apesar disso, os ouros são de domínio dos atletas da Coreia do Sul, que já somam 23 medalhas douradas, nove pratas e sete bronzes desde Los Angeles-1984.

Tiro com arco Coreia do Sul
Kim Soo-Nyung (KOR), dona de 4 ouros olímpicos e eleita a melhor arqueira do século XX  (Foto: Kenneth)

BRASIL
O Brasil nunca conquistou uma medalha no tiro com arco e tem como melhor resultado o nono lugar de Ane Marcelle dos Santos na Rio-2016. O país fez sua primeira aparição olímpica na modalidade em Moscou-1980, com Emilio Dutra e Mello e Arci Kempner, que terminaram em 26º e 27º, respectivamente. Renato Emillio foi o atleta que mais representou o Brasil em Olimpíadas, com três, ao todo, sempre ficando no top-50, de 1984 a 1992. O país participou da disputa por equipes apenas na Rio-2016, por ter sido país-sede. Em ambos os naipes, foi eliminado na primeira rodada.

Tiro com arco Brasil Rio 2016
Ane Marcelle na Rio 2016 (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)
Teremos dois atletas brasileiros em Tóquio: Marcus Vinicius D'Almeida, no masculino, e Ane Marcelle dos Santos, no feminino. Além de disputarem os torneios individuais, eles também poderão competir na chave das equipes mistas. Marcus foi nono colocado no Mundial de 2019, perdendo na flecha desempate, enquanto Ane caiu na primeira rodada. Competindo juntos, eles também foram eliminados na estreia dos combates. Top-20 do mundo, Marcus foi prata no Pan de Lima-2019. 

Tiro com arco Pan Lima 2019
Marcus D'Almeida no Pan de Lima em 2019 (Foto: Abelardo Mendes Jr/Rededoesporte.gov.br)

FORMATO DE DISPUTA
O tiro com arco terá cinco provas na Olimpíada de Tóquio: individual masculino, individual feminino, equipe masculina, equipe feminina e equipe mista, esta última fazendo sua estreia no programa olímpico. Em todas elas, as disputas acontecerão no formato de combate, em mata-mata. Os torneios individuais contarão com 64 atletas cada, as competições por equipes masculina e feminina terão 12 países participando e as equipes mistas possuirão 16 duplas.

Há uma etapa preliminar antes do mata-mata, em que cada um dos atletas dispara 72 flechas. Esta fase serve apenas para definir o chaveamento do torneio e ninguém é eliminado. A partir da pontuação total obtida com os disparos, os atiradores/equipes são classificados em um ranking, que definirá a ordem dos combates. No caso do individual, o primeiro colocado dessa lista enfrenta o 64º na primeira rodada, o segundo encara o 63º e assim sucessivamente até chegar no duelo entre o 32º e o 33º. 

Os combates são disputados em formato de melhor de cinco sets. Em cada set, os atiradores disparam três flechas. Quem obtiver a maior pontuação, vence o set. Cada set dá 2 pontos ao vencedor. Em caso de empate, ambos os atletas ganham 1 ponto. Vence o combate quem triunfar em três sets ou chegar a 6 pontos primeiro. Há a possibilidade de haver empate na partida ao final dos cinco sets. Caso isso ocorra, os atiradores ganham uma flecha extra e aquele que atingir mais próximo o centro do alvo avança de fase.

Em relação às equipes, compostas por três atletas, as quatro mais bem ranqueadas na fase eliminatória avançam direto às quartas de final, enquanto as outras oito disputam a primeira rodada. O formato da disputa mata-mata também é em sets, com a mesma lógica dos torneios individuais. A diferença é que cada equipe faz seis disparos em um set, dois por atleta, e quem chegar a 5 pontos primeiro, vence. Nas equipes mistas, com um homem e uma mulher, serão 16 duplas, sendo que o chaveamento é iniciado nas oitavas.

Coreia do Sul no tiro com arco

ANÁLISE

INDIVIDUAL - MASCULINO
Ranqueamento: 23/07 às 01h
1ª e 2ª rodadas: 26/07 a 29/07, sessões às 21h e às 04h
Oitavas de final: 30/07 a partir das 21h
Quartas de final, semifinais e disputa de medalhas: 31/07 a partir das 02h45

Favoritos ao ouro: Kim Woo-jin (KOR) e Brady Ellison (USA)
Candidatos à medalha: Mauro Nespoli (ITA), Jack Williams (USA), Steve Wijler (NED) e Mete Gazoz (TUR)
Podem surpreender: Nicholas D'Amour (ISV), Marcus D'Almeida (BRA), Khairul Anuar Mohamad (MAS), Md Ruman Shana (BAN), Pablo Acha (ESP), Kim Je-deok (KOR), Oh Jin-hyek (KOR), Sjef Van den Berg (NED), Maximilian Weckmueller  (GER) e Atanu Das (IND)
Brasil: Marcus D'Almeida

O norte-americano Brady Ellison e o sul-coreano Kim Woo-jin despontam como favoritos ao ouro no individual masculino. Bronze na Rio-2016, Brady é o atual campeão e recordista mundial, tendo sido medalhista de bronze na Rio-2016. Ele é muito regular, sendo presença constante no top-4 das Copas do Mundo. Já Kim é o recordista olímpico e foi o vencedor da fortíssima seletiva sul-coreana do tiro com arco, disputada em abril. 

tiro com arco Estados Unidos
Brady Ellison no Mundial de 2019 (Foto: Divulgação/USA Archery)
A verdade é que a disputa pelas medalhas está bem aberta. Donos de uma bela regularidade no ciclo olímpico e, em especial, no circuito das Copas do Mundo deste ano, Mauro Nespoli (ITA), Jack Williams (USA), Steve Wijler (NED) e Mete Gazoz (TUR) aparecem como alguns dos principais candidatos ao pódio. Nespoli tem dois ouros olímpicos, incluindo um no individual de Londres-2012. Jack foi prata na Copa do Mundo de Paris, no mês passado.

Uma série de atletas também está bem posicionado para brigar por uma medalha, mas correm por fora. Um deles é o brasileiro Marcus Vinicius D'Almeida, atualmente na 25ª colocação do ranking mundial. Marcus é um dos maiores nomes da história do tiro com arco brasileiro, tendo sido prata no Pan de Lima. Ele chegou nas oitavas de final do Mundial, em 2019, e nas quartas da Copa do Mundo de Paris, em junho deste ano.

Tiro com arco Rio 2016
Marcus D'Almeida na Rio 2016 (Foto: Jewel Samad / AFP)
Outro destaque é o jovem Nicholas D'Amour, de apenas 19 anos, que vive uma ascensão fenomenal na carreira. Este ano, ficou com a prata no Grand Prix de Antalya e foi quarto colocado na Copa do Mundo de Lausanne, sexto na Copa do Mundo da Guatemala e chegou nas quartas de final da Copa do Mundo de Paris. Sua regularidade o fez atingir o top-10 do ranking mundial. 

INDIVIDUAL - FEMININO
Ranqueamento: 22/07 às 21h
1ª e 2ª rodadas: 26/07 a 29/07, sessões às 21h e às 04h
Oitavas de final: 29/07 a partir das 21h
Quartas de final, semifinais e disputa de medalhas: 30/07 a partir das 02h45

Favoritas ao ouro: Kang Chae Young (KOR) e Lei Chien-Ying (TPE)
Candidatas à medalha: Jang Minhee (KOR), An San (KOR), Ksenia Perova (RUS), Tan Ya-ting (TPE), Mackenzie Brown (USA) e Deepika Kumari (IND)
Podem surpreender: Alejandra Valencia (MEX), Elena Osipova (RUS), Aida Roman (MEX), Maja Jager (DEN), Michelle Kroppen (GER), Lisa Barbelin (FRA), Svetlana Gomboeva (RUS), Ana Vazquez (MEX), Alexandra Mirca (MDA) e An Qixuan (CHN)
Brasil: Ane Marcelle dos Santos

Assim como no masculino, a disputa individual feminina tem duas claras favoritas ao ouro: Kang Chae-Young, da Coreia do Sul, e Lei Chien-Ying, do Taiwan. As duas fizeram a final do último Mundial, em 2019, vencido pela taiwanesa. Ambas não competem internacionalmente desde março do ano passado, mas Kang venceu há três meses a forte seletiva nacional do tiro com arco. 

Kang Chae-Young em etapa da Copa do Mundo em 2017 (Foto: Divulgação/WorldArchery)
A briga por um pódio é acirrada, com pelo menos sete atletas credenciadas a uma medalha, entre elas Jang Minhee e An San, que podem manter a tradição de dobradinha sul-coreana no individual feminino; a indiana Deepika Kumari, prata no evento-teste de 2019 e campeã das Copas do Mundo da Guatemala e de Paris este ano; a russa Ksenia Perova, campeã mundial em 2017; a taiwanesa Tan Ya-ting, bronze no Mundial de 2017; a estadunidense Mackenzie Brown, semifinalista nas Copas do Mundo da Guatemala e de Paris; e a chinesa Zheng Yichai.

A campeã europeia Lisa Barbelin, da França; Elena Osipova, da Rússia; a vice-campeã olímpica em 2012, Aida Román, do México; e a semifinalista no último Mundial, Michelle Kroppen, da Alemanha, são nomes certos que podem brigar por medalha num dia bom. Além delas, também podem surpreender as mexicanas Ana Vazquez e Alejandra Valencia, a moldávia Alexandra Mirca, a russa Svetlana Gomboeva e a chinesa An Qixuan, donas de importantes resultados no ciclo.

Ane Marcelle dos Santos será a representante brasileira na disputa feminina. Ela é dona do melhor resultado do tiro com arco brasileiro em Olimpíadas, com o nono lugar conquistado na Rio-2016. Sua expectativa é repetir o bom desempenho em Tóquio, mas Ane está distante de uma medalha. Ela foi campeã do Pré-Olímpico das Américas, em março, e caiu na primeira rodada eliminatória na útlima Copa do Mundo, no mês passado.

tiro com arco Brasil
Ane Marcelle no Pré-Olímpico das Américas (Foto: Divulgação/World Archery)

EQUIPES - MASCULINO
Ranqueamento: 23/07 às 01h
Oitavas de final: 25/07 a partir das 21h30
Quartas de final, semifinais e disputa de medalhas: 26/07 a partir das 01h45

Favoritos ao ouro: Estados Unidos (USA) e Coreia do Sul (KOR)
Candidatos ao pódio: China (CHN), Países Baixos (NED) e Índia (IND)
Podem surpreender: Austrália (AUS) e Taiwan (TPE)
Brasil: não tem

Estados Unidos e Coreia do Sul são os principais favoritos ao ouro da disputa por equipes masculina. Apesar de ter tido desempenhos abaixo do esperado nos Mundiais de 2017 e de 2019 - conquistou "apenas" bronzes -, a Coreia aparece a frente das demais equipes por sua regularidade no ciclo e a tradição em Olimpíadas, tendo faturado quatro dos últimos cinco ouros disputados. 

Coreia do Sul e Países Baixos se enfrentando no Mundial de 2019 (Foto: Divulgação/World Archery)
Os Estados Unidos, por sua vez, tem em seu plantel Brady Ellison e Jack Williams, dois dos principais nomes do tiro com arco da atualidade. A equipe foi prata nas duas últimas edições olímpicas, em Londres-2012 e na Rio-2016, e vai em busca do segundo ouro de sua história. 

Três países aparecem atrás de americanos e coreanos na briga por uma medalha. Uma delas é a China, que é a atual campeã mundial e já derrotou a Coreia do Sul em algumas vezes neste ciclo. Os Países Baixos também possuem uma equipe fortíssima e foram campeões europeus em junho. A Índia foi vice-campeã mundial em 2019 e costuma ter uma boa fase de ranqueamento. 

A Austrália segue entre as principais equipes do mundo e pode surpreender para buscar uma medalha, assim como fez em 2016, quando foi bronze. Taiwan é outra equipe que já superou por diversas vezes a Coreia do Sul e, com resultados regulares no ciclo, também é credenciada ao pódio num dia bom. A França foi vice-campeã mundial em 2017.


EQUIPES - FEMININO
Ranqueamento: 22/07 às 21h
Oitavas de final: 24/07 a partir das 21h30
Quartas de final, semifinais e disputa de medalhas: 25/07 a partir das 01h45

Favoritos ao ouro: Coreia do Sul (KOR) e Taiwan (TPE)
Candidatas à medalha: China (CHN), México (MEX) e Itália (ITA)
Podem surpreender: Grã-Bretanha (GBR), Rússia (RUS) e Alemanha (GER)
Brasil: não tem

Defendendo uma das hegemonias mais duradouras da atualidade, a Coreia do Sul é favorita ao ouro nas equipes femininas. O país foi campeão olímpico em todas as sete edições em que a prova esteve presente no programa, conquistando, assim, a medalha dourada desde Seul-1988. No ciclo, foi campeão mundial em 2017 e vice em 2019 e venceu 12 das 14 competições disputadas nos quatro anos (com os principais nomes em ação).

Equipe de Taiwan no Mundial de 2019  (Foto: Divulgação/World Archery)
Taiwan é a principal ameaça coreana na quebra do tabu, já tendo batido os rivais na final do Mundial de 2019. O país chegou pelo menos na semifinal nas três edições de Copa do Mundo que disputou em 2019. Este ano, não participou de nenhum evento internacional. 

Vice-campeão mundial em 2017, o México teve um primeiro semestre de 2021 espetacular e está consolidado por uma medalha. O país venceu o Pré-Olímpico Mundial e foi medalhista de prata nas três edições de Copa do Mundo disputadas este ano. Quarta colocada no Mundial de 2019, a China também luta pelo pódio, assim como a Itália, prata na Copa do Mundo de Medellin e ouro na Copa do Mundo de Berlim, em 2019.

EQUIPES MISTAS
Ranqueamento feminino: 22/07 às 21h
Ranqueamento masculino: 23/07 às 01h
Oitavas de final: 23/07 a partir das 21h30
Quartas de final, semifinais e disputa de medalhas: 24/07 a partir das 02h15

Favoritos ao ouro: Kim Woo-jin/Kang Chae Young (KOR)
Candidatos à medalha: Brady Ellison/Khatuna Lorig (USA), Sjef van den Berg/Gabriela Schloesser (NED), Lei Chien-Ying/Tang Chih-Chun (TPE) e Atanu Das/Deepika Kumari (IND)
Podem surpreender: Zheng Yichai/Wei Shaoxuan (CHN), Furukawa Takaharu/Tomomi Sugimoto (JPN) e Mauro Nespoli/Vanessa Landi (ITA)
Brasil: Marcus Vinicius D'Almeida/Ane Marcelle dos Santos
 
Com um homem e uma mulher, apenas 29 países estão classificados para a disputa de equipes mistas em Tóquio. Assim como nas demais provas, a Coreia do Sul é favorita ao ouro. Kim Woo-jin e Kang Chae Ting devem ser os representantes do país na competição, por serem os líderes de seus respectivos naipes.

Kang Chae-Young e Lee Woo-Seok são os atuais campeões do mundo (Foto: Divulgação/World Archery)
O time neerlandês, com Gaby Schloesser e Sjef van den Berg, é um dos principais favoritos à medalha. A equipe foi vice-campeã mundial em 2019 e conquistou o ouro em Lausanne e a prata em Paris, nas etapas de Copa do Mundo disputadas este ano. A Índia também é consolidada ao pódio, com Atanu Das e Deepita Kumari em grande fase, sendo ouro em Paris em junho. 

Países que também vão brigar pelo ouro no individual e nas equipes mistas são Estados Unidos e Taiwan. Os EUA poderão contar com Brady Ellison ou Jack Williams - que podem fazer dobradinha no individual masculino - como homem e Causey Haufhold ou Khatuna Lorig como mulher. Taiwan, por sua vez, contará com Lei Chien-Ying ou Tan Ya-Ting no feminino e Tang Chih-Chun no masculino. 

Como a prova é uma novidade em Jogos Olímpicos - fará sua estreia em Tóquio -, muitas surpresas podem acontecer. Assim, não é possível descartar duplas como as de Zheng Yichai/Wei Shaoxuan (CHN), Furukawa Takaharu/Tomomi Sugimoto (JPN) e Mauro Nespoli/Vanessa Landi (ITA). Os brasileiros Marcus Vinicius D'Almeida e Ane Marcelle dos Santos lutarão para ficar entre os 16 melhores da fase de ranqueamento e disputar o mata-mata.

Brasil tiro com arco dupla mista
A dupla brasileira do tiro com arco (Foto: Divulgação/COB)

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