Guia Tóquio 2020: Saltos Ornamentais - Surto Olímpico

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Guia Tóquio 2020: Saltos Ornamentais

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Como funciona os saltos ornamentais

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Centro Aquático
Data do evento: 25 de julho a 7 de agosto
Número de países participantes: 30
Atletas participantes: 144
Brasil: 4 atletas (Kawan Pereira, Isaac Souza e Ingrid Oliveira na plataforma de 10m e Luana Lira no tramplim de 3m)

HISTÓRICO
Os saltos ornamentais entraram no programa olímpico em 1904, nos Jogos de St. Louis. Curiosamente, a estreia da modalidade veio antes da fundação da Federação Internacional de Natação (FINA), entidade que administra os esportes aquáticos até os dias atuais e que só seria criada em 1908. Com a competição sendo disputada nos Estados Unidos, os donos da casa dominaram os primeiros pódios, com dois ouros em dois eventos disputados: plataforma e “mergulho à distância” (leia mais abaixo).

Nas edições seguintes, os norte-americanos continuaram controlando a maior parte das disputas. Nesse meio tempo, grandes nomes da história do esporte surgiram. É o caso de Greg Louganis, considerado por muitos o maior saltador de todos os tempos. Campeão Olímpico no trampolim de 3m em 1984, Louganis era o favorito ao bicampeonato em Seul 1988. Porém, em uma cena emblemática, ele bateu a cabeça no trampolim durante um salto nas eliminatórias e por pouco não perdeu a vaga na final.

Acidente de Greg Louganis nos Jogos Olímpicos de Seul 1988
Acidente de Greg Louganis nos Jogos de Seul - Foto: AFP
Mesmo com pontos na cabeça, Louganis optou por participar da grande decisão, e não fez feio. Muito pelo contrário: foi melhor que todos os seus concorrentes e conquistou o bicampeonato. Ao todo, o norte-americano conquistou 4 ouros e 1 prata em sua carreira olímpica. Atualmente, aos 61 anos, Greg é um importante ativista dos direitos LGBTQIA+ e da comunidade soropositiva nos Estados Unidos.

O programa dos saltos ornamentais mudou pouco ao longo das décadas. Entre Amsterdã 1928 e Atlanta 1996, os mesmos quatro eventos foram disputados em todas as edições: trampolim de 3 metros e plataforma de 10 metros para homens e para mulheres. A última mudança veio em Sydney 2000, quando foram adicionadas as disputas sincronizadas para cada um dos eventos, dobrando o número total de provas de quatro para oito.

Chen Ruolin e Liu Huixia (CHN) na Rio 2016 - Foto: Reprodução/CGTN
O domínio dos Estados Unidos durou até os anos 1990. Foi quando a China mostrou uma evolução impressionante na modalidade e passou a varrer os quadros de medalha a cada edição. A inclusão da disputa em duplas ajudou a China a ganhar um grande número de medalhas desde então. A partir de 2000, o país venceu 16 dos 20 eventos sincronizados realizados. Atualmente, os chineses têm um total de 40 ouros, contra 49 dos norte-americanos.

BRASIL
O Brasil participou dos saltos ornamentais em Olimpíadas logo em sua estreia nos Jogos, em Antuérpia 1920. Na ocasião, o paulista Adolfo Wellisch participou de três eventos, incluindo a extinta prova de “plain high diving”, em que os atletas saltavam de grandes plataformas sem executar qualquer acrobacia. 

Após Wellisch, o Brasil só voltaria a participar da modalidade depois da Segunda Guerra Mundial, com o trio Milton Busin, Gunnar Kemnitz e Haroldo Mariano disputando os Jogos de Londres 1948. Busin ainda teria destaque em Helsinque 1952, quando terminou a prova do trampolim masculino na sexta posição. Até hoje, é a melhor colocação de um brasileiro em um evento dos saltos ornamentais na história dos Jogos de Verão.

Oito anos depois, a primeira saltadora brasileira representou o país em Olimpíadas: Mary Proença, que competiu na plataforma feminina em Melbourne 1956. No mesmo ano, estreou Fernando Ribeiro, que também disputou os Jogos Olímpicos de 1960, em Roma. Fernando seguiu competindo mesmo depois da aposentadoria, sendo campeão mundial Masters em 1998, aos 60 anos. Ele faleceu em maio de 2018, no Rio de Janeiro.

A próxima mulher do Brasil a participar do esporte viria apenas na década de 1980, quando Ângela Mendonça Ribeiro se classificou para os Jogos de Los Angeles 1984 e de Seul 1988. Outra grande saltadora da história olímpica brasileira é Juliana Veloso. A carioca estreou nos Jogos de Sydney 2000 e participou de todas as edições até a Rio 2016. Por isso, ela é a atleta brasileira com mais participações olímpicas na modalidade: cinco.

Além de Juliana Veloso, o Brasil classificou outros oito atletas de saltos ornamentais para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Entre eles, destaque para César Castro, que chegou à final do trampolim de 3m masculino, terminando na nona posição. Outros nomes importantes foram Hugo Parisi e Ingrid Oliveira.

Para Tóquio, o Brasil terá quatro nomes: Kawan Pereira e Isaac Souza, na plataforma de 10m masculina; Ingrid Oliveira, na plataforma 10m feminina; e Luana Lira, no trampolim de 3m feminino.

Saltos ornamentais nas Olimpíadas


FORMATO DE DISPUTA
Nas provas individuais, os saltadores disputam uma fase preliminar, na qual os 18 melhores se classificam para as semifinais. Depois, os 12 melhores avançam para a grande decisão. Em todas as etapas, os homens realizam seis saltos, enquanto as mulheres executam cinco. O resultado final de um atleta é a soma das notas de todos os saltos realizados por ele ou ela na prova.

A nota de um salto é atribuída a partir de parciais dadas por sete jurados, que avaliam a apresentação e dão um valor entre 0 e 10. Dessas notas, são descartadas as duas maiores e as duas menores, restando as três notas intermediárias. Por fim, o valor obtido pela soma dessas três notas é multiplicado pelo índice de dificuldade do movimento, que é específico para cada salto escolhido. 

Já nos eventos sincronizados, apenas a final é disputada, com as 8 duplas classificadas competindo entre si. Assim como ocorre no individual, cada dupla masculina performa seis saltos, enquanto as parcerias femininas fazem cinco. Cada performance é avaliada não só pelo primor técnico, mas também pelo sincronismo entre os dois atletas. A pontuação de cada salto é dada de forma semelhante ao individual.

ANÁLISE
FEMININO

TRAMPOLIM 3M - INDIVIDUAL
Eliminatórias: 30/07 às 03h
Semifinal: 31/07 às 03h
Final: 01/08 às 03h
Número de atletas participantes: 27, de 17 países

Favoritas ao ouro: Shi Tingmao e Wang Han (CHN);
Candidata ao pódio: Jennifer Abel (CAN);
Podem surpreender: Esther Qin (AUS), Sayaka Mikami (JAP) e Sarah Bacon (USA)
Brasil: Luana Lira

Vencedora nas últimas oito edições olímpicas (as duas últimas, com ouro e prata), a China tem tudo para repetir a dobradinha no trampolim de 3 metros feminino. No Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 2019, disputado em Gwangju, na Coreia do Sul, Shi Tingmao foi ouro e Wang Han foi prata. As duas estarão em Tóquio e vão brigar entre si pelo ouro.

Shi e Wang com suas medalhas do Mundial de 2019 - Foto: VCG Photo
A australiana Maddison Keeney, medalhista de bronze na Rio 2016 no Mundial de 2019, não está inscrita nos Jogos Olímpicos. Com isso, a favorita ao terceiro lugar em Tóquio é a canadense Jennifer Abel. A japonesa Sayaka Mikami (JAP), a australiana Esther Qin e a estadunidense Sarah Bacon (USA) correm por fora. Única brasileira na prova, Luana Lira briga por vaga na semifinal.
Luana Lira nos Jogos Pan-Americanos 2019 - Foto: Washington Alves/COB


PLATAFORMA 10M - INDIVIDUAL
Eliminatórias: 04/08 às 03h
Semifinal: 04/08 às 22h
Final: 05/08 às 03h
Número de atletas participantes: 30, de 20 países

Favorita ao ouro: Chen Yuxi (CHN);
Candidatas ao pódio: Quan Hongchan (CHN), Meaghan Benfeito (CAN) e Melissa Wu (AUS);
Podem surpreender: Delaney Schnell (USA), Pandelela Pamg (MAL) e Matsuri Arai (JAP)
Brasil: Ingrid Oliveira

A grande favorita ao ouro na plataforma feminina é a chinesa Chen Yuxi, de apenas 15 anos. Apesar da pouca idade, Chen foi campeã em Gwangju com mais de 60 pontos de vantagem para a segunda colocada (na época, ela tinha 13 anos). A tendência é que ela vença a prova e mantenha a hegemonia chinesa nos saltos ornamentais.

Porém, uma atleta ainda mais jovem pode surpreender e ficar com o ouro. Aos 14 anos, Quan Hongchan chega aos Jogos de Tóquio tendo vencido o fortíssimo Campeonato Chinês no ano passado. Se Chen bobear, Quan certamente estará a postos para beliscar a medalha de ouro. 

As principais candidatas ao pódio são a canadense Meaghan Benfeito, bronze na Rio 2016, e a australiana Melissa Wu. Também estão no bolo a estadunidense Delaney Schnell (bronze em Gwangju), a malaia Pandelela Pamg (campeã da Copa do Mundo deste ano) e a japonesa Matsuri Arai. Ingrid Oliveira representa o Brasil e, caso esteja em um bom dia, pode brigar até por uma vaga na final.

Pan Lima 2019 Ingrid Oliveira
Ingrid Oliveira no Pan de Lima 2019 - Foto: Abelardo Mendes Jr./Rededoesporte.gov.br


TRAMPOLIM 3M - SINCRONIZADO
Final: 25/07 às 03h
Número de atletas participantes: 16, de 8 países

Favorita ao ouro: China;
Candidato ao pódio: Canadá;
Podem surpreender: Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e México;
Brasil: não tem

O trampolim feminino sincronizado abre as disputas dos saltos ornamentais em Tóquio 2020, no dia 25 de julho. Favoritas ao ouro no individual, Shi Tingmao e Wang Han também formarão a dupla chinesa na prova. As duas foram campeãs mundiais em 2019 e devem ficar com o ouro também em Tóquio. 

Suas principais adversárias serão as canadenses Jennifer Abel e Mélissa Citrini-Beaulieu, prata no Mundial de Gwangju de 2019. As duplas de Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e México correm por fora e devem disputar o bronze.

Canadá saltos ornamentais
Abel e Citrini-Beaulieu (CAN) na Copa do Mundo 2021 - Foto: Graham Hughes/Canadian Press

PLATAFORMA 10M - SINCRONIZADO
Final: 27/07 às 03h
Número de atletas participantes: 16, de 8 países

Favorita ao ouro: China;
Candidatos ao pódio: Canadá e Malásia;
Podem surpreender: Grã-Bretanha e México;
Brasil: não tem

Chen Yuxi e Zhang Jiaqi têm a missão de manter a escrita da China de nunca ter perdido nenhuma disputa da plataforma sincronizada feminina desde a entrada da prova no programa olímpico, em Sydney 2000. A tarefa não deve ser difícil para elas, que devem vencer a prova com tranquilidade.

Um degrau abaixo, estão as canadenses Meaghan Benfeito e Caeli McKay, que podem ameaçar as chinesas caso estejam em um dia perfeito. Outra dupla interessante é a da Malásia, formada por Pandelela Pamg e Leong Mun Yee, que foram medalhistas de prata no Mundial de 2019. Grã-Bretanha e México tentam aprontar.

Malásia, saltos ornamentais
Pang e Mun Yee (MAS) no Mundial de 2019 - Foto: AFP

MASCULINO

TRAMPOLIM 3M - INDIVIDUAL
Eliminatórias: 02/08 às 03h
Semifinal: 02/02 às 22h
Final: 03/08 às 03h
Número de atletas participantes: 29, de 20 países

Favorito ao ouro: Xie Siyi (CHN)
Candidatos ao pódio: Wang Zongyuan (CHN) e Jack Laugher (GBR);
Pode surpreender: Patrick Hausding (ALE)
Brasil: não tem

O ouro do trampolim de 3 metros masculino deve ir para o chinês Xie Siyi. Bicampeão do mundo, Xie venceu o Mundial de 2019 com quase 30 pontos de vantagem sobre Cao Yuan, que irá focar nas provas de plataforma em Tóquio. O favoritismo no Japão será grande para o saltador de 25 anos, que vai para sua primeira Olimpíada.

Xie Siyi da China
Xie Siyi no Mundial de 2017 - Foto: VCG Photo
O segundo saltador chinês na disputa será Wang Zongyuan, campeão mundial do trampolim de 1 metro em 2019 - evento que não é olímpico. Wang deve brigar pela prata com o britânico Jack Laugher, vice-campeão olímpico em 2016 e bronze no Mundial. Já o alemão Patrick Hausding, terceiro colocado na Rio 2016, pode surpreender caso repita a grande forma que mostrou há cinco anos.

PLATAFORMA 10M - INDIVIDUAL
Eliminatórias: 06/08 às 03h
Semifinal: 06/08 às 22h
Final: 07/08 às 03h
Número de atletas participantes: 29, de 18 países

Favoritos ao ouro: Cao Yuan (CHN) e Jian Yang (CHN);
Candidato ao pódio: Aleksandr Bondar (ROC)
Pode surpreender: Tom Daley (GBR);
Brasil: Kawan Pereira e Isaac Souza

A plataforma masculina promete ter uma disputa acirrada entre dois chineses pelo lugar mais alto do pódio. Teremos em Tóquio o atual campeão olímpico do trampolim, Cao Yuan, enfrentando o campeão mundial de 2019, Jian Yang. Dificilmente essa dupla não fará ouro e prata nos Jogos. A expectativa é para saber qual dos dois terminará na frente.

Cao Yuan na Rio 2016 - Foto: AP
Curiosamente, nenhum dos três medalhistas olímpicos de 2016 estará em Tóquio - Chen Aisen (CHN), Germán Sánchez (MÉX) e David Boudia (USA). Com isso, o principal candidato ao bronze é o russo Aleksandr Bondar, bronze no Mundial de 2019. O britânico Tom Daley, campeão mundial da prova em 2009 e em 2017, fez uma boa Copa do Mundo em 2021 e pode surpreender.

A prova ainda terá a participação de dois brasileiros: Kawan Figueiredo e Isaac Souza. Os dois tiveram resultados interessantes no ciclo, com Isaac tendo ficado a apenas 14 pontos da final do Mundial de 2019 e Kawan chegando à decisão da Copa do Mundo deste ano. Ambos brigam por uma vaga na final, que seria um resultado excelente.

Kawan e Isaac no Pan de Lima 2019 - Foto: Abelardo Mendes Jr./Rededoesporte.gov.br


TRAMPOLIM 3M - SINCRONIZADO
Final: 28/07 às 03h;
Número de atletas participantes: 16, de 8 países

Favoritos ao ouro: China e Grã-Bretanha;
Candidato ao pódio: México;
Podem surpreender: Alemanha, Comitê Olímpico da Rússia, Estados Unidos, Itália e Japão;
Brasil: não tem

Sem Cao Yuan, que irá focar nas provas de plataforma, o campeão mundial Xie Siyi terá a companhia de Wang Zongyuan, seu rival na prova individual, na disputa sincronizada. Os dois competiram pouco juntos, mas seguem favoritos ao ouro na prova. Vale lembrar que a China ficou com o bronze na Rio 2016, no que foi a única prova não vencida por saltadores do país em toda a edição.

Na ocasião, quem conquistou o ouro foi a Grã-Bretanha. Em Tóquio, o país chegará forte novamente, com uma dupla formada pelo remanescente de 2016, Jack Laugher, e pelo talentoso Daniel Goodfellow. Os dois foram vice-campeões mundiais em 2019 e fizeram uma pontuação excelente na Copa do Mundo em Tóquio neste ano, mostrando que podem dar trabalho aos chineses.

O México é candidato ao bronze, contando com a dupla medalhista de bronze no último mundial - Yahel Castillo e Juan Celaya. Correm por fora as duplas de Alemanha, Rússia, Estados Unidos e Itália, que obtiveram resultados muito próximos entre si na Copa do Mundo. País-sede, o Japão também pode surpreender.

México, Saltos Ornamentais
Castillo e Celaya (MEX) nos Jogos Pan-Americanos 2019 - Foto: Mexsport

PLATAFORMA 10M - SINCRONIZADO
Final: 26/07 às 03h;
Número de atletas participantes: 16, de 8 países

Favorita ao ouro: China;
Candidatos ao pódio: Rússia e Grã-Bretanha;
Podem surpreender: Coreia do Sul, México, Canadá e Ucrânia;
Brasil: não tem

Com a dupla que é a atual campeã mundial da plataforma sincronizada - Cao Yuan e Chen Aisen - inscrita nos Jogos, só um desastre tiraria o ouro da China na competição. Os dois venceram o Mundial de 2019 com mais de 40 pontos de vantagem para os russos Aleksander Bondar e Viktor Minibaev, que são os principais candidatos à prata também em Tóquio.

Outro país que deve brigar por medalha é a Grã-Bretanha. Com Tom Daley e Matty Lee, o país foi bronze no Mundial de 2019 e venceu a Copa do Mundo deste ano. Coreia do Sul, México, Canadá e Ucrânia devem brigar entre si pela 4ª posição na competição. Para chegar ao pódio, precisam de uma grande apresentação.

Saltadores Tom Daley e Matty Lee da Grã-Bretanha
Daley e Lee no Europeu de 2021 - Foto: Divulgação/LEN

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