Guia Tóquio 2020: Pentatlo Moderno - Surto Olímpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Pesquisar:

Últimas Notícias

Guia Tóquio 2020: Pentatlo Moderno

Compartilhe

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Musashino Forest Sports Plaza (1ª fase esgrima) e Estádio de Tóquio
Data do evento: 05/08 a 07/08
Número de países participantes: 31
Atletas participantes: 72
Brasil: 1 atleta (Maria Iêda Guimarães)

HISTÓRICO
O pentatlo moderno é uma das modalidades mais tradicionais dos Jogos Olímpicos. Pouco conhecido no Brasil, o esporte engloba cinco disputas diferentes em uma. Os atletas devem jogar esgrima, nadar, andar à cavalo, correr e atirar com maestria para atingirem o lugar mais alto do pódio. Por isso, muitos dizem que quem vence a prova do pentatlo moderno é o “esportista mais completo do mundo”.

O ato de competir em cinco provas diferentes vem da Grécia Antiga, quando os atletas competiam no salto em distância, na corrida, no lançamento do disco e de lança e no wrestling. Já o grupo de cinco modalidades que compõem o pentatlo moderno foi montado para os Jogos Olímpicos de Estocolmo 1912, com apoio do Barão Pierre de Coubertin. A Suécia, dona da casa, dominou o pódio do individual masculino, único evento do esporte disputado na ocasião.

Gösta Lilliehöök (SWE) ouro no pentatlo moderno em 1912 - Foto: Divulgação/UIPM
A força da Suécia se manteve nas edições seguintes, com o país escandinavo vencendo todas as provas da modalidade até Melbourne 1956 (exceto em Berlim 1936, quando o alemão Gotthard Handrick foi o campeão). Quatro anos antes, em Helsinque 1952, a prova por equipes no masculino foi introduzida, com ouro para a Hungria e prata para a Suécia. Esse evento foi disputado até Barcelona 1992.

Ainda em 1948, o primeiro Campeonato Mundial foi organizado pela recém-fundada União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM). A sede escolhida foi novamente a capital sueca Estocolmo. Apesar da importância do país nas décadas de introdução do esporte, a Suécia perdeu espaço no cenário internacional a partir da segunda metade do Século XX.

Até então, apenas atletas homens competiam no pentatlo moderno. A UIPM só passou a aceitar a participação de mulheres no Mundial de 1977, de forma experimental. O primeiro torneio exclusivamente feminino foi realizado somente em 1981. Já nos Jogos Olímpicos, a inclusão do individual feminino ocorreu apenas em Sidney 2000. A britânica Stephanie Cook foi a primeira campeã olímpica.

Stephanie Cook com seu ouro em Sydney 2000 - Foto: PA Photo
Desde sua criação, o pentatlo moderno passou por diversas transformações. Uma delas foi a troca do tiro com pistolas de 25m em alvos móveis para o uso de pistolas de 10m em alvos fixos, em 1994. Outra mudança foi a fusão das provas de corrida com a de tiro, em 2009, com os eventos sendo realizados de forma combinada. A esgrima também ganhou uma rodada bônus em 2013, dando uma nova oportunidade de somar pontos aos atletas.

Na Rio 2016, o russo Aleksander Lesun e a australiana Chloe Esposito foram os medalhistas de ouro, com ambos os atletas quebrando o recorde olímpico. Curiosamente, o irmão de Chloe, Max Esposito, também competiu nos Jogos e terminou na sétima colocação. Ele era o mais jovem dos participantes da prova masculina, com 19 anos de idade.

BRASIL
A Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM) surgiu em 2001, quando o controle sobre a modalidade no Brasil saiu das mãos da Confederação Brasileira de Desportos Terrestres. Apesar da independência recente, o país competiu pela primeira vez no esporte nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Três atletas representaram a nação verde e amarela na ocasião: Guilherme Catramby Filho, Rui Duarte e Anísio da Rocha.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil seguiu marcando presença nas Olimpíadas até 1964. Nesse período, o país enviou o time masculino completo em quatro oportunidades, conseguindo um expressivo sexto lugar na prova por equipes de Helsinque 1952, com Eduardo de Medeiros, Aloysio Borges e Eric Marques. Na mesma edição, Eduardo de Medeiros foi o 10º colocado na prova individual, melhor marca de um homem brasileiro na história olímpica.

Yane Marques compete no pentatlo moderno na Rio 2016
Yane Marques na Rio 2016 - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Após a participação de José Pereira em Tóquio 1964, o pentatlo moderno brasileiro entrou em um hiato de 40 anos. O retorno do país ao esporte em Olimpíadas só veio em Atenas 2004, com Daniel Santos e Samantha Harvey se classificando. A edição seguinte, porém, marcaria a estreia olímpica do maior nome brasileiro na história da modalidade: Yane Marques.

Pernambucana de Afogados da Ingazeira, Yane foi campeã dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007. Com o título, ela foi a única pentatleta brasileira a se classificar para Pequim 2008. Aos 24 anos, sua participação foi discreta: 17º lugar. O sucesso só viria no ciclo seguinte, quando foi campeã dos Jogos Mundiais Militares e prata no Pan de Guadalajara em 2011, chegando ao terceiro lugar no ranking mundial.

Yane Marques bronze Londres 2012 pentatlo moderno
Yane com sua medalha olímpica - Foto: Darren Staples/Reuters
O ápice veio nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Cotada para o pódio, Yane terminou a etapa de esgrima na sexta posição. Depois, subiu para segundo na natação e manteve a colocação após a prova de hipismo. Restava o evento combinado de corrida e tiro para a consagração. E ela veio: a brasileira chegou em terceiro lugar e conquistou o inédito bronze para o Brasil na modalidade, no último dia daquela edição olímpica.

A boa fase se manteve no ciclo seguinte. Yane Marques foi medalhista de prata no Mundial de 2013, bronze no de 2015 e campeã pan-americana no mesmo ano. Uma votação popular a credenciou a ser a porta-bandeira do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, onde chegou novamente com chances de medalha. Uma participação ruim na esgrima, porém, deixou a pernambucana na 23ª posição.

Pentatlo Moderno
Maria Iêda Guimarães nos Jogos Pan-Americanos de 2019 - Foto: Jonne Roriz/COB
Seguindo o legado de Yane Marques, que se aposentou do esporte após os Jogos Olímpicos do Rio, Maria Iêda Guimarães será a representante do Brasil no pentatlo moderno em Tóquio. A carioca de 21 anos, quarta colocada nos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019, busca surpreender e trazer um bom resultado para o esporte brasileiro.

Quais são as provas do pentatlo moderno

FORMATO DE DISPUTA
Em Tóquio, 36 atletas por gênero competirão na prova individual. O primeiro evento a ser realizado será a rodada inicial da esgrima. Os atletas se enfrentarão em um sistema de todos contra todos, em um duelo de apenas um toque. Quem pontuar primeiro acumula uma vitória. Depois, o número de vitórias é convertido em uma pontuação padrão, que servirá para ranquear os esportistas.

Ao final dos embates, uma rodada bônus será disputada no dia seguinte. Nessa etapa, o penúltimo e o último colocados do ranking da esgrima se enfrentam em um duelo de um toque. Quem vencer ganha um ponto adicional e avança para medir forças com o antepenúltimo colocado. As partidas continuam nesse sistema até chegar ao primeiro colocado do ranking.

Yane em jogo de esgrima na Rio 2016 - Foto: Flávio Florido/COB
Entre as duas etapas da esgrima, os pentatletas cairão na piscina para percorrer uma distância de 200 metros. O tempo obtido é convertido em pontos de acordo com uma tabela-padrão: quanto mais rápido o atleta, mais pontos ele soma. Na sequência, a próxima parada é o hipismo. Os participantes passam por um circuito de 12 obstáculos montando um cavalo desconhecido. A pontuação é obtida considerando os erros, as refugadas e o tempo limite da prova.

Por fim, os atletas partem para a última etapa: a corrida combinada com tiro. Nesse momento, os pontos conquistados nos eventos anteriores se transformam em vantagem na largada. Os líderes da competição largam primeiro, com os demais sendo liberados em ordem escalonada seguindo a pontuação.

Maria Iêda atirando no Pan de Lima 2019 - Foto: Jonne Roriz/COB
A corrida consiste em uma sessão de tiro, em que os participantes devem acertar cinco alvos, recarregando a cada tiro, seguida por uma corrida de 800 metros. Não há penalização para tiros errados, mas, ao não acertar o alvo em uma tentativa, o pentatleta acaba perdendo tempo. A combinação tiro-corrida é repetida quatro vezes. A primeira pessoa a cruzar a linha de chegada será coroada campeã olímpica.

ANÁLISE

FEMININO
Esgrima: 05/08 às 01h
Natação: 06/08 às 02h30
Rodada bônus da esgrima: 06/08 às 03h45
Hipismo: 06/08 às 05h15
Corrida com tiro: 06/08 às 07h30

Número de atletas participantes: 36, de 23 países
Favoritas ao ouro: Anastasiya Prokopenko (BLR), Élodie Clouvel (FRA) e Michelle Gulyas (HUN);
Candidatas ao pódio: Laura Asadauskaite (LIT), Kate French (GBR), Annika Schleu (ALE) e Volha Silkina (BLR);
Podem surpreender: Elena Micheli (ITA), Rebecca Langrehr (ALE), Joanna Muir (GBR) e Gulnaz Gubaydullina (ROC).
Brasil: Maria Ieda Guimarães

O pentatlo moderno foi uma das poucas modalidades a ter seu Campeonato Mundial disputado em 2021. O evento ocorreu em Cairo, no Egito, em junho. Entre as mulheres, o título ficou com a experiente Anastasiya Prokopenko, de Belarus. Aos 35 anos, Prokopenko já havia sido campeã mundial individual em 2018. Dez anos antes, foi bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Se manter a boa fase, é uma das favoritas ao ouro em Tóquio.

Anastasiya Prokopenko no Mundial de 2021 - Foto: Divulgação/UIPM
Uma de suas principais rivais é a francesa Élodie Clouvel. Prata nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, Clouvel foi vice-campeã mundial neste ano, tendo a melhor performance na natação entre todas as atletas na final. Se conseguir ir bem nos demais eventos, é forte candidata ao título. Outro nome importante na briga pelo ouro é o da húngara Michelle Gulyas, líder do ranking mundial e medalhista de bronze em Cairo. 

Entre as classificadas, também chama a atenção o nome da lituana Laura Asadauskaite. Campeã olímpica em Londres 2012 e mundial em 2013, Asadauskaite caminha para a reta final da carreira. Aos 37 anos, a pentatleta não fez uma boa final de Mundial neste ano, mas uma ex-recordista olímpica da modalidade não pode ser descartada da briga.

Quem também pode ir longe é a britânica Kate French, que venceu a final da Copa do Mundo neste ano e é a atual vice-líder do ranking mundial. A alemã Annika Schleu foi vice na Copa do Mundo, enquanto Volha Silkina (BLR) foi campeã mundial em 2019 e bronze por equipes em 2021. As duas são candidatas ao pódio.

Por fim, correm por fora a italiana Elena Micheli, a alemã Rebecca Langrehr, a britânica Joanna Muir e a russa Gulnaz Gubaydullina. A brasileira Maria Ieda Guimarães não deve brigar pelos lugares mais altos e compete por seu melhor desempenho pessoal.

MASCULINO
Esgrima: 05/08 às 04h30
Natação: 07/08 às 02h30
Rodada bônus da esgrima: 07/08 às 03h45
Hipismo: 07/08 às 05h15
Corrida com tiro: 07/08 às 07h30

Número de atletas participantes: 36, de 26 países
Favorito ao ouro: Ádám Marosi (HUN);
Candidatos ao pódio: Valentin Prades (FRA); Alexander Lifanov (ROC), Ahmed Elgendy (EGY), James Cooke (GBR) e Valentin Belaud (FRA);
Podem surpreender: Joseph Choong (GBR), Pavlo Tymoshchenko (UKR), Fabian Liebig (ALE), Woongtae Jun (KOR) e Ahmed Hamed (EGY).
Brasil: não tem

No masculino, quem venceu o Campeonato Mundial deste ano foi o húngaro Adam Marosi. Marosi já havia sido campeão do mundo em 2009 e bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Aos 36 anos, o atleta tenta vencer seu primeiro título olímpico e dar à Hungria a primeira conquista no individual masculino desde Seul 1988. Como campeão do mundo e líder do ranking, ele é o grande favorito ao ouro em Tóquio.

Adam Marosi no Mundial de 2021 - Foto: Divulgação/UIPM
Representando o Comitê Olímpico da Rússia, Alexander Lifanov foi medalhista de prata em Cairo. O russo de 25 anos de idade foi uma boa surpresa na competição, tendo subido ao pódio em sua primeira participação em Campeonatos Mundiais. Além disso, ele ainda não havia medalhado em nenhuma etapa da Copa do Mundo. O bom resultado no Egito faz com que ele suba de patamar e se credencie como um dos candidatos ao pódio em Tóquio.

Outro nome interessante é o egípcio Ahmed Elgendy. Aos 21 anos de idade, Elgendy traz no currículo o título de campeão dos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, em 2018, quando a ótima geração de pentatletas do Egito despontou para o mundo. No Mundial deste ano, competindo em casa, ele foi medalhista de bronze depois de uma excelente prova combinada de corrida e tiro, saindo da 15ª para a 3ª posição. Seu compatriota, Ahmed Hamed, também foi bem, terminando em 4º. Os dois são candidatos ao pódio em Tóquio.

Pela França, dois “Valentins” também aparecem como nomes fortes na briga por medalhas: Valentin Prades, vice-campeão do mundo em 2018; e Valentin Belaud, dono dos títulos mundiais de 2016 e 2019. Os dois não fizeram um bom Mundial, mas aparecem no Top 10 do ranking da UIPM.

Mais um país com uma dupla que promete dar trabalho é a Grã-Bretanha, que conta com James Cooke - campeão mundial em 2018 - e Joseph Choong - vencedor da final da Copa do Mundo de 2019. Único medalhista olímpico no páreo, o ucraniano Pavlo Tymoshchenko corre por fora, enquanto o alemão Fabian Liebig e o sul-coreano Woongtae Jung se credenciam ao pódio pela boa participação no Mundial de 2021, em que terminaram em 5ª e 6º, respectivamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário