Caos. Essa é a melhor palavra que a coluna encontrou para resumir o que é esta temporada do voleibol brasileiro. As partidas de alto nível ficaram em segundo plano, quiçá estejam acontecendo. Na verdade, o péssimo piso amarelo é sempre destaque das partidas, ofuscando o bom voleibol que tenta permanecer. 


Jogada péssima e suja. Logo o jornalista Demétrio Vecchioli, do blog Olhar Olímpico, apresentou provas documentais das irregularidades na compra dos pisos de terceira linha e que nem mesmo a FIVB aprova. Sem contar a tentativa da CBV de ofuscar a compra com a marca Enlio, uma empresa da China. Uma pena que o espetáculo seja destruído exatamente por quem produz.


Fora das quadras, é a disparada de surtos de Covid-19 nas equipes que ganham as 'manchetes' dos sites. Brasília, Sesc Flamengo, Apan Blumenau, Sesi Bauru e mais recentemente Osasco, são as equipes que apresentaram surtos da doença, mostrando que o protocolo estabelecido pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) é falho. É assustador como um campeonato do nível da Superliga confie em testes rápidos para seguir um torneio sem problemas. Sério que não havia um protocolo com pequenas bolhas ou um plano B?


Preciso dizer o tamanho do absurdo que é ter um campeonato rolando e os árbitros não serem testados? Pois é, isso acontece.



Com os jogos adiados e o coronavírus voltando com força em nosso país, me arrisco a dizer que a Superliga corre o risco de novamente terminar sem campeão. O calendário está apertado e já há partidas adiadas suficientes para preencher mais de uma rodada no feminino.


A pressão em cima da Confederação é gigantesca, assim como a crise instalada e provocada por ela. Nos bastidores, dirigentes das federações têm batido boca e até conversas de Whatsapp foram vazadas e expostas no blog do Bruno Voloch. As eleições da Confederação estão se aproximando e as chapas não querem perder o seu, a briga faz sentido, mesmo que a disputa não seja a favor do esporte.


Até quando atletas vão continuar submissos a uma confederação? A tentativa de calar Carol Solberg em episódio no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia é uma prova de que a CBV não está do lado de quem faz acontecer. 


Dirigentes também jogam contra, como o Praia Clube, Curitiba, São José dos Pinhais e São Caetano em votação para a volta do tradicional piso salmão e azul piscina. Por que votar 'não', já que é um piso que pode lesionar uma atleta e foi comprado com irregularidades? Falta pulso firme para cobrar da CBV que ela arque com os problemas que implantou. Não dá para haver 'rabos presos' ou medos de retaliações.


É uma pena que o voleibol, tão amado pelo torcedor brasileiro, esteja em mãos tão ruins. A união faz a força e é disso que o vôlei brasileiro precisa. Uma nova liga, seguindo o bom exemplo da NBB, tem que ser discutida e o esporte tomado como destaque. Não é o que vem acontecendo. A realidade é dura e algo precisa ser feito.


Foto em destaque: Wander Roberto/Inovafoto/CBV